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O MASSACRE DE GAZA

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As acusações de genocídio, limpeza étnica, crimes de guerra, não fazem parar a sanha vingativa de Israel. Os palestinianos vivem mais uma tragédia. O número de mortos e feridos já está estimado acima dos 11 mil, mais de 4 mil serão crianças. Nada justifica tamanha matança.

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Como alernativa ao YouTube, e sem restrições, podem visionar a reportagem no Telegram, em https://t.me/duaslinhas/872

ANTÓNIO COSTA FARTOU-SE

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As pressões do Ministério Público sobre o poder político têm sido cada vez maiores, embora sem grandes consequências. A grande maioria dos processos fica pelo inquérito, os ímpetos da investigação judicial acabam arquivados por falta de evidências capazes de levar os putativos prevaricadores até à barra do tribunal.

Sem acusações formais não há condenações, exceto a condenação que se consegue nas vielas da opinião pública. A responsabilidade dos procuradores nunca foi tão grande, porque indiciar um primeiro-ministro não se pode fazer de ânimo leve. O que se passou num caso precedente, o de Sócrates, não se pode repetir em nenhuma circunstância, seja na lentidão processual ou na falência jurídica.

O Ministério Público esticou a corda. Se falhar, terão de rolar cabeças forçosamente. Não se pode deitar abaixo um primeiro-ministro com leviandade. O comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR) diz que António Costa é alvo de uma investigação autónoma do Ministério Público num inquérito instaurado no Supremo Tribunal de Justiça relacionado com uma operação sobre negócios do lítio e hidrogénio verde. Há ainda informação da detenção de Vítor Escária, chefe de gabinete de António Costa, de Diogo Lacerda Machado, presidente da Câmara de Sines e de mais dois empresários. Além disto, foram constituídos arguidos o Ministro das Infraestruturas, João Galamba e o Presidente do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente”, Nuno Lacasta. Ou seja, uma mão cheia de gente próxima do poder.

Neste momento, a oposição política reclama eleições legislativas antecipadas, lembrando que Marcelo já antes tinha dito que se Costa saísse do Governo ele iria declarar a dissolução da Assembleia da República e convocar eleições.

O AMIGO BRASILEIRO

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“Hospital de Santa Maria abriu uma auditoria para perceber como é que duas gémeas brasileiras que residem no Brasil fizeram um tratamento de quatro milhões de euros em Portugal. Chegaram com consulta marcada e vários médicos foram contra. Há suspeitas de influência do Presidente da República, mas Marcelo nega. Contudo, apesar de um parecer desfavorável de todos os neuros pediatras do hospital, o tratamento avançou mesmo.

À TVI, Daniela Martins – mãe das crianças – confirmou que as bebés entraram no Santa Maria em finais de 2019 para serem tratadas, após terem conseguido obter a naturalização portuguesa justamente e só para esse fim. A progenitora precisou ainda que a nora e o filho do Presidente da República tinham interferido a seu favor. Entretanto, uma carta de indignação dos clínicos desapareceu dos registos hospitalares, tal como o dossiê de admissão das crianças.”

A noticia que estou a citar, apareceu nos jornais deste fim de semana. Levanta-se a suspeita sobre o mais alto magistrado da nação, através de familiares seus, residentes no Brasil. O Presidente nega, claro. Não havendo provas cabais, e ele sabe-o, mesmo que porventura tenha existido uma “mãozinha” sua, só tem de o negar. A moralidade é um conceito abstracto em politica. Só a legalidade faz parte dos cânones desta actividade.

Todos nós sabemos que a cunha nunca fica escarrapachada num papel. Basta retirar um requerimento do lugar certo e, por exemplo, colocando-o em segundo ou terceiro lugar, no monte dos papeis que terão despacho e provimento pela mão de alguém investido do poder de decisão, que ninguém vê. Tudo legal. Não deixa rasto e pode ser uma ajuda impressionante. Para muitos é a diferença entre sobreviver e morrer, numa cirurgia com meses de atraso. A este tipo de selectividade, que não o assente em critérios jurídicos e no caso em apreço, médico científico, chama-se cunha.

Dirão alguns: Temos de ser humanos. São crianças. Claro que temos de ser humanos. Não pode é haver humanos de primeira e humanos de segunda, ainda por cima com dinheiro público.

