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Anormalidade

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Dia 1

Disse que ia voltar. Que esta separação não vai durar muito. Despedi-me da minha praia, dos amigos de sempre e dos novos. Na camioneta em movimento vi o último pôr do sol. Senti-me grata pelo silêncio dos passageiros. Não abri o portátil, pouco olhei para o telemóvel. Em casa dormi profundamente, não há nada como a própria cama.

Dia 2

Fiz frente à chuva para entregar uma chouriça e um pão a um amigo, ofereci outro à estimada vizinha, ainda tenho o kit de petiscos para um terceiro. Está a adiar, vai receber um pão duro, paciência.

Na Almirante Reis percebi que há muito não via carros em fila, tantos! Assim como não ouvia o ruído ou via a cara contrariada dos condutores. Foi o primeiro choque, o trânsito. 

Apesar de andar sempre com a máscara no braço, quase me esqueci de a usar no Alentejo. Os passeios são largos, as pessoas poucas, de forma que voltei a viver a “normalidade” que agora parece tão longe. Aqui a máscara está sempre colada à cara.

Dia 3

Pergunto-me se a invenção das grandes cidades não é uma anormalidade. Em nome do conforto constroem-se edifícios que tapam o céu, a perspectiva do espaço torna-se menor, às vezes reduz-se a metros. Vivemos às camadas, uns em cima dos outros, sem qualquer espírito de bairrismo. Corremos para todo o lado, sempre cheios de pressa, consumimos coisas e mais coisas metidas em embrulhos de felicidade instantânea. Questiono cada vez mais o conceito de qualidade de vida.

Dia 4

A chuva teima lá fora mas tive a coragem de me enfiar numa loja e trocar umas calças por uma camisola gira. Sim, também sou consumista, um trapo novo sempre me põe mais bem-disposta.

Percorro a baixa de noite, sinto paz nas singelas luzes de Natal, é assim que gosto delas: discretas, recicladas do Natal anterior, nada espampanantes. Mesmo assim, a máscara tapou-me o sorriso.

Decido fazer um esparguete com tomatada mas opto por torrar pão alentejano, umas fatias com manteiga (há lá melhor torrada do que esta?), queijos e a chouriça picante que tinha resolvido guardar para mais tarde, mas junto-a ao petisco. Ponho uma mantinha nas pernas, o meu estômago e coração regressam ao mar e à paisagem infinita. Encontro a normalidade dentro de casa.

Dia 5

Não me apetece mas saio à rua, preciso de tirar um código no multibanco. Tão pouca gente na rua, que bom, consigo ver a cidade, até o céu. Mas reparo que as lojas estão fechadas, o supermercado também… Ah! O recolher obrigatório da uma da tarde! As ruas desertas por imposição entristecem-me, mergulho num filme descartável.

Dia 6

A chuva persistente, insiste, lava-me a alegria. Estou em Lisboa há meia dúzia de dias e a paz de espirito já se esvaziou pelas sarjetas.

Nada de dramatismos, pá! Enquanto o alento vai e vem, torro uma fatia de pão alentejano, bebo um chá com mel caseiro. Desde que haja um mimo da vila, aguento-me à vida de cá, aos horários, às máscaras, à tristeza enraizada que me fez fugir ao encontro da normalidade de antigamente. Que estranho o uso da palavra antigamente.

Dia 7

O pão XXL alentejano está a chegar ao fim. A partir de agora as fatias são pequenas, com mais côdea do que miolo. Tal como os dias, cada vez mais duros de engolir.  A chuva, que tanto prezo ouvir dentro de casa, começa a martelar-me a cabeça, tornou-se ruído.

Não tenho café e a ordem de soltura acabou há muito. Hoje lembrei-me do recolher à uma da tarde… Lembrei-me logo de seguida que um dos minimercados abertos tem uma máquina de cápsulas. A alegria do dia!

Entro de novo em casa com um copo térmico na mão, duas bicas lá dentro. E assim, com um pormenor por maior, a chuva pára, o abajur faz de conta que é o sol, acabo o cigarro que vai tão bem com o café, a tristeza sai porta fora. Regresso ao quarto onde o gato aquece a cama e sonha com dias melhores. Junto-me a ele mas demoro uma eternidade a adormecer.

