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COMBUSTÍVEIS SOBEM DE PREÇO

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Se acha que a gasolina e o gasóleo estão caros, fique a saber que vão ficar mais caros. A previsão é de aumento dos preços já nesta semana de 25 a 31 de dezembro.

Gasóleo | +3,5 cêntimos

Gasolina | +2 cêntimos

Estes aumentos são meras previsões. Na realidade poderão ser um pouco maiores ou ligeiramente inferiores, mas os combustíveis vão aumentar, isso é dado garantido, segundo informações veiculadas pelas empresas distribuidoras.

Diz a Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) que o preço médio do litro de gasolina em Portugal custava na passada quinta-feira (21 de dezembro) 1,627 euros enquanto o do gasóleo valia 1,552 euros.

Sabemos que já tudo esteve bastante mais caro e que o preço tem vindo a descer paulatinamente. Mas, com os conflitos militares a manterem-se, com as sanções à Rússia, com a redução da produção decretada pela OPEP, em 2024 a carestia dos combustíveis pode agravar-se bastante.

No caso português, tudo depende também do Governo manter as medidas extraordinárias de redução fiscal que António Costa decretou para suavizar o impacto dos aumentos. Mas com um Governo de gestão até às eleições antecipadas marcadas para março, com a imprevisibilidade sobre o resultado eleitoral e as teorias fiscais que um novo governo venha a aplicar, o futuro é uma incógnita quanto a estas questões.

CRISE NA INDÚSTRIA ALEMÃ

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Se o que se passa na Alemanha afeta toda a Europa, temos razões para andar preocupados. A forte indústria alemã está a entrar num ciclo de crise. Por exemplo, a metalúrgica fabricante de tubos de aço sem costura Vallourec fechou as suas duas unidades alemãs. Assim, de repente, são cerca de 2.400 operários desempregados.

Há um vídeo impressionante que nos mostra centenas de operários que se despedem do seu posto de trabalho, no momento em que o último tubo sai dos fornos.

VÍDEO

Vallourec é uma multinacional clássica. A corporação possui 50 instalações de produção em mais de 20 países com 20.000 funcionários no total. A sede situa-se em França. Os principais clientes dos tubos de aço sem costura são outras indústrias, nomeadamente as do gás e petróleo, mas também a do armamento.

As fábricas fecham porque a par do aumento da concorrência da metalurgia chinesa e russa, há agora a questão energética. As sanções à Rússia, o corte dos fluxos de gás e petróleo russos, implicam um aumento dos custos de produção, ou seja, redução dos lucros. Ora, um acionista não aguenta ganhar menos. Despedir é a solução.

As duas fábricas encerradas na Alemanha pertenciam à Mannesmannröhren-Werke, que tem uma longa história. A fábrica de Düsseldorf no distrito de Rath existia desde 1899, enquanto a fábrica de Mülheim foi inaugurada em 1966 e era o segundo maior empregador industrial da cidade depois da fábrica da Siemens.

fontes: World Socialist Website e Agência Reuters

O PINTOR AFEGÃO

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Sempre que consegue vender um quadro, fica feliz. E quando recebe novidades sobre esse quadro, partilha com os outros.

Kaihan Hamidi pinta compulsivamente. Aguarelas suaves, às vezes sombrias, outras saudosas, luminosas, todas belas.

Porto e Beja, nas telas de Kaihan Hamidi
Lisboa e Braga, nas telas de Kaihan Hamidi

Kaihan chegou a Portugal, fugido do Afeganistão. Os que hoje mandam no Afeganistão não gostam de artistas, sejam eles músicos, pintores ou cineastas, poetas ou escultores. Não gostam de gente de livre pensamento, do traço irreverente, da transparência do canto, são ortodoxos do poder absoluto, do pensamento único, fascistas islâmicos iguaizinhos aos fascistas de qualquer outra religião.

Kaihan vive em Portugal, onde tem liberdade. Encontramo-nos no Nicola, no Rossio, e transacionámos uma obra de arte saída dos seus pinceis, da sua paleta de cores aguadas.

Naquilo que me parece ser a calçada de São Francisco, a caminho do Chiado, na sombra dos edifícios pombalinos sobe uma luz elétrica em direção à esperança por uma vida em dignidade.