Independente do nosso mais alto magistrado da nação estar ou não envolvido, há algo que deixa os portugueses perplexos. Como é que alguém não residente no país, isto não significa que não tenha a nacionalidade portuguesa, chega aqui, já com consulta marcada, e vai tratar-se aos hospitais do SNS, sem que alguém, nomeadamente da tutela, questione se estes doentes estão elegíveis para esse tratamento e se há disponibilidade financeira. É que ao consumir-se um tratamento médico com estes custos, fica em falta a reposição de um novo stock, para outros que venham a seguir.

A CUNHA MOÇAMBICANA

Em Março de 2022 o Professor Marcelo Rebelo de Sousa fez uma visita a Moçambique. Nessa altura ocorreu um episódio, que só se veio a saber mais tarde, com o seu regresso a Lisboa. Supostamente ter-se-á tentado atrasar um voo comercial de Maputo para Lisboa, com claro prejuízo para os restantes passageiros, fazendo coincidir essa viagem com agenda presidencial. Uma daquelas ingenuidades de bajulador, coisa típica de certos ministros e secretários de estado. Em especial os mais incompetentes. Como o PR se dava bem com o governo, era preciso não criar atritos. Os outros que se lixem. Que esperem por sua Majestade.  

Em 2019 estávamos no último ano da Geringonça, altura em que estas crianças se deslocaram a Portugal para serem tratadas. Esta coligação partidária tinha corrido bem, sob o olhar “ternurento” do Presidente, uma espécie de antítese de Cavaco Silva. O PM e o PR ocultavam as suas divergências, punham-se de acordo em diversas matérias, e a sensação com que todos ficávamos era a de que ambos estavam comprometidos com as mesmas causas, pese embora os partidos à esquerda do PS, colocarem algum travão nessa colagem oportunista. Não me admira, pois, que, alguém dentro do governo, porventura à revelia do Presidente, numa tentativa de o comprometer no futuro, se tenha sabujado, aceitando fazer este jeito aos seus familiares, a residir no Brasil, com prejuízo para terceiros, residentes cá, e utilizadores do SNS.

Aquela auditoria do Hospital de Santa Maria acabará como centenas de outras com uma mão cheia de nada. Nunca saberemos quem meteu a cunha. Nunca se saberá se isto não foi uma armadilha ao irrequieto Professor Marcelo. Talvez nem consultando o oráculo, algum Deus nos saiba responder. Até porque género politico português é da família do Diabo.

NÃO BRINQUEM COM O SNS

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Não é por acaso que vemos o PSD, IL e Chega, sempre colados às posições das Confederações Patronais, Ordem dos Médicos, Associação dos Proprietários de Imóveis Urbanos, Hospitais Privados, etc.

A representatividade destes partidos no universo sindical, cooperativo e nas pequenas e médias empresas é diminuta, e mesmo quando isso acontece, é circunstancial. Dou um exemplo. A Ordem dos Enfermeiros, liderada por aquela vedeta, Ana Cavaco, amiga de André Ventura e sobrinha de Cavaco Silva. Se a estratégia dos enfermeiros foi escolher para liderar a sua ordem profissional, alguém fora da esfera socialista, de preferência associada a um partido da oposição, para berrar mais alto e fazer finca pé, então digamos que poderiam ter escolhido melhor. Ser-se desbocado e por vezes falacioso, retira credibilidade à pessoa em si. Já os dois sindicatos médicos, a FNAM e o SIM, parecem-me estarem mais bem representados. Até mesmo os dirigentes da sua Ordem.

GOVERNAR É REDISTRIBUIR

Tal como o PSD e o resto da direita estão associados a um determinado universo sociológico, o PS também tem o seu. Muito mais abrangente do que todos os outros partidos. E é aí que começam os problemas. Agradar a Gregos e a Troianos.

O Orçamento de Estado aprovado na pretérita sexta feira reflete em certa medida isso mesmo. E até a divisão das verbas do PRR para o território e as várias actividades económicas parecem ir no mesmo sentido. Podemos discutir se o OE é bom ou mau. Se devia dar mais aqui e menos ali. Mas que ele está modulado para proteger um determinado grupo populacional, disso ninguém duvide. O aumento das pensões de reforma, a progressão nas carreiras da função pública, as creches, transportes públicos, etc. Tudo coisa pouca, mas que no final soma muitos milhares de milhão.

A HABITAÇÃO

É preciso dar segurança e previsibilidade às pessoas. Se o PS fez um esforço por mitigar os efeitos nefastos dos contratos a prazo e os falsos recibos verdes, com alterações à lei, a verdade é que ao nível da habitação social, pouco ou nada fez. Nem fez, nem vai fazer. Porque já todos percebemos que este governo privilegiou o turismo, o investimento imobiliário especulativo, em especial aquele estrangeiro que compra casa, em detrimento dos jovens portugueses. Vendem-se apartamentos básicos em Cascais e Oeiras, já nem falo de Lisboa, por 1 000 000 de euros. Apartamentos comuns, sem luxos, com 100 m², pagos a pronto.

