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Abriram pastelaria em Oeiras na véspera do confinamento

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“É um projeto que já se iniciou, vai fazer agora um ano, de alimentação saudável focado na alimentação inclusiva. Temos vários tipos de alimentos: bolos, bolachas, pães”, explica Ricardo Cabral: “todos os nossos produtos são sem glúten, vegan, sem açúcares refinados e sem lactose”.

O empresário revela o porquê do nascimento desta pastelaria: “Vimos que não existia no mercado um doce que pudéssemos comer e não estivesse carregado de açúcares refinados ou de hidratos de carbono vazios”. Como detetou esse nicho de mercado, resolveram trabalhar para dar este tipo de produtos a todos os públicos, seja a quem tenha restrições alimentares ou esteja numa dieta.

Mas o que é ser vegan? Márcia Oliveira explica: “ser vegan é não utilizar produtos de origem animal [ovos, leite, etc.] e é também um movimento de vida. Todas as pessoas que escolhem não prejudicar os animais. É uma preocupação ambiental”. Entre os vários tópicos sobre alimentação vegan, surge um termo pouco usual e que muitos ainda desconhecem: a aquafaba. Márcia esclarece: “a aquafaba é a água do cozimento do grão; pode ser qualquer tipo de grão, e utilizamos isso para substituir os ovos, para produzir aquela fofura que os ovos dão às massas dos bolos e às tortas”.

Para além desse ingrediente pouco habitual, utilizam também óleo de coco, não refinado, como substituto da manteiga, e também utilizam azeite. “São óleos saudáveis para as pessoas”, diz Márcia.

Nesta pastelaria, o açúcar refinado é considerado um inimigo. A razão está nos riscos para a saúde. “O maior risco é a subida dos níveis de açúcar no sangue”, diz Ricardo, que lembra que o consumo de açúcar pode levar à diabetes e à obesidade.

“Ao início, as pessoas não compreendiam bem o que era este conceito novo de haver bolos que fossem saudáveis. E muita gente tem a ideia pré-concebida de que a comida saudável não tem muito sabor e é insonsa, mas depois de provarem, mudam de ideias”, afirma Ricardo. Diz ainda que o uso de ingredientes naturais aumenta o sabor dos doces. Um exemplo é a receita da torta de laranja alternativa: leva aquafaba e açúcar de coco, ou em alternativa, geleia de agave [geleia extraída da planta do agave e que serve de adoçante, sem qualquer processo de refinamento].

A pandemia e o confinamento não os assustaram. Ricardo Cabral diz que “desde a nossa génese, estivemos prontos para conseguir resistir à pandemia. O nosso espaço é pequeno, somos uma pastelaria sem lugares sentados. Logo desde o início quisemos funcionar em regime de take away e entrega ao domicílio, conseguimos com o nosso planeamento ter uma adaptação melhor à situação em que estamos”.

Ainda assim, os problemas não se fizeram esperar. “Tudo parou e as encomendas foram muito atrasadas, até os próprios processos legais para abrirmos a empresa demoraram mais para obtermos resposta”.

A divulgação da Naturluv é feita sobretudo nas redes sociais (Instagram e Facebook) e já têm clientes na Margem Sul. “Através do Instagram de vez em quando fazemos alguns workshops, damos algumas dicas de como se podem usar estes ingredientes em casa, e temos feito assim. Mas quando isto tudo acabar, queremos utilizar o espaço na nossa loja para receber as pessoas”, diz Márcia. 