Kaihan Hamidi na parede de minha casa ao lado das serigrafias de Clotilde Fava

AMEAÇAS CONTRA O PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSAU

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Apesar das acusações de falta de legitimidade democrática dirigidas contra ele pela oposição, o Presidente da Guiné-Bissau é visto em Paris de braço dado com Macron, em Lisboa de mão dada com Marcelo, é convidado para a tomada de posse do seu homólogo em Antananarivo, vai a Abuja para a cimeira da CEDEAO. Umaro não é um homem isolado da comunidade internacional. E a oposição considera que não devia ser assim.

Mas, no plano interno, também não há evidências de contestação popular. É verdade que quando se desloca a algum lado, vai rodeado de segurança militar. Mas, acontece o mesmo com 99% dos presidentes, seja lá onde for. Só o Presidente português vai a pé comprar gelados.

As últimas decisões do Presidente guineense são classificadas como ‘golpe de estado palaciano’. Na sequência da detenção dois membros do Governo anterior, Bissau viveu dois dias de grande incerteza, com tiroteios nas ruas e algumas vítimas mortais, nos confrontos entre a Guarda Nacional (que foi libertar os membros do Governo detidos) e a Guarda Presidencial.

O Presidente diz que foi necessário repor a legalidade e remeter de novo à cadeia os libertados. E na sequência desses acontecimentos, dissolveu o parlamento. Diz o Presidente que foi a maneira de fazer abortar um golpe de estado em curso.

A oposição rejeita estas acusações, mas nas redes sociais há apelos à revolta popular, como já aqui demos conta. Pessoas conotadas com vários partidos políticos da oposição apelam assumidamente ao levantamento de barricadas, assalto aos edifícios públicos, à tomada do poder por meios violentos. Além disso, há ameaças proferidas diretamente contra Umaro Sissoco Embalo. Ameaças de morte.

Que se saiba, nenhum partido da oposição guineense condenou ainda este tipo de atitudes. O que não significa forçosamente que apoiem o que se preconiza no vídeo. Mas no quadro de um relacionamento democrático entre todos os partidos políticos da Guiné-Bissau, devia haver uma rejeição clara a quem preconiza este tipo de ações. E são atitudes deste género que acabam por servir de justificação às medidas draconianas do Presidente da República. E talvez tenham estado na decisão de chamar o Procurador Geral da República ao gabinete do Presidente. Ameaças de morte nas redes sociais constituem crime. No caso que estamos a referir, quem ameaça reside fora da Guiné-Bissau, mas num país que pode ter acordos com a Guiné-Bissau na área da justiça ou da segurança.

Presidente da Guiné-Bissau recebe Procurador Geral da República dia 20 de dezembro 2023

Lisboa não fiscaliza AL

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Lisboa tem 8 mil Alojamentos Locais ilegais, mas a autarquia não tem meios para fiscalizar nem para impor a aplicação a lei.

Numa resposta a um requerimento da oposição remetido pela vereadora Beatriz Gomes Dias, o presidente da autarquia informou ter apenas três funcionários para o efeito, embora a CML tenha mais de 10 mil funcionários no quadro de pessoal.

Na capital existem cerca de 20 mil Alojamentos Locais, mas 40% deles têm, neste momento, a licença caducada. Sem fiscalização nem meios para fazer cumprir a lei, os ilegais estão à vontade para continuar a exercer a atividade.

BELA MELODIE CRIVADA DE BALAS

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O desaparecimento de Melodie Mendes da Silva foi primeiro considerado rapto ou sequestro e a polícia francesa não se coibiu de espalhar a cara dela pelas ruas de Marselha, na tentativa de que alguém pudesse dar algum pormenor relevante para que fosse encontrada e salva.

Familiares, amigos, vizinhos e outros que se solidarizaram, participaram em manifestações pelas ruas de Marselha, na tentativa de sensibilizar os eventuais sequestradores a libertar a senhora. Esta história emocionou a opinião pública francesa, que a seguiu nos noticiários televisivos e jornais como se fosse uma novela.

Mas, agora, seis semanas depois do desaparecimento, o corpo de Melodie foi encontrado. A polícia acusa o amante pelo assassinato.

