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Agressões e insultos a jornalistas na manifestação do Rossio

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Na manifestação de ontem, no Rossio, houve de tudo desde agressões e ameaças a jornalistas, a gente concentrada sem usar máscara, mas não se viu a PSP a intervir, excepto na ocasião em que tirou os jornalistas do Observador do meio da multidão. Neste caso, a polícia evitou a continuação das agressões mas não identificou nenhum dos agressores.

Não há quem não perceba que o setor da restauração está com a corda na garganta. Depois de terem fechado portas em março, abril e maio, depois de um verão fraco em termos turísticos, as novas restrições são entendidas como a gota que faz transbordar a água do copo. O governo anunciou apoios considerados insuficientes e os chefs de cozinha querem mais.

Na verdade não se tratou apenas de uma manifestação. Aos cozinheiros juntaram-se os negacionistas, os que dizem que a pandemia é apenas uma “constipação” ou pouco mais. Todos juntinhos e sem máscara. Também aqui não se viu a polícia agir, nem sequer a tentar sensibilizar os infratores para a obrigatoriedade do uso de máscara em situações onde não é possível garantir o distanciamento físico entre as pessoas.

Segundo os relatos dos repórteres que lá estiveram, a manifestação não cumpriu o horário do recolher obrigatório.

Sobre as agressões, ameaças e insultos a jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas condena e lamenta a situação. Em comunicado frisa que “vivemos todos tempos difíceis, mas a insegurança ou a revolta não podem justificar nunca ameaças aos jornalistas, que estão no desempenho da sua missão de informar”. E lembra que sem jornalistas a voz dos que protestam teria menos impacto na opinião pública. É verdade, mas cada vez menos. As alternativas de comunicação de massas, nas redes sociais, são já bastante eficazes.

Carros rápidos e muito caros

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Pessoalmente, gosto mais de barcos à vela. Para desfrutar em pleno de um veleiro, é preciso não só as condições meteorológicas adequadas de vento e mar mas, acima de tudo, é preciso tempo. Quando saímos para o mar sabemos a que horas partimos, não fazemos a mínima ideia da hora a que iremos voltar.

Mas há quem prefira máquinas ruidosas, poderosas, dispendiosas e, acima de tudo, rápidas. Muito rápidas, mesmo. Tão rápidas que só não levantam voo porque não têm asas. Carros, bólides. Vvrruumm!

Carros como estes, por exemplo:

Koenigsegg Gemera

1- Koenigsegg Gemera. Dos 0 aos 100 em 1,9 segundos. Quase instantâneo. 1700 cavalos (há coudelarias que nem metade têm). Velocidade máxima, 400 kms/h. Fizeram 300 exemplares, nem mais um.

Pininfarina Battista

2- Pininfarina Battista. Não gasta uma gota de gasolina, é elétrico. Este “Batista” da casa Pininfarina tem 1900 cavalos força e chega aos 100 kms/h em menos de 2 segundos. Custa uma fortuna e só foram construídos 150 unidades.

Mercedes AMG GT R Roadster

3-   Mercedes-AMG GT R Roadster. Diz quem sabe que é o mais “extremista” dos GT cabriolet. Debaixo do capot tem motor, um V8 4 litros bi-turbo. Dos 0 aos 100 demora uma eternidade, 3,6 segundos, mas tem apenas 585 cavalos. Velocidade máxima: 317 kms por hora. Uma tartaruga…

Bugatti Noir

4- Bugatti Noir. Não sei o que tem este carro para custar 11 milhões de euros (mais impostos). Fizeram um carro só para sheiks da Arábia, está visto. Deve ser porque tem um motor grande. É um V16 de 8 litros, 1500 cavalos. Como é pesado, demora 2,4 segundos a chegar aos 100.

Vamos ficar por aqui. Deixar os motores arrefecer.

