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Estes homens não são do norte

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Primeiro, o treinador invade o campo, vai ao encontro do árbitro e insulta-o na mais fina linguagem de carroceiro. O treinador já tinha sido castigado anteriormente por atitudes semelhantes. Depois, entra a tropa fandanga do presidente Pinto da Costa, um dinossauro do futebol do antigamente que tem conseguido manter-se à frente de um clube quase há mais anos que o homem das botas à frente da Nação. Entretanto, os bobis do presidente, cercam o árbitro, montam uma orquestra de gritos e insultos, enquanto um sensato administrador tenta a todo o custo fazer acalmar a malta, à falta de outro instrumento mais eficaz, usa a sua respeitosa careca.

O que se dá a ver nas televisões é a total anarquia num jogo de futebol, com o árbitro a ser ameaçado e insultado, e um grupo de capangas que devia estar quieto e calado no banco a entrar numa catarse total. Aliás, alguns dos figurões nem teriam legitimidade para ali estarem no campo, caso do ex-jornalista que agora é senhor diretor da comunicação. As voltas que a vida dá para ganhar a vidinha! Passou de escriba a agente provocador.

Não contente com esta vergonha desportiva, o idoso presidente, de mãos nos bolsos, dirige-se já no exterior do estádio a um jornalista, perguntando-lhe se “há azar”, foi essa a atitude, enquanto um tipo sem ética, nem vergonha, nem coragem, bate noutro jornalista que ali estava a trabalhar, filmando uma cena banal. Largaram a fera aos jornalistas, tornando um bobi num rotweiller, com todo o carinho por essa raça especial.

Foi a encenação de um facto, para desviar as atenções do fiasco no jogo e para mostrar a habitual força estúpida que contamina os clubes de futebol, onde o Porto se destaca, infelizmente não sendo único. Quiseram ganhar em força cá fora, o que deviam ter metido lá dentro.

Como jornalista reportei algum futebol, e nos últimos anos sempre que ia a um estádio fotografar, sentia que os jornalistas eram tratados como pessoal menor, e que eram os próprios a permitirem esse tratamento, ou por medo dos gorilas ou por pânico dos chefes de redacção. Enquanto o mundo do futebol for um país à parte, onde as diversas autoridades (começando pelas tributárias) e acabando na Federação que tem regras votadas pelos próprios clubes (!), vamos continuar a ter de suportar milhares de arruaceiros que confundem futebol com pontapé na chiça.

Esta semana foi o Porto, mas já foi o Sporting, o Benfica, o Guimarães, o Braga… Se jogassem futebol e se deixassem dos comentários sentados, se dignificassem o desporto, se exercessem as suas responsabilidades sociais, talvez o futebol parasse de perder cada vez mais público, e talvez os jovens não se estivessem já a marimbar para um desporto que já nada lhes diz. Os grandes clubes estão a perder milhões e o uso de jogadores para negociatas de outros milhões está cada vez mais decadente. Este é o futebol dos velhadas, dos acabados. O Mundo mudou mas estes trastes continuam a tratar do desporto com a violência própria de marginais. Cabe ao Estado atuar. E já.

TAP Vista Alegre

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Telefonou-me para pedir desculpa. “Há mais de um mês que não lhe ligo nenhuma, querido! Mas o menino sabe que está sempre no meu coração.” É isto que me mata, não resisto a uma declaração de amor…

Mas então, quis saber, esteve confinada? “Nem pense nisso”, respondeu-me a minha amiga. “Fui para Cannes, ajudar a Brigitte a arejar Le Castelet.”

Ah! Le Castelet… a famosa mansão que só conheço por fotografias nas revistas do Jet 7 mundial. A mansão está à venda. O preço é de 6 milhões de euros. Uma pechincha para uma propriedade lindíssima, dizem.

“Os franceses morrem que nem tordos com o covid, mas confinam pouco. Principalmente les plus riches”, garantiu-me a minha amiga.

Mas o máximo da viagem foi o avião da TAP. “Uma companhia aérea do melhor que há”, jurou ela. E porquê, quis saber. “Porque o avião era novo em folha e a loiça da Vista Alegre”. Ah, viajou em executiva, notei. “Claro, julga que sou alguma pelintra?”, respondeu ela, certamente sem me querer ofender.

