Portugal contabiliza hoje mais 81 mortes relacionadas com a covid-19 e 2.905 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim diário da Direção Geral da Saúde.
O número elevado de mortes está relacionado com o pico de infeções registado há umas semanas. Nos últimos dias o registo de novos casos tem sido em número cada vez menor, o que é um bom auspício para o futuro, caso a tendência se mantenha.
Das 81 mortes registadas desde ontem, 44 ocorreram na região Norte, 22 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 13 na região Centro, outra no Alentejo e outra nos Açores.
Mais de 1 milhão e meio de mortes em todo o Mundo
Em todo o Mundo já houve mais de 67 milhões de casos de covid-19. Só na Europa esse número ascende a um pouco mais de 20 milhões, de acordo com uma contagem feita pela Agência France Press (agência noticiosa francesa) a partir de relatórios fornecidos hoje pelas autoridades de saúde.
Segundo os dados divulgados, a Europa teve mais doentes que qualquer outra região do planeta. Os Estados Unidos e Canadá contabilizam 15,4 milhões de casos e a América Latina 13,6 milhões. Ásia e África reportaram cerca de 15 milhões de casos.
De acordo com a AFP, nos últimos sete dias, a Europa registou quase 40% de todos os novos casos detetados no mundo, mas a progressão do vírus parece estar a estabilizar, com uma queda de 2% dos casos em relação à semana anterior.
Segundo os mesmos dados, a pandemia já provocou pelo menos 1.545.320 mortos.
José Rodrigues dos Santos está de novo envolvido numa polémica com origem numa frase que disse durante uma entrevista de meia-hora. A frase foi: “A certa altura há alguém que diz – Eh, pá, estão nos guetos, estão a morrer de fome, não podemos alimentá-los. Se é para morrer, mais vale morrer de uma forma mais humana. E porque não com gás?”, dita num tom displicente e para explicar de modo simplório o esquema mental dos nazis que os levou a praticar um dos crimes mais horríveis da História da humanidade.
Caiu-lhe o “Carmo e a Trindade” em cima, com a violência verbal e a impetuosidade intelectual propiciadas pelas redes sociais. Sabemos bem como a coisa funciona, principalmente com quem tem demasiados anticorpos em determinadas áreas sociais. É o caso deste jornalista e autor literário. José Rodrigues dos Santos é um tipo muito popular (trabalha na RTP e aparece na pantalha todos os dias), tem um salário bastante melhor que o do Presidente da República, escreve livros a um ritmo avassalador e já ganhou alguns milhões de euros com esse part-time que, além de dinheiro, lhe dá gozo como confessou já publicamente mais do que uma vez. Ou seja, há razões evidentes para muita gente não gostar dele, principalmente os que consideram, lá no íntimo, que o José Rodrigues dos Santos não merece a rica vida que tem.
Voltando às câmaras de gás dos nazis, José Rodrigues dos Santos vem defender-se no terreno onde está a ser atacado: as redes sociais. O primeiro tiro terá sido dado por outro jornalista, Carlos Vaz Marques, no Twitter, quando disparou: “as câmaras de gás ou de como os nazis foram afinal bonzinhos e humanitários em Auschwitz”.
A partir daqui foi fogo na palha, como se pode ver pela quantidade de partilhas que este twitt inicial teve.
O alvo de Vaz Marques veio então reclamar que se trata de uma injustiça, que a frase está descontextualizada, que a entrevista não se resume aquilo e que a opinião dele é outra e que será preciso ler os dois livros que acaba de lançar sobre o tema do holocausto. É a isto que se chama aproveitar a força do adversário para o tentar desequilibrar, um dos princípios fundamentais do judo. Num só fôlego, transforma o problema numa cartada de marketing.
O único problema, do meu ponto de vista, é que o post publicado na página oficial de José Rodrigues dos Santos é demasiado extenso e propagandístico. Nem parece que foi escrito por ele.
