Sempre que se fala na necessidade de preservar património histórico edificado, pensa-se em hotéis. Por vontade de alguns, Portugal teria um hotel instalado em cada palácio e castelo construído. É uma ideia, mas não funciona. É uma ideia de gestores públicos preguiçosos. É uma ideia de dirigentes políticos incompetentes. E é uma ideia que tem levado à ruina boa parte desse património que devia estar preservado e acessível ao público.
O caso do Paço Real de Caxias é paradigmático. Palácio do século 18, pertence ao Ministério da Defesa. Deixaram as madeiras apodrecer e o estuque cair. Roubaram milhares de azulejos de grande valor artístico. Alguém investigou os sucessivos assaltos? A tropa participou os crimes à polícia?
alguns dos painéis de azulejos que não foram roubados, talvez por estarem muito degradados
.
Era um palácio repleto de azulejos semelhantes aos do Palácio de Queluz. Um pequeno palácio com tetos e paredes pintadas de grinaldas de flores e outros ornamentos. Foi construído em meados do século 18 e, rezam as crónicas, resistiu ao terramoto de 1755. Quem sabia o que lá estava antes dos assaltos eram os responsáveis dos monumentos nacionais que em 1953 o classificaram como imóvel de interesse público. Deve haver num arquivo qualquer uma memória descritiva deste Monumento Nacional.
Quando os reis iam a banhos à praia de Caxias, era ali que pernoitavam. Quando o edifício passou para a tutela das Forças Armadas o Instituto de Altos estudos Militares instalou-se ali. Ainda há pouco tempo havia documentos antigos amontoados e a apodrecer nas salas do rés-do-chão do palácio, apesar do instituto já ter saído dali em 1956.
Também há sinais de tentativas de fogo-posto, muitos desses documentos antigos estão queimados. “Num vão de escada vê-se um monte de papéis velhos que sobraram de um fogo ateado que só não reduziu tudo a cinzas porque não calhou. Mais do que papéis velhos há documentos e livros chamuscados. Alguns com datas do princípio do século passado e até mais de trás,” relata o blog O Voo do Corvo num texto publicado em 2015.
Depois apareceram os idiotas do costume. Vai ser um hotel! Os soldados esfregaram as mãos de contentamento e já se imaginavam garbosos porteiros do futuro Hotel Turim. Os políticos livravam-se de uma carga de trabalhos, também acharam que era boa ideia. O presidente da Câmara Municipal de Oeiras teria preferido ser ele a fazer o negócio, durante anos a Câmara Municipal de Oeiras cuidou dos jardins onde estão várias esculturas de Machado de Castro. Mas os militares acabaram por denunciar o protocolo e o investimento camarário gorou-se. Faça-se o hotel, pensou Isaltino.
Era um “negócio da China” para o grupo hoteleiro. Por apenas 18 mil euros de renda mensal ficaram com um palácio do século 18 para recuperar e adaptar, área bruta total de construção é cerca de 5.816,93 metros quadrados, o que permitiria a instalação de um hotel com 120 quartos. Mais os jardins e a famosa cascata, igualmente integrados no património dos monumentos nacionais. Um luxo. Isto foi em janeiro, antes da pandemia. Passou um ano e nada foi feito, o que é compreensível. Resta saber se a empresa hoteleira se mantém firme nos planos de investir 11 ou 12 milhões de euros na recuperação do edifício. Ou se é para esquecer.
(nota: as fotografias assinadas “MD” são da autoria de Márcio David tal como consta na página do Facebook “Fotografias de Márcio David“), as restantes são de autores ainda por identificar).
Em surdina, em período de férias de Verão e no meio de uma pandemia, decidiram alterar a Lei Eleitoral, dificultando assim a vida aos cidadãos independentes e aos movimento de independentes que entendessem ser candidatos às suas localidades. Alguns deles já estão inclusivamente eleitos, sendo autarcas Presidentes de Câmara ou autarcas Presidentes de Junta.
Já muito foi dito sobre este tema e por isso escuso-me a falar do mesmo. Contudo, não poderia deixar passar esta oportunidade de fazer um convite a todos os cidadãos que entendam ter um projecto credível, sério e o melhor para as suas terras e as suas gentes que nos contactem.
Evidentemente que todos sabemos as dificuldades que acarreta uma candidatura, ainda para mais em tempo de pandemia. Por isso, por forma a permitir que todos os que entendam, possam ser candidatos o partido RIR – Reagir Incluir Reciclar – está naturalmente disponível a conhecer os melhores projectos para as várias localidades e a apoiar enquanto partido político todos os que entendam e desejam ser candidatos.
