Gaza já não existe. A destruição é total. As pessoas fogem. Mulheres, crianças, velhos tentam escapar aos assassinos.
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Gaza já não existe. A destruição é total. As pessoas fogem. Mulheres, crianças, velhos tentam escapar aos assassinos.
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Sobreviveu a mais uma noite de bombardeamentos, mas ficou só na vida aos cinco anos. Júlia Mousab é mais uma criança órfã a viver no sítio mais perigoso do mundo, a Faixa de Gaza.
Vejam o vídeo.
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Fotografia de um tempo menos dramático, Júlia com o pai e a mãe.

Manifestação de trabalhadores não docentes das escolas de Sintra.
Os manifestantes dizem que a autarquia de Sintra pretende impor aos assistentes operacionais nas escolas um regime de polivalências que pode colocar crianças em risco, no caso de problemas relacionados com a saúde. Os assistentes operacionais não são enfermeiros nem auxiliares de enfermagem e recusam essas tarefas.
Algumas dezenas de profissionais não docentes das escolas de Sintra em protesto em frente à Câmara Municipal, contra a sobrecarga de trabalho e a atribuição de funções para os quais não estão preparados.
Dizem estes trabalhadores que tarefas que cabem aos profissionais de saúde estão a ser entregues aos assistentes profissionais, nomeadamente no acompanhamento a alunos com necessidades educativas específicas.

Os assistentes operacionais não são enfermeiros nem auxiliares de enfermagem e recusam essas tarefas.

Dizem que Sintra é um mau exemplo no que diz respeito à gestão das escolas e que põe em causa o conceito de escola inclusiva, quando não disponibiliza profissionais capacitados para funções específicas, como é o caso dos cuidados a prestar a crianças com necessidades educativas especiais.

Para alimentar o desprezo pelos políticos, nada melhor que passar a imagem de que se vendem por um prato de lentilhas. Os almoços pagos como contrapartida de favores são, até agora, um dos condimentos desta intrigalhada.
Para o Ministério Público, almoços bem regados são indício de corrupção. Uma refeição para três que custou 564 € ou uma outra para quatro que custou 1.031 €, sempre pagas por um administrador da empresa Start Campus, são parte das evidências recolhidas contra João Galamba. Os procuradores deverão pensar que se Galamba não pagou logo ali o que comeu será porque iria pagar em ‘géneros’ mais tarde. Na indiciação, o Ministério Público considera que estas condutas são socialmente desadequadas. Mas será preciso provar que houve crime.
A maior parte dos indícios serão imateriais, digamos assim. Baseiam-se em conversas que os arguidos tiveram entre si ao telefone. É espantoso como ainda há quem fale ao telemóvel sem cautelas, porventura gabando-se de coisas que nunca aconteceram.
Por exemplo, António Costa é mencionado em dezenas de escutas telefónicas. Os arguidos falam dele, mas nunca com ele. Afirmações tipo “O que é que o Rodrigo precisa? De uma chamada do primeiro-ministro a dizer que ele precisa de fazer isso?”, ouviram Afonso Salema dizer a Rui Oliveira Neves, ambos administradores da Start Campus. O Rodrigo será Rodrigo Costa, presidente da REN.
Também há referências a outros nomes, como, por exemplo, o ministro das Finanças. A propósito de uma questão administrativa, Diogo Lacerda Machado (o melhor amigo de Costa) foi escutado a dizer que “se for Finanças, eu falo logo com o Medina ou com o António Mendes que é o secretário de Estado, se for Economia, arranjo maneira depois de chegar ao próprio António Costa.”
Para já, é o que temos. Gabarolas que se fazem valer da proximidade com membros do Governo para terem justificação para eventuais pagamentos. A alguns deles, a Start Campus pagaria avenças de alguns milhares de euros por serviços prestados.
Mas o Ministério Público considera que Diogo Lacerda Machado foi figura chave de um pacto corruptivo com a Start Campus. Em troca de 143 mil euros (6.500 euros por mês), terá abusado da amizade com António Costa para favorecer a empresa que instalou um data center em Sines. Lê-se no despacho que Lacerda Machado exercia “influência e pressão sobre membros do Governo para determinar indevidamente o sentido dos atos desses membros e fazer com que os atos fossem praticados de forma mais célere, tudo em benefício do projeto Start Campus”.