Ainda existe a perceção de que ingredientes como as farinhas de grão, de arroz e açúcar de coco são caros e nem sempre ao alcance de todos. Márcia diz que não é bem assim: “quando se faz, por exemplo, um bolo sem glúten e vegan, nós não vamos utilizar a mesma quantidade de farinhas que usamos para fazer um bolo tradicional. A nível de custo, não é algo tão elevado. Por exemplo, o açúcar de coco: como é um açúcar que naturalmente é mais doce, já podemos reduzir na quantidade de açúcar introduzido na receita quando comparado com o açúcar branco. A nível de custo, há de ficar mais ou menos em conta, para as pessoas poderem fazer em casa”. E se os preços de tais ingredientes fossem mais reduzidos? “Isso seria ótimo, o problema é que em Portugal ainda não existem muitas empresas que tenham esse tipo de farinhas. Nós utilizamos farinhas isentas de glúten e optamos sempre por utilizar biológicas”. Ricardo Cabral lembra que “já foi mais caro. Como é um mercado que está a crescer, vai haver mais oferta, e havendo mais oferta os preços também vão descer”.

Ricardo e Márcia, a esperança adoça-lhes a boca. Sem glúten e sem açúcar refinado.

Covid-19: 50 mortes, atrasos na vacinação

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Portugal registou hoje 50 mortes relacionadas com a covid-19, o número mais baixo desde 6 de novembro de 2020, e 1.480 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim epidemiológico da DGS revela também que estão internados 2.767 doentes (menos 245 do que na terça-feira), o número mais baixo desde 10 de novembro, dos quais 567 em cuidados intensivos (menos 30 que ontem), número que não era registado desde 11 de janeiro.

“Janela de esperança” entreaberta

Depois de ter aberto uma “janela de esperança” quanto à meta de ter mais cedo que o previsto 70% da população vacinada, conforme disse o Presidente da República, o coordenador do grupo de trabalho do plano de vacinação contra a covid-19 vem, agora, falar em atrasar a toma da segunda dose da vacina para permitir que mais pessoas tenham acesso à primeira dose.

A sugestão do vice-almirante Gouveia e Melo evidencia que a cadência de entrega das vacinas não é a ideal. Assim, a ideia será ter mais gente com a primeira dose e atrasar a segunda dose cerca de duas semanas. Resta saber se esse atraso irá prejudicar a eficácia da vacina, uma vez que o intervalo recomendado entre as duas doses é de 28 dias e não outro qualquer. Caberá à Direção Geral de Saúde tomar a decisão.

De acordo com o coordenador do plano de vacinação, a última previsão da chegada de vacinas a Portugal, fornecida pelo Infarmed em 19 de fevereiro, apontava para 2,5 milhões no primeiro trimestre, nove milhões no segundo trimestre, 14,8 milhões no terceiro e, finalmente, 9,5 milhões no quarto trimestre. No entanto, alguns dos laboratórios que estão a produzir as vacinas aprovadas pela União Europeia não estão a conseguir cumprir com as entregas estipuladas, pelo que é possível que a previsão do Infarmed não se concretize.

Atestados de imbecilidade

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Sim, na realidade a coisa tende a enfartar.  Agora dá-lhes para as mutações do vírus. Nada de certezas, tudo especulações, mas aquela tropa não tem quaisquer dúvidas em abrir os noticiários com conversa que, até ver, carece de confirmação científica. 

Liga-se a pantalha à hora dos telejornais e a conversa é sempre a mesma. Pela centésima vez, a crise da restauração. Há dias dei por um conhecido empresário da restauração no Norte do País a reclamar apoio do Governo para a comparticipação com as despesas de alcool gel e de máscaras. Não tarda vamos vê-los a pedirem subsídios para lhes lavarem o rabo com água de rosas. Com jeitinho, lá chegaremos!  

A restauração já cansa. Mas, depois, temos, pela enésima vez, a crise no sector empresarial, a crise na aviação e a crise na indústria aeronáutica. E por aí fora. Quase tudo baseado em inquéritos efectuados pelas associações do sector que ninguém tem o cuidado de confirmar, no terreno. Mamam e impingem-nos aquilo com a maior das facilidades. E sem se rirem… 

Muitíssimo presente, também, a actividade no sector funerário, com especial destaque para a RTP 1. Primeiro dão-nos conta do número de mortes nos hospitais, já sem capacidade de armazenagem, depois são as funerárias, sem esquecer as morgues, que também já não aguentam. E claro, o número de mortes actual, sem paralelo nos últimos cem anos.