A mudança necessária a Portugal começa em cada um de nós e este gesto de permitir que quem queira possa ser candidato é uma das peças do muito caminho que temos ainda para fazer enquanto país e enquanto Democracia.
Por isso, se têm uma equipa, um projecto e falta apenas a chave para permitir a candidatura, o partido RIR está à vossa espera.
(o autor desta crónica é vogal da Direção Política Nacional do partido RIR)
Hoje o boletim epidemiológico regista 33 mortes relacionadas com a covid-19 e 1.071 novos casos de infeção. Estão internados 2.180 doentes (menos 224 do que na sexta-feira), dos quais 492 em cuidados intensivos (menos 30).
A diferença de mortes registadas de ontem para hoje é significativa. Menos 25 casos. Porém, o número de pessoas infetadas aumentou em 44. De qualquer modo, mantém-se a tendência geral para a diminuição da força da pandemia, desde que a população não dê por adquirido que o problema está resolvido.
Distanciamento físico, uso de máscara de proteção, evitar concentrações de pessoas continuam a ser regras de ouro de comportamento. Da parte do Governo, cabe garantir a vacinação geral da população o mais rápido possível e acelerar, conforme foi prometido, o rastreio de contágios.
Vem este introito a propósito do meu recente texto “A favor de um desconfinamento faseado”, que, tendo merecido ampla divulgação, terá deixado dúvidas sobre como conciliar a retoma da economia e o regresso à “normalidade”, salvaguardando o máximo de vidas humanas. Em resumo: se, quando, como e por onde começar o desconfinamento, em cenários que se adivinham incertos.
Três substantivos abstratos deverão estar presentes para melhor se atingir tal objetivo: a motivação de um povo que, submetido a um esforço coletivo sem precedentes, terá de se empenhar na “conquista do desejado prémio”; o que implica confiança numa gestão fiável, capaz de assinalar metas e propor programas coerentes; e, finalmente, a clareza de quem, não coxeando atrás de prejuízos, tenha a capacidade de demonstrar a necessidade das medidas que, em cada momento e local, terá de aplicar.
Com a consciência de que cada opção levantará sempre mil reservas, mas perante a inexistência de modelos científicos universais, e na impossibilidade de aplicar práticas externas dignas de boa atenção, qualquer decisão terá de passar pela análise do nosso passado e presente e de assentar na nossa capacidade instalada.
Assim pensando, logo em março de 2020, defendi um comando centralizado, do tipo militar, para enfrentar uma “guerra biológica” que não se compadece com chefias dispersas por centenas de “responsáveis”. Como também logo sugeri como prioritária a prevenção de contágios, focada no uso obrigatório de máscara, na formação sanitária das populações e proteção civil e na precoce aplicação de planos de contingência em diversas instituições de risco.
E por muito mais me alarguei, criticando atrasos e falhas logo no primeiro confinamento e defendendo um desconfinamento mais precoce, aplicado por fases e sobre apertada monitorização e controlo. Para, no verão, denunciar a “bagunça” que ia pelo Alentejo e pelas forças de segurança, prevendo uma forte quebra turística e a eclosão de nova vaga.
Em novembro, com a experiência acumulada, era certo que, com cerca de três mil internamentos, o SNS entraria em “alerta amarelo”, deixando de responder a variadas patologias; e que com cinco mil, no “laranja”, corria o risco de colapsar. Impunha-se reforçar a testagem e prevenir novos contágios, que, à “ciência” do tempo, deveriam ser contidos abaixo de mil casos/dia.
Certezas científicas que não evitaram que pelo Natal, já em laranja-avermelhado, se tivessem escancarado as portas a recordes do mundo e a imagens de horror, que conduziram a mais um confinamento tardio e errático: encerrando atividades privadas de risco reduzido e, por flagrante impreparação, mantendo as escolas abertas.
E tudo isto e muito mais se passou sob o comando de decisores políticos há muito desacreditados, suportados por “especialistas” selecionados e sem contraditório. Será que ninguém assume responsabilidades por sucessivos fiascos, de que a aplicação Stayway ou o plano de vacinação são exemplos grotescos?
O “tratamento” de uma pandemia não difere muito da prática médica intensiva, exigindo uma direção capaz de introduzir medidas corretivas e ao minuto, em situações emergentes e em permanente mutação e que não se compadecem com prazos legais e regras pré-definidas.