Como era de prever, hoje Portugal ultrapassou a marca dos 5 mil mortos por covid-19. As 78 mortes verificadas desde ontem, colocaram esse índice no total de 5.041 mortes. No mesmo período, foram registados 2.597 casos de infeção.
Em enfermarias há 3.367 doentes internados, mais 99 que ontem, e 513 em unidades de cuidados intensivos, menos um do que no domingo.
Com os novos casos a diminuir é de esperar que, a prazo, todos os outros indicadores baixem também.
Há um grupo de privilegiados que recebe subvenção mensal vitalícia. Chamam-lhe subvenção e não pensão. Subvenção é um subsídio, coisa mais fina que pensão que é aquilo que define o que o Estado devolve a quem trabalhou a vida inteira.
Quem tem direito à subvenção mensal vitalícia são, de um modo geral, políticos que desempenharam durante algum tempo funções de primeiro-ministro ou deputados, mas também autarcas e juízes do tribunal Constitucional.
A lista é pública, está até disponível para download no site da Caixa Geral de Aposentações, mas não abarca toda a gente que recebe subvenções do Estado. Presidentes da República, por exemplo, também recebem mas por outra via e, portanto, não constam desta lista.
Alguns casos paradigmáticos
Por exemplo, Adelino Teixeira de Carvalho foi deputado durante 8 anos e depois dedicou-se a outras coisas. Há 35 anos que recebe a sua subvenção mensal vitalícia no valor de 2.071,49 €. Nada mau, convenhamos.
Outro caso, o de Carlos Melancia, ex-governador de Macau. Também foi deputado e ministro várias vezes. Desde 1998 recebe 9.727,42 €, todos os meses. São 22 anos, o que dá um total de 2.568.038,88 € até agora (fazendo contas a 12 prestações por ano).
Outro caso de subvenção gorda é o de Vasco Rocha Vieira, um militar dedicado à política e que foi, também, governador de Macau. Aliás, foi o último governador de Macau. Há 20 anos que tem direito aos 13.607,21 € da subvenção mensal vitalícia que recebe apenas parcialmente porque deve ter outros rendimentos chorudos. Enfim, esta gente não se perde.
Não importa o partido, todos eles talham a Lei à medida certa, a fazer lembrar o ditado popular de “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é louco ou não sabe da arte”. Não é, definitivamente, o caso destes artistas. Só me assalta uma dúvida: será que recebem a subvenção vitalícia 12 ou 14 vezes por ano?
São 330 nomes (se não me enganei na contagem…), pertencem a todos os partidos que já elegeram deputados para a Assembleia da República, e a única coisa que impede esta lista de engrossar indefinidamente é a abolição da atribuição de subvenções vitalícias decidida em 2005 por José Sócrates, honra lhe seja feita. Foi esse primeiro-ministro que considerou que se tratava de “privilégios injustificados” e decidiu acabar com eles. Mas o futuro dele não foi nada “porreiro, pá”, como se sabe.
Ainda assim, todos aqueles que já tinham adquirido o direito à subvenção podem pedi-la, ainda. Mas, se nenhum outro primeiro-ministro decidir recuperar a lei antiga, estes subvencionados são uma casta em vias de extinção. É uma questão de tempo.
Para quem tiver curiosidade de ler a lista toda, está aqui neste link, em “documentos/lista SMV”. Boa leitura.
Marcelo Rebelo de Sousa vai anunciar hoje à tarde em Lisboa a sua decisão sobre uma recandidatura ao cargo de Presidente da República. Aceitam-se apostas.
Ouve-se o uivar dos lobos nos campos do Norte, à noite. Estão famintos porque a tempestade “Dora” gelou as serras. Os coelhos e outros pequenos roedores encolhem-se nas tocas. Os javalis paralisam à cautela. Os lobos rondam agora as aldeias do interior.
Estão reduzidos ao nordeste. Em tempos ocuparam vastas regiões. Os ursos pardos já não existem. O último foi abatido no Gerês em 1843.