Sabia-se que ela tinha saído de casa dia 3 de novembro, ao final da tarde, porque havia imagens da câmara de vigilância do prédio onde Melodie vivia com o marido e os dois filhos.

As investigações policiais destaparam vários casos de infidelidade conjugal, tanto do marido como da vítima, descobriu-se quem era o amante de Melodie e suspeitou-se que tivesse sido ele a matá-la. O homem tinha sido visto próximo do domicílio da vítima, no dia do desaparecimento, e foi dos últimos interlocutores a ter estabelecido contacto telefónico com ela. Alguns familiares de Melodie sabiam desta relação extraconjugal, mas o marido mostrou-se surpreendido.

Ontem, durante o interrogatório policial, o amante confessou o crime e indicou o local onde tinha escondido o corpo, a cerca de 20 quilómetros de Marselha, na serra de Sainte Baume. Falta saber as razões que levaram o homem a disparar vários tiros contra Melodie. Ele alega ter sido um ato tresloucado, sem premeditação.

Melodie Mendes da Silva tinha nacionalidade portuguesa, embora já tivesse nascido em França e descendesse de uma família cabo-verdiana, da ilha de Santiago.

RECONHECER O ESTADO DA PALESTINA

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A Assembleia da República votou a favor do projeto do Livre que recomenda ao Governo que proceda ao reconhecimento do Estado da Palestina.

A direita votou contra, à excepção da Iniciativa Liberal, mas a maioria de esquerda votou a favor.

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Cartas para a Liberdade

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São, pelo menos, duas as leituras possíveis:

– cartas endereçadas a essa tão bem quista entidade, a suplicar-lhe que se mantenha connosco, contra tudo e contra todos, pois que muito nos custou alcançá-la;

– ou mensagens a quantos pele Liberdade anseiam e por ela têm de continuar a lutar, diariamente, sem descanso.

Seja como for – e cada qual é livre (!) da escolha – dir-se-á que essas inesperadas 140 páginas, em papel rico, de mui cuidadas e criteriosamente seleccionadas ilustrações, encerram em si, esses dois aspectos simultaneamente: a algazarra da alegria pela conquista alcançada e, mais de mansinho mas também lancinante, o grito de alerta para que a conquista não venha a ser baralho de cartas ardilosamente espalhado…

Logo na capa temos, bem erecto, o cravo em relevo, que apetece acariciar, para que não murche. Cravo em fundo verde de esperança. Mas logo o editorial, da autoria do director, Mário Assis Ferreira, nos adverte que este meio século «em volúpia de liberdade» nos deixou «livres para tudo, até na escolha das nossas prisões».

E sublinha, logo a seguir: que essa, a Liberdade «que quotidianamente nos cerca não é, seguramente, a Liberdade almejada, a nascida na razão, merecida na responsabilidade, tutelada pela justiça, consagrada na separação de poderes». Não. A nossa «Liberdade», hoje, é muito outra; porque se «corrói nos escombros da ruptura dos valores, alimenta-se de intrigas, é devassada em escutas espúrias, controla-se em chips delatores, vigia-se em câmara dissimuladas, dissolve-se em fake news nas redes sociais, ilude-se em manipulações censórias, substitui-se à justiça em piras incendiárias e imolações na praça pública».

Estranho panorama este, de facto, 50 anos passados, de que Lídia Jorge, em páginas mais à frente, «Mensagem breve após jovens», após ressaltar que é bom os jovens sentirem «a maravilha que é voltar a poder escolher, poder contar, poder dizer, perder protestar, poder votar, poder viajar, poder entrar e sair do país, seja homem ou mulher, casado ou solteiro, rico ou pobre, de esquerda ou de direita», também acentua ao pedir-lhes:

«Não permitam que a riqueza de poucos, e a pobreza de tantos, faça regredir o nosso mundo ao tempo em que se tinha de morrer para se construir a partir da base uma sociedade livre e amá-la tanto que não se podia separar-lhe as sílabas».