A virulência das novas variantes ainda lança incógnitas, até na eficácia da vacinação, mas, à luz do atual decréscimo de novos casos e dos conhecimentos já adquiridos, não hesito em defender que Portugal já pode, com segurança, encarar o desconfinamento de setores básicos da sua economia: sobretudo no turismo interno e na restauração, entre várias outras áreas de atividade, a discutir. Certamente que com algumas restrições em certas parcelas do território onde o contágio ainda atinge níveis preocupantes, e, evidentemente, sob apertada monitorização por parte de gestores bem-informados e com poder de decisão.
E nem podia deixar de ser assim, quando se assiste a profundos avanços na estratégia do combate à doença, que permitem limitar complicações graves, baixar a letalidade e aliviar a retaguarda hospitalar. A que se irá somar o esperado contributo da campanha de vacinação, em curso.
E por que não começar pela educação, como tantos recomendam? Primeiro porque, embora menos afetados, dúvidas não subsistem de que os mais novos são os principais veículos de transmissão. E, depois, simplesmente porque não reunimos condições para tal. Passo a explicar:
Onde se está a avançar por essa via, requer-se uma testagem bissemanal a toda a população escolar, incluindo profissionais: uma impossibilidade num país em que a despistagem até tem vindo a sofrer cortes, não sendo cientificamente fiável a explicação oficial ontem adiantada: por não referir as taxas de positividade, que são das mais altas da Europa e traduzem uma forte carência na despistagem.
Liberte-se a ciência dos espartilhos político-económicos e legais, e ainda que sob controlo apertado, tenho a certeza que será possível renovar a esperança de milhões de portugueses, bem antes da Páscoa que se avizinha.
Certamente com segurança, mas também com otimismo!
Não, não passam nos programas de família das manhãs ou das tardes televisivas. E também devem estar no índex da Rádio Renascença. Por outro lado, têm tudo para ser um sucesso, a não ser que o céu e a inveja lhes caiam em cima.
Inspiraram-se em Amália, mas são tudo menos convencionais. Provocação e ativismo são os pilares políticos destes dois artistas que têm um projeto que dá pelo nome de “Fado Bicha”.
Na verdade, podem cantar o que quiserem, mas deu-lhes para o fado. Mas sem aquele sentimento profundo da saudade tão portuguesa. Do modo como o fazem, dão voz à comunidade LGBTI [Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo], denunciam o racismo e as desigualdades, as memórias da escravatura e da colonização.
Os videoclips são mais uma ferramenta desta ofensiva cultural protagonizada por Lila Fadista e João Caçador. O poder da imagem é usado como rastilho de uma mensagem revolucionária porque limpa e verdadeira. E como dizia o outro, “só a verdade é revolucionária”. E a verdade é que sempre existiram homossexuais, desde toureiros a engenheiros, trolhas ou fadistas, ministros e militares. Personagens reais, mas que não constavam nas letras do fado tradicional. Agora, já constam nas líricas do Fado Bicha. As almas mais sensíveis não devem ver o videoclipe que agregamos já a seguir.
Visivelmente inspirado em Amália, o fado “Namorico do André”. A paixão ardente entre André, o peixeiro, e Chico, o pescador.
Lila e João, de certeza que há vidas mais fáceis. Há uns meses que desapareceram das redes sociais. O último vídeo no YouTube foi colocado há mais de 6 meses. Do Facebook disseram adeus a meio de janeiro. Mas como prometeram não se calar, um dia destes estão por aí outra vez.
Quiçá, algum dia, surja a dúvida: porquê tanta obra de arte nas igrejas? E quem diz nas igrejas católicas, poderá também pensar nas ortodoxas, nas mesquitas ou nas sinagogas. Os templos constituem, aliás, numa cidade, lugares de visita turística por excelência, justamente por neles se haverem congregado, ao longo dos séculos, genuínos testemunhos da Arte.
Resposta muito simples, creio. Tal como nós gostamos de ver as paredes de nossas casas com imagens que as embelezem e nos ajudem a ter serenidade, também os fiéis que se reúnem num templo gostam de poder admirar as esculturas, as telas, que os ajudem a mais facilmente comungarem com a Beleza divina.