Os lobos descem aos povoados porque as florestas foram substituídas por monoculturas de pinhal e eucaliptos, que ardem todos os anos. Os lobos precisam de biodiversidade, tal qual os territórios saudáveis. A caça fora das coutadas também foi um flagelo.
Os lobos rondam todas as noites as aldeias do Norte à procura de comida. Alimentam-se de carcaças de animais. Limpam os territórios do que já não presta. Não são uma ameaça medieval. Tenhamos antes medo de quem destrói as paisagens naturais ou polui rios. Devemos ainda ter medo de quem destrói os bancos e não restitui o dinheiro delapidado. Nós e os lobos andamos à procura de alimento e do bom senso dos governantes.
Nas Astúrias, em Espanha, preservam-se os lobos e os ursos pardos. Por cá, os lobos rareiam e os ursos somos nós.
O Mágico de Auschwitz e o Manuscrito de Birkenau, uma “rajada” literária para “romper o silêncio” sobre a participação portuguesa no extermínio dos judeus durante a II Guerra Mundial.
Acreditamos que o “mundo livreiro” ficou surpreendido com a publicação de dois livros deste autor no mesmo Natal. E acreditamos que toda a gente ficou um pouco surpreendida, igualmente. A capacidade de produção de José Rodrigues dos Santos é realmente surpreendente. Resta ver se não se trata de dose exagerada.
Os vendedores e fregueses da Feira da Ladra temem as actuais obras de requalificação no Campo de Santa Clara. O extenso largo está a ser repavimentado a rigor. As obras têm tido a guarda diária de muitos polícias.
Há receio em falar por eventuais represálias. A área da Feira tem vindo a ser reduzida e há um controlo rigoroso dos feirantes. O ambiente não terá a ver com a requalificação do Hospital da Marinha, agora do Grupo Stone Capital.
A Feira da Ladra remonta a 1272 no Chão da Feira, ao Castelo. Em 1552 passou para o Rossio. E em 1610 aparece a designação Feira da Ladra numa postura oficial. Depois do terramoto de 1775 transferiu-se para a Praça da Alegria estendendo-se pela Rua Ocidental do Passeio Público, hoje Avenida da Liberdade. Está Campo de Santa Clara desde 1882.
Em tempo de crise, os feirantes queixam-se de severidade no policiamento. Há ainda rumores da possível construção de um parque de estacionamento.
O diálogo entre os actuais proprietários do antigo Hospital da Marinha e moradores tem também sido difícil. De um lado estão os desejos de modernidade, do outro muitos moradores e feirantes que temem o fim da feira, por causa dos projectos imobiliários.
A Feira da Ladra é idêntica à Feira do Rastro de Madrid, a caminho da Plaza Maior, e da Feira de Porta Portese de Roma, junto da Igreja de S. Francisco. Ambas são estimadas e estão nas zonas históricas destas cidades. São feiras de grande dimensão, acarinhadas pelas respectivas Câmaras Municipais. Muito procuradas pela população e viajantes.
Segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde, hoje há registo de mais 87 mortes relacionadas com a covid-19 e 3.834 novos casos de pessoas infetadas. Assim, aproximamo-nos da fasquia dos 5 mil mortos que deverá ser ultrapassada entre hoje e amanhã.
Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim epidemiológico da DGS revela que estão internados 3.268 doentes, mais 39 do que no dia anterior, dos quais 514 em cuidados intensivos, menos três do que na véspera.
Das 87 mortes registadas nas últimas 24 horas, 50 ocorreram na região Norte, 21 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 14 na região Centro e duas no Alentejo.
Os números de hoje mantêm-se altos e a justificar todos os alarmes sanitários e medidas de contenção decretadas para o combate à pandemia. Durante a semana, o recolher obrigatório tem de ser respeitado entre as 23:00 e as 05:00, enquanto nos fins de semana e feriados a circulação está limitada entre as 13:00 de sábado e as 05:00 de domingo, e entre as 13:00 de domingo e as 05:00 de segunda-feira.
