Início Site Página 474

Covid-19: 78 mortes e falta de senso no Pingo Doce

0

Portugal regista hoje mais 78 mortos relacionados com a covid-19 e 5.839 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Este é o segundo pior registo de mortos com covid-19 e de novos casos de infeção em 24 horas, desde o início da pandemia, em março. Em todo o território nacional, há 2.794 doentes internados (um novo recorde), mais nove que ontem, e 383 em unidades de cuidados intensivos (UCI), menos oito do que na quarta-feira.

No total, segundo os dados da DGS, Portugal já registou 3.181 mortes devido ao covid-19. Das 78 mortes contabilizadas nas últimas 24 horas, 45 ocorreram na região Norte, 25 na região de Lisboa e Vale do Tejo, seis na região Centro e duas no Alentejo.

Pingo Doce, durma cá

Os supermercados Pingo Doce tinham anunciado que iam passar a abrir às 06h30 da manhã, certamente para compensar as medidas restritivas da mobilidade das populações que podem causar alguma diminuição das vendas, embora essas medidas não impeçam ninguém de sair de casa para ir às compras.

Mas o grupo Jerónimo Martins já se celebrizou por ter iniciativas polémicas onde, mesmo que não seja essa a principal intenção, se mistura política com gestão comercial. É o caso das tristemente célebres promoções no dia 1 de maio, por exemplo.

Mas depois das autarquias de Lisboa e Cascais terem proibido a abertura dos Pingo Doce a essa hora, a decisão foi revogada pelos administradores do grupo Jerónimo Martins e, assim, os supermercados irão abrir à hora do costume. Uma retirada estratégica para evitar mais proibições municipais.

O anúncio da abertura das lojas Pingo Doce às 06h30 da manhã provocou uma onda de protestos nos media, incluíndo redes sociais, evidentemente, onde a contestação atingiu níveis de criatividade muito interessantes, exemplo do quadro que mostramos aqui.

Covid-19 nas cadeias: pelo menos 168 reclusos e 80 funcionários infetados

0

A APAR – Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso contesta os números divulgados pela Direção Geral dos Serviços Prisionais relativamente aos casos de covid-19 dentro dos estabelecimentos prisionais. Segundo um comunicado da Direção-Geral, o Estabelecimento Prisional de Lisboa tem 59 reclusos e um guarda infetados com covid-19. Neste momento, oficialmente, no sistema prisional existem 248 casos de covid-19, afetando 80 trabalhadores e 168 reclusos, dos quais 148 da cadeia feminina de Tires.

Mas a APAR diz que os números são outros. Num contacto estabelecido com a direção da associação, foi-nos transmitido que “Infelizmente os números estão errados. Só em Tires há 158 mulheres e 2 crianças e no EPL havia 74 confirmados.”

O surto foi detetado quando os reclusos internados nos serviços clínicos daquela prisão foram testados. Houve seis positivos entre os reclusos. Posteriormente, foram testados todos os reclusos e guardas prisionais que tinham contacto com estes seis. E chegou-se à conclusão que há 59 reclusos infetados e um guarda. Mas estes resultados dizem respeito, apenas, às alas H e C do EPL.

Como medida cautelar, os infetados estão já em isolamento. A maioria dos doentes não apresenta sintomas da doença.

“Em articulação com as autoridades de saúde pública vai proceder-se à testagem de todos os reclusos do Estabelecimento Prisional de Lisboa (cerca de 900) e a nova testagem de todos os seus trabalhadores (cerca de 240)”, indica o comunicado da Direção Geral dos Serviços Prisionais.

As atividades de formação escolar e profissional e de trabalho, bem como as visitas, com exceção das dos advogados estão suspensas, porém, os reclusos continuam a poder fazer chamadas telefónicas e a usufruírem de “recreio a céu aberto”. A população prisional tem elevados índices de várias doenças, entre as quais tuberculose, HIV, hepatite, doenças que associadas ao covid-19 podem ter resultados fatais para muitos doentes. Por questões de segurança, os reclusos não podem usar máscaras de proteção facial.

(atualizado às 23h00 de 12/11/2020)

O planeta azul, a praia de Caxias

0

Ao longe, em plano geral, a Terra é linda. O planeta azul, visto do espaço. A pequena praia de Caxias, vista do passeio da estrada marginal.

Agora aproximem-se. O planeta deixa de ser azul e tem buracos no ozono. A areia da praia parece não estar muito limpa.

