Recebi um telefonema Ana Leal. Nunca nos cruzamos no jornalismo, nem no dia-a-dia. Sempre a segui com admiração. E o facto de a saber ativa, encheu-me de alegria.
Ana Leal é responsável por várias grandes reportagens, na TVI, que desvendaram as poucas vergonhas, que o SIS, pelos vistos, nem se importa.
Uma delas foi o caso de Pedrogão, que deixou o rasto terrível na região e no coração dos portugueses. Em parte por causa do malvado sistema SIRESP, uma história complicada, com início em Daniel Sanches, que foi director do SIS e mais tarde ministro. Depois o SIRESP passou para as mãos de António Costa.
Ana Leal vira-se para a CMTV
Ana Leal está de regresso às lides jornalísticas. Uff! Que bom! À Imprensa está estrangulada pela falta de leitores e espectadores. Ana reaparece na CMTV e a pergunta óbvia é: então então a TVI deixa sair a melhor jornalista de investigação da atualidade e vai agora fazer uma CNN Portugal?
Há coisas estranhas! Bem-vinda Ana Leal, o Pais deve-lhe muito. Já tenho a minha TV sintonizada na CMTV à espera das suas grandes e excelentes reportagens.
A GNR acaba de realizar uma performance teatral e até permitiu que a SIC gravasse a cena para a posteridade. Tudo aconteceu no portão do casarão de João Rendeiro, no Estoril. A GNR foi lá para cumprir o mandato de detenção com vista a conduzir João à prisão. Mas sabia-se que João já lá não estava. Os militares da GNR foram recebidos pela esposa do fugitivo.
a GNR e a SIC em ação
A esta hora, não se sabe bem onde para o marido de Maria de Matos Rendeiro. Ela saberá, mas não deve ter passado essa informação à GNR. Sobre o paradeiro de João, há pistas para todos os gostos, desde Singapura até às Caraíbas. Talvez demasiado óbvias para serem verdadeiras. Na praça portuguesa, há advogados exímios no relacionamento com “jornalistas de investigação” e diretores de OCS, sempre prontos para umas dicas distrativas. Tudo isto faz parte da trama.
cartoon de Hélder Dias
Maria de Matos está implicada (tal como o marido, de resto) numa denúncia que a coloca como suspeita de ter colaborado num esquema de fraude fiscal conhecido como caso Monte Branco, fraude de muitas centenas de milhões de euros. Mas não deve ser verdade, uma vez que a senhora continua a viver na mansão da Quinta Patiño e não numa das celas de Tires.
João e Maria, o casal Rendeiro
Segundo as notícias, já foram passados mandatos internacionais para a detenção de João Rendeiro. É possível, mas a Interpol ainda não tem a fotografia do fugitivo no seu site. Constam outras, num total de 10 portugueses fugidos à polícia.
Presumíveis bandidos anónimos, gente sem a classe do jet 7 da linha. Isto, apesar de um deles ser bastante conhecido. Trata-se de Duarte Lima, o mandato internacional foi emitido pelas autoridades judiciais brasileiras. Mas toda a gente sabe que Duarte Lima está na Carregueira à espera de ser julgado pelo assassinato de uma cliente no Brasil, Rosalina Ribeiro, para se apropriar de 5 milhões de euros.
Mas, para já, Duarte Lima é o único famoso português na lista da Interpol. João Rendeiro continua em fuga. Fala-se que se desloca num jato privado. Exageros, por certo.
cartoon de Hélder Dias
Seja lá como for, a fuga de João Rendeiro tem todos os ingredientes para dar um grande filme de Hollywood ou uma novela com os melhores atores e atrizes de Portugal. Basta seguir a cronologia dos acontecimentos. Os próximos capítulos já são aguardados com enorme expetativa.
Atento aos ventos que sopravam da China, ainda as autoridades portuguesas não enxergavam a pandemia e eu já prenunciava cenários que por inteiro se confirmaram.
Por justas e claras razões, denunciei graves falhas, erros e omissões em dezenas de textos críticos, de que não retiro uma vírgula. Num “resumo” de 340 páginas, hoje no prelo, intitulado Covid-19 – A Tempestade Perfeita – História Clínica da Pandemia, entendi tecer um especial agradecimento a Gouveia e Melo.
Não se pense que se trata dum reconhecimento tardio e de conveniência. Uma semana depois do Vice-Almirante ter assumido o leme no combate à pandemia, e em seu reforço, terei sido o primeiro português a registar que, finalmente, já estava a navegar uma traquitana que transportava demasiada tralha no porão e ainda era servida por muita marinhagem que usava astrolábios.