Irmã de Isabel dos Santos ameaçada

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A filha mais nova de José Eduardo dos Santos sente-se em perigo.  Vive com medo. Diz estar a ser ameaçada de morte e reagiu nas redes sociais denunciando as alegadas ameaças. Em causa, uma hipotética influência de Tchizé na organização de manifestações de protesto em Luanda como, por exemplo, a que ocorreu no passado dia 11 de novembro e que foi reprimida com violência pela polícia.

No Facebook, Tchizé “avisou” que já tinha tomado providências para a eventualidade de alguma coisa lhe acontecer (texto que repetiu no WhattsApp para determinados contactos).

A referência ao “27 de maio” é elucidativa. Tchizé lembra o massacre de milhares de pessoas em Angola, presumíveis seguidores de Nito Alves, acusados de tentar um golpe de Estado e de pretenderem assassinar o Presidente Agostinho Neto.

Por cá, os negócios da irmã Isabel não estão a correr bem. Afastada da NOS e da EFACEC, Isabel dos Santos viu o juiz Carlos Alexandre aceitar o arresto de bens a pedido das autoridades angolanas, num litígio jurídico em que Angola pretende ser ressarcida por desfalques e desvios de dinheiro que Isabel dos Santos nega ter praticado.

Tchizé dos Santos saiu de Angola depois de ter sido afastada do cargo de deputada do MPLA, acusada de “conduta que atenta contra as regras de disciplina”.

O irmão de Tchizé, José Filomeno ‘Zenu’ dos Santos, foi condenado, a 15 de Agosto, a cinco anos de prisão, pelo Tribunal Supremo de Angola, pela prática dos crimes de burla e tráfico de influências quando era presidente do Fundo Soberano.

O cunhado de Tchizé, um congolês rico e poderoso, morreu a 29 de Outubro num alegado acidente de mergulho, em circunstâncias que muitos classificaram de “estranhas”.

Junta-se ainda a este rol de desgraças, a morte do gestor dos negócios de Isabel, Nuno Ribeiro da Cunha, em Janeiro. Apareceu enforcado após a revelação dos negócios complicados da filha mais velha do ex-presidente de Angola.

Agora, Tchizé dos Santos parece recear ser a próxima vítima de um longo e misterioso braço que está a cercar a família de José Eduardo dos Santos.

Tchizé dos Santos é muito popular nas redes sociais, com milhares de seguidores. Não parece ter grande atividade no Twitter, mas no Facebook publica com frequência vídeos e memórias de “antigamente”. Tem muitos comentários de apoio (há muitos angolanos descontentes) mas também tem muitas ameaças, eventualmente inconsequentes.

Os próximos dias são muito incertos para a família que esteve à frente de Angola durante 38 anos. Mas enquanto estiverem em Portugal, a segurança destes cidadãos é uma matéria de Estado que deve ser acautelada não só pelas polícias, da PSP e GNR até aos serviços secretos, mas também nos gabinetes diplomáticos. Depois deste alerta feito por Tchizé dos Santos, não há como o Estado português alegar que desconhecia a situação.

JRR/CN (atualizado às 10:24)

Covid-19: 55 mortes e uma manifestação

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Nas últimas 24 horas, registaram-se  6.602 novos casos de infeção com o novo coronavírus e 55 mortes associadas à doença covid-19, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde divulgado hoje.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 3.305 mortes. O maior número de novos casos diários de infeção com o SARS-Cov-2 foi registado na sexta-feira, com 6.653 casos.

Segundo o boletim, a região Norte regista o maior número de infeções e de mortos nas últimas 24 horas, seguindo-se a região de Lisboa e Vale do Tejo. Das 55 mortes registadas, 28 ocorreram na região Norte, 17 na região de Lisboa e Vale do Tejo, oito na região Centro e dois no Alentejo.

Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim epidemiológico revela que estão internadas 2.798 pessoas (menos uma que ontem) e destas estão 413 em cuidados intensivos (mais 25 do que ontem).