Temos de recuar aos tempos da troika para identificarmos falta de imaginação e acefalismo do mesmo calibre. Agora são as mortes, as mutações, as vacinas, as dificuldades do SNS. Na altura eram noticiários de hora e meia em que só se falava de economia, uma tristeza que devia ser objecto, urgente, de estudo, para nos dar a exacta medida da incapacidade editorial das tv’s. A EDP dava um espirro e era abertura de telejornais, a banca dava um peido e vomitavam-nos aquilo, o Passos Coelho, esse coveiro do País, pretendia carregar na malta da ferrugem com mais 6,7 por cento na TSU e era o máximo. Mas darem o homem, no minuto seguinte, a cantar e rir no Coliseu dos Recreios, isso já era demais para eles. As TV’s já não tinham tomates para tanto… Sem esquecer, claro, aquelas vergonhosas conferências de imprensa de uns tecnocratas estrangeiros de segunda que nos diziam como é que iriamos ser entalados e as tv’s se regalavam a transmitir em directo. Era bom que esse grande formador de especialistas em aeródromos regressasse. Para agregar a direita, Ventura incluido, obviamente. E, já agora, para agregar a esquerda…

Voltemos ao início e à recomendação da linha Saúde 24: “Não a deixem ver noticiários!” A mim isto soa-me a atestado de imbecilidade passado a responsáveis editoriais das tv’s a que temos direito. E estou certo que este atestado é passado centenas de vezes ao dia aos utentes da linha Saúde 24.

No Jornal da Noite (SIC) do passado dia 10 de Fevereiro, longo trabalho dedicado aos resgates de um cão e de um veado. Imaginei-me a ver o “Dr. Pol”, ou um qualquer daqueles programas dedicados à vida selvagem que passam, ao domingo, na SIC ou na RTP1, ao final da manhã. E dei comigo a pensar se não haverá alguém, na SIC, que se dê ao trabalho de conferir alguma dignidade àquele noticiário. Será que já lá nem existe um conselho de redacção?

O Padrão dos Descobrimentos

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Depois da independência das colónias, os novos regimes derrubaram ou retiraram as estátuas dos colonizadores. Em alguns casos, as estátuas foram vandalizadas. Foi a catarse normal, depois de séculos de opressão. Em Maputo, por exemplo, a estátua de Salazar foi retirada da rua e está na Biblioteca Nacional virada para a parede, um “castigo” eterno.

estátua de Salazar, em Maputo, Moçambique

Depois do 25 de abril, em Portugal os revolucionários fizeram cair, uma por uma, as letras S – A – L- A – Z – A – R da ponte sobre o Tejo. A estátua do marechal Carmona (Presidente da República entre 1926-1951) foi retirada e está hoje no jardim do Museu da Cidade.

Em todo o país, talvez houvesse duas ou três estátuas de Salazar.  Uma delas, a que estava na terra natal do ditador, em Santa Comba Dão, foi decapitada. O passado nem sempre traz boas memórias.

estátua decapitada de Salazar, Santa Comba Dão

Noutros locais, onde entretanto o passar do tempo já amaciou as fricções da História, há memórias que permanecem. Calhou-me em sorte passar várias vezes pelo Quénia e percorrer boa parte desse interessante país. As memórias coloniais permanecem por ali. Os quenianos “deram a volta ao texto” de um modo muito pragmático. Lembram aos visitantes que aquilo são símbolos da opressão colonial e contam a História sob o seu ponto de vista. É o caso, por exemplo, do Forte Jesus, em Mombaça.

Forte Jesus é um castelo seiscentista português. Tem a particularidade de ter sido construído com coral da baía de Mombaça. Os portugueses só sabiam construir em pedra e não havendo pedra em terra, foram ao mar buscá-la… a baía era rica em coral rosa, de modo que o Forte Jesus tem muralhas cor-de-rosa. Hoje diríamos que foi um crime ecológico.