Li umas coisas sobre a loiça da Vista Alegre que a TAP comprou agora, em plena crise financeira, no meio do despedimento de centenas de pessoas e a precisar de financiamento à conta do zé povinho, murmurei para os meus botões. Mas ela ouviu. “Pois eu acho que faz muito bem. Se não prestar bom serviço não ganha clientes, não acha?”, ao que eu retorqui que sim, mas que julgava que eram fake news só para dizer mal do Governo. Afinal não, é tudo verdade. Pobretes mas alegretes.

FEC assaltada

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A Internet de um modo geral, as redes sociais em particular, não conseguem garantir a segurança dos utilizadores nem sequer a proteção de dados. É frequente termos notícia de páginas ou perfis hackeados e manipulados por piratas informáticos. Os legítimos proprietários perdem o controlo sobre as suas páginas, todos os conteúdos e contactos lá armazenados ficam à disposição dos piratas, as consequências desses assaltos podem ser bastante gravosas para as vítimas.

O mais recente caso aconteceu com a ONG FEC – Fundação Fé e Cooperação, uma organização católica que se dedica à cooperação para o desenvolvimento, principalmente em países de expressão oficial portuguesa.

Duas das páginas da FEC no Facebook foram assaltadas e estão, neste momento, sob controlo dos piratas. A FEC alertou a sua rede de contactos por email.

O que se pode ver nas páginas assaltadas é a publicação repetida de falsos anúncios de emprego. Enquanto esses anúncios lá permanecerem, é sinal de que a FEC ainda não retomou o controlo sobre as suas páginas.

“Informamos, que, neste momento, não temos controlo sobre estas páginas. Todos os conteúdos publicados a partir do dia 29 de abril de 2021, não são da responsabilidade da FEC”, avisa a ONG. 


O pátio dos bichos

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O edifício principal do Palácio de Belém foi construído em 1559, pelo fidalgo D. Manuel de Portugal. Só passou a ser palácio real quase dois séculos mais tarde, quando D. João V o adquiriu à família dos condes de Aveiras para o transformar num palácio de veraneio.

D. João V foi o rei mais rico da História de Portugal, graças ao ouro do Brasil, como se sabe. Gastou dinheiro a rodos e, ainda hoje, temos as evidências dessa riqueza, como foram as construções do Palácio Nacional de Mafra e do Aqueduto das Águas Livres, por exemplo.

Também gastou muito dinheiro na compra do Palácio de Belém.  O rei não se limitou a comprar o edifício: mandou fazer importantes obras de ampliação e renovação. Uma das novidades foi a construção do que hoje chamamos o Pátio dos Bichos. A corte ficou embasbacada, rezam as crónicas da época. O rei mandou trazer para o Palácio de Belém animais exóticos oriundos de todos os lugares do Império, mesmo dos mais recônditos. Rinocerontes, elefantes, macacos, leões, ursos, cobras, tigres, zebras, gorilas, girafas, orangotangos, dragões de Komodo, crocodilos, pássaros diversos, vieram todos.

No Pátio dos Bichos estavam as jaulas para animais ferozes, os grandes carnívoros, e nos terrenos adjacentes ao Palácio ficaram instalados os herbívoros e os que foram considerados não perigosos. Foram igualmente construídos pavilhões e viveiros para os pássaros.

O exotismo do local fez dele o sítio de lazer para a família real e a alta sociedade da época. A Casa Real de Campo de Belém, assim se chamava à residência, tornou-se o palco das mais ilustres festas reais. A monarquia nunca usou as instalações para residência fixa. Era um sítio para festas e eventos mundanos. Só os animais lá residiam mesmo. Depois da revolução Republicana tornou-se residência oficial dos Presidentes da República.

