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Hepatite-C, centro de rastreio na Mouraria

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O Hospital de Santa Maria, em Lisboa, tem agora um serviço descentralizado de rastreio à hepatite C.

O Centro de Rastreio In-Mouraria resulta de uma parceria entre um grupo de cidadãos ativistas pela causa dos doentes com hepatite C e o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa, situa-se na Calçada de Santo André, na Mouraria, junto à rua dos Cavaleiros, uma zona de grande consumo de droga e onde existem muitos sem-abrigo, grupos sociais onde existe uma grande prevalência de hepatite-C.

A doença tem tratamento e cura, mas o grau de mortalidade é elevado. A taxa de sucesso de cura nestas pessoas mais vulneráveis é de apenas 11 a 12%, enquanto na restante população é de 60 a 70%.

Esta medida apresenta várias vantagens, desde logo porque beneficia da proximidade com os grupos de risco e, em época de pandemia, evita que estas pessoas tenham de se deslocar a hospitais centrais.

Assim, neste centro de rastreio os pacientes poderão realizar procedimentos clínicos, como a confirmação da infeção, análises, elastografia, prescrição e avaliação do sucesso terapêutico.

As pessoas que tiverem resultados positivos no rastreio à infeção da hepatite C serão encaminhadas para o serviço de Gastrenterologia do Hospital de Santo António dos Capuchos.

Estima-se que cerca de 200 pessoas, de toda a Área Metropolitana de Lisboa, poderão beneficiar imediatamente deste programa, podendo o número vir a aumentar com o tempo.

O “golpe à Berardo”

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Em 2018, o Novo Banco vendeu 13 mil imóveis (a maioria provenientes de penhoras vencidas, certamente) a um fundo imobiliário com sede nas Ilhas Caimão.

Até aqui parece tudo bem. Mas acontece que a venda foi financiada pelo próprio Novo Banco. E acontece que essa venda originou perdas para o Novo Banco, mas o prejuízo foi colmatado pelo Fundo de Resolução.

Um “golpe à Berardo” que em 2007 também comprou ações da Caixa Geral de Depósitos com um empréstimo de 350 milhões da própria CGD. Joe Berardo repetiu a cena mais do que uma vez, acabou a dever cerca de mil milhões a vários bancos e, hoje, tem uma ação em tribunal contra si por incumprimento dessas dívidas. Ao menos isso.

Na operação do Novo Banco foram vendidos 5.552 imóveis e 8.719 frações a um conjunto de sociedades sediadas em Lisboa, todas elas detidas por uma sociedade luxemburguesa, que, por sua vez, pertence ao fundo de investidores anónimos nas ilhas Caimão. Este fundo comprou milhares de casas em Portugal e Espanha, a um preço baixo, sendo que não arriscou dinheiro próprio, porque a compra que fez ao Novo Banco foi garantida por um empréstimo do próprio banco vendedor.

Segundo o jornal Público, o valor pelo qual as casas foram vendidas provocou um prejuízo, contabilístico, no balanço do Novo Banco, mas esse diferencial de preços, entre o seu valor estimado e o valor real da venda, foi colmatado por uma ajuda extra. O Fundo de Resolução, criado em 2012, compromete-se a injetar dinheiro sempre que as contas do Novo Banco fiquem ameaçadas, algo que aconteceu neste caso. O Novo Banco pediu que o Fundo de Resolução cobrisse parte das perdas que teve no negócio.

Um golpe de génio, que levanta dúvidas éticas e legais. Os dados conhecidos indiciam uma venda a preços “de favor”, antecipadamente prejudiciais ao vendedor e como os compradores são “anónimos” fica difícil saber quem são os beneficiados pelo favor.

Abençoados tablóides

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São injustas as criticas que se fazem ao Correio da Manhã e ao jornalismo tablóide porque sem eles pouco saberíamos da Casa Pia, de Sócrates ou do BES, para só falar de alguns casos.