Consta hoje que ao fim de uma “longa” reunião de sete minutos, e “posta em sentido” muita gente importante, e que nunca assentará os tacões em qualquer convés, os portugueses puderam assistir ao desenrolar de um processo de vacinação que excedeu todas as expetativas. E uma certeza confirmámos: Se bem dirigido, Portugal pode jogar entre os melhores do mundo.
Sabendo do desconforto do conjunto da classe política, perante desempenhos que ameaçam lançar forte perturbação num sistema em profunda crise, escrevi há dias que a DGS e o MS se preparavam para, “discretamente”, descartar Gouveia e Melo. Uma previsão falhada porque, “embarcadiços” impreparados e que não respeitam nenhuma regra ou convenção, os estrategas do Governo decidiram afundar o submarino do Vice-Almirante.
Melhor explicando, eram três os objetivos a atingir com a estrondosa troca e baldroca que entenderam anunciar ao país: vencer uma agenda mediática desfavorável, porque centrada em recuos autárquicos; desviar as atenções sobre a execução de orçamentos bilionários e à mercê de corporações insaciáveis e insustentáveis; e, por fim, torpedear a imagem pública do Vice-Almirante e dividir os militares. E foi assim, caindo na própria armadilha, que a governação transformou uma “batalha naval”, aparentemente fácil, em mais um “trinta-e-um-da-armada”.
Sem outras derivas pelas turvas águas da política, rumemos à questão que hoje desponta em milhões de portugueses que, em Gouveia e Melo, entreveem o “homem do leme” capaz de ressuscitar a identidade nacional e interromper o ciclo de decadência em que vegeta um povo glorioso, com uma História que marcou o mundo.
Uma questão que, serenamente, terá de ser decomposta em três equações: desde logo, a vontade do próprio porque, e nem outra coisa seria de esperar de alguém com bom senso, sempre o Vice-Almirante declinou ser um novo Dom Sebastião; a que acresce a sua capacidade para evitar os “torpedos” que, sobre o seu “submarino”, nunca deixarão de ser lançados; e, fundamental, a capacidade da “sociedade civil” se unir em torno de uma candidatura credível, capaz de pôr mão no atual descalabro das Instituições.
A primeira premissa, talvez a mais complicada, lança a Gouveia e Melo um desafio terrível: Será que alguém, com a sua fibra, pode recusar uma missão que será um imperativo patriótico, se for essa a firme determinação dum povo que, conduzido a uma das piores crises de sempre, desespera por uma mudança?
A segunda questão, se ultrapassada a primeira, e por já reconhecida a sua capacidade de gestão política, consiste em que defina as causas a abraçar, e são tantas, e mais os “conselheiros” de que se poderá rodear… e são tão poucos. Napoleão defendia que não se construíam novas repúblicas com velhos aristocratas. Nesse registo, alertaria “apenas” para a abundância de aristocratas falhados, que por aí espreitam todas as oportunidades para piratear qualquer navio.
Por fim, vem a questão de um povo que desespera por um futuro decente e que pretende encontrar alguém que o dirija a porto seguro. Reúna o Vice-Almirante as duas primeiras condições e, morra o Homem e fique a sua História, tenho a certeza de que, firmes na parada e no momento certo, milhões de portugueses irão responder:
A GNR anunciou há dias ter desmantelado uma rede de vendedores de automóveis em 2ª mão que se dedicava a viciar os conta-quiolómetros das viaturas. A rede era composta por dois casais, de Mafra e Torres Vedras, que tinham como “sócios” do empreendimento três elementos de um centro de inspeção automóvel, um militar da GNR e um despachante aduaneiro.
Devem ter ganho muito dinheiro. Depois de eliminar centenas de milhar de quilómetros em cada uma das viaturas, o preço de revenda subia exponencialmente. Bastava que lhes montassem uns pneus baratos mas novos e que dessem um polimento na pintura. O carro usado ficava quase como novo. E com pouquíssimos quilómetros.
Infelizmente, a GNR não divulgou o nome dos burlões, o que é uma espécie de benefício ao infractor. Nada impede que esta gente continue com o mesmo negócio e que continue a martelar conta-quilómetros de viaturas.