Quase em segundo plano, mas dentro do mesmo processo judicial, decorrem as investigações sobre os negócios do lítio e do hidrogénio. Tudo aconteceu já há cerca de 5 anos, mas agora é que deu jeito despoletar o caso.
O MP diz ter dúvidas sobre a legalidade das aprovações administrativas e ambientais concedidas aos projetos das duas minas de lítio em Portugal. Em causa estão as aprovações da mina concessionada à Luso Recursos em Montalegre, e da mina da Savannah em Boticas, ambas no distrito de Vila Real.
No caso da mina do “Romano” em Sepeda, Montalegre, as suspeitas dos investigadores judiciais tiveram início quando se percebeu que o projeto da Luso Recursos foi aprovado 3 dias depois do registo da sociedade. Acrescem suspeitas quanto aos “procedimentos que rodearam a avaliação de impacto ambiental”, para as duas minas em causa.
Os investimentos na exploração do lítio e da instalação de uma fábrica de produção de hidrogénio foram mediados pelo ministro do Ambiente, Matos Fernandes e pelo secretário de Estado João Galamba. O facto de o consórcio vencedor do concurso para o hidrogénio ter sido “apadrinhado” pelo Governo, não deve ser alheio às suspeições dos procuradores.
Esta será minha última comunicação oficial como Diretor do Escritório de Nova York do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR).
Escrevo num momento de grande angústia para o mundo, inclusive para muitos dos nossos colegas.

Trabalho sobre questões de direitos humanos na Palestina desde a década de 1980, vivi em Gaza como consultor de direitos humanos da ONU na década de 1990 e realizei várias missões de direitos humanos no país antes e depois desses períodos, esta situação afeta-me pessoalmente.
Foi também nestes escritórios da ONU que trabalhei durante os genocídios contra os tutsis, os muçulmanos bósnios, os yazidis e os rohingyas. Em todos os casos, quando a poeira baixou sobre os horrores perpetrados contra populações civis indefesas, ficou dolorosamente claro que havíamos falhado em nosso dever de cumprir os imperativos de prevenir atrocidades em massa, proteger os vulneráveis e responsabilizar os perpetradores. O mesmo tem acontecido com as sucessivas ondas de assassinatos e perseguição de palestinos ao longo da existência das Nações Unidas.
Alto Comissário, estamos a falhar mais uma vez.
Como advogado de direitos humanos com mais de trinta anos de experiência neste campo, estou bem ciente de que o conceito de genocídio foi muitas vezes abusado politicamente. Mas a atual matança do povo palestino, enraizada em uma ideologia etnonacionalista colonial, uma continuação de décadas de perseguição e limpeza sistemáticas, baseada inteiramente na sua arabidade e associada a declarações explícitas de intenção do governo israelita e de líderes militares, não deixa espaço para dúvidas ou debates.

