José Rodrigues dos Santos e as câmaras de gás nazis

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José Rodrigues dos Santos está de novo envolvido numa polémica com origem numa frase que disse durante uma entrevista de meia-hora. A frase foi: “A certa altura há alguém que diz – Eh, pá, estão nos guetos, estão a morrer de fome, não podemos alimentá-los. Se é para morrer, mais vale morrer de uma forma mais humana. E porque não com gás?”, dita num tom displicente e para explicar de modo simplório o esquema mental dos nazis que os levou a praticar um dos crimes mais horríveis da História da humanidade.

Caiu-lhe o “Carmo e a Trindade” em cima, com a violência verbal e a impetuosidade intelectual propiciadas pelas redes sociais. Sabemos bem como a coisa funciona, principalmente com quem tem demasiados anticorpos em determinadas áreas sociais. É o caso deste jornalista e autor literário. José Rodrigues dos Santos é um tipo muito popular (trabalha na RTP e aparece na pantalha todos os dias), tem um salário bastante melhor que o do Presidente da República, escreve livros a um ritmo avassalador e já ganhou alguns milhões de euros com esse part-time que, além de dinheiro, lhe dá gozo como confessou já publicamente mais do que uma vez. Ou seja, há razões evidentes para muita gente não gostar dele, principalmente os que consideram, lá no íntimo, que o José Rodrigues dos Santos não merece a rica vida que tem.

Voltando às câmaras de gás dos nazis, José Rodrigues dos Santos vem defender-se no terreno onde está a ser atacado: as redes sociais. O primeiro tiro terá sido dado por outro jornalista, Carlos Vaz Marques, no Twitter, quando disparou: “as câmaras de gás ou de como os nazis foram afinal bonzinhos e humanitários em Auschwitz”.

A partir daqui foi fogo na palha, como se pode ver pela quantidade de partilhas que este twitt inicial teve.

O alvo de Vaz Marques veio então reclamar que se trata de uma injustiça, que a frase está descontextualizada, que a entrevista não se resume aquilo e que a opinião dele é outra e que será preciso ler os dois livros que acaba de lançar sobre o tema do holocausto. É a isto que se chama aproveitar a força do adversário para o tentar desequilibrar, um dos princípios fundamentais do judo. Num só fôlego, transforma o problema numa cartada de marketing.

O único problema, do meu ponto de vista, é que o post publicado na página oficial de José Rodrigues dos Santos é demasiado extenso e propagandístico. Nem parece que foi escrito por ele.  

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