Adulterar conta-quilómetros é prática comum
É voz corrente que uma boa percentagem dos carros usados vendidos anualmente em Portugal têm os quilómetros adulterados. O comprador poderá sempre pedir uma certidão da viatura que quer comprar ao Instituto de Mobilidade e Transportes. Mas custa algum dinheiro e nem todos quererão gastar 30€ nesse papel, apesar de ser um papel que garante a real quilometragem da viatura.
Há uns anos, um inspetor de um centro de inspeções confessou a um jornalista que todos os dias apanhava mais do que um carro com o conta-quilómetros adulterado. Bastava-lhe comparar a quilometragem que o carro tinha naquela inspeção com as quilometragens registadas em inspeções anteriores. Mas alterações nos conta-quilómetros não são consideradas falhas de segurança e, portanto, não servem para reprovar a viatura e, pasme-se, o facto nem sequer fica registado na folha de inspeção.
Assim, há uma espécie de passadeira vermelha para a burla com viaturas em 2ª mão. Se pensarmos que existem cerca de 200 centros de inspeção automóvel, se em todos eles passar diariamente apenas uma viatura com quilometragem martelada, estamos a falar em 70 mil carros… por ano. É uma prática generalizada.
Desde sempre ligado ao futebol, Quaresma prepara-se para o final da carreira como futebolista. “Acho que gostava de começar na formação”, diz Quaresma, revelando alguma cautela na abordagem a uma profissão tão difícil, como é a de treinador.
A par disso, pretende desenvolver a sua fundação de apoio a famílias carenciadas. “É algo que me vai ajudar a ser feliz”, diz Quaresma, referindo-se às causas sociais que pretende apoiar. Quaresma teve um irmão que morreu cedo demais vítima de cancro, “algo que marcou a minha vida”.
Não esquece o passado e são essas referências que o ajudaram a traçar planos para o futuro, “por tudo aquilo que passei e por tudo aquilo que vi, na infância e na adolescência”, a fundação destina-se a apoiar aqueles que mais necessitam.
As declarações de Ricardo Quaresma foram feitas no programa “Julia” na SIC.
A carreira de Quaresma foi feita no Sporting, Barcelona, FC.Porto, Chelsea, Besiktas, Al-Ahli, regressou ao FC.Porto e atualmente joga no Vitória de Guimarães. Foi convocado para a Seleção Nacional desde muito jovem, foi Campeão Europeu sub-17 e Campeão Europeu em 2016. Como futebolista, é uma das referências nacionais.
Por Анна Нэсси – https://www.soccer.ru/galery/1056047/photo/734489, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=70396632
A vantagem deste ideia dos austríacos da Obrist é um resultado excelente de 1500 km de autonomia. Até agora os fabricantes internacionais de baterias tem caprichado, mas autonomia não passa dos 500 km.
Um Tesla Modelo 3 abalroou o meu carocha no parque de estacionamento do Hospital da Luz, em Lisboa, e tinha 1500 kg de baterias. Se uma pilha de um rádio portátil contamina um metro cúbico, 1500 kg contaminam quantos metros cúbicos?
Tesla Modelo 3 gasta 2 litros de gasolina
O Tesla da Obrist é um híbrido com um sistema Hyper Hybrid Mark II, que utiliza um motor de 2 litros e um outro de 1 litro de cilindrada instalado à frente, na mala dianteira. E deste modo carrega uma bateria de 17,3 KWH, capaz de alimentar uma unidade elétrica motriz no eixo traseiro, gerando mais de 260 CV.
A Obrist não nega o futuro próximo elétrico, mas também não o confirma de forma plena.
Carros eléctricos com autonomia muito reduzida
Há dias, um motorista Uber contou-me as desventuras do seu elétrico. Parecia tudo maravilhas, mas autonomia está reduzida a quase metade. E a eletricidade é cara.
O seu veículo tem autonomia de 210 quilômetros, mas um carregamento rápido só deve atingir 80% da capacidade da bateria e demora uma hora.
Se for um carregamento de três horas a bateria pode chegar aos 100%. Mas é muito tempo para quem tem de fazer 14 horas seguidas.
Preços muito diferentes para a mesma carga
Há ainda um outro problema: o preço da carga. Com sorte é possível fazê-lo por 9 euros, mas também pode chegar aos 20. Pior ainda é não poder baixar mais de 20% de carga.
Feitas as contas, só se consegue utilizar a faixa dos 20% ao 80%. Ou seja 60% da autonomia. Quer isto dizer que dos 210 km, aquele motorista só consegue fazer 126 km.