Aproximem-se mais um bocadinho. Os rios do planeta estão a morrer, cortados pelas barragens e envenenados pelos esgotos. E também a praia está suja.

Ao perto, notam-se os pormenores. A poluição industrial vomitada para o mar e que o mar devolve para a praia. O lixo urbano que gente descuidada deita no chão e que o vento e a chuva empurram para o mar. E que o mar devolve para a praia.

Quem se preocupa com este tipo de coisas, às vezes desespera. O que fazer para que os industriais entendam, os políticos percebam, as pessoas actuem?

“Este assunto não vai lá com sensibilização, vai com limitação, proibição!” escrevem pessoas preocupadas, no Facebook. Querem chamar a polícia e mandar fechar as fábricas que produzem plásticos. Mas os políticos não ouvem a exaltação, vivem de janelas fechadas e de vidro duplo. O som da rua não os incomoda.

Outros questionam a ausência de verdadeiras políticas de incentivo que ajudem a implementar medidas práticas de defesa ambiental. Sistemas de depósito e reembolso que incentivem a entrega das embalagens nos locais apropriados, por exemplo. Evitava-se que garrafas e outras embalagens de plástico fossem abandonadas, promovia-se uma melhor gestão dos resíduos e compensava-se o trabalho de limpeza daquilo que mesmo assim for parar ao mar. O tratamento de resíduos urbanos é um grande negócio, até a Máfia italiana se interessa por essa actividade, não há razão para se pretender que o cidadão separe ou seja recolector do lixo e o deposite em diferentes locais de recolha e faça tudo isso pro bono quando, a juzante, outros ganham dinheiro com esse trabalho prévio.

Em março muitos pensaram que a pandemia e o confinamento iriam reforçar a necessidade de repensar o modo como a Humanidade usa a casa que habita. Mas o tempo passou e nada mudou.

(artigo baseado num post de Carla Castelo no Facebook, de onde retirámos as fotografias)

Internem-no, por indecente e má figura

Na América demoram tempo a contar votos. Quem diria, não é? Aqui em Portugal sabemos umas horas depois quem venceu, quem perdeu, sabemos tudo. Na América da tecnologia a coisa demora semanas.

Hoje, nove dias depois ainda há votos por contar, e com as recontagens que se vislumbram devido às reclamações de fraude, pode ser que lá mais para o Natal a tarefa esteja concluída. O Trump grita “Fraude! Fraude! Fraude” como aqui o deputado Ventura costumava gritar “Vergonha! Vergonha! Vergonha!”. Enfim, cada um vê o Mundo com os proprios olhos.

Devagarinho, devagarinho, Joe Biden já leva mais de 5 milhões de votos de avanço (77 milhões 400 mil) em relação a Trump. Vai ser o Presidente eleito com maior número de votos de sempre. Mas Trump, verdade seja dita, é o perdedor com maior número de votos de sempre, 72 milhões. A votação em Trump daria para ter ganho qualquer outra eleição americana, menos esta.

Independentemente dos milhões de votos, o que conta realmente é o número de delegados ao Colégio Eleitoral. Na América, a eleição presidencial é indireta. Quem verdadeiramente elege são os 538 membros do Colégio Eleitoral.  Joe Biden já garantiu o número suficiente de delegados que vão votar nele para Presidente. Precisava de 270 e já tem 290. Trump diz que foi roubado e pede recontagem de votos, depois de ter pedido que não contassem mais votos quando percebeu que ia perder. Mais um bocadinho e corre o risco de ser internado num manicómio de luxo, como nos conta o cartoon de Hélder Dias.

O melhor meio de transporte para a Grande Lisboa

0

Todos os dias entram mais de 150 mil automóveis em Lisboa vindos das duas linhas, Cascais e Sintra. É um desgaste para os condutores e um gasto inútil de carburante. Os dados são da Câmara Municipal de Lisboa.

Os lisboetas de fora entram de popó na cidade porque não querem ser espremidos nos transportes públicos. Nos últimos 46 anos a oferta manteve-se quase inalterada, à excepção da Linha de Sintra que duplicou a via até à Amadora, para felicidade da presidente Carla Tavares.

Agora, Lisboa está a fazer uma barreira à entrada dos automóveis, como se não precisasse dos lisboetas dos arredores para continuar a ser capital. Falta pouco para Isaltino Morais transformar Oeiras numa moderna opção. Oeiras a capital de Portugal. Tinha graça.