A SAÚDE

Se pelo lado da habitação o PS não conquista mais um voto, já pelo lado da saúde, pode perder muitos, em detrimento, no mínimo, da abstenção. A maioria dos eleitores socialistas são defensores e utilizadores do SNS. Sentem confiança no seu sistema universal de saúde.

A batalha pela manutenção de um SNS com qualidade, passa também pelo direito a defender os direitos laborais e pecuniários de médicos e enfermeiros, para além, claro, de outros técnicos especializados que prestam cuidados no SNS.

ELEIÇÕES ANTECIPADAS

O Inverno aproxima-se a passos largos, com o tempo atmosférico a ajudar. Se no próximo semestre, até chegar de novo a primavera, a Saúde em Portugal se transformar num caos, com pessoas a morrer ou a ficar incapacitadas por falta de cuidados médicos, para além da tragédia humana, cuja dor e sentimento de perda só os familiares saberão dar valor, existe uma forte probabilidade de socialistas perderem as eleições europeias, como castigo pela inépcia e teimosia. E se essa perda for uma espécie de tombo, então teremos com toda a certeza umas eleições legislativas antecipadas. E aí o Presidente nem vai dar tempo ao governo de emendar a mão. São umas a seguir às outras. É só cumprir os prazos legais.

cartoon de Hélder Dias

O MUNDO CONTRA ISRAEL

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É um rugido de indignação que dá a volta ao mundo. Manifestações de repúdio contra o comportamento assassino do exército israelita na Gaixa de Gaza, estão a acontecer em todo o mundo.

De Paris a Bagdad, de Londres a Tóquio, de Madrid a Glasgow, de Berlim a Nova Iorque, o coro de críticas é imenso.

O Estado de Israel é acusado de genocídio do povo palestiniano, de proceder a limpeza étnica na Faixa de Gaza, de crimes de guerra face aos números de vítimas civis: 9.488 mortos, incluindo 3.900 crianças e 2.509 mulheres, desde 7 de outubro até hoje. E a contagem continua…

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ISRAEL BOMBARDEIA HOSPITAIS

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Hospital Al-Shifa é o maior hospital de Gaza. A Força Aérea de Israel bombardeou um hospital deliberadamente, sob o argumento de que serve de abrigo para os combatentes do Hamas.

Há alguns dias, o exército israelita, com base em dados dos serviços secretos, anunciou que debaixo do edifício do hospital existe uma rede de túneis e um dos quartéis-generais de comando das forças de resistência palestinianas.

O Hospital Al-Shifa tem estado a receber os feridos do ataque israelita ao campo de refugiados de Jebaliya e os feridos internados no Hospital Indonésio, depois deste hospital não ter mais condições para continuar a funcionar, sem energia elétrica e sem combustível para os geradores.

De acordo com fontes palestinianas em Gaza, este ataque provocou dezenas de vítimas, entre as quais muitas crianças. Na área do hospital e nas ruas mais próximas, estarão acampadas cerca de 50 mil pessoas, deslocados que ficaram sem casa devido aos bombardeamentos.

Ver vídeo relacionado AQUI.

O SANGUE É VERMELHO, SIM

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As imagens de hoje são demasiado horríveis. Mais um massacre em Gaza. Corpos mutilados pelo chão, poças de sangue, gritos. Os relatos dizem que foi um drone lançado sobre a multidão, na rua do hospital El-Shefa.

Sem margem para contestação, as imagens mostram que todo o sangue é vermelho, sim. Vejam aqui (link para Telegram).

O SARCÓFAGO ROMANO

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Um cemitério debaixo do asfalto, numa rua de uma cidade francesa. Foi em setembro, em Reims, que se descobriu uma necrópole romana na rue Soussillon. O mais fantástico é que, nessa necrópole, foi encontrada um sarcófago fechado, ainda com os grampos de ferro.

o sarcófago de pedra calcária

Trata-se de uma caixa enorme, em pedra calcária, com 1 metro de altura e 1,65 de comprimento, 80 cm de largura. Uma coisa pesada que precisou da força de uma grua para ser levantada do sítio e levada para lugar onde possa ser minuciosamente estudada.