Na Cisjordânia, incluindo Jerusalém ocupada, as casas são confiscadas e as pessoas expulsas exclusivamente com base na raça. Além disso, pogroms violentos perpetrados por colonos são acompanhados por unidades militares israelitas. O apartheid reina em todo o país.
Este é um caso exemplar de genocídio. O projeto colonial e etnonacionalista europeu de colonização na Palestina entrou na fase final, rumo à destruição acelerada dos últimos vestígios da vida indígena palestina na Palestina. Além disso, os governos dos Estados Unidos, do Reino Unido e de grande parte da Europa são cúmplices desse terrível ataque. Esses governos não só se recusam a cumprir suas obrigações de “garantir a conformidade” com as Convenções de Genebra, como também estão ativamente armando a ofensiva, fornecendo apoio económico, militar e cobertura política e diplomática para as atrocidades de Israel.
Da mesma forma, a media corporativa ocidental, cada vez mais a mando dos governos, viola o Artigo 20 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, desumanizando os palestinos para justificar o genocídio e disseminar propaganda de guerra e apelos ao ódio nacional, declarações raciais ou religiosas que constituem incitação à discriminação, hostilidade e violência. As empresas de media social sediadas nos EUA abafam as vozes dos ativistas de direitos humanos enquanto amplificam a propaganda pró-Israel. Os ‘policias’ da internet do lobby de Israel assediam e difamam os defensores dos direitos humanos, e as universidades e os empregadores ocidentais colaboram com eles para punir aqueles que ousam manifestar-se contra as atrocidades. Na esteira desse genocídio, esses atores também serão responsabilizados, como foi o caso da Radio des Milles Collines em Ruanda.
Em tais circunstâncias, nossa organização é mais do que nunca chamada a agir de maneira eficaz e com princípios. Mas não estivemos à altura desse desafio. O poder de proteção do Conselho de Segurança foi mais uma vez bloqueado pela intransigência dos EUA, o Secretário-Geral está sendo atacado pelos seus protestos e os mecanismos de direitos humanos são alvo de ataques caluniosos apoiados por uma rede on-line organizada que defende a impunidade.
Décadas de distração com as promessas ilusórias e amplamente decepcionantes de Oslo desviaram a organização do seu dever essencial de proteger o direito internacional, os direitos humanos e a própria Carta. O mantra da “solução de dois Estados” tornou-se uma piada aberta nos corredores das Nações Unidas, tanto pela total impossibilidade na prática quanto pela incapacidade de levar em conta os direitos humanos inalienáveis do povo palestino. O chamado “Quarteto” nada mais é do que uma folha de figueira para a inação e a submissão a um status quo brutal. A referência (escrita pelos EUA) a “acordos entre as próprias partes” (em vez de leis internacionais) sempre foi um truque óbvio, com o objetivo de fortalecer o poder de Israel contra os direitos dos palestinianos reprimidos e despossuídos.
Senhor Alto Comissário, entrei para esta Organização na década de 1980 porque encontrei uma instituição baseada em princípios e padrões que estavam resolutamente do lado dos direitos humanos, mesmo quando os poderosos Estados Unidos, o Reino Unido e a Europa não estavam do nosso lado. Enquanto o meu próprio governo, as suas instituições subsidiárias e grande parte dos media americanos continuavam a apoiar ou justificar o apartheid sul-africano, a opressão israelita e os esquadrões da morte da América Central, as Nações Unidas defendiam os povos oprimidos desses países. Tínhamos o direito internacional do nosso lado. Tínhamos os direitos humanos do nosso lado. Tínhamos os princípios do nosso lado. A nossa autoridade estava enraizada na nossa integridade. Mas esse não é mais o caso.
Nas últimas décadas, membros importantes das Nações Unidas se curvaram ao poder dos Estados Unidos e ao medo do lobby israelita, abandonando esses princípios e renunciando ao próprio direito internacional. Perdemos muito com esse abandono, inclusive a nossa própria credibilidade. Mas foi o povo palestino que sofreu as maiores perdas por causa de nossos fracassos. Ironicamente, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi adotada no mesmo ano em que a Nakba foi perpetrada contra o povo palestino.
Ao comemorarmos o 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, faríamos bem em abandonar o mito banal de que a DUDH nasceu das atrocidades que a precederam e admitir que ela nasceu ao mesmo tempo que um dos genocídios mais hediondos do século XX, o da destruição da Palestina.