Não é verdade que o jornalismo tablóide seja uma receita para vendas em Portugal, porque as vendas do tablóide mais lido não ultrapassam os 80 mil exemplares. Na Grã-Bretanha os tablóides, Sun, Daily e outros, tiram milhões por dia.

O jornal 24 Horas do Jorge Morais, do Tadeu ou do Vieira naufragou. Vendia 35 mil exemplares mas não chegava.

Quando Vítor Direito se reformou (e foi uma pena), o Correio da Manhã teve a mão de Paulo Fernandes, assim como o Público tem o suporte absoluto do grupo industrial a que pertence.

Para quem desdenha o Correio da Manhã, uma coisa é certa: se ele se for nunca mais o Ministério Público terá por onde falar. E perderá o apoio popular, num País onde corrupção e o crime atinge todas as corporações.

O Botas

Foram alguns até Santa Comba Dão tirar fotografias junto à campa do ditador. Uma romaria de fascistas e neo-nazis, a direita mais retrógada e serôdia. O ajuntamento talvez não tenha infringido as regras definidas pela Direção Geral de Saúde porque, afinal de contas, também não eram assim tantos. Mas, quem sabe, se algum deles não contagiou os outros compagnons de route com a estirpe mais virulenta do coronavírus. Sim, quem sabe?

A verdade é que o povo não lamenta, nunca lamentou e jamais irá lamentar o desaparecimento do “botas”. E é até costume dizer-se que quem tem saudades dele que vá lá ter com ele. Ao inferno.

Assim, é com prazer que o Duas Linhas oferece aos seus leitores, nesta feliz efeméride, o cartoon alusivo de autoria de Hélder Dias.

O receio de ser jornalista

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O baixo número de jornais vendidos por dia em Portugal é assustador. E parte da culpa cabe aos jornalistas que continuam a fazer “jornalismo de precaução”.

A expressão é de Baptista Bastos, nos seus últimos anos de vida, já longe dos tempos do Diário Popular, onde Pinto Balsemão também se sentou com Nuno Rocha.

Os jornalistas foram perdendo a opinião nos textos e o resultado transparece agora com mais evidência nos noticiários das TVs: são muito semelhantes.

A prática do jornalismo não deve ser isenta, mas tem de ser rigorosa e honesta. Os jornalistas têm o dever de ser corajosos. Baptista Bastos soube bem o custo dessa verticalidade. Aos 55 anos perdeu o emprego e foi Balsemão que lhe deu a mão para ele perguntar na SIC: “onde é que estava no 25 de Abril?”

A pergunta pode ser agora actualizada: onde é que estão os jornalistas que não temem ser dispensados?

A Europa refém da baixa política

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O acordo assinado na passada semana pelos líderes da União Europeia, sobre a resposta à crise da Covid-19, e principalmente o modo como foi alcançado, deveria levar os europeus a pensar no estranho conceito de democracia que o tornou possível.

Isto porquê?

Os principais “dossiers”, é sabido, terão de ser aprovados por unanimidade. Facilmente se compreenderá que o perigo de se optar por esta regra, em detrimento da aprovação por maioria, ainda que qualificada, é imenso.

Isto porque, como se provou com a recente posição da Holanda, todos poderemos ficar na mão, não de um Estado, mas de um qualquer partido político.

Mark Rutte, Primeiro-Ministro holandês, considerado o líder dos chamados países ‘frugais’, formados pela Holanda, Áustria, Suécia e Dinamarca, depois da aprovação do pacote possível, dada a sua intransigência em aprovar o que a grande maioria preferia, escreveu:

“Após longas e intensas negociações, chegámos a um acordo sobre o orçamento a longo prazo da UE e o fundo de recuperação da UE. O resultado é um bom pacote que salvaguarda os interesses holandeses e que tornará a Europa mais forte e mais resiliente”.