Covid-19: as novas regras

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A partir de sábado, quase todo o país entra numa nova fase de desconfinamento. O primeiro-ministro anunciou há pouco as medidas que passam a reger a vida e o trabalho das pessoas. São elas:

  • Restaurantes, cafés e pastelarias (máximo de 6 pessoas ou 10 em esplanadas) podem funcionar até às 22:30;
  • Espetáculos culturais até às 20:30;
  • Abertura das fronteiras terrestres;
  • Casamentos e batizados com 50% de lotação;
  • Todas as lojas e centros comerciais podem funcionar até às 21:00 durante a semana e até às 19:00 aos fins de semana e feriados.

A redução do número de casos é uma evidência, mas a pandemia não está resolvida. O índice de transmissibilidade é de 1, ou seja, desconfinamos no fio da navalha e a evolução da pandemia depende dos comportamentos individuais. Na opinião dos epidemiologistas, é fundamental continuar a usar máscara e evitar aglomerações de pessoas, contactos desnecessários.

Cascais, património histórico “mal passado”

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Forte da Crismina em obras para ser restaurante

Construído provavelmente depois de 1640, para dar luta aos piratas que assolavam a costa portuguesa, o chamado Forte da Crismina vai reabrir portas como restaurante. De luxo, claro.

O estado de ruína a que chegou não permitia ter esperanças de que o Estado tivesse ganas de fazer do local alguma coisa de útil e, portanto, para ter futuro vai ser mais um sítio para um certo tipo de elites endinheiradas. Consumo mínimo, porteiro engalanado à porta, estacionamento reservado a clientes, menu em inglês. Para não destoar dos outros restaurantes da zona, muitas lagostas hão de ser sacrificadas em mais um altar da comezaina gourmet.

Antes isso que a ruína, dirão alguns, mesmo sabendo que nunca lá irão entrar. Creio que poucos contestarão esse argumento, mas nada obrigava a entregar o forte militar a este tipo de iniciativas empresariais.  

O Estado português deveria sentir-se obrigado a manter este património no domínio público e a dar-lhe uma função culturalmente enriquecedora. No entanto, uma ruína sempre é um local ao alcance de todos, mais democrático, sem portas. Além disso, há sempre um certo romantismo em edifícios velhos e decadentes, onde o vento passa em liberdade e nos podemos encostar numa pedra a ver o por-do-sol. Olhem bem estas fotografias porque nunca mais verão o Forte da Crismina como ele foi…

vista aérea, antes das obras terem iniciado

Será que Cascais precisa mesmo de mais um restaurante?  

Oeiras tem obelisco

Dizem que é “obra faraónica”, mas esquecem que Washington também tem um. Dizem que foi caro, mas a arte não tem preço. Dizem que é gigantesco, mas isso é uma questão inultrapassável, como já veremos.

E o que diz Isaltino Morais do seu obelisco? Segundo que vem escrito na página do Facebook da Câmara Municipal, trata-se de uma estrutura “cuja génese remonta à época do antigo Egito e servia a função de ‘furar as nuvens, atuando como polo de atração da energia celeste, fazendo a ligação desta à Terra'”. Está explicada a opção pelo formato.

Quanto ao custo (600 mil € pagos a Júlio Quaresma), a adjudicação por ajuste direto foi a 18 de março de 2020 e o contrato assinado a 8 de maio, entre o vice-presidente, Francisco Rocha Gonçalves, e o escultor. O contrato foi a 15 de junho para o Tribunal de Contas para fiscalização prévia. Não houve impedimentos legais, a obra fez-se.

Quanto ao gigantismo… há uma simbologia envolvida neste pormenor. A altura, 17,59 metros, remete para 1759, “quando, a 13 de junho, o concelho de Oeiras foi constituído por carta régia.” É alto? Queixem-se ao Marquês de Pombal.

Depois disto, o cartoon de Hélder Dias, “Isaltix”, que endereçamos ao presidente da Câmara Municipal de Oeiras.

Muitos cavalos de pau se fazem com 1 milhão de pinheiros

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A Sonae está a plantar 1 milhão de pinheiros. É a Floresta Sonae (assim se chama o projeto) e vai ocupar uma área substancial do município de Mangualde. A notícia é recente (março de 2021) e foi amplamente reproduzida em quase todos os jornais e sites de órgãos de comunicação social, tal e qual a agência de comunicação a redigiu: “o grupo Sonae está a plantar uma floresta em Mangualde com ‘cerca de um milhão de árvores’. O projeto, chamado Floresta Sonae, visa compensar as emissões de dióxido de carbono da companhia, mas é também uma homenagem ao gestor Belmiro de Azevedo, antigo líder da Sonae, que morreu em novembro de 2017.”

