A fraude na Impala

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O caso da Editora Impala de Jacques Rodrigues já chegou ao parlamento. Representantes de um grupo de  trabalhadores a quem a empresa deve dinheiro, foram recebidos (reunião online) pelos deputados da Comissão de Trabalho e Segurança Social.

Luís Monteiro Pereira, que já foi por duas vezes diretor comercial da Impala e, portanto, conhece bem a estrutura do grupo, relatou aos deputados o esquema montado por Jacques Rodrigues para diluir lucros, evitar pagar dívidas, não cumprir sentenças judiciais e ter acesso indevido a apoios do estado.

Luís Monteiro Pereira não falou das outras dívidas da Impala, algumas tão ou mais antigas ainda. As dívidas da Impala (a empresa mudou de nome, entretanto, agora designa-se DescobrirPress) ascendem a mais de 50 milhões de euros, segundos relatos na imprensa. Boa parte da dívida é a empresas gráficas, mas a lista de credores tem 351 nomes. Mais de dois quintos dos credores (81,4%) são funcionários ou antigos trabalhadores. E há, ainda, os casos resultantes de indemnizações decretadas por tribunais e que a Impala não respeitou, casos do antigo futebolista Luís Figo, da jornalista e apresentadora Manuela Moura Guedes e de Sílvia Alberto, todos resultantes de decisões judiciais. A dívida relativa a estes casos, julgados devido a processos contra notícias publicadas nas revistas do grupo, aproxima-se dos 27 milhões de euros, ou seja, mais de metade da dívida total da DescobrirPress, segundo a documentação oficial. A Segurança Social também reclama 7,3 milhões de euros.

Mesmo sem isto, os deputados da Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social pareceram ter ficado verdadeiramente chocados com a vida real de quem tem de trabalhar com patrões deste calibre.

Embora a Assembleia da República não seja uma esquadra de polícia, pode acionar os mecanismos legais para inspecionar e desmantelar os esquemas criados pela administração da Impala. O que se espera é que tenham noção da urgência, porque há pessoas a quem faz falta o magro salário que recebiam.

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