A verdade, todavia, é que, mais do que “salvaguardar os interesses holandeses”, este Acordo tornou-se numa poderosa ajuda para as muito próximas eleições a que Rutte vai concorrer.

Este não teve qualquer pejo em redigir e pugnar pela aprovação de um documento que seguisse os interesses programáticos do seu partido ainda que estivesse, como estava, consciente de que não era o melhor para a Europa na sua globalidade.

Ora, se já era mau ter-se dado o poder, a um qualquer Estado, de impugnar, sozinho, uma decisão imprescindível, pelo simples facto desta ter de ser aprovadas por unanimidade, verificarmos agora que o seu representante pode votar contra, não porque isso seja mau para o seu país mas porque possa prejudicar o seu partido, especialmente em época de eleições, tem que nos deixar preocupados.   

Até porque este é um problema sem solução possível já que uma eventual alteração a estas regras, que em princípio serve os países “frugais” e os mais poderosos, teria de ser, também ela, votada por unanimidade.

Até agora, muito graças à tão extraordinária como, para muitos, inesperada firmeza de Angela Merkel, as tomadas de posição “leoninas” não têm ido tão longe como alguns desejariam.

Mas a verdade é que, por muito que alguns se congratulem com eventuais pequenos sucessos, a baixa política tem, cada vez mais, e em todo o mundo, enormes possibilidades de sair vencedora.

Voltando ao início da crónica, os políticos que pactuarem com esta situação, por muito que se digam contra, não podem deixar de ser considerados cúmplices no constante desvirtuar deste conceito de democracia. 

A Liberdade vale mais que 4 popós

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É uma má notícia a compra de 8 mil assinaturas anuais de jornais portugueses pelo grupo Fidelidade.

Os jornais devem viver dos seus leitores. Os leitores optam pelos jornais que mais gostam.

A livre opinião e o poder económico nunca se deram bem. E essas 8 mil assinaturas podem sair caras aos leitores e aos jornais.

Ainda me lembro quando, de um dia para o outro, deixou de se ler notícias sobre os aparatosos acidentes com os autocarros laranjas da Carris, que substituíram os ronceiros verdinhos e brancos.

Os motoristas não estavam habituados à potência dos autocarros Volvo e… zás!

Um certo dia, um papa do jornalismo desceu à Redacção, numa cave de Lisboa e disse: “em Lisboa já não existem autocarros laranja e nunca mais vai haver acidentes com autocarros. Perceberam? Está dito”.

E assim foi. A Administração na semana seguinte deixou os saudosos Renaults 4L e passou a andar de popó topo-de-gama com motorista.

Esse foi um primeiro passo para a morte anunciada da Imprensa em Portugal: a liberdade trocada por quatro popós.

Racismo

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transcrição do vídeo:

Quando me disserem que não há racismo em Portugal, expliquem-me porque razão o Bruno Candé foi fuzilado na via pública em Moscavide ou o Luís Giovanni foi linchado na via pública em Bragança.

Os senhores que há tempos se passearam por Lisboa a jurar a pés juntos que Portugal não é um país racista, têm de falar de novo agora. E não são os únicos a precisar de se retratarem, há outros políticos do “arco” da Democracia que alinham na mesma tese, por exemplo,  também o Rui Rio alinha nessa tese de que não há racismo em Portugal e agora cala-se a ver se ninguém se lembra dele.

Em Bragança, o africano que foi morto à paulada e a pontapé era estudante universitário. Era um jovem com Mundo, tinha sonhos fáceis de realizar, bastava que o tivessem deixado viver.

Em Moscavide, o africano fuzilado com 4 tiros à queima roupa era ator de teatro, era intérprete de sonhos, leitor de livros, “era um incansável contador de histórias” – dizem dele os amigos, era pai de 3 filhos muito pequenos, companheiro de um cão amigo.