Também não devemos esquecer que as Nações Unidas cometeram o pecado original de facilitar a desapropriação do povo palestiniano ao ratificar o projeto colonial europeu que se apoderou das terras palestinas e as entregou aos colonos. Temos muito para pedir desculpas.
Mas o caminho da expiação é claro. Temos muito a aprender com a posição de princípios adotada nos últimos dias em cidades do mundo todo, onde milhões de pessoas se manifestam contra o genocídio, mesmo correndo o risco de serem espancadas e presas. Os palestinianos e os seus aliados, ativistas de direitos humanos de todos os tipos, organizações cristãs e muçulmanas e vozes judaicas progressistas dizendo “não em nosso nome” mostram-nos o caminho. Tudo o que temos a fazer é segui-los.
Ontem, a apenas alguns quarteirões daqui, a Grand Central Station de Nova York foi invadida por milhares de defensores judeus dos direitos humanos, solidários com o povo palestiniano e exigindo o fim da tirania israelita (muitos deles correndo o risco de serem presos). Ao fazer isso, eles deixaram de lado o argumento da propaganda hasbara israelita (e o velho clichê do antissemitismo) de que Israel, de alguma forma, representa o povo judeu. Esse não é o caso. E, como tal, Israel é o único responsável pelos seus crimes. Nesse sentido, vale a pena repetir, apesar da calúnia do lobby de Israel, que a crítica às violações dos direitos humanos de Israel não é antissemita, assim como a crítica às violações sauditas não é islamofóbica, a crítica às violações de Mianmar é antibudista ou a crítica às violações indianas é anti-hindu. Quando nos tentam silenciar caluniando-nos, em vez de nos silenciar, devemos erguer nossas vozes. Espero que concorde, Sr. Alto Comissário, que essa é a essência de falar a verdade ao poder.
Mas também encontro esperança em todos os membros das Nações Unidas que, apesar da enorme pressão, se recusaram a comprometer os princípios de direitos humanos da Organização. Os relatores especiais independentes, comissões de inquérito, bem como a maioria de nossos funcionários, continuaram a defender os direitos humanos do povo palestiniano, mesmo quando outros membros das Nações Unidas (inclusive nos níveis mais altos) se curvaram vergonhosamente aos poderosos. Como guardião dos padrões de direitos humanos, o OHCHR tem um dever especial de defendê-los. Nossa tarefa, acredito, é fazer com que nossa voz seja ouvida, desde o Secretário-Geral até o último recruta da ONU e, horizontalmente, em todo o sistema da ONU, insistindo para que os direitos humanos do povo palestiniano sejam debatidos, negociados sob a bandeira azul.
Então, como seria uma posição baseada nos padrões da ONU? Em que estaríamos trabalhando se fôssemos fiéis às nossas exortações retóricas sobre direitos humanos e igualdade para todos, responsabilização dos criminosos, reparações para as vítimas, proteção dos vulneráveis e empoderamento dos detentores de direitos, tudo dentro da estrutura do Estado de Direito? A resposta, acredito, é simples: se tivermos a lucidez de olhar além das cortinas da fumaça propagandística que distorcem a visão de justiça à qual prestámos juramento, a coragem de abandonar o medo e a deferência aos Estados poderosos e a vontade de erguer a bandeira dos direitos humanos e da paz. É verdade que esse é um projeto de longo prazo e um caminho íngreme. Mas precisamos começar agora, a menos que nos rendamos a um horror indescritível. Vejo dez pontos fundamentais:
1. Ação legítima: primeiro, nós, nas Nações Unidas, devemos abandonar o fracassado (e amplamente falacioso) paradigma de Oslo, a ilusória solução de dois Estados, o seu Quarteto impotente e cúmplice e a subversão do direito internacional aos ditames de seus supostos méritos políticos. Nossas posições devem se basear inequivocamente nos direitos humanos e no direito internacional.
2. Uma visão clara: devemos parar de fingir que se trata apenas de um conflito territorial ou religioso entre duas partes beligerantes e admitir a realidade da situação, que é a de que um Estado com poder desproporcional está a colonizar, a perseguir e a desapropriar uma população indígena com base na sua etnia.
3. Um único Estado com base nos direitos humanos: devemos apoiar o estabelecimento de um único Estado democrático e secular em toda a Palestina histórica, com direitos iguais para cristãos, muçulmanos e judeus e, consequentemente, o desmantelamento do projeto colonialista profundamente racista e o fim do apartheid em todo o território.
4. Luta contra o apartheid: devemos redirecionar todos os esforços e recursos da ONU para a luta contra o apartheid, como fizemos com a África do Sul nas décadas de 1970, 1980 e início da década de 1990.
5. Retorno e compensação: devemos reafirmar e insistir no direito de retorno e na compensação total para todos os palestinianos e as suas famílias que vivem atualmente nos territórios ocupados, no Líbano, na Jordânia, na Síria e na diáspora em todo o mundo.