É muito raro encontrar um sarcófago romano inviolado, depois de 2 mil anos de vicissitudes. Em Reims, por exemplo, além da urbanização inerente a uma cidade de 200 mil habitantes, estamos a falar de uma região desde sempre afetada por invasões destruidoras, incluindo várias batalhas nas duas guerras mundiais que devastaram a Europa. Muito espólio histórico, arquitetónico e arqueológico, se perdeu ao longo do tempo.

Por isso foi uma festa quando a picareta de um operário começou por destapar indícios de que alguma coisa interessante poderia estar ali enterrada. Foi a vez dos arqueólogos começarem a cavar.

Os romanos chamavam Durocortorum a Reims. Já nesse tempo, a cidade tinha relevância política. A antiga Durocortorum era a capital da província da Gália e era uma das maiores cidades do Império Romano. A cidade estendia-se por mais de 600 hectares e era delimitada por uma muralha. Reims exibe muitos sinais desse tempo, mas a recente descoberta é uma espécie de “joia” arqueológica.

Após o corte dos grampos de ferro, espreitaram para dentro do sarcófago. Lá dentro, o esqueleto de uma mulher rodeada por quatro lâmpadas de óleo, dois recipientes de vidro que possivelmente continham óleos perfumados, um pequeno espelho (perto da cabeça), um anel de âmbar e um pente.

Segundo os arqueólogos, os utensílios indicam que o enterro ocorreu no século II d.C.

Sobre o Tempo

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À maneira de Proust, quero poder vir a ter o Tempo nas minhas mãos – manobrá-lo, tirá-lo do osco em que se encontra, salvo se ele inexistir ou se manifestar limitado. Quero, um dia, saber estabelecer o que é o Tempo e em que medida o género humano o partiu em três: em três no tempo “vivido”, pois na gramática, pela palavra, partiu-se-lo em inúmeras fações, em ordem de se encontrarem formas que digam tudo, que explorem cada momento presente dentro do Tempo e momentos desses momentos, como se fosse necessário dizer que determinada coisa se sucedeu num momento tão exato do Tempo; quero, também, a sagacidade de Marcel e estabelecer um “Agora” que me permita vislumbrar o Tempo como tendo Passado e Futuro – o beijo da mãe ou a magdalena no chá não os tenho, mas talvez consiga arranjar os meus próprios pilares e orientar-me.

Há Passado assim como Futuro, nunca um “Presente”, porque tudo o que se foi passou e tudo o que virá será: na mesma lógica, portanto, todo o “Agora” é, e por estar sendo constitui “Presente”(?): porém, de que maneira falarei do “Agora” se esse mesmo já passou no preciso momento em que foi dito? – ah!, não há Presente, somente um breve instante que sucede numa esteira de momento de momento [sic] enquadrado numa atualidade. Se tiver uma dor longa, por exemplo, direi “Dói-me” (“Presente”), mas essa dor nunca é a mesma, antes um continuum momento dentro da tripartição elementar a que fomos acostumados; a dor longa, contínua, renova-se perpetuamente, modificando-se, tornando-se experiência que afligiu, portanto Passado, que vai afligindo (Presente) e que, no campo das incertezas, afligirá (Futuro) até um certo e determinado ponto no Tempo.

Usei “afligindo” em detrimento de “aflige” para tentar demonstrar o instante “Agora”, então, Presente. Não há inocência na escolha. Para se definir/explicar o que é o Tempo – coisa de que estou longe de fazer –, creio que seja preciso analisar essa forma verbal tão desdenhada na gramática do português europeu, o Gerúndio. Quando ouço algum amigo dessas terras verdejantes, do Brasil, por exemplo, fascina-me o facto de de facto [sic] o que quer que se esteja a passar no momento dito Presente se permaneça realmente lá sem deslizar para o Passado. “Estou estudando”, dizem eles, enquanto que nós galgamos um “Estou a estudar”; estar a estudar é, com efeito, “Presente”, mas um Presente muito pobre – uma espécie de Presente que tem cedo a sua morte anunciada e, por conseguinte, diminuta implicação no por vir –, já o estar estudando manifesta o instante “Agora” numa paulatina extensão até ao Futuro, esquecendo-se do Passado até a ação estar terminada, isto é, o ato de estudar, por exemplo.

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Mas o que é o Tempo? – parece ser unidade dilatada e uma medida – mas, porventura, como medi-la? Para tudo aquilo que está imbuído de vida, o Tempo principia no exato momento em que essa coisa também principia; pensando numa árvore de fruto, a sua vida, o seu ciclo, começa logo que as sementes se apoderam dos nutrientes da terra para se desenvolverem e expandirem: e na esteira do mesmo pensamento, também a vida humana principia no exato momento em que o espermatozoide fecundou um óvulo, embora, porém, talvez haja começo um pouco mais cedo, isto é, assim que o espermatozoide maturou e está pronto a unir-se a um óvulo, assim como na semente já existe matéria suscetível de se animar.