Essas manifestações artísticas – fruto, amiúde, de mui devotas doações – têm, além disso, uma intenção didáctico-pedagógica, se assim me é lícito exprimir-me. É que de imediato me surgiram ao pensamento as imagens fortes dos mosteiros da Bucóvina, na Roménia. As suas paredes, tanto as interiores como as exteriores, inteiramente preenchidas por policromas pinturas a fresco, a representar cenas da Bíblia e dos Evangelhos. Toda uma doutrina se espelha ali! E ficamos embevecidos perante aquelas obras-primas que demoraram, algumas, anos a serem devidamente acabadas! Numa altura em que a literacia – como hoje se diz – era mínima, esses quadros funcionavam, às mil maravilhas, como livros abertos. E atraentes!…
A igreja da Misericórdia
A igreja da Misericórdia de Cascais não foi, por conseguinte, alheia a esse movimento de dádivas ou de aquisições, ao longo dos seus já 470 anos. A instituição foi fundada em 1551 e teve como primeiro templo a capela de Santo André. Existe, aliás, uma saborosa lenda a esse propósito, contada, após o terramoto de 1755, pelo Pe. António Inácio da Costa Godinho, pároco da igreja da Ressurreição, pois que era a essa paróquia que pertenciam então as terras da margem esquerda da Ribeira das Vinhas.
Conta ele que «há, na dita casa da Misericórdia, uma imagem perfeitíssima, com o título de Nossa Senhora dos Anjos, da estatura de uma mulher ordinária, e se não sabe quem a fez. Está sobre uma penha, com dois anjos e, no meio, uma coroa com as armas de Portugal. Apareceu, naquele tempo da ermida de Santo André, antes de ser Misericórdia, em uma praia junto à dita ermida, para onde foi primeiramente levada; e, daí, para a dita igreja paroquial da Ressurreição, primeira e segunda vez. E, de uma e outra vez, tornou a aparecer na mesma ermida, onde a deixaram estar e se lhe erigiu a Irmandade do mesmo título, que ainda hoje existe e tem compromisso aprovado pelo Ordinário. É imagem muito milagrosa e devota e poucos imploram o seu patrocínio que não alcancem o benefício que pretendem, principalmente quando sai fora, por ocasião de alguma necessidade pública, que milagrosamente se vê remediada a dita necessidade».
Recorde-se que a igreja da Ressurreição se localizava sensivelmente onde está hoje o largo da estação da vila.
Voltando à questão das doações, não é, pois, de admirar que hoje se leia esta resenha na página da Santa Casa:
O seu património móvel, já inventariado – peças de escultura, paramentaria, pintura, ourivesaria, cerâmica e mobiliário – está intimamente ligado às práticas de culto religioso e à realização das procissões das Endoenças e do Senhor dos Passos. Endoenças eram as cerimónias de Quinta-feira Santa e a procissão do Senhor dos Passos, de larga tradição na vila cascalense, realizava-se na Sexta-feira Santa.
Há, na igreja (voltamos à página da Santa Casa) imagens de São Joaquim e Santa Ana (século XIX), Santa Bárbara (séculos XVII-XVIII), Santo António com o Menino (século XVIII), duas Nossas Senhoras (século XVII), a referida imagem de Nossa Senhora dos Anjos (séculos XVII/XVIII), uma imagem de vulto perfeito de madeira policromada representando a Virgem com o Menino “Salvator Mundi”, amparado sobre a mão esquerda da Mãe, braço erguido, maça a repousar sobre a mão, rosto alongado, olhar sereno… A maça, redonda como o mundo, a simbolizar esse carácter salvífico.
Como e porquê os surpreendi!
Importa, pois, explicar como é que eu fui encontrar os santinhos nesse recato todo, quando deveriam mostrar-se à devoção dos fiéis.
É que, como se supõe, não é só nos humanos que o tempo deixa marcas: nas esculturas e nos quadros também. Por isso, a dada altura, para lhes reavivar cores, limpar poeiras incómodas, prevenir bichezas maléficas, há que fazê-los entrar – para estarem na moda – em quarentena! Dir-se-á que, como santinhos que se prezam, decidiram dar o exemplo e… entraram em quarentena antes dos humanos. E foi necessária toda uma equipa bem adestrada para bem os acompanhar nesse período de restabelecimento.
Escolheu-se a WOA, Way of Arts, uma empresa 100% portuguesa (apesar do nome escolhido), que – como o seu mentor, Gonçalo Leandro, teve ocasião de nos dizer – «está a fazer 18 anos de vida e encara a conservação e restauro, desde sempre, como um processo de reflexão, no qual se conjuga a interpretação com a ação na procura de um balanço harmonioso entre a obra, o passado e o presente».
Palavras bonitas, estas, que – garantimos – correspondem à verdade.