Os transportes públicos em Lisboa também não evoluíram, à excepção das linhas de metropolitano, com estações de densidade quase nula para o investimento. De que serve uma estação de Metro no Rato, se os lisboetas moram em Porto Salvo, Rinchoa, Alcabideche, Casal de S. Brás e outras povoações que cresceram entre as duas linhas de Cascais e Sintra.

É necessário um quadriculado ferroviário de baixo custo, que ligue o que já urbanisticamente não pode ser mudado. E que a capital “desça à terra” e perceba que Lisboa é a grande área metropolitana. E não apenas as Avenidas Novas, Telheiras, a Alta de Lisboa, a Praça do Comércio e a Praça do Município.

A capital não pode sobreviver com apenas 508 mil dos 3 milhões de lisboetas dos 18 municípios da Área metropolitana. A boa notícia seria ferrovia ligeira com linhas eletrificadas (vulgo metro de superfície) por toda a Área Metropolitana de Lisboa.

São precisos dois para dançar tango

Rui Rio diz que o Chega nos Açores é um partido moderado. Terá sido isso que possibilitou o acordo firmado entre PSD e Chega para sustentar um governo da direita nos Açores. E o líder do PSD admite que se “no futuro, no continente, o Chega se moderar pode haver hipóteses de diálogo.”

Até aqui a esquerda política pensava que não seria possível algum partido, nem mesmo o CDS, fazer um acordo com o Chega. O PS, aliás, jogava até com a voracidade do Chega para ir abocanhando partes do eleitorado do PSD e do CDS, facilitando assim a vida ao PS. Mas este calculismo político pode não correr bem.

Mas enquanto Rio diz que o Chega se “moderou” nos Açores, o deputado Ventura diz que se o PSD se radicalizar um bocadinho que talvez ele admita fazer um acordo nacional com o PSD… é o Chega a apostar que o PSD já não consegue o poder por si só. O CDS já nem entra nestas conversas…

A dança é a dois e, neste tango, quem conduz parece ser o deputado Ventura, como mostra o cartoon do Hélder Dias.

ALERTA CM

0

Não existe nada mais hediondo do que um crime. Não existe nada que crie mais revolta no ser humano do que um homicídio. Não existe nada que provoque mais dor do que a morte.

E os assassinos, por mais repugnantes que sejam, têm pai, mãe, por vezes companheiras, por vezes filhos. Podemos sentir desprezo, falta de empatia, raiva, revolta e tudo o que de mais visceral existir por quem rouba a vida a alguém que amamos. É legítimo e quem de nós poderá julgar tais sentimentos?

Porém, o que aqui me traz hoje é a forma abusiva como alguns meios de comunicação tratam hoje os casos de homicídio. Felizmente não todos, mas um em particular e que todos conhecemos, fá-lo de forma completamente aterradora.

Nos últimos tempos fomos confrontados com crimes como os da “Máfia de Braga”, o de “Rosa Grilo”, o de “Diana Fialho”, o de “Rúben Couto” e o chocante caso de “Valentina” que causou enorme consternação em todo o país. Crimes absurdos que falam por si só.

No entanto, não posso deixar de falar na posição que a CMTV tem tido em relação a estes casos. Sim, é importante darmos conta do que se passa no país. Sim, é importante que a população seja informada sobre estes casos de homicídio e sobre as penas que são aplicadas. Sim, o mediatismo destes casos é uma componente importante na sobrevivência dos jornalistas e dos meios de comunicação social em geral. O que ultrapassa esta fronteira é que não é normal.

No caso do canal de televisão em apreço, assistimos a horas de comentário sobre os homicídios mencionados anteriormente. A questão a ter em conta é que não se ocupa esse tempo a falar do crime, dos contornos mais ou menos macabros, nem do móbil dos mesmos. Isso são pormenores de somenos importância. Fala-se, essencialmente, do assassino, esse ser vil que merece todo o mediatismo.

Rosa Grilo tem um filho. Durante semanas assistimos a comentários diários sobre a “assassina”. Do filho e da dor que lhe pudessem provocar, não quiseram saber. Dos pais de Rosa Grilo, já com alguma idade, tantos lhes faz. A dor deles não importa quando comparada com as audiências que o perfil de uma “assassina infiel” pode proporcionar. Dos pais de Rúben Couto, que sofreram (e sofrerão para sempre) durante dias com o que era dito sobre o filho até este se suicidar, não quiseram saber. Dos filhos de Márcia, co-autora do homicídio de Valentina, não quiseram saber. Se Sandro ainda tem pais ou irmãos, não sei, mas também o que é que isso importa? Alguém que esteja a ler este artigo pode dizer-me se algum dia criou ou educou um filho para ele fosse assassino?