6. Verdade e justiça: devemos exigir um processo de justiça transicional, fazendo pleno uso das décadas de investigações, pesquisas e relatórios acumulados pela ONU, a fim de documentar a verdade e garantir a responsabilização de todos os criminosos, a indemnização de todas as vítimas e a reparação das injustiças documentadas.
7. Proteção: devemos insistir no envio de uma força de proteção da ONU com recursos suficientes e um forte mandato para proteger os civis.
8. Desarmamento: devemos defender a retirada e a destruição dos arsenais de armas nucleares, químicas e biológicas de Israel, evitando assim que o conflito leve à destruição total da região e, quem sabe, de outros lugares.
9. Mediação: devemos reconhecer que os EUA e outras potências ocidentais não são mediadores confiáveis, mas partes do conflito, que são cúmplices de Israel na violação dos direitos palestinianos, e devemos confrontá-los como tal.
10. Solidariedade: devemos abrir nossas portas (e as da Secretaria Geral) para as legiões de defensores dos direitos humanos palestinianos, israelitas, judeus, muçulmanos e cristãos que se solidarizam com o povo da Palestina e os seus direitos, e interromper o fluxo descontrolado de lobistas israelitas para os escritórios dos líderes da ONU, onde eles defendem a continuação da guerra, da perseguição, do apartheid e da impunidade, ao mesmo tempo em que denigrem os nossos defensores dos direitos humanos pelas suas posições de princípio sobre os direitos palestinianos.
Levará anos para chegarmos lá e as potências ocidentais nos combaterão a cada passo do caminho, portanto, devemos ser firmes. Devemos trabalhar por um cessar-fogo imediato e pelo fim do cerco a Gaza, opor-nos à limpeza étnica de Gaza, Jerusalém, Cisjordânia (e outros lugares), documentar o ataque genocida a Gaza, ajudar a fornecer aos palestinianos ajuda humanitária e reconstrução em massa, cuidar de nossos colegas traumatizados e de suas famílias e lutar com todas as forças para garantir que a abordagem dos escritórios políticos da ONU seja baseada em princípios.
O fracasso da ONU na Palestina não é motivo para desistirmos. Pelo contrário, ele deve nos incentivar a abandonar o paradigma fracassado do passado e adotar plenamente um curso de ação mais baseado em princípios.
Como OHCHR, vamos nos unir com coragem e orgulho ao movimento antiapartheid que cresce em todo o mundo, acrescentando o nosso logotipo à bandeira da igualdade e dos direitos humanos para o povo palestiniano. O mundo observa-nos.Todos nós seremos responsabilizados pela nossa posição neste momento crucial da história. Vamo-nos colocar no lado da justiça.
Obrigado, Alto Comissário Volker, por ouvir este meu último apelo. Daqui a alguns dias, deixarei este escritório, após mais de três décadas de serviço. Mas, por favor, não hesite em entrar em contato comigo se eu puder ser útil no futuro. Queira aceitar, Sr. Presidente, a expressão de meus distintos cumprimentos,
Craig Mokhiber
Segundo se depreende pelas informações que têm sido disseminadas por diversas fontes ligadas ao processo que levou à demissão do primeiro-ministro, o ministro João Galamba terá invocado orientações do primeiro-ministro para justificar o alegado favorecimento à empresa Start Campus no licenciamento das minas de lítio em Montalegre e Boticas, em Vila Real, um projeto de produção de energia a partir de hidrogénio em Sines, Setúbal, e o projeto de construção de um ‘data center’ na Zona Industrial e Logística de Sines.
A esta hora, Costa deve estar a pensar que mais valia ter feito a vontade a Marcelo, quando o Presidente da República quis que Galamba fosse demitido, na sequência do caso de violência física entre assessores do seu gabinete e que levou à intervenção dos serviços secretos para resgatar um computador do ministério que o assessor Frederico Pinheiro tinha em seu poder. Um incidente que terá sido despoletado por alegadas ameaças de violência física proferidas pelo ministro contra o assessor e o posterior despedimento de Frederico Pinheiro.
Na altura, Costa fez questão de dizer que quem mandava no Governo era ele e não Marcelo. Agora, foi o que se viu.
Além de Galamba, a investigação aos negócios do lítio e hidrogénio tem nove arguidos, cinco dos quais estão detidos: Vítor Escária, Diogo Lacerda Machado, Nuno Mascarenhas (presidente da Câmara de Sines), Afonso Salema e Rui Neves (administradores da sociedade Start Campus).
Entre os arguidos estão ainda João Tiago Silveira, advogado e antigo porta-voz do PS, e a empresa START – Sines Transatlantic Renewable & Technology Campus SA.
Nas buscas policiais, foram apreendidos 75.800 euros em numerário no gabinete de Vítor Escária, o chefe de gabinete de António Costa. O dinheiro estava dividido em envelopes, introduzidos em diferentes livros, em diferentes prateleiras.
Não é comum alguém ter tanto dinheiro no local de trabalho. Já a “arrumação” das notas pode indiciar que Vítor Escária não confiava nos restantes frequentadores do espaço e que a divisão seria para minimizar prejuízos em eventuais roubos. A justificação para a “massa” estar ali e não numa conta bancária ou num cofre oficial do Estado é que ainda não foi divulgada.