Núria Serrote

E, por isso, nos encantam os rostos e as mensagens insertas logo no 1º texto, «New kids on the block» (sim, a revista é bilingue). Escreveu, por exemplo, Núria Serrote, de 25 anos (isto é, uma das pessoas que já bem nasceu em Liberdade…) que é bom «sair à rua, colocar aquela música eletrizante e apenas dançar, fluir, viver o agora, sem medos do amanhã».

foto de Alfredo Cunha nas instalações da PIDE/DGS em Lisboa

Surpreendemo-nos a cada página. Nunca imaginaríamos que Alfredo Cunha nos viesse, um dia, a mostrar, a sala de um palácio (dir-se-á), com adequados reposteiros, vistoso lustre de cristal pendente dum tecto cinzelado e mui elegante mobiliário a servir de poiso a metralhadoras G3 e kalashnikov… Delicia-nos a simplicidade com que Júlia Cunha, em ilustração, nos conta que «a liberdade rega-nos os pés e nas nossas mãos rebentam cravos e em cada cravo cresce uma revolução». Lindo!

Mas o alerta fica. Através da Arte e da Palavra.

O PECADO DA CUNHA

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“Cunhas que salvam crianças não fazem mal a ninguém”, diz o prelado. E a pergunta fica no ar: e as outras todas que ficaram em lista de espera por não terem dinheiro nem as “amizades certas”, que de certeza podem correr perigo (se não correram já!), isso não faz mal? 

Onde está o “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”? Que desígnios (pouco cristãos) guiaram a sucessão de acontecimentos que levaram a este lamentável episódio? Atenção: não está em causa o direito das crianças a terem tratamento médico e apoio, porque como é óbvio, salvar vidas é um objectivo nobre. Mas a que custo? E a troco de quê, para quem? O que têm de especial estas gémeas em relação às outras crianças (que também são filhas de Deus) para passarem à frente num tratamento dos mais caros do mundo, que os pais poderiam perfeitamente pagar? E o que leva o senhor bispo a defender a atitude pouco cristã do Chefe de Estado? Está o senhor bispo esquecido dos muitos casos de favoritismo dos ricos e “com apelido sonante”, transversais a muitos sectores da sociedade e que afectam negativamente mais pessoas que se pensa ou que se quer fazer crer? 
As Sagradas Escrituras têm passagens como esta: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar pela porta do Reino de Deus” (Mateus, 19:24). Depende de quem o rico conheça e que tipo de favores está disposto a fazer, pelos vistos.

Afinal, não faz mal a ninguém facilitar determinadas situações mesmo que outros sejam no fim do dia prejudicados. Até porque, no fundo, a Igreja Católica tem pessoas reais, mortais e imperfeitas, que cometem pecados. Isso todos sabemos, e um certo Jesus Cristo melhor que ninguém.

O episódio do favoritismo dado às gémeas brasileiras é apenas mais um de muitos exemplos em como ainda persiste, hoje e sempre, um certo elitismo e favoritismo dentro das comunidades, que pode (em graus distintos, dependendo da situação) prejudicar bastantes pessoas a longo prazo, a favor das “pessoas certas”. 
Pena é que o senhor bispo se tenha esquecido que todos somos iguais aos olhos de Deus, para quem (espero) não seja alheio o sofrimento das crianças que ficaram para trás neste lamentável episódio de cunhas. Pena é que os dignos prelados não saiam das suas vidas bem estabelecidas e olhem para a verdadeira comunidade cristã, que luta e sofre a cada hora, revendo-se no Nazareno. Lamentável, de facto, que os sistemáticos episódios de nepotismo que salpicam a Igreja ao longo da sua história não tenham levado a uma séria reflexão e às necessárias mudanças. Porque, como todos sabemos, esse hermetismo é que afasta as pessoas da Igreja e agrava os problemas. A cruz a que nos condenam a todos é o resultado desses jogos de bastidores, e a ofensa feita ao Messias é a injustiça. Devo lembrar que cunhas & compadrios são sim um pecado. A corrupção é pecado grave e é para ser combatida. 

Tenha vergonha, senhor bispo. E Feliz Natal a todos. 

PALESTINA LIVRE

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A situação na Palestina foi discutida na Assembleia da República. O  voto dos deputados portugueses poderia ter sido mais assertivo, mas as chamadas ‘razões de Estado’ fazem sempre calar argumentos de protesto veemente.

Rui Tavares, o deputado único do Partido Livre, marcou a sessão logo desde o início…

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