A Pão e Água

Centenas de empresários e trabalhadores da restauração, eventos culturais e animação noturna manifestaram-se esta manhã no Rossio, em Lisboa, exigindo apoios do Governo para lutarem contra o desemprego e continuarem “a pôr pão na mesa”.

O protesto faz parte do movimento “A Pão e Água” (que bem podia ser uma receita de açorda…), que na sexta-feira foi palco de desacatos entre os manifestantes e a polícia no Porto. Os proprietários de restaurantes, bares, discotecas e cafés exigem o levantamento da obrigatoriedade para fechar portas às 13h e pedem um pacote de ajudas financeiras para o setor.

Alguns manifestantes menosprezam o problema da pandemia ao exibirem cartazes que dizem, “Querem matar 100% dos restaurantes por 3% de contágio”.

O Governo, entretanto, anunciou mais um apoio para este setor no valor de 25 milhões de euros, que visa compensar os restaurantes pelas perdas nos dois fins de semana de recolher obrigatório a partir das 13h00.

A guerra no Índico

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João Carlos Mota Gonçalves alistou-se na Marinha para tentar escapar à guerra, mas não teve sorte. Embarcou, em 28 de março de 1966, no NRP Álvares Cabral (uma velha Fragata construída em Inglaterra e comprada em segunda mão pelo governo português em 1959) e só saiu 30 meses depois no dia 23 de Setembro de 1968.

imagem do NRP Álvares Cabral quando era HMS_Burghead Bay em 1945, fonte: Wikipédia

O navio fez a mesma rota das naus de Vasco da Gama, aportou em Luanda para uns dias de descanso, dobrou o Cabo da Boa Esperança e chegou finalmente à cidade da Beira, em Moçambique. Vasco da Gama seguiu mais longe, mas eles ficaram por ali mesmo.   

A missão era de apoio logístico e transporte de tropas. E foi o que fizeram, com bom ou mau tempo. Dia 18 de Janeiro de 1968, “quando fazíamos transporte de um batalhão de paraquedistas da Beira para Nacala, apanhámos uma depressão tropical durante 5 dias seguidos e enfrentámos vagas de 14 metros de altura. Tivemos uma inclinação de estibordo para bombordo de 45 graus. Estes foram os dias mais marcantes e mais perigosos” de João Carlos, na guerra.

A Marinha, muitas vezes subvalorizada, desempenhava um papel importante no decorrer desta guerra. Eram um meio de transporte coletivo em grande escala e um apoio às populações, garante o 1º Grumete Artilheiro.

fragata da Marinha de Guerra, NRP Álvares Cabral

Durante uma das “mais longas comissões já vistas”, além de responsável pelo armamento a bordo do NRP Álvares Cabral, desempenhou ainda funções de dactilógrafo, graças às competências profissionais adquiridas antes de ir para a tropa. Sabia ler e escrever bem à máquina, acabou por ser o autor do “Manual das Peças Antiaéreas e Fixas do Navio”, obra que lhe valeu um louvor que nunca chegou a receber porque a ordem chegou meia dúzia de dias depois de ser desmobilizado da Marinha.

Desse tempo africano guarda memórias do característico cheiro da terra e, com certeza, da beleza da paisagem costeira moçambicana. Mas também não esquece o sacrifício a que foram obrigados pelo regime de Salazar: “É preciso as pessoas não se esquecerem, em especial dos jovens que lá ficaram”. Como ex-combatente ao serviço da Marinha sente-se, de certa forma, negligenciado pelo Estado. Recebe um subsidio de 75 euros por ano. É a compensação por dois anos e meio de guerra.

RB/CN

QAnon actua em Portugal

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Com somente três anos de existência, o Movimento QAnon (Q Anónimo), nascido na Internet, rapidamente cresceu nos Estados Unidos e alcançou 12 milhões de tweets no ano do seu nascimento, em 2017.

