Os lobos descem às aldeias do Norte

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Ouve-se o uivar dos lobos nos campos do Norte, à noite. Estão famintos porque a tempestade “Dora” gelou as serras. Os coelhos e outros pequenos roedores encolhem-se nas tocas. Os javalis paralisam à cautela.  Os lobos rondam agora as aldeias do interior.

Estão reduzidos ao nordeste. Em tempos ocuparam vastas regiões. Os ursos pardos já não existem. O último foi abatido no Gerês em 1843.

Os lobos descem aos povoados porque as florestas foram substituídas por monoculturas de pinhal e eucaliptos, que ardem todos os anos. Os lobos precisam de biodiversidade, tal qual os territórios saudáveis. A caça fora das coutadas também foi um flagelo.

Os lobos rondam todas as noites as aldeias do Norte à procura de comida. Alimentam-se de carcaças de animais. Limpam os territórios do que já não presta. Não são uma ameaça medieval. Tenhamos antes medo de quem destrói as paisagens naturais ou polui rios. Devemos ainda ter medo de quem destrói os bancos e não restitui o dinheiro delapidado. Nós e os lobos andamos à procura de alimento e do bom senso dos governantes.

Nas Astúrias, em Espanha, preservam-se os lobos e os ursos pardos. Por cá, os lobos rareiam e os ursos somos nós.

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