Dito assim parece filantropia. Mas, julgando conhecer a filosofia de vida de Belmiro de Azevedo, supondo que os filhos tenham a quem sair, duvidamos que se trate de grande generosidade para com os outros seres humanos.

Na verdade, a Sonae tem já grandes investimentos em Mangualde, nomeadamente na área florestal. A Sonae Arauco é uma das maiores produtoras mundiais de painéis de derivados de madeira e, em Portugal, desenvolve a sua atividade de exploração florestal precisamente em Mangualde e também em Oliveira do Hospital. Para que servem os painéis estratificados de madeira? Para fabricar móveis e múltiplos tipos de soalho, principalmente. Mas também para revestimentos, isolamento, entre muitas outras aplicações na área da construção civil. Sempre foi um grande negócio.

A chamada Floresta Sonae é aquilo a que se chama uma “floresta produtiva”, não se destina a criar um ecossistema, a madeira é para ser transformada industrialmente. Afinal de contas, o negócio fundador da Sonae – Sociedade Nacional de Estratificados.

Mais valia chamarem-lhe Pinhal Sonae. Era mais verdadeiro. E servia melhor como homenagem a Belmiro de Azevedo.

Na foto, são pinheiros, embora não pareça.

Covid-19: cinco mortes mas estado de emergência no fim

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O boletim epidemiológico diz que nas últimas 24 horas morreram cinco pessoas com a infeção covid-19. Ou seja, as zero mortes registadas ontem podem ser um sinal enganador sobre o estado da pandemia em Portugal.

É verdade que outros indicadores continuam em baixa, mas hoje há mais 353 novos casos de infeção (+157 que ontem), 346 doentes internados (-19), 86 dos quais nos cuidados intensivos (-5).

De acordo com os mais recentes dados da DGS, Portugal tem atualmente 2.962.794 pessoas vacinadas contra a covid-19, das quais 796.791 já estão imunizadas com as duas doses.

Estes são alguns dos dados científicos que enquadram o fim do estado de emergência que o Presidente da República vai declarar hoje, nas televisões.

Contra o catastrofismo e a austeridade… a esperança

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É hoje um dado indesmentível que a causa principal de internamentos e da alta letalidade, verificados no início da pandemia, se deveu ao desconhecimento sobre uma nova doença, que apresentava sintomas e sinais muito estranhos e de difícil interpretação clínica: uma verdade que só quase um ano depois os “epidemiologistas” admitiram, tendo sempre insistido numa tese que, olhando para NÚMEROS e não para PESSOAS, assentava no esforço de testagem que, de repente, viera acrescentar muitos novos casos, até aí não detetados por assintomáticos. 

Tratava-se de meia-verdade, porque as estatísticas posteriores provaram claramente que, com números já comparáveis de novos casos, as curvas dos internamentos, incluindo a mortalidade em cuidados intensivos, melhorou substancialmente.

Sem dúvida que a evolução dos conhecimentos médicos, e a uniformização de procedimentos, sempre foram fatores decisivos: em abril de 2020, o SNS abanava com mil novos casos/dia; o mesmo já não acontecia em março de 2021. Hoje, em abril de 2021, temos garantidamente uma margem de segurança muitíssimo mais larga. 

Recusando trabalhar com “erres” que ninguém usa, e “policromias” que ninguém entende, é mais que tempo de relançar a esperança e a economia.

No dia 25, boa notícia e que vem ao encontro daquilo que ando a afirmar há mais de um mês, nem uma só morte se registou. 

Consolidado o número de novos casos na ordem das poucas centenas, só o catastrofismo e a incompetência podem recomendar a continuação de confinamentos que, há muito, poderiam ter sido aliviados, obviamente debaixo de devida e apertada monitorização.

Mas que podemos fazer, se Portugal é o país do oito e do oitenta?