Para nós, de resto, é uma empresa nossa vizinha, sediada no ninho empresarial (como eu gosto da designação!…) que dá pelo nome ADN Cascais, ali para as bandas do alto da Cruz da Popa, Alcabideche, e que, apesar da sua ‘juventude’, já arrecadou, em 2015, uma Menção Honrosa, no âmbito do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana, por ter sidoresponsável pela conservação e restauro de várias áreas do Palácio da Pena, sendo de destacar o trabalho desenvolvido no Salão Nobre; teve, em 2012, o prémio Empresa Empreendedora do Ano, no quadro do Prémio DNA Cascais; recebeu, também nesse ano de 2012, uma menção honrosa da Associação Portuguesa de Museologia, “Melhor Intervenção em Conservação e Restauro”, pelo trabalho realizado no Refeitório dos Frades do Palácio de São Bento. As intervenções feitas desde 2013 a 2017 em monumentos da área da Parques de Sintra-Monte da Lua (Palácio da Pena, Palácio de Monserrate e Chalé da Condessa d’Edla)contribuíram para a atribuição do World Travel Award à Parques de Sintra-Monte da Lua, tida pelo júri como a melhor empresa do mundo em conservação.
Acrescente-se que a WOA considera as artes e ofícios como «uma área fulcral para equilíbrio emocional, não só de quem as executa, mas também da sociedade em geral» e tem-se empenhado, por isso, em «tentar encontrar soluções que permitam salvar alguns ofícios que estão a desaparecer e que são fundamentais para o futuro na preservação do património histórico». Registe-se que, neste domínio do apoio às artes e ofícios, agrada aos seus mentores ver, nos projectos a que lançam mão, «artesãos, artistas e técnicos de conservação e restauro talentosos, empenhados e realizados». Inserida no projeto europeu Smart Hands, a Way of Arts está a concluir um filme sobre a forma como olha para as artes e os ofícios.
Bem andaram, pois, os responsáveis pela preservação do património móvel da Santa Casa da Misericórdia de Cascais ao entregarem aos jovens técnicos da WOA uma tarefa que já estava a ser prioritária e de que eles se desempenharam – e continuarão a desempenhar-se – a contento.
Mui resguardados, nem todos os santinhos se deixaram mostrar aquando da minha incómoda visita; mas o que vi, garanto, satisfez-me plenamente.
Nas últimas 24 horas morreram 58 pessoas com covid-19. Há ainda registo de 1.027 novos casos de infeção. O número de novos casos continua a baixar, este é o registo mais baixo desde 7 de outubro, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), dia em que foram registados 944 casos. Continuam internados 2.404 doentes, menos 209 do que na quinta-feira (o número mais baixo desde 5 de novembro), dos quais 522 em cuidados intensivos, menos 14 que ontem.
Prossegue, entretanto, a campanha de vacinação da população. Ao contrário do que se pensava que ia acontecer, a vacinação não decorre nos centros de saúde espalhados pelo país. Em cada concelho há centros de vacinação, o que implica uma concentração de pessoas nesses locais, apesar das convocatórias tentarem evitar aglomerações através da marcação da hora para a vacinação de cada um dos convocados.
No centro de vacinação de Odivelas
O Pavilhão Multiusos de Odivelas, nos arredores de Lisboa, está transformado em centro de vacinação. Centenas de pessoas convergiam para esse local, idas dos mais variados recantos do concelho. A maioria destas pessoas eram idosas, algumas com evidentes dificuldades de locomoção. Chegaram à boleia de vizinhos ou de familiares, alguns utilizaram os serviços dos bombeiros. No centro de vacinação não havia cadeiras de rodas em número suficiente. E nem todas as cadeias existentes eram as mais apropriadas para velhos de 80 anos se sentarem em segurança. Os assistentes operacionais no local tinham boa vontade, mas pouca prática neste tipo de funções.
A centralização dos centros de vacinação é uma dificuldade acrescida para idosos que não tenham autonomia para se deslocarem, por dificuldades físicas ou por falta de meios de transporte próprio.
Uma das pessoas que se deslocou ao pavilhão Multiusos de Odivelas disse que vivia mesmo ao lado do centro de saúde… de Caneças. Ou seja, em vez de 100 metros, teve de fazer uma viagem de 20 kms, ida e volta.
O plano de vacinação previa a utilização dos centros de saúde, mas pelos vistos isso não está a acontecer em todo o lado.