O movimento alimenta a ideia de que o mundo está a ser governado por uma cabala de pedófilos que praticam tráfico sexual de menores. Para o movimento, Donald Trump é o salvador do mundo e está a fazer uma campanha secreta para libertar a humanidade de personalidades como Barak Obama e Hillary Clinton, o milionário George Soros, a chanceler alemã Angela Merkel – considerada pelo movimento, neta de Adolf Hitler- Bill Gates, Oprah Winfrey, Tom Hanks e muitas personalidades democratas, entre outras.

O FBI considera o grupo incitador de terrorismo e uma potencial ameaça para a segurança interna dos Estados Unidos da América. O movimento é alimentado desde a sua origem por um utilizador anónimo que assina Q e passa mensagens em código.

Presidenciais2020 nos EUA, comício de Donald Trump com apoiantes identificados como membros do Movimento QAnon
Vice-presidente dos EUA, Mike Pence, com membros da equipe SWAT de Broward County, Flórida, em 30 de novembro de 2018; o homem à esquerda da imagem está exibindo um patch “Q” vermelho e preto, símbolo do QAnon. Fonte: wikipédia

Impulsionado pela pandemia covid-19 o movimento apareceu recentemente na Alemanha, por ocasião de manifestações contra as restrições na cidade de Berlim, mas também em Londres e Paris.

A Newsguard, uma organização que estuda o grau de confiança e veracidade das fontes de informação, indica que o movimento Q engloba muitas ideias diferentes, teorias fáceis de aceitar como difusão de teorias de conspiração das quais Trump será o “Salvador”. Com diferentes ideologias à escolha, o QAnon tem vindo a atrair simpatizantes em toda a Europa aproveitando os problemas causados pela pandemia.

Expansão na Europa

Apesar das proibições de publicação levadas a cabo pelas redes Twitter, Facebook e Instagram, o movimento passou a usar a nova plataforma Telegram. Por seu lado, o Youtube anunciou que ia remover todos os conteúdos relacionados com o movimento. Estudiosos acreditam que os seguidores do Q já ultrapassaram os 450 mil na Europa dos quatro milhões de seguidores em todo o mundo, segundo o Jornal Guardian.

Simultaneamente com o crescimento virtual nas redes, o movimento encontra-se espalhado por vários países europeus, nomeadamente Alemanha, Reino Unido e França, para além dos Estados Unidos.

Portugal figura como tendo, para já, 250 seguidores. Entre as várias acções já praticadas destaque para uma queixa anónima, assinada por Q, apresentada à Procuradoria Geral da República onde era afirmado que discos de Rui Pinto indiciavam que Portugal e Espanha estão a ser governados por redes de pedófilos e que o Governo escondeu essa informação. A Polícia Judiciária desmentiu a existência de qualquer disco do conhecido hacker relacionado com o assunto.

Segundo o jornal Expresso, três dias depois de a denúncia anónima ter chegado à PGR, o texto seria publicado num sítio da Internet ligado à extrema-direita portuguesa e espanhola, onde figuram os nomes de dois membros do Partido Chega.

https://expresso.pt/
https://expresso.pt/

As autoridades policiais estão a investigar as movimentações do QAnon em Portugal, tido como uma ameaça por disseminar informações falsas destinadas a influenciar a opinião pública.

Covid-19: 69 mortes e “fronteira” nos Açores

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Portugal atingiu hoje um novo máximo de casos diários de covid-19 ao contabilizar mais 6.653 nas últimas 24 horas e registou 69 óbitos, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

fonte DGS

Dentro de aproximadamente duas semanas veremos as consequências deste aumento do número de infeções nas mortes diárias.

fonte DGS

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 3.250 mortes. Há agora 84.032 casos ativos da doença covid-19, mais 2.891 do que na quinta-feira.

O anterior máximo foi registado em 7 de novembro, quando foram contabilizados 6.640 infeções.

Segundo o boletim, 61% dos novos casos situam-se na região Norte, que contabilizou nas últimas 24 horas mais 4.061 infeções, seguido de Lisboa e Vale do Tejo, com 1.733 novos casos.