Mas é a única coisa cor-de-rosa que o castelo tem. Tudo o resto faz lembrar guerras e morte. Os quenianos, que tão bem conservam o castelo, vão ao pormenor de venderem um pequeno livro com a história do local. Um pequeno livro cheio de 200 anos de guerras, morte e escravidão, afinal de contas, os ingredientes da História. Que começa assim:

“The Portuguese showed up in 1505 and took the town. The fighting took the lives of 1513 Mombasa defenders and 5 Portuguese attackers. After looting Mombasa and setting it on fire, they left and did not return for 15 years. The Portuguese looted the town again in 1528 and twice more in the 1580s. Two years after the last attack, Mombasa went on the offensive and attempted to conquer Malindi. The Mombasa attackers were massacred and the town fell shortly thereafter in a counterattack by Malindi, which turned Mombasa over to the Portuguese. The Portuguese began construction on Fort Jesus, which was finished in 1593”.

Tradução: Os portugueses chegaram em 1505 e conquistaram a cidade. Nos combates morreram 1513 defensores de Mombaça e 5 portugueses. Depois de saquear a cidade, pegaram-lhe fogo, foram-se embora e não voltaram durante 15 anos. Em 1528 voltaram a saquear a cidade, e mais duas vezes na década de 80 desse século. Dois anos depois do último ataque, Mombaça contra-atacou em Malindi (a praça-forte de Portugal naquela zona da costa africana). Os atacantes foram massacrados e Mombaça caiu nas mãos dos portugueses. A construção de Forte Jesus ficou concluída em 1593.

Mas este é apenas o relato do início de 200 anos de combates pela posse do forte. O Forte Jesus mudou de mãos nove vezes, na disputa entre portugueses e os árabes de Oman que dominavam aquela zona da costa africana. Os portugueses foram derrotados definitivamente em 1729. É interessante perceber como os outros sentem a História comum. Mesmo se não ficamos muito bem no retrato.

Mas hoje o Forte Jesus é atração turística, livro de História e caixa registadora do dinheiro que eles cobram pela venda dos bilhetes de entrada no castelo que os portugueses construíram. Ou seja, deixem ficar o tal Padrão dos Descobrimentos e dêem-lhe o uso adequado: ensinar o que foi a primeira globalização e que consequências sociais, económicas e políticas implicou.

Uma Justiça sem humanidade

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O antigo Secretário de Estado da Energia, José Penedos de seu nome, foi condenado a cumprir uma pena de prisão efetiva de três anos e três meses, pela prática de dois crimes de corrupção e um crime de participação económica em negócio, no processo Face Oculta.

Entregou-se, voluntariamente, na cadeia. Era visível que o seu estado de saúde exigiria toda a atenção, até pela idade (75 anos).

Hoje, na cadeia da Carregueira, vive o mesmo drama que dezenas de outros reclusos idosos e doentes. O relato de Carlos Domingos, advogado da família, é esclarecedor:

«Neste momento, o José Penedos não consegue andar, não consegue alimentar-se sozinho, e está incontinente. Depende totalmente do apoio do seu filho. O José e o Paulo Penedos estão numa cela com mais seis pessoas e esta situação é difícil para todos. Atualmente, o José Penedos nem sequer tem consciência de que está preso. Pergunta constantemente ao seu filho quando é que vai sair daquele hospital».

Posto isto, algumas reflexões:

Desde logo, e sem querer branquear qualquer acto ilícito, lembro que José Penedos foi condenado a uma pena que, normalmente, seria suspensa. É primário, está inserido na sociedade, não desempenhava, já, qualquer actividade que pudesse levar à reincidência, não oferecia qualquer risco para a sociedade.

A única explicação que há para a sua pena se ter tornado “efectiva” é a de o arguido ser um (ex)político e a opinião publicada exigir, aos juízes, que mostrem “mão forte” em relação aos “poderosos”.