Enquanto se assiste no sofá lá de casa a este degradante espetáculo e se julga o criminoso, há pais, irmãos, avós, filhos e muitas outras pessoas ligadas a estes, que sofrem diariamente com o sucedido. Alguém acha que sofrimento de vê-los presos ou mortos não é por si só o bastante? Focarmo-nos no homicídio e não no homicida seria o mais correto.

Aos meios de comunicação social cabe o dever de informar, sobre homicídios ou quaisquer outros assuntos importantes para a comunidade. Aos tribunais cabe o dever de julgar os homicidas e de ilibar os inocentes. É para isso que a justiça serve. A mim e a vós que me lêem, cabe-nos o dever moral, simples e soberano de mudar de canal.

Tik Tok, tic tac, tic tac, tic tac

0

O Presidente derrotado Donald Trump não gostava do Tik Tok, devia acreditar que era mais uma ferramenta da espionagem chinesa, mas isso parece que só serviu para aumentar a popularidade da App chinesa.

O sucesso da plataforma de vídeos curtos está em alta e continua sempre a subir e, dizem os observadores do fenómeno, assim deverá continuar no futuro próximo.

Feitas as contas, o TikTok continua a ser a aplicação com mais downloads e mais receita em todo o mundo, pelo menos foi assim no mês de outubro.

A atitude de Trump não foi muito do agrado da população norte-americana, e as boas notícias é que, para já e segundo ordem judicial, o TikTok vai manter-se em atividade nos Estados Unidos, mesmo contra a vontade do Presidente. Como ele acaba de perder as eleições, é possível que as tentativas de proibição do uso desta App em território norte-americano tenham os dias contados.

TikTok continua a ser a App com mais downloads do mundo

A analista SensorTower, divulgou recentemente as 10 melhores aplicações ao nível de downloads e de receita. No que respeita aos downlodas, o TikTok é a aplicação, que não é jogo, com o maior número de transferências. E este resultado é conseguido quer ao nível global, como especificamente nas lojas AppStore e Google Play.

Apenas no mês de outubro de 2020 a plataforma chinesa de vídeos curtos conseguiu 66 milhões de downloads, o que representa um aumento de 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mas a grande fatia destes downloads refere-se à versão chinesa da app, a Douyin, que é responsável por 12% do total de transferências.

O WhatsApp é a segunda App mais sacada em todo o mundo, conseguindo 57 milhões de instalações no passado mês. Neste caso a Índia é o país onde o WhatsApp é mais popular, com 30% das transferências.

Facebook, Instagram e Zoom ocupam o terceiro, quarto e quinto lugar, respetivamente, das aplicações com mais downloads ao nível global.

Receitas

Já se falarmos de receitas, numa visão geral o TikTok mantém o primeiro lugar, conseguindo que os utilizadores gastassem 115 milhões de dólares (cerca de 97 milhões de euros) só no mês de outubro deste ano. Esse montante corresponde a 6,2 vezes mais receita do que a conseguida no mesmo mês em 2019.

Cerca de 86% da receita do TikTok vem da versão chinesa Douyin e apenas 8% vem dos Estados Unidos. Ou seja, é o imenso mercado interno que faz crescer o Tik Tok.

Nos próximos fins-de-semana, cultura a meia haste

0

O horário de abertura dos Museus, Monumentos e Palácios Nacionais, aos fins de semana, passa a ser entre as 10:00 e as 13:00, sendo as entradas gratuitas, anunciou a Direção-Geral do Património Cultural.

O novo horário justifica-se “no contexto das regras de confinamento em vigor”. Assim, a última entrada nestes equipamentos, aos sábados e domingos, tem por hora limite as 12:30. “Tendo em conta a significativa alteração das condições de visita, devido à redução de horário, estabelece-se gratuitidade a título extraordinário nos fins de semana”, afirma a Direção-Geral do Património Cultural.

A Direção-Geral do Património Cultural tutela 156 museus agregados na Rede Portuguesa de Museus, e os monumentos e palácios nacionais, como os palácios da Ajuda e de Mafra e o Castelo de Guimarães.