Outro record nacional: 2.799 doentes internados, mais cinco que ontem, e 388 em unidades de cuidados intensivos, mais cinco do que na quinta-feira.

Uma “fronteira” nos Açores, sem “visto” não entra

A partir de agora, se quiser viajar até aos Açores, tem de fazer um teste de despiste do novo coronavírus. Se não exibir um comprovativo de que não está doente, não entra sequer no avião.

Esta medida foi anunciada pelo Governo Regional dos Açores e abrange todos os viajantes, independentemente da nacionalidade ou naturalidade.

Um corredor ecológico para o futuro

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colagem de fotografias

Esta semana, a paisagem, as hortas e as ribeiras espraiaram-se pelas páginas dos jornais a propósito da morte de Gonçalo Ribeiro Telles. No contexto atual de crise global do ambiente e do clima, a visão do arquiteto paisagista, que durante décadas nos falou da importância do ordenamento do território e da criação de corredores ecológicos, impõe-se com urgência. E não deixa de ser estranho como, apesar do que nos deixou e nos ensinou, haja tanta obra em curso ou em projeto que vai frontalmente contra aquilo que foram os seus ensinamentos e alertas.

Se hoje entra pelos olhos dentro que é preciso travar a construção e o betão, conservar o solo, a água, proteger a paisagem, os leitos dos rios –, essa visão ecologista era muito menos óbvia, em Portugal, há 40 anos, quando o então Ministro de Estado e da Qualidade de Vida (1981-83) instituiu a Reserva Agrícola Nacional (RAN), “o primeiro passo na concretização de uma política de ordenamento do território à escala nacional”, e depois a Reserva Ecológica Nacional (REN), “que integra todas as áreas indispensáveis à estabilidade ecológica do meio e à utilização racional dos recursos naturais, tendo em vista o correto ordenamento do território.” Praias, dunas, cabeceiras e leitos dos cursos de água e faixas amortecedoras, escarpas, entre outros ecossistemas costeiros e interiores, constituíam a REN, e nesses solos ficavam proibidas, nomeadamente, vias de comunicação, construção de edifícios, aterros e escavações, e destruição do coberto vegetal.

Hoje, em contexto de alterações climáticas e eventos climáticos extremos, de falta de água, de riscos associados ao aumento do nível da água do mar e à ocorrência de cheias, entra pelos olhos dentro que impermeabilizar solos em cabeceiras de rios, ou construir em leito de cheia, é um atentado ambiental e um fator de risco agravado para pessoas e bens em caso de precipitação intensa. É hoje inquestionável a necessidade de termos mais natureza nas cidades, árvores que são sumidouros de carbono e reduzem o efeito de ilha de calor, hortas urbanas, rios com as suas margens naturais e corredores ecológicos. No entanto, ao longo das últimas décadas, não raras vezes se contornaram os regimes de RAN e REN  para dar lugar à construção de infraestruturas, edifícios e grandes empreendimentos, e infelizmente os atropelos às áreas de reserva ecológica e potencial agrícola continuam atualmente.  Porque a verdade é que, apesar da importância destes instrumentos jurídicos de ordenamento do território, eles foram e continuam a ser mal amados por quem quer construir não importa onde, e põe o lucro económico do curto prazo à frente de tudo (sem fazer contas aos prejuízos económicos e custos ambientais e para a saúde humana, no futuro). 

Na área de metropolitana de Lisboa não faltam exemplos dessa lógica de vistas curtas, cada vez mais perigosa para a sustentabilidade dos ecossistemas e para a qualidade de vida nas cidades.