Covid-19: 95 mortes (novo máximo), menos internamentos

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A taxa de incidência de covid-19 em Portugal situa-se nos 529,3 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, o que, segundo a ministra da Saúde, continua a ser preocupante embora próximo de valores mais controláveis.

Marta Temido, que falava hoje em conferência de imprensa de atualização da pandemia em Portugal, destacou uma especial preocupação com alguns concelhos do país, nomeadamente na área da Administração Regional de Saúde do Norte que tem uma taxa de incidência de 802 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

Para dar ideia das assimetrias regionais, a ministra referiu o caso do Algarve, em oposição ao verificado no Norte, que tem 202 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

A ministra da Saúde fez ainda referência ao Risco Efetivo de Transmissão (RT) verificado atualmente em Portugal revelando que se situa em 0,97, ligeiramente abaixo do 1, mas que considera ser necessário descer ainda mais e manter de uma forma sustentada.

Portugal contabilizou hoje 95 óbitos, um novo máximo de mortes relacionadas com a covid-19 em 24 horas e ainda 5.080 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim epidemiológico da DGS indica que estão internadas 3.230 pessoas, menos 74 do que no dia anterior, das quais 507 em salas de cuidados intensivos, menos duas do que na quinta-feira.

Das 95 mortes registadas nas últimas 24 horas, 41 ocorreram na região Norte, 32 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 16 na região Centro, duas no Alentejo, outras duas no Algarve, uma nos Açores e outra na Madeira.

Três prédios novos na zona da Feira da Ladra

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O Campo de Santa Clara, onde se realiza a Feira da Ladra, vai mudar com o projecto de requalificação do Hospital da Marinha. Haverá mais prédios, novas gentes e outras utilizações.

A construção de três novos edifícios poderá ser o fim do dogma da preservação intocável da malha urbana das zonas históricas de Lisboa. O projecto do Hospital da Marinha, que contempla a ampliação com a construção dos tais prédios, é da Stone Capital, um actor recente na construção civil e da reabilitação em Portugal, comandado por dois-luso franceses de apenas 40 anos

Os projectos publicados na página oficial desta sociedade, um fundo de investimentos fechado, revela uma inovação inesperada em zonas históricas: a construção de edifícios de raiz em espaços vazios. Há no ar alegadas contradições da Câmara de Lisboa.

No site oficial da Câmara é revelado: “Comité do Património Mundial da UNESCO validou a candidatura “Lisboa Histórica, Cidade Global” à Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial na 41ª reunião que decorreu na Polónia, na cidade de Cracóvia”.

Nesse documento lê-se que “abrange o território envolvido pela Cerca Fernandina, e ainda Santa Clara, São Vicente e Mouraria, incluindo assim os tecidos urbanos mais antigos da cidade, os colégios jesuítas (Santo Antão-o-Velho, Santo Antão-o-Novo e Noviciado da Cotovia)”.

E ainda, “enquanto locais de ensino de matérias científicas que constituíram grande contributo para a navegação, o Bairro Alto e o Mocambo, criados na sequência dos Descobrimentos, e a frente ribeirinha, de forte dinâmica, entre o Cais do Sodré e Santa Apolónia”.

A pergunta é se os “tecidos urbanos mais antigos da cidade” são os existentes agora ou o resultado das novas intervenções, de que a Stone Capital é um exemplo arrojado. Será a candidatura da Unesco uma contradição na conjugação do antigo e da modernidade? Vamos reabilitar ou deixar cair a cidade antiga? E quais são os limites?

Covid-19: 86 mortes e as vacinas “invisíveis”

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Portugal contabiliza hoje mais 86 mortes relacionadas com a covid-19 e 3.134 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 5.278 mortes e 335.207 casos de infeção pelo novo coronavírus, estando hoje ativos 70.381, menos 1.800 em relação a quarta-feira.

Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim epidemiológico da DGS revela que estão internadas 3.304 pessoas, menos 28 do que no dia anterior, dos quais 509 em cuidados intensivos, mais cinco.

Resumindo, o número de vítimas mortais continua no sobe-e-desce e nunca mais desce de vez e o número de novas infeções permanece alto, embora com tendência para descer. Este índice influencia, evidentemente, o número de internamentos que, portanto, continua alto, mas igualmente com tendência para descer.