A mesma Justiça que deixa em liberdade todos os banqueiros que roubaram milhares de milhões de euros ao Estado, com a plena consciência de que nunca os farão passar pela porta de uma cadeia, sentiu-se realizada com a prisão de um (ex)governante condenado – e nem ponho em causa se justamente – por delitos menores, em termos económicos.

A mesma Justiça que se recusa a dar qualquer amnistia a reclusos, por considerar erradas as medidas de clemência, já que consideram que estas podem, para além de provocar revolta na população, dar uma ideia de impunidade, não hesita em, semanalmente, amnistiar os mesmos banqueiros do pagamento de milhões de euros a que, numa primeira fase, os tinham condenado.

O que alguns magistrados entendem como Justiça não passa, por vezes, de uma vingança e, ou, de uma demonstração de um “poder” que o Povo se vê obrigado a aceitar porque não resulta de qualquer eleição nem é escrutinado.

Insistem em garantir que: “A Justiça é igual para todos!”

Será. Mas as Sentenças não são. As Sentenças variam mediante as circunstâncias, as amizades, o poder económico, a percepção dos Juízes e, até, com a integridade destes. Isto porque os juízes são gente, não deuses!

E, independentemente da sua honestidade, cedem, por vezes, a populismos preferindo o apoio da imprensa a tomarem medidas que possam ser consideradas impopulares.

Mais grave, insistem em não dar “parte de fracos” evitando qualquer alteração às penas aplicadas, mesmo em casos extremos, como o de permitirem que, em diversas cadeias, haja reclusos com doenças gravíssimas, alguns em estado terminal, a autorizarem que passem os últimos dias das suas vidas num leito da sua própria residência. Mesmo quando os crimes, como é o caso do que comentamos, sejam de índole económica e não contra a vida.

Ao tornar-se conhecido, o caso de José Penedos permite que se arrede mais uma das muitas cortinas espessas que escondem as cadeias à população. Pode, até, levar a que seja permitido que ele cumpra o resto da sua pena numa situação digna.

Todavia, há que ter em atenção que esse acto de Justiça só será pleno se o mesmo tratamento for dado aos outros reclusos em idênticas circunstâncias. É isso que esperamos e ambicionamos.

Covid-19: 63 mortes, menos internados

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Hoje o boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde regista 63 mortes, mais duas que ontem. A diferença não é significativa, mas é uma subida. Pior que isso, é o terceiro dia consecutivo em que o registo de mortes por covid-19 está “estacionado” na casa dos 60, depois de anteontem ter registado 65. Ou seja, a pandemia registe, tanto que houve mais 1.032 casos de novos contágios.

O número de internados baixou bastante, hoje são 3.012 doentes (menos 310 do que na segunda-feira), dos quais 597 em cuidados intensivos, menos 30, mantendo-se a tendência de redução significativa.

Quanto aos progressos da vacinação, os últimos dados da Direção-Geral da Saúde  dizem que há 444.730 pessoas que tomaram a primeira dose e 249.567 com a segunda dose. Poucochinho, ainda.

Para quem gosta de escrever

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Concurso literário em São Domingos de Rana, Cascais, aberto a todos, estejam onde estiverem, desde que escrevam em língua portuguesa.  É a 13ªedição desta iniciativa da Junta de Freguesia, este ano subordinada ao tema “sustentabilidade”.

Não importa a idade nem o género literário, o concurso admite textos em prosa ou em verso, conforme vem especificado no regulamento.

É uma iniciativa interessante. O prazo para entrega de textos é 30 de abril.

EDP vende barragens portuguesas

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Honra seja feita ao Bloco de Esquerda que trouxe para a praça pública o alegado esquema fraudulento utilizado pela EDP para vender seis barragens portuguesas a uma outra empresa estrangeira.

Se é verdade que o capital já não tem nacionalidade, os donos do dinheiro são os donos disto tudo, aqui ou seja lá onde for, as leis de cada país ainda são para se cumprir, apesar de tudo.