Basta olhar para a Serra de Carnaxide, um pequeno pulmão de 600 hectares entre os concelhos de Sintra, Amadora e Oeiras, e constatar o erro que foi aprovar o que já lá está, e o erro que é que aprovar-se mais um projeto urbanístico numa área natural tão importante para toda a área metropolitana de Lisboa, em termos de qualidade do ar, saúde pública, e adaptação às alterações climáticas. Lá estão os valores da paisagem (e que vista até ao mar!), biodiversidade, solo e água numa importante área de infiltração natural. Ou olhar para a foz do rio Jamor e perceber a enormidade de planear para ali um mega empreendimento, em pleno leito de cheia, criando estrangulamentos na parte final da linha de água e à beira Tejo quase mar. Ou saber que o traçado da Via Longitudinal Sul, a via rápida que Isaltino Morais insiste em construir entre Paço de Arcos e Caxias, atropela a reserva ecológica e que a obra só poderá ser feita se for declarado o “relevante interesse público”.

Ora, construir em qualquer destes locais é precisamente contra o interesse público, atentatório do bom senso e do princípio da precaução, porque agrava os riscos que já enfrentamos hoje. E não é a engenharia que nos resolverá todos os problemas se não soubermos trabalhar com a natureza. Oeiras é um município onde os ensinamentos de Ribeiro Telles foram desbaratados, e onde o que se projeta para o futuro em termos de ocupação do solo acelera na direção oposta do corredor ecológico que precisamos urgentemente de construir para assegurar o bem-estar das gerações vindouras.

imagem retirada da internet

Amadora baixa impostos

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Reduzir impostos em 2021 é a promessa anunciada pela autarquia da Amadora, num comunicado divulgado agora.

Num contexto de “perda de rendimentos”, devido à covid-19, a Câmara Municipal da Amadora refere que a redução destes impostos, com especial incidência no Imposto Municipal Sobre Imóveis (IMI), foi aprovada na última reunião do executivo, de maioria PS.

“Numa altura em que as famílias e as empresas se debatem com quebras de rendimento, cabe ao município da Amadora partilhar o esforço e aliviar a carga fiscal pelo alcance que tem nas famílias, nas instituições e nas empresas”, diz o comunicado.

A principal alteração, face ao ano transato, é no IMI que passa ao valor mínimo (0,30%) para os prédios urbanos, sendo que em 2020 o município tinha aplicado 0,32%, e mantém a taxa de 0,8% para prédios rústicos.

A Câmara da Amadora estima que esta medida representa uma perda de receitas de 8,7 milhões de euros para a autarquia, mas uma poupança média para as famílias de 220 euros.

Relativamente ao IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares), foi aprovado a manutenção de uma taxa reduzida de 3,8% de participação. Segundo a autarquia, a não adoção de uma taxa máxima representa uma poupança média, por família, de 61 euros e uma redução de receita do município de cerca de três milhões de euros.

Já na derrama, a Câmara Municipal da Amadora decidiu isentar o lucro tributável sujeito, e não isento de IRC (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas), às empresas que apresentem um volume de negócios abaixo dos 150 mil euros. Com esta medida, a autarquia estima uma não arrecadação de verba na ordem dos 311 mil euros.

Esta redução de impostos terá, ainda, de ser votada pela Assembleia Municipal, onde não deverá haver obstáculos para aprovação.

Elogio a André Ventura

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fotomontagem

A diversidade de ideologias políticas na Sociedade é de louvar. Depois, aos cidadãos competirá escolher, entre o universo de linhas políticas, aquela com a qual sintam mais afinidades e, em altura de eleições, votarem naqueles que pensam como ele.

O Parlamento seria, assim, um local de debate permanente que permitiria, em primeiro lugar, uma escolha certa das prioridades e, depois, a opção das melhores soluções para os diversos problemas.

Para isto resultar, em pleno, os partidos políticos deveriam ter de, como primeira obrigação, fazer uma selecção exigentíssima dos seus deputados. Os representantes do Povo na Assembleia da República deveriam, no mínimo, ser cultos, “experts” numa matéria (pelo menos), dedicados e estudiosos.

Deveriam ter a obrigação de, diariamente, explicarem as razões da sua escolha por um caminho em detrimento das alternativas apontadas pelos adversários políticos. Deputados assim teriam, com toda a certeza, um grande número de seguidores.