As chamadas de valor acrescentado que todos os canais de televisão utilizam são eticamente reprováveis e de legalidade duvidosa e, por isso, a Provedora de Justiça pediu ao Governo para proibir tal procedimento.
A recomendação da Provedoria foi feita no passado dia 19 de outubro mas, até agora, nada aconteceu, excepto o repúdio esperado por parte das empresas que têm concessão do serviço de televisão.
O que a Provedora alega é que os programas de televisão que recorrem a esse artifício para cobrar receitas extra à publicidade constituem-se numa modalidade afim dos jogos de fortuna ou azar e que, como tal, compete ao Estado defender os interesses dos consumidores, o que não está acautelado neste caso.
A Provedora Maria Lúcia Amaral alega, ainda, que o recurso à chamada telefónica de valor acrescentado é em si mesmo uma ilegalidade, de acordo com a Lei do Jogo em vigor, que diz não ser permitido quaisquer modalidades afins dos jogos de fortuna ou azar (como são estes concursos televisivos) que obriguem a qualquer dispêndio para o jogador que não seja o do custo normal de serviços públicos de telecomunicações. Isto é, a haver recurso ao telefone terá de ser ao custo normal, sem qualquer valor acrescentado.
A recomendação da provedora é bastante interessante, aborda ainda a questão do pagamento deste jogo ser feito em cartão de débito o que, segundo se lê, será igualmente ilegal face à Lei do Jogo vigente.
A Provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral, não vê outra saída para o Governo que não seja proibir os concursos da TV que usam números de telefone de custo acrescido. Mas SIC e TVI estão contra, como seria de esperar.
Em defesa dos seus proventos financeiros, a SIC e a TVI já vieram dizer que até angariam verbas para solidariedade nesses programas e com recurso a chamadas de valor acrescentado, mas não negaram o assédio constante que exercem sobre os telespectadores. Os canais de televisão dizem que o recurso às chamadas de valor acrescentado “tem implicações significativas na sustentabilidade económico-financeira” da sua atividade e, acrescentam, que não foram consultadas nem ouvidas pela Provedora. Mas será que teriam de ser ouvidas? Outro argumento é que os canais de televisão pagam impostos sobre essa receita, pelo que se o Governo seguir a recomendação da Provedora haverá uma quebra em receitas fiscais para o Estado. E aludem, ainda, à necessidade de viabilizar a actividade televisiva e de manter postos de trabalho, o que não deixa de ser uma espécie de pequena chantagem, mais emocional que outra coisa, porque essas empresas nunca hesitaram em despedir pessoal sempre que acharam que tinham de o fazer.
A verdade é que o recurso a este estratagema propicia, ainda, outros vícios para além da exploração dos telespectadores mais desprevenidos ou fragilizados.
Há notícia de viciação de concursos televisivos feitos com base no “voto” através das chamadas de valor acrescentado. Foi o caso do concurso “7 Maravilhas da Cultura Popular de Portugal”, em que a Câmara Municipal da Trofa investiu 75 mil euros em chamadas de valor acrescentado para vencer esse concurso. É um exemplo a partir do qual podemos extrapolar para todos os outros concursos que já foram realizados pelos canais de televisão, um dos quais até resultou na “eleição” de Salazar como “o maior português de sempre”. Uma aldrabice perigosa, neste caso.
A ideia das “7 Maravilhas” poderia ter sido uma nobre produção cultural da RTP mas, assim, resultou numa produção mercantil sem ética e sem uma clara supervisão. Na verdade, a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social já veio dizer que “existem fortes indícios de acções enganosas e de práticas comerciais desleais” nos concursos televisivos de participação telefónica. Mas isto foi em 2015 e nada mudou, desde então.
Neste lamaçal, a RTP fica mal na fotografia e os canais privados também não se safam. A RTP, como prestadora de um serviço público, devia ter outras preocupações e privilegiar a ética e a qualidade. Os outros canais de televisão, SIC e TVI, beneficiam de uma concessão de utilização do espaço público pelo que têm igualmente obrigações de decência mínima a respeitar.