A história – que remonta aos primórdios do século VI a. C. – é contada na Bíblia, onde os lamentos e as visões dos profetas mui significativamente a enquadram: Nabucodonosor, o grande rei de Babilónia, capital da Assíria, vence os Hebreus e leva-os de cativeiro para as terras entre o Tigre e o Eufrates.

Pode o leitor, se tiver um bocadinho de tempo e lhe aprouver, pôr esses mapas antigos em cima dos actuais e, estou certo, até é capaz de ficar surpreendido e poderá comentar de imediato: «Pois é, a história repete-se!». E é verdade. Não com as mesmas armas mas com as mesmas motivações: religiosas e económicas ou económicas e religiosas, porque a religião (sabe-se bem) é, cada vez mais, a capa ideal para os interesses económicos.
E, assim, os produtores do espectáculo do dia 3 no Salão Preto e Prata do Casino Estoril puderam projectar em pano de fundo imagens actuais da devastação provocada pelos mísseis, em jeito de mui ténue comparação com a devastação que a guerra entre Assírios e Hebreus terá provocado (Jerusalém foi destruída em 587 a. C.). E tal como hoje, embora as ruínas impressionem, o acento foi então posto nas pessoas, nos reféns, na escravização. E disso falam os profetas, incitando o seu povo a ter confiança no deus todo-poderoso que, um dia, os irá libertar.

No libreto, escrito por Temistocle Solera, da ópera que se deve ao enorme génio de Giuseppe Verdi, tudo acabará por se resolver através de intrigas amorosas e, mesmo em cadeira de rodas, Nabucodonosor quer, a todo o custo, manter-se senhor de todos os poderes. Acabará por não conseguir. Bom presságio, agora? Na ópera tudo se passa há milénios, senhores! No entanto, escrita durante a época da ocupação austríaca no Norte de Itália e representada, pela primeira vez, em 1842, no Scala de Milão, o Coro dos Escravos tornou-se o hino da resistência italiana.
O Grupo Chiado, promotor da iniciativa, reduziu a dois os quatro actos que o libreto assinala. Sobre a cena, legendas numa faixa vão dando tópicos sobre o que no palco se observa. A Hesperian Symphony Orchestra, dirigida por Antonio Ariza Momblant, sublinha cada movimento e vai encantar-nos, claro, quando, vestidos de escarlate, os hebreus cantam o jamais ultrapassado coro dos escravos: «Va, pensiero, sull’ali dorate, Va’, ti posa sui clivi, sui colli…», «Vai, pensamento, sobre asas douradas. Vai, pousa-te nas encostas e no topo das colinas, onde, mornas e macias, nos perfumam as doces brisas do solo natal! Saúda as margens do rio Jordão e as torres derrubadas de Jerusalém»… – a saudade do sempre ansiado regresso!