E as vacinas russas e chinesas parecem “invisíveis”

O coordenador do Plano Nacional de Vacinação diz que as primeiras vacinas contra a covid-19 começarão a ser administradas à população de risco no início de janeiro, um ou dois dias após chegarem a Portugal.

Francisco Ramos admitiu, no entanto, que a “grande dúvida é a quantidade” de vacinas que irão chegar a Portugal, embora esteja previsto a chegada de 1,5 milhões de vacinas da farmacêutica Pfizer no primeiro trimestre de 2021.

Segundo explicou, está previsto que chegará um lote em janeiro e outro lote em fevereiro de vacinas da Pzifer, estimando-se que só em meados de janeiro deverá ser tomada uma decisão das autoridades de saúde sobre a avaliação final e aceitação da vacina da Moderna e há, ainda, uma terceira vacina por aprovar que é a da AstraZeneca.

Curiosamente, as autoridades apenas estão a considerar as vacinas de laboratórios instalados na Europa e na América, deixando de lado as várias vacinas desenvolvidas por laboratórios russos e chineses.

A Rússia já iniciou a vacinação massiva da população. A primeira vacina a ser administrada é a Sputinik-V que já foi utilizada em 150 mil pessoas e há uma segunda vacina, denominada EpiVacCorona, que também já foi considerada apta pelas autoridades sanitárias da Rússia. Na China, mais de uma dezena de vacinas chinesas estão a ser testadas, e três delas podem ser aprovadas ainda este mês. Sem epidemia no país, o objectivo de Pequim é exportá-las. Apesar desta dinâmica da investigação laboratorial destes países, não há notícia sobre a possibilidade destas vacinas virem a ser aprovadas pelos chamados países ocidentais.

Ljubomir não foi à manifestação

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Mais uma manifestação do setor da hotelaria, desta vez uma manifestação de trabalhadores organizada pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), afeta à CGTP-IN. O movimento “A pão e água” não esteve presente, muito menos o chef cozinheiro Ljubomir.

Assim, sem patrões à vista, cerca de uma centena de trabalhadores dos restaurantes, hotéis, cafés, pastelarias e similares manifestaram-se hoje, em frente ao Ministério do Trabalho, em Lisboa, para exigir apoios diretos aos trabalhadores e não só às empresas e pela reabertura imediata de estabelecimentos.

“Para os patrões são milhões, para os trabalhadores só tostões”, gritaram os manifestantes, que aprovaram, por unanimidade e com aclamação, uma moção que foi entregue no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, onde exigem “apoio direto aos trabalhadores que foram ou são penalizados nos seus rendimentos mensais”.

A pandemia veio desregular a relação laboral neste setor, hoje há milhares de trabalhadores em situação e completo desamparo social e sob chantagem dos empresários. Segundo a CGTP-IN existem muitos casos de trabalhadores que estão sem receber os salários de março e abril, alguns nem o salário de fevereiro receberam e, todos estes trabalhadores estão sem qualquer proteção social, há empresas que reabriram com redução do horário de trabalho ou lay-off, mantendo uma brutal redução salarial dos trabalhadores, há empresas que reabriram, mas até à presente data, não pagaram os salários em atraso, há empresas que estão a fazer chantagem com os trabalhadores dizendo que só reabrem se os trabalhadores forem trabalhar sem receber os salários em atraso, entre outras tropelias de autoria do patronato.

A morte e o jornalismo

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É por demais sabido que os media do Grupo Cofina, em particular o Correio da Manhã e a CMTV, pisam em cima do Código Deontológico dos Jornalistas todos os dias, com auto-satisfação e falta de vergonha na cara. O mais recente exemplo disso foi a cobertura mediática da morte precoce de uma jovem figura pública.

Com apenas 21 anos, a jovem, filha de um cantor famoso e ela própria aspirante a cantora, morreu num acidente de viação no sábado dia 5 de Dezembro, na zona de Santarém, quando regressava de automóvel com o seu namorado do Porto, onde foi alegadamente tratar de negócios. Outras três viaturas estiveram envolvidas no desastre, de onde também há a lamentar três feridos, entre os quais uma criança de dez anos. O namorado da jovem ainda se encontra hospitalizado.