Alguns museus de Lisboa e do Porto já tinham anunciado a decisão de reduzir o horário ou encerrar totalmente, nos fins de semana, em resposta às novas regras de confinamento, em vigor até 23 de novembro, para combater a pandemia covid-19.

Por exemplo, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Belém, Lisboa, optou por encerrar totalmente nos dois próximos fins de semana – dias 14 e 15, e 21 e 22 de novembro -, mas durante a semana mantém o horário diário das 11:00 às 19:00.

O Museu Gulbenkian, nos dois próximos fins de semana, estará aberto das 09:30 às 12:00, em vez das habituais 10:00/18:00, indicou também fonte da Fundação Calouste Gulbenkian. As exposições temporárias “Esculturas Infinitas” e “René Lalique e a Idade do Vidro” podem ser vistas durante o mesmo horário.

Quanto ao Museu Coleção Berardo, em Belém, vai encerrar aos sábados e domingos, às 13:00, com última entrada às 12h:30, e as atividades para adultos e famílias, previstas para esses fins de semana, passam a ser realizadas em novos horários indicados no sítio ‘online’ do museu.

O Museu do Dinheiro também estará encerrado ao público nos fins de semana de 14 e 15 e de 21 e 22 de novembro, face às restrições de circulação em espaços e vias públicas, mas permanecerá aberto de quarta-feira a sexta-feira, entre as 10:00 e as 18:00.

FIFA quer impedir abusos nos negócios do futebol

0

A FIFA parece querer mudar as regras no futebol, não as regras do jogo jogado dentro do campo, mas as regras da compra/venda de jogadores. O processo está em marcha, visa limitar o poder dos agentes e impor alguma ética no negócio. Um agente não pode deter o passe de um jogador, em parte ou no todo, nem pode ter interesses em clubes de futebol. Isto é, os agentes do futebol não podem ter conflitos de interesse que venham a deturpar a realidade do “mercado” dos jogadores e treinadores de futebol.

Um dos agentes mais visados pelos órgãos reguladores do futebol internacional é o português Jorge Mendes, porque Mendes tem alegadamente uma associação com a Fosun que, por sua vez, é dona do clube inglês Wolverhampton.

A Fosun é um fundo de investimento chinês. Em Portugal são donos de hospitais, companhias de seguros, bancos. Tem também uma participação na Gestifute de Jorge Mendes, segundos alguns relatos da imprensa. Ou seja, a ser assim, este “super-agente” do futebol tem uma relação privilegiada com financiadores e clubes de futebol que pode deturpar a verdade do jogo e propiciar atos de corrupção e burla ao inflacionar o valor de determinados jogadores, beneficiar o clube do sócio, ao cobrar duplamente comissões por vender e comprar o jogador, práticas que a FIFA parece querer impedir. Em Inglaterra, o Wolverhampton tem meia equipa portuguesa, caso inédito no Mundo. Tem mais portugueses no plantel do que as equipas portuguesas da I Liga.

Segundo informações que têm sido postas a circular, nomeadamente pelo site Football Leaks, antes de 2021 terminar as novas regras estarão aprovadas e em vigor. Depois se verá como os “super-agentes” tipo Jorge Mendes se adaptam à nova realidade. Mas não vai ser agradável para eles. Uma das regras que os legistas da FIFA estão agora a redigir diz respeito à transparência dos negócios. Os agentes terão de publicar os nomes dos jogadores que têm em portfolio e o valor das comissões que recebem por cada transação. Deixa de haver segredo, que tem sido a alma deste negócio.

A FIFA pretende também limitar a percentagem das comissões. Alguns casos têm sido noticiados com foros de escândalo como, por exemplo, a contratação de Pogba pelo Manchester United em 2016, quando se soube que o clube vendedor, a Juventus, pagou 27 milhões de euros ao agente Mino Raiola. Além disto, Raiola recebeu uma quantia indeterminada (talvez 3% do salário) do próprio Pogba e do Manchester United. Para evitar este tipo de situações em que os agentes conseguem comissões consideradas abusivas, a FIFA pretende impor um tecto de 10% sobre o valor da transação e impedir a dupla ou tripla  tributação de comissões pelo mesmo negócio.

É cada vez mais frequente vermos agentes de futebol a serem investigados pela Justiça dos seus países, por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, fuga ao fisco, tudo esquemas propiciados pela selvajaria capitalista em que se movem no mundo do futebol. As dicas do Football Leaks têm sido uma ajuda para os investigadores judiciais de muitos países, nomeadamente na Europa.