Coube a direção de cena a Ignacio García. E, mais uma vez, a produção não achou de interesse disponibilizar qualquer informação acerca da identificação dos actores e dos respectivos papéis. É pena! Mas o espectáculo encheu as medidas de quantos tiveram a dita de a ele assistir. Aliás, esteve lotado o Salão Preto e Prata e, no final, fartos foram os aplausos, de pé!

Fotos de Conceição Alves gentilmente cedidas pelo Gabinete de Imprensa do Casino Estoril
Não foi festa premeditada, mas acabou por ser, na verdade, quase uma tertúlia das mais variadas concepções de fazer Arte e de nos transmitir Beleza. Esteve, de facto, invulgarmente concorrida a abertura, ao final da tarde de sábado, 4, da 37ª edição do Salão de Outono.

37 edições anuais é mesmo muita edição! Quis, pois, o director da galeria do Casino Estoril, Pedro Lima de Carvalho, anunciar a mostra com mui primoroso catálogo outonal, a merecer encómios.
Depois, passa-se de escultura em escultura, de tela em tela e a diversidade encanta, ainda que algumas das peças expostas já venham de outras ocasiões, dado que pertencem ao acervo que a própria galeria foi guardando.
Tocou-nos o inusitado fósforo, de Filipa Antunes, chama multicolorida de que precisados andamos, ao não vislumbrarmos a cada vez mais longínqua luz ao fundo do túnel do caos em que as nações andam mergulhadas.

Gostaríamos que nos invadisse a serenidade deitada que emana do corpo pintalgado que Gustavo Fernandes nos quis mostrar.

Preferiríamos não ver enjaulada a rosa que Carlos Ramos prendeu – que o encanto das flores merece espairecer.

Surpreende-nos o requinte tridimensional dos desenhos de João Feijó.

Continuam a seduzir-se as suaves aguarelas de Paulo Ossião: a visão de uma Lisboa de casario, como se não estivesse povoada já, a todas as horas, de alienígenas turbas curiosas.

E Daniela Anghel deixou, por ora, as suas imagens imponentes e preferiu mostrar-nos, tímida, uma jovem de outrora a espreitar por detrás duma floresta iluminada…

E há mais, muito mais! Rol imenso de sensações – a postular uma visita pausada, porque, ali, durante este mês de Novembro, na semipenumbra da sala, até apetece estar.

A sua poesia é um suspiro, um alívio que sai de cima do peito fustigado; os olhos são de menino [in Menino e Moço] – fogem para a infância em Leça, Lixa, Póvoa e Trás-os-Montes –, para um ambiente burguês que, com efeito, experimentou, embora não o tenha definido; a mão que guiava a pena entristecia com a pátria presa na eterna convalescença financeira, moral e intelectual: e, contudo, como havia notado Fernando Pessoa, “(…) ele foi o primeiro a pôr em europeu este sentimento português das almas e das coisas ,que tem pena de que umas não sejam corpos, para lhes poder fazer festas, e de que outras não sejam gente , para poder falar com elas.” – por exemplo em “O meu cachimbo”: “Ó meu cachimbo! Amo-te imenso/ Tu, meu thuribudo sagrado! // Fumo? E ocorre-me à lembrança/ Todo esse tempo que lá vai (…)”.
De obra em vida, deixou-nos Só (1892) “que é o livro mais triste que há em Portugal!”, e postumamente Despedidas (1902), Primeiros Versos (1921), Alicerces (1983) – todo um corpus importante e memorável: Nobre foi o poeta finissecular do século XIX cujo decadente simbolismo transporta em si o retrato legítimo de uma aristocracia ingénua, porém, de um savoir-vivre Republicano e coevo, inclinado para a salutar paz de espírito que as moças portuguesas [in Purinhas] e animosas romarias lhe instigavam. A empresa de António Nobre, vale notar, culmina no rigor diletante dos seus versos, na métrica livre, no tom coloquial, em grande medida diarístico, que o deixa ser lido por todos. A sua poesia revela-nos um homem em luta com a morte, com a tuberculose, cujos fatos vão sendo de “pouca roda” para servirem no dia derradeiro [cf. Balada do Caixão]. Ainda almejou ir para Pretória na busca de ares mais secos e medicinais – infelizmente, esse sonho ficou por concretizar.
A grande súmula que podemos recordar é a de Pessoa, que com tanto carinho escreveu sobre Nobre – “Quando ele nasceu, nascemos todos nós. A tristeza que cada um de nós traz consigo, mesmo no sentido da sua alegria é ele ainda (…)”. Fica de mim, porém, o adeus, não o meu, mas o do poeta, que numa dimensão sempiterna soube dizer “Adeus! Eu parto, mas volto, breve// No meu regresso, que sol fará!” [in Adeus!].