Assim é o Tempo do orgânico. Poderia pensar onde termina – há vários tipos de morte. O Tempo de uma coisa termina com a sua morte, com a sua inutilidade, ou, porém, nunca termina por via de um prolongamento metafísico, ainda que desconhecido. Um Homem, um animal, uma planta, morrem – acabou: recorrendo ao exemplo humano, o coração pára, o sangue deixa de circular e o cérebro de oxigenar, a pele perde a sua cor creme para se banhar de uma palidez acinzentada, os membros endurecem e o defunto não responde a estímulos, está morto, num curto espaço de Tempo, horas, a carne começa a enfraquecer, a deteriorar-se, e os perfumes da Morte tornam-se evidentes – acabou: o Tempo deixou de contar enquanto matéria intelectual, agora há o tempo da destruição, só com gerúndio e futuro, os processos de putrefação e, depois, da conspurcação dos ossos: o morto não apresenta consciência de Presente, de “estar sendo”, enquanto entidade animada – acabou: mas há quem defenda que a vida vai para lá da morte  do corpo, de que uma essência, a alma?, se preserva e continua sendo além do fim das funções vitais, de que a carne, o corpo, o recetáculo, é somente meio e ilusão, que tudo dura e se perdura numa dimensão supra-humana – então, não acabou?: não sei, não tenho como responder a isto, nunca morri para o saber, ou seja, tenho visto outros morrer e colho a impressão de que para eles acabou de vez ali, no caixão, no cessar do coração e cérebro – “acabou de vez”, já havia acabado antes?: para muitos organismos, infelizmente, a deterioração não tem começo com a morte, pois muitos que vivem vão-se morrendo ainda animados: vivem, sim, com efeito, o mais que podem dessa aventura que é meditar Passado, ser Presente e ver Futuro, mas num determinado ponto da vida, a Vida esgota-se, o Homem torna-se enfermo, dependente de bengalas e drogas, depois de uma cama em permanência, e depois de máquinas que lhe sustenham algumas funções vitais dadas como automáticas e adquiridas, até que tudo falha, nada mais se sustem, e, por fim, se morre – acabou: sim, acabou o sofrimento e a agonia de se morrer em vida, de no pouco Tempo a que esta raça tem consagrado, se ser somente metade, um corpo mole  e medicamentoso: acaba com a morte, mas a ausência de independência já é uma espécie de morte – morre-se vivendo.

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Do Tempo parece inútil guardar rancores. Guardemos os desejos – guardemos e sonhemos, vivamos esse doce fértil de imaginar o que seria de nós se no lugar de uma coisa se desse outra ou, porventura, ainda uma outra, mais improvável e absurda; sonhemos e imaginemos todos os desejos inflamados e todas as vezes em que ao chorar gostaríamos de no-lo ter feito. Aprendamos que há um Tempo só nosso: vós tendes o vosso: eu tenho o Meu Tempo, que não percebo muito bem o que é mas que possui todas as minhas experiências e espectativas – embora destas últimas queira vivê-lo vendado, alheio a previsões e profecias: quero viver o Meu Tempo agarrado a ele no “Agora”, no Instante, em plena vicissitude, seja ela a chorar ou a amar, não me importa.

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E quanto mais pensamos no Tempo, que Tempo nos resta para outras coisas? Uma coisa é certa: nada permanece, tudo se dissolve.

O que é o Tempo, afinal? – digam-me (!) –, ou será que ainda haveremos de obter uma resposta?

OS CHINESES É QUE SABEM

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Por causa desse ‘histórico’ desastroso, hoje há um preconceito que já não tem justificação. Da China vem o melhor, a indústria automóvel que o diga.

Nos mais recentes testes da Euro NCAP (organização que testa veículos das marcas que circulam nas estradas europeias), os carros made in China alcançaram as mais altas classificações (5 estrelas).

Nos testes de segurança de três automóveis familiares elétricos chineses, BYD Seal, XPENG P7 e BYD Dolphin, todos estes automóveis obtiveram classificações máximas nos testes mais rigorosos do programa até à data.

Também o Mercedes Classe E e o Mercedes EQE SUV obtiveram a classificação de “muito bom” para os seus sistemas de assistência em estrada.

Os fabricantes chineses estão a demonstrar que os seus automóveis são tão bons como os melhores e… mais baratos. Ou menos caros.