FIFA quer impedir abusos nos negócios do futebol

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A FIFA parece querer mudar as regras no futebol, não as regras do jogo jogado dentro do campo, mas as regras da compra/venda de jogadores. O processo está em marcha, visa limitar o poder dos agentes e impor alguma ética no negócio. Um agente não pode deter o passe de um jogador, em parte ou no todo, nem pode ter interesses em clubes de futebol. Isto é, os agentes do futebol não podem ter conflitos de interesse que venham a deturpar a realidade do “mercado” dos jogadores e treinadores de futebol.

Um dos agentes mais visados pelos órgãos reguladores do futebol internacional é o português Jorge Mendes, porque Mendes tem alegadamente uma associação com a Fosun que, por sua vez, é dona do clube inglês Wolverhampton.

A Fosun é um fundo de investimento chinês. Em Portugal são donos de hospitais, companhias de seguros, bancos. Tem também uma participação na Gestifute de Jorge Mendes, segundos alguns relatos da imprensa. Ou seja, a ser assim, este “super-agente” do futebol tem uma relação privilegiada com financiadores e clubes de futebol que pode deturpar a verdade do jogo e propiciar atos de corrupção e burla ao inflacionar o valor de determinados jogadores, beneficiar o clube do sócio, ao cobrar duplamente comissões por vender e comprar o jogador, práticas que a FIFA parece querer impedir. Em Inglaterra, o Wolverhampton tem meia equipa portuguesa, caso inédito no Mundo. Tem mais portugueses no plantel do que as equipas portuguesas da I Liga.

Segundo informações que têm sido postas a circular, nomeadamente pelo site Football Leaks, antes de 2021 terminar as novas regras estarão aprovadas e em vigor. Depois se verá como os “super-agentes” tipo Jorge Mendes se adaptam à nova realidade. Mas não vai ser agradável para eles. Uma das regras que os legistas da FIFA estão agora a redigir diz respeito à transparência dos negócios. Os agentes terão de publicar os nomes dos jogadores que têm em portfolio e o valor das comissões que recebem por cada transação. Deixa de haver segredo, que tem sido a alma deste negócio.

A FIFA pretende também limitar a percentagem das comissões. Alguns casos têm sido noticiados com foros de escândalo como, por exemplo, a contratação de Pogba pelo Manchester United em 2016, quando se soube que o clube vendedor, a Juventus, pagou 27 milhões de euros ao agente Mino Raiola. Além disto, Raiola recebeu uma quantia indeterminada (talvez 3% do salário) do próprio Pogba e do Manchester United. Para evitar este tipo de situações em que os agentes conseguem comissões consideradas abusivas, a FIFA pretende impor um tecto de 10% sobre o valor da transação e impedir a dupla ou tripla  tributação de comissões pelo mesmo negócio.

É cada vez mais frequente vermos agentes de futebol a serem investigados pela Justiça dos seus países, por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, fuga ao fisco, tudo esquemas propiciados pela selvajaria capitalista em que se movem no mundo do futebol. As dicas do Football Leaks têm sido uma ajuda para os investigadores judiciais de muitos países, nomeadamente na Europa.

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