O que foi vendido são as seis barragens do Douro Internacional. Quem as adquiriu foi  a ENGIE, empresa global do setor da energia e dos serviços, com interesses e negócios em mais de 70 países. Dizem que o negócio rendeu à EDP 2 mil milhões de euros. Imposto pago ao estado português: zero.

Como isso foi possível é o que o Bloco de Esquerda e o Movimento Cultural da Terra de Miranda querem saber e, para isso, denunciaram o esquema e exigem respostas do Governo.

Com isto, a EDP acaba de demonstrar que não precisa de Mexia para continuar a “reinar” connosco. O Mexia e alguns outros saíram por terem sido constituídos arguidos no chamado “caso EDP”, processo que ainda não chegou à barra do tribunal. Mas ficaram na EDP muitos outros ex-governantes e influenciadores políticos que cumprem à risca aquilo para que são regiamente pagos: safar a empresa de ter de pagar impostos.

A triste cena de Eduardo Catroga, chairman da EDP, em 2016, num assédio brutal ao primeiro-ministro António Costa ficou para os anais da corrupção em Portugal.

Catroga nunca esteve sozinho na EDP com a tarefa de influenciar as decisões dos governantes. Outros nomes que por lá passaram ou que por lá continuam são, por exemplo, os de Jorge Braga de Macedo, Luís Filipe Pereira, Rui Pena, Luís Amado, Augusto Mateus, Celeste Cardona ou Paulo Teixeira Pinto.

E se vos disseram que a EDP é um dos clientes da FINPARTNER, não se admirem.

Covid-19: 61 mortes e um almirante à “janela”

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Números da pandemia baixaram mais um pouco, relativamente a ontem. Hoje o boletim epidemiológico regista 61 mortes e 549 novos casos de infeção, o número mais baixo desde 6 de outubro, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim epidemiológico da DGS revela que ainda estão internados 3.322 doentes (mais seis do que no domingo), dos quais 627 em cuidados intensivos (menos 11), números considerados ainda muito altos.

Já no que respeita ao número de mortos, desde 10 de novembro, dia em que morreram 62 pessoas com covid-19, que Portugal não registava valores tão baixos.

Desde março de 2020, Portugal já registou 16.023 mortes associadas à covid-19 e 798.074 casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2, o que significa que em média 2% dos infetados morrem, mas sabemos que a mortalidade é muitíssimo mais elevada em pessoas com mais de 80 anos.

Janela de esperança

Entretanto, Marcelo Rebelo de Sousa classificou como “janela de esperança” as declarações do coordenador do grupo de trabalho para o plano de vacinação contra o covid-19. O que o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo disse foi que será possível alcançar a imunidade de grupo antes do previsto.

Segundo Gouveia e Melo, espera-se “uma concentração de vacinas já no segundo trimestre suficiente para aumentar a velocidade de vacinação para cerca de 100 mil vacinas por dia, o que fará com que se tenha de pensar em modelos alternativos aos centros de saúde nos cuidados primários para que este processo de vacinação corra sem problemas na administração de vacinas” e, assim, “atingir a imunidade de grupo em meados do verão, à volta de agosto ou inícios de agosto”.

O Presidente da República gostou do que disse o coordenador do plano de vacinação. Mas, na verdade, trata-se de uma proclamação política que não se esperaria de um técnico com formação militar. Os políticos é que falam em promessas que não sabem se poderão cumprir. E como a produção e distribuição de vacinas não depende do vice-almirante, teria sido mais prudente ter ficado calado e continuar a trabalhar no sentido de se alcançar esse objetivo.

Cuidado com o relaxamento

Curiosamente, muito mais prudente está a ministra da Saúde que, hoje, chamou a atenção para o relaxamento no confinamento que as boas notícias já estão a provocar. Segundo Marta Temido, esse tipo de atitude poderá provocar novo aumento de contágios.