No meio da comoção causada pela morte da única filha do artista, começaram os sinais de que iria haver media a portar-se mal: apesar da SIC e TVI dizerem que por respeito à trágica morte da jovem não iriam continuar com as suas habituais programações dominicais, interromperam os filmes várias vezes para falarem da falecida cantora. Mas quem bateu o recorde do sensacionalismo e exploração da desgraça alheia (e não dá sinais de abrandar) foi a nossa Fox News, isto é, a CMTV: a emissão sobre o acidente aparatoso era ininterrupta, as imagens repetiam-se e fizeram orelhas moucas ao pedido expresso da família. Num texto divulgado pela imprensa, a família da jovem agradecia “o carinho” e “o amparo” demonstrados pelas mensagens de solidariedade e pedia ainda “humildemente a todos, sobretudo à comunicação social, que nos permitam despedir com a paz e com a privacidade que a nossa família neste momento precisa”.

Como sempre no mundo dos órgãos de comunicação social, onde parece que o jornalismo já há muito que “jaz morto e apodrece”, houve quem fizesse de conta que não leu e preferiu dar prioridade às audiências ou cliques. Um site denominado VoxPopTV publicou mesmo fotos do caixão com o corpo da jovem a chegar à Basílica da Estrela, onde decorreram as exéquias. O Correio da Manhã, esse, foi criticado por ter divulgado fotos do pai da vítima a chegar ao velório, com comentários deste calibre na página de Facebook da publicação: “Abutres”; “Vergonhoso só pensam em dinheiro”; “Nojo de jornalismo”; “CM e FLASH perderam 1 seguidora devido a esta falta de respeito. Se todos fizessem o mesmo em vez de virem criticar, deixariam de ter o protagonismo que têm. Oxalá nunca passem por esta tragédia”; “Noticiar é um direito. Chafurdar uma dor destas, seja de quem for, é amoral e psicopata. Ainda para mais tendo a família pedido HUMILDEMENTE que os deixassem em paz”, só para reproduzir alguns. Nas vésperas do funeral da vítima do acidente, um dos meios da Cofina gabava-se de ter tido audiências recorde precisamente no dia a seguir à morte da jovem, despoletando nas redes sociais um número considerável de opiniões a condenar tal atitude.

Não vou aqui alongar-me sobre o drama brutal de um pai e mãe perderem uma filha numa idade tão promissora e cheia de projectos. Seria preciso uma edição inteira do Duas Linhas sobre aquela a que chamo “a guerra civil silenciosa” que é a sinistralidade rodoviária em Portugal, que tantas centenas de vidas, jovens ou menos jovens, já custou e tantas sequelas físicas e psicológicas ainda hoje deixa como rasto, e que não parece haver maneira de ser desacelerada ou travada.

Creio ser também desnecessário lembrar a brutal iliteracia mediática, a falta de consciência e educação da população e o mórbido interesse pela desgraça e dor alheias para explicar como é que meios de comunicação social do calibre da CMTV continuam a ter as audiências que têm. Apenas ouso perguntar, em nome das Saras, Carolinas, Fátimas, Célias, Joanas, Marias, Filipes, Miguéis, Josés, Carlos, Albertos, Antónios, Bernardos, Gonçalos, das vítimas famosas e anónimas desta desgraça: onde anda a Entidade Reguladora da Comunicação Social? Quando é que esta ou o Sindicato dos Jornalistas vão dizer “acabou a brincadeira” perante esta abjecta cobertura mediática em torno de mais um acidente, que faria “apenas” mais uma vítima mortal na juventude, não fosse a vítima filha de um famoso cantor popular? Não existe dentro dessas instituições uma única pessoa atenta, especializada nestes fenómenos, cuja atenção a esta cobertura infame não passe da justa indignação à necessidade de acção para dizer basta a este tipo de sensacionalismo, que faria o mais reles tablóide inglês parecer um jornal sério? Para quando uma revisão rápida e profunda das regras estabelecidas para atribuição, revisão, suspensão ou anulação das licenças emitidas a estes media, para que aprendam que não vale tudo? Para quando a revisão das regras de suspensão ou anulação da carteira profissional de jornalista, que os membros da Cofina ostentam sem mérito algum?

Que descansem em paz os que tombaram nesta infame guerra civil silenciosa e que os vivos os saibam homenagear, de entre outras formas, com uma reflexão e mudança de comportamentos na forma de consumir o que os media lhes apresentam, para que as coisas mudem para melhor.