Dos matadores não quero saber, tenho vergonha deles, tenho raiva deles, quero mesmo que apodreçam na cadeia, que a Justiça lhes seja pesada e se, por acaso, a Justiça falhar, acho que corremos o sério risco de que haja quem queira fazer justiça pelas próprias mãos. Também por isso, a Justiça não pode falhar. Os vivos precisam de viver em paz, os mortos precisam de sossegar a alma.

Mas não haverá paz nem sossego sem Justiça. Não há lugar a perdão para estes crimes. Não haverá perdão sem que antes se faça justiça.

Vejam só: não quero saber de justificações para atos que são injustificáveis, não quero saber se antes houve alguma quezília entre as partes, se o velho tropeçou no cão ou se alguém se encostou à namorada de alguém, porque nada justifica a morte por motivos fúteis, não quero saber se um era velho e senil ou se os outros eram jovens alcoolizados, quero apenas que quem matou seja condenado. Condenado a penas longas e pesadas e que sofram muito na cadeia. É isso que eu quero.

O velho que disparou a pistola ou os jovens que bateram com paus e botas cardadas são a prova provada do racismo que está disseminado na sociedade, são o fruto de um ódio que está a ser fomentado, alimentado, justificado, por quem faz campanhas políticas a negar que o racismo existe, que é uma forma de proteger os racistas e de lhes dar ânimo para atos deste calibre… e estão pessoas a morrer à conta dessa táctica política.

Talvez não fosse má ideia o Governo tomar atenção ao que se está a preparar por aí, no bas-fond da política.

Os senhores já não estão

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Houve tempos em que os senhores metiam o seu automóvel numa garagem semelhante a um quarto, na rua da Junqueira, em Lisboa, num palacete há anos em ruínas.

Dançava-se então foxtrot e os miúdos dançariam depois yé-yé para mostrar o popó às amigas.

O eléctrico passava à porta, mas era para o povo.

O consumo e, mais tarde, a Liberdade, deram ao povo dinheiro e o povo também comprou popós.

E os senhores? Abalaram nos seus popós para sítios cada vez mais longe do povo-com-popós.

E povo? Foi morar para longe porque assim podia ter casa e popó.

E agora? Agora há popós por todo o lado e muitas casas abandonadas em Lisboa.

E o foxtrot? Tornou-se nome de bar onde se dança tango. Mas os senhores já não dançam.

Já não estão… ficou a belíssima casa em ruínas.

Vai rebentar a bolha imobiliária em Lisboa

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Lisboa e Barcelona estão de costas viradas na questão da habitação, embora as duas cidades tenham o mesmo e severo problema: uma bolha imobiliária prestes a explodir, com milhares de casas devolutas.

Por cá, a Câmara tem património em ruínas. Na capital da Catalunha, o município vai confiscar para habitação as casas devolutas.

Subindo a Rua de São José, em Lisboa, damos com algumas amostras de casas abandonadas pela Câmara, que se repetem por toda a cidade.

rua de São José

Medina já disse que vai alugar o Alojamento Local, para o subalugar a metade do preço. Ou seja não vai arrefecer o mercado e alimenta assim os especuladores.

Por lá, em Barcelona, 14 empresas proprietárias de 194 apartamentos vazios  foram notificadas para encontrarem inquilino no próximo mês. Caso contrário o município toma posse desses imóveis, pagando uma remuneração de metade do valor de mercado.

Esses apartamentos serão arrendados para habitação, ficando as empresas sujeitas a multas até 900 mil euros.

A Catalunha permite desde 2016, que os seus municípios possam controlar as propriedades devolutas há mais de dois anos. De seguida é estabelecido um arrendamento por um período de quatro a dez anos, antes de serem devolvidas aos proprietários.

Lisboa tem hoje uma enorme bolha imobiliária identificada, prestes a explodir, mas continua a praticar preços de 2007, tal e qual quando Cavaco Silva dizia que Portugal era um paraíso.

Agora, com os socialistas no poder, e porque as coisas não mudam, o povo fica confuso e desata a dizer que “são todos o mesmo!”. A ver vamos.