“Na última semana, o índice de mobilidade aumentou ligeiramente e este é um aspeto que deve suscitar atenção, na medida em que sabemos que os valores a que chegámos são valores que resultam de um esforço e, se esse esforço se inverter, voltaremos a atingir números de incidência e números de risco de transmissão que não são compatíveis com o que precisamos de garantir”, afirmou Marta Temido.

Sintra, Hotel Netto continua no rol das políticas falhadas

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Em tempos idos foi um dos pontos de encontro da burguesia e intelectuais de Sintra. Como hotel, inaugurou em 1879, mas o edifício é mais antigo. Rezam as crónicas que a casa pertenceu ao antigo almoxarife de Sintra, capitão-mor Máximo dos Reis.

Trabalhos arqueológicos realizados no terreno puderam comprovar que a estrutura tem elementos arquitetónicos reaproveitados reveladores de que se trata originalmente de uma das várias edificações manuelinas de Sintra, ou seja, algures entre os séculos XV e XVI.

No início do século XX, o hotel passou para as mãos de dois primos galegos que mantiveram a qualidade do serviço e continuaram a atrair clientela famosa. Um dos hóspedes mais ilustres foi o escritor Ferreira de Castro (1898-1974) que ali viveu cerca de 12 anos, e onde escreveu parte da sua obra literária. Os anos 70 ditaram o encerramento do hotel. O edifício ficou sem préstimo e ao abandono. A ruína acentuou-se à medida que o tempo passou.

Em 2016 julgou-se que havia sido encontrada a salvação. O empresário hoteleiro Carlos Saraiva comprou o edifício por 1 milhão de euros e tinha o projeto de o reabilitar para voltar a ser de novo um hotel de charme. Mas o processo de reabilitação tem decorrido com demasiada lentidão, nenhum prazo estipulado tem sido cumprido, acredita-se mesmo que Carlos Saraiva apenas pagou uma tranche inicial e que a Câmara Municipal de Sintra ainda hoje está à espera do resto do dinheiro.

A venda a Carlos Saraiva foi um negócio mal explicado. Em 2013, a empresa Parques de Sintra-Monte da Lua, empresa constituída para gerir parques e monumentos de Sintra e que tem capitais públicos, com uma participação da Câmara Municipal, quis comprar o edifício. O preço era de 600 mil €. Mas Basílio Horta tinha ideias diferentes e a Câmara exerceu o direito de preferência. Dois anos depois, o edifício ainda em ruinas foi vendido a Carlos Saraiva.

Na altura já se sabia que Saraiva estava em queda livre e na insolvência. Os projetos do hoteleiro deixaram um rasto de dívidas impagáveis à banca. É um mistério o que terá levado o Presidente da Câmara de Sintra a querer dar o Hotel Netto a Carlos Saraiva. O negócio foi altamente vantajoso para Saraiva. Foi aceite a modalidade de pagamento diferido. Assim, a empresa de Saraiva, Restelo Azul, pagou apenas 20% do montante da transação, 200 mil euros. Seriam pagos mais 30% quando a unidade abrisse portas e duas prestações de 25% aos seis meses e após um ano da entrada em funcionamento do novo hotel, que beneficiaria de isenção de taxas municipais por envolver a recuperação do edifício. Sendo assim, a CMS ainda não recebeu um centavo além dos 200 mil € iniciais.

Nos termos da adjudicação, em julho de 2016, o promotor dispunha de 30 meses (até dezembro de 2019) para concluir o hotel, “após emissão do alvará de construção ou licenciamento da operação urbanística”. A cumprirem-se os prazos, a recuperação do antigo Hotel Netto já estaria concluída há muito.

Numa reunião da vereação, em 2018, o próprio Basílio terá dito que a autarquia teria que “intervir porque o contrato diz que se as obras não forem feitas naquele prazo há uma resolução do contrato, eles perdem o dinheiro que já deram e nós ficamos outra vez com o hotel”, explicou o autarca à restante vereação. Aparentemente, não houve aplicação prática deste clausulado. O edifício não voltou para a posse da autarquia e um dos símbolos do romantismo sintrense continua entaipado e de futuro incerto.