Escândalo em frente à Câmara de Lisboa

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A especulação imobiliária em Lisboa está estampada na frente da Câmara Municipal, onde estão a deixar apodrecer um prédio de 5 pisos. É uma sorte ainda nada de mau ter acontecido ali. Os presidentes camarários sucedem-se e o prédio apodrece. Fernando Medina, João Soares, Pedro Santana Lopes, António Costa já olharam para aquele prédio muitas vezes. O que fizeram para evitar a degradação do edifício?

Não há notícia de ter sido accionado o processo de obras coercivas. E os chineses estão agora mais interessados em bancos e seguradoras, porque o turismo estará a marinar durante anos.

Numa busca rápida de imagens deste edifício, encontramos fotos de 2017 e 2018 onde já se vêm sinais de degradação da estrutura, nomeadamente vidros partidos (que ninguém substitui) nas janelas por onde entra a chuva livremente, contribuindo para acelerar a degradação do prédio.

E a foto e o vídeo de hoje…

Na Praça do Município, de onde se governa toda a Lisboa,  este prédio horroroso está à espera de estrangeiros ou portugueses endinheirados. Que já não há.

Sem querer, o mamarracho diz muito dos presidentes da cidade que fazem da Câmara um trampolim político. E o dono do prédio deveria ser obrigado a vender, se não deseja dar o uso registado na conservatória. Ou ser expropriado.

Afinal, não usam nem vendem. Não respeitam o capitalismo. E também riem do socialismo de Fernando Medina. Há muita gente a precisar de um tecto e isto é fazer pouco dos lisboetas.

JRR/CN

Covid-19: 70 mortes e duas alergias à vacina da Pfizer

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Portugal contabiliza hoje mais 70 mortes por covid-19 e 4.097 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim diário da Direção Geral da Saúde.

Quanto aos internamentos hospitalares, o boletim epidemiológico revela que estão internadas 3.332 pessoas, mais 69 do que ontem, dos quais 504 em cuidados intensivos, mais cinco.

Das 70 mortes registadas nas últimas 24 horas, 30 ocorreram na região Norte, 21 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 13 na região Centro e seis no Alentejo.

Os casos confirmados distribuem-se por todas as faixas etárias, situando-se entre os 20 e os 59 anos o registo de maior número de infeções, mas o maior número de óbitos continua a concentrar-se nas pessoas com mais de 80 anos.

O país está em estado de emergência desde 09 de novembro e até 23 de dezembro, período durante o qual há recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado.

Alergia à vacina da Pfizer

Em Inglaterra, duas pessoas que foram vacinadas ontem com a vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech desenvolveram uma reação alérgica pelo que os reguladores britânicos recomendam que esta deve ser evitada em pessoas com histórico clínico de alergias graves.

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde inglesa emitiu o alerta para todos aqueles que já tiveram reações alérgicas graves a medicamentos, alguns alimentos ou outra vacina no passado, para não tomarem esta vacina com a qual o Governo inglês decidiu dar início a vacinação em massa da população.

Pouco depois de serem vacinados, as duas pessoas sofreram um “choque anafilático”, mas recuperaram ao receber o tratamento adequado, de acordo com as autoridades sanitárias.

A vacinação começou na terça-feira em cinquenta grandes hospitais do Reino Unido, no que o Governo chamou de “Dia V” (V de vacinação).

As primeiras doses destinam-se a pessoas com mais de 80 anos e funcionários do setor de saúde e lares de idosos. As duas pessoas com reaçõpes alérgicas são profissionais de saúde.

O que está escondido debaixo do Rossio

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Um hipódromo romano com cerca de 1800 anos está enterrado debaixo do Rossio, oficialmente Praça D. Pedro IV. Uma das paredes do hipódromo fica a poucos metros do quarteirão da antiga pastelaria Suíça, para onde foi aprovado há 11 anos mais um hotel. O projecto foi agora reconvertido para espaços comerciais (mais um centro comercial…) e está a ser contestado pelo movimento “Lisboa Precisa”.

As estruturas do hipódromo romano estão enterradas a dois metros da superfície. Foram descobertas há anos, durante as obras da estação do Rossio do Metropolitano de Lisboa. Mas voltaram a soterrá-las e estão esquecidas.