A Casa da Pesca é desde 1940 Monumento Nacional. Apesar disso, o Ministério da Agricultura (a quem a casa da Pesca pertence) não cuidou desse património e deixou que chegasse a um estado de ruína preocupante.
O vandalismo, os assaltos, já fizeram desaparecer muitos azulejos, a degradação provocada pelo tempo arruinou estuques pintados de grande valor artístico, o telhado há muito tempo que deixou de impedir as infiltrações da água da chuva, os jardins transformaram-se em matagal.
Tudo isto aconteceu à vista de toda a gente, nunca ninguém foi responsabilizado por deixar que isto chegasse ao ponto onde chegou.
O boletim epidemiológico refere que nas últimas 24 horas registaram-se 49 mortes e 1.160 novos casos de covid-19. Desde 8 de novembro do ano passado que Portugal não tinha um número de mortos abaixo dos 50, dia em que se registaram 48 óbitos. Quanto ao número de casos, o valor de hoje está próximo do registado a 13 de outubro, quando os dados indicavam 1.208 casos de infeção.
O boletim epidemiológico revela também que estão internados 2.613 doentes (menos 154 do que na quarta-feira), o número mais baixo desde 8 de novembro, dos quais 536 em cuidados intensivos, menos 31, número que não era registado desde 8 de janeiro.
Desde março de 2020, Portugal já registou 16.185 mortes associadas à covid-19 mas tudo indica que estamos no bom caminho para debelar o contágio, sendo que, no entanto, o problema é global e só se resolverá quando todos os países conseguirem parar a propagação deste coronavírus.
Enquanto se espera pelo desconfinamento, algumas autarquias lançam programas de apoio aos setores económicos mais afetados. Na Amadora, por exemplo, a Câmara Municipal anunciou hoje apoios no valor de um milhão de euros, destinado a apoiar os empresários do setor do comércio e restauração.
Em comunicado, a Câmara da Amadora explica que as candidaturas ao “Revitalizar 3.0″ (o programa em questão) vão decorrer entre 15 e 31 de março.
O programa destina-se aos empresários dos setores do comércio a grosso e retalho, reparação de veículos e motociclos, alojamentos, restauração e similares. Para serem elegíveis a este programa, as empresas não poderão ter um volume de negócios superior a 500 mil euros e terão de demonstrar quebras de faturação superiores a 25%, entre janeiro e dezembro de 2020. Além disso, as empresas terão de manter os postos de trabalho existentes até, pelo menos, 31 de dezembro de 2021.
O caso da Editora Impala de Jacques Rodrigues já chegou ao parlamento. Representantes de um grupo de trabalhadores a quem a empresa deve dinheiro, foram recebidos (reunião online) pelos deputados da Comissão de Trabalho e Segurança Social.
Luís Monteiro Pereira, que já foi por duas vezes diretor comercial da Impala e, portanto, conhece bem a estrutura do grupo, relatou aos deputados o esquema montado por Jacques Rodrigues para diluir lucros, evitar pagar dívidas, não cumprir sentenças judiciais e ter acesso indevido a apoios do estado.
Luís Monteiro Pereira não falou das outras dívidas da Impala, algumas tão ou mais antigas ainda. As dívidas da Impala (a empresa mudou de nome, entretanto, agora designa-se DescobrirPress) ascendem a mais de 50 milhões de euros, segundos relatos na imprensa. Boa parte da dívida é a empresas gráficas, mas a lista de credores tem 351 nomes. Mais de dois quintos dos credores (81,4%) são funcionários ou antigos trabalhadores. E há, ainda, os casos resultantes de indemnizações decretadas por tribunais e que a Impala não respeitou, casos do antigo futebolista Luís Figo, da jornalista e apresentadora Manuela Moura Guedes e de Sílvia Alberto, todos resultantes de decisões judiciais. A dívida relativa a estes casos, julgados devido a processos contra notícias publicadas nas revistas do grupo, aproxima-se dos 27 milhões de euros, ou seja, mais de metade da dívida total da DescobrirPress, segundo a documentação oficial. A Segurança Social também reclama 7,3 milhões de euros.
Mesmo sem isto, os deputados da Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social pareceram ter ficado verdadeiramente chocados com a vida real de quem tem de trabalhar com patrões deste calibre.
Embora a Assembleia da República não seja uma esquadra de polícia, pode acionar os mecanismos legais para inspecionar e desmantelar os esquemas criados pela administração da Impala. O que se espera é que tenham noção da urgência, porque há pessoas a quem faz falta o magro salário que recebiam.