(Para a redação deste artigo foram usados o Só, de António Nobre, e um artigo de F. Pessoa «À Memória de António Nobre»)
A economia do país no ultimo trimestre começou a dar sinais de recessão. Isto apesar do excedente orçamental. Neste começo do Outono agravou-se a luta dos médicos por melhores condições remuneratórias e de trabalho, a seguir vinham os enfermeiros, com inúmeras urgências a fechar, percecionando-se alguma intransigência de ambas as partes. O governo pelo que se percebe, não estava disposto a ceder muito mais aos médicos, e pressentia-se que desta forma o SNS estaria debaixo de fogo, não podendo dar resposta aos múltiplos casos clínicos que ocorrem no Inverno, em especial com crianças e idosos. Isto para não falar nos professores, cuja luta irá até à exaustão.
Com isto, não estou a afirmar que António Costa quisesse ir á boleia desta incursão do Ministério Público na acção do governo, por acaso não o deste, mas o da Geringonça, período no qual o Dr. Matos Fernandes era Ministro do Ambiente e João Galamba, Secretário de Estado, esquivando-se a tempos de crise.

A atitude tomada por António Costa ao demitir-se é de uma dignidade inquestionável. E louvo-lhe a sensatez e o sentido de Estado, em não se deixar arrastar num apodrecimento fétido, que acabaria por colocar o PS de novo nas bocas do mundo. É claro que de certa forma o país foi atirado para um cenário de provável ingovernabilidade, até porque eu não acredito numa nova ‘geringonça’ tão cedo, como não acredito que uma maioria de direita, ainda por cima com o Chega, possa dar um rumo ao país com estabilidade. Uma coligação ao centro entre os dois maiores partidos está fora de questão. Isso só aconteceria numa situação análoga à que se viveu no pós 25 de abril de 1974, ou numa situação de guerra iminente. A não ser que um dos partidos se queira subjugar ao outro, menorizando-se.
Há aqui no entanto um dado novo que foi lançado na vida politica portuguesa, que jamais tinha ocorrido. A actuação do Ministério Público (MP). Com buscas ao gabinete oficial do primeiro-ministro, pondo em causa a sua idoneidade. Eu vou partir do pressuposto que este órgão da justiça portuguesa conduziu e fundamentou bem as suas investigações e as suas suspeições. Não nos esqueçamos que pela primeira vez em Portugal cai um governo com base numa suspeita, no mínimo, de favorecimento a uma entidade privada por parte do chefe de Governo.

Se todas aquelas suspeitas e todo aquele folclore acabarem como muitos outros processos, em nada, alterando o Governo da República, apenas com base na suspeição de um pretenso telefonema, a descredibilização da Justiça será tão grande, que só com uma nova reformulação legislativa, não sei mesmo se constitucional, na forma de actuar do MP, poderá vir a solucionar o problema.
Estou em crer que o MP abriu um precedente um pouco leviano, e, caso não obtenha resultados palpáveis, a sua desastrosa forma de actuar acabará por ser virar contra si mesmo. Pior, com isso corre o risco de se politizar, o que por si só levanta um manto tenebroso sobre a nossa democracia.