O formato da Praça do Rossio obedece às linhas do hipódromo, onde correram as quadrigas romanas. O achado vive apenas no conhecimento dos especialistas em arqueologia. Na altura das escavações foi descoberta também uma necrópole romana.

Na Praça do Rossio existiam há séculos animadas corridas de cavalos. O hipódromo de Lisboa parece ter sido decalcado do Circo de Máximo. A estrutura poderia ser visitável. Na altura das escavações, a Câmara e o Metropolitano não deram esse passo.

O mesmo não aconteceu, por exemplo, com os achados do Hotel Eurostars Museum, antigos Armazéns Sommer. Ali pode-se ver uma sequência contínua da vida de Lisboa desde a Idade do Ferro até à Época Contemporânea. O Hotel Eurostars demonstrou que é possível modernizar sem esquecer o passado.

hotel Eurostars, Lisboa

Ora, abóbora!

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Portugal acaba de extraditar para o Reino Unido uma cidadã alemã acusada de burla no valor de 1 milhão e 200 mil euros. A extradição está envolta em polémica, uma vez que um pedido de habeas corpus (libertação imediata) ia ser apreciado hoje no Supremo Tribunal de Justiça mas, ontem, às 3 da manhã, a polícia foi tirar a detida da cadeia de Tires para a embarcar num voo para Londres, acompanhada por polícias britânicos.

A pessoa em questão chama-se Ângela Gulbenkian, um apelido que por si só chama a atenção. A senhora é casada com Duarte Gulbenkian, sobrinho-bisneto do empresário Calouste Gulbenkian, um arménio muito rico que se refugiou em Portugal para fugir aos nazis e que, depois, em agradecimento, instituiu a Fundação Gulbenkian que todos conhecemos.

A burla que a senhora terá cometido (falta provar em tribunal que o fez) envolve a compra de uma abóbora de 90kg, pintada de amarelo, esculpida (em bronze?) pela artista japonesa Yayoi Kusama. Porque razão esta abóbora vale uma fortuna é um mistério para os que ignoram os processos de avaliação da arte. Mas enfim, o senhor Mathieu Ticolat deu 1 milhão e 200 mil euros à senhora Ângela Gulbenkian para ela ir comprar a abóbora, coisa que ela nunca fez nem devolveu o dinheiro.

E foi assim que Ticolat (homem rico tem sempre bons advogados) meteu uma queixa num tribunal londrino, que acabou por emitir um mandado europeu de detenção da senhora Gulbenkian, que a polícia portuguesa cumpriu.

A dona Ângela não deve estar muito habituada a ir à mercearia comprar abóboras, ela é marchand de arte, uma espécie de intermediária na compra e venda de obras artísticas, pelo qual cobra as comissões da praxe. Alguma coisa lhe correu mal neste negócio e, agora, já não se safa de passar uns tempos numa cadeia inglesa enquanto espera pelo julgamento.

O marido de Ângela, Duarte Gulbenkian, na iminência de ficar sem mulher nos próximos anos, em vez de agradecido está a ameaçar o Estado português com processos. A verdade é que ficou sozinho em casa desde junho, quando Ângela ficou detida preventivamente em Tires, à espera de ser extraditada. Indo de avião, Lisboa fica a uma hora e pouco de distância de Lisboa, mas as instâncias judiciárias caminham mais devagar e só agora ela lá chegou. E Duarte deve estar com saudades.

No meio disto tudo, a Fundação Gulbenkian. Não tem nada a ver com o negócio, Ângela nunca lá trabalhou mas, a utilização do apelido gera confusão e, dizem os burlados, a senhora utilizava o nome da Fundação, que é o seu também, para facilitar os seus negócios. Na verdade, na sua conta privada de Instagram, onde tem quase dois mil seguidores, Angela Gulbenkian não só se apresenta como colecionadora e responsável por uma tal Gulbenkian Private Art Collection como usa o pseudónimo Pantaraxia, que é nada mais nada menos do que o título da autobiografia de Nubar Gulbenkian, filho de Calouste Gulbenkian.  

O mandado de detenção europeu é um procedimento judicial transfronteiriço simplificado de detenção e entrega de suspeitos e que é válido em todo o território da União. Um dos azares de Ângela foi o “brexit” se ter atrasado…