Lembro-me de grandes tribunos na nossa Assembleia da República com este perfil. Para não ser exaustivo: Mário Soares, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral, Salgado Zenha, Costa Andrade, Vital Moreira e Natália Correia.

Hoje, o Parlamento, salvo raríssimas excepções, é composto por figuras menores que gaguejam quando confrontadas com casos concretos e seleccionadas ou para seguir “a voz do dono”, muitas vezes com discursos escritos ninguém sabe por quem (nem elas!…), ou para, ao contrário, criticarem sem nexo unicamente porque têm que ser contra a opinião dos adversários políticos.

No Parlamento actual só uma figura se destaca por dizer, exactamente, o que querem ouvir aqueles que nele votaram: André Ventura. Ele sabe ser apoiado pelos que defendem uma linha politica de extrema- direita, a exemplo do que vai acontecendo um tanto por toda a Europa, mas também tem consciência de que o grosso dos seus seguidores são os justiceiros, os populistas, os analfabetos, os rancorosos, os falhados, os que nunca leram um livro, os que se sentem puros, incapazes de pecar e pensam estar na fila de espera para uma canonização. Ele é a referência dos que acreditam estar acima de todos os que os rodeiam, dos que gostam de se crerem um exemplo para a humanidade. E, não podemos esquecer, a gente poderosa e rica que quer continuar a ser poderosa e rica seja como for.

André Ventura é um homem inteligente e culto. Sem dúvida dos mais inteligentes e cultos do nosso Parlamento. Descobriu um “nicho” onde podia basear a sua carreira política. Com toda a sua inteligência e cultura (é licenciado em Direito e um excelente jurista) percebeu que podia reunir, à sua volta, um grande número de indefectíveis apoiantes. E diz, com brilho, sarcasmo e coragem, o que os seus apoiantes querem ouvir.

Acredito que, muitas das vezes, o único que não gosta das suas palavras será ele próprio. Mas… há uma estratégia a seguir e ele segue-a com sucesso. Podem dizer que isso corresponde a falta de escrúpulos. Mas, em Portugal, pelo menos, escrever escrúpulos e política na mesma frase é, no mínimo, problemático.

André Ventura pode andar, tranquilamente, entre os seus porque será, sempre, apoiado. Quantos mais políticos portugueses poderão gabar-se do mesmo? Como será fácil de entender, pelo que escrevi até agora, o líder do Chega está nas antípodas do meu pensamento político.

Principalmente porque – como bem o define um amigo meu, médico jubilado e homem culto como poucos – é “forte com os fracos e, tranquilamente, súbdito dos poderosos”. Mas tem a minha admiração pelo simples facto de, sendo frontal, directo e corajoso, defender as suas ideias, contra tudo e contra todos, e levar a que muitos o temam.

Ver as grandes forças políticas renderem-se à sua vontade, apesar de ser um simples deputado contra uma imensa maioria, é prova da sua superioridade intelectual. E da cobardia de muitos dos restantes. É surpreendente ver gente que tantos admiram, e em quem confiaram o voto, render-se a quem consegue dominar a opinião publicada, mesmo dando de barato os problemas de consciência.

O líder do Chega opta por agarrar, com ambas as mãos, um número minoritário de eleitores mas que, sabe, sempre lhe serão fieis enquanto o ouvirem repetir, à exaustão, ideias que os povos desenvolvidos renegaram há muito.

Com isso, inacreditavelmente, tem conseguido que alguns dos nossos mais conhecidos políticos cedam a exigências suas, mesmo violentando os princípios básicos dos programas que juraram defender. Será que os líderes dos grandes partidos não percebem que vão perdendo a face com as constantes cedências. O que os levará a esta práxis? O que temem eles?

Dentro de alguns anos André Ventura será um caso de estudo. A maioria dos restantes um caso de desprezo.