A Obrist percebeu o problema, apostou no híbrido com um simpático consumo de 2 litros aos 100 km, que vai seduzir muitos europeus.
Há problemas com o fim de vida das baterias
Os austríacos da Obrist ficam assim à espera do hidrogénio, que todos encaram como o verdadeiro milagre.
Até lá continuaremos a investir em baterias, cuja pegada ecológica é gigantesca. Ao fim de seis anos de utilização muitas baterias terminam o seu período de vida.
Nessa altura fica-se sem saber o que fazer a 1500 quilos de baterias de um único carro. Pior será quando multiplicarmos isso por centenas de milhar ou milhões de veículos.
Entrei no balcão do Novo Banco da Rua Atriz Palmira Bastos e fiquei a saber que será extinto. Os seus clientes passarão a usar o balcão dos Olivais, que terá apenas um funcionário e muitas máquinas. A informação foi-me dada no próprio balcão. O objetivo de uma empresa privada é o lucro. Mas o lucro não é importante para o País. Importante é dar trabalho aos portugueses e pagar-lhes por isso.
Passos Coelho viveu sempre à sombra de barões
O Novo Banco é uma invenção de um rapazola chamado Pedro Passos Coelho, que conheci há muitos anos na Juventude Social Democrata, do pós-António Fontes. Era um palavroso, que vivia a sombra dos barões do partido, como Ângelo Correia. Que mais tarde o veio a enjeitar. Confirmou-me Ângelo Correia no seu escritório nas Torres da Amoreiras. Este rapazola tornou-se a marionete de Cavaco Silva, o algarvio que foi fazer a rodagem do carro à Figueira da Foz e que Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes meteram em secretário-geral do PSD. Assim sem mais, quase como se fosse uma graçola. Devem-se ter fartado de rir. Para nossa desgraça.
A Nani Holding que ninguém conhece
O Pedro teve sempre muito jeito para decorar e repetir tudo. Foi o que fez com Novo Banco, entregando o BES-bom a uma empresa que ninguém conhece: a Nani Holdings. Os jornais e as televisões portuguesas fartaram-se de explicar quem estava por trás da Nani: a Lone Star Fund, com sede no Luxemburgo. Um pequeno país que tem vivido de alegados esquemas financeiros estranhos. Coisas que perturbam as economias e as vidas dos cidadãos europeus.
Novo banco quer alienar… trabalhadores!
A Nani Holdings é detida a 100% pela Lone Star, com sede fiscal nas Bermudas, que é outro paraíso que deveria ir ao fundo.
Todos nos recordamos da obscena (como diria Bagão Félix) alienação de ativos ao desbarato pelo Novo Banco.
Agora o banco liderado por António Ramalho quer alienar trabalhadores! Já não bastava a boda aos podres de ricos sem rosto, que foi a venda do Novo Banco. Agora soma-se o despautério de um banco dar lucro, segundo o seu presidente António Ramalho, e despedir aqueles que internamente ao longo de anos o construíram.
Mário Soares foi a Madrid para fundar um banco em Lisboa…
As empresas privadas perseguem o lucro, mas têm obrigações sociais. Portugal precisa de trabalho. E bancos há muitos. Ou fazem-se rapidamente. Como aconteceu com o Banco Comercial Português (BCP). Mário Soares foi então a Madrid, nos anos 80, convidar de propósito um engenheiro! Jardim Gonçalves! Para fazer um banco comercial em Lisboa, sabe-se lá porquê. Depois o “Correio da Manhã” fez uma machete, por falta de tema a um domingo (era Agostinho de Azevedo chefe de Redação) e zás! Nascia o BCP.
Contrato do Novo Banco guardado a 7 chaves
O contrato para a compra do Novo Banco esteve guardado a 7 chaves, como revelou a TVI. O documento é extenso e complexo. E pelos vistos Passos Coelho, o D. Sebastião da direita de Cavaco Silva, fez um mau negócio para os portugueses.
Aquilo tem sido um sorvedouro de dinheiros públicos.
O Xi Jinjing trata-lhes da saúde…
As empresas que operam em Portugal e na Europa comunitária terão servir os interesses dos portugueses e dos Europeus. O novo banco deveria ser impedido de prosseguir a sua política de despedimentos. Que raio! No futuro próximo, os nossos filhos vão trabalhar onde? Somos todos estúpidos o quê?
Se a finança internacional sem rosto quer arrebanhar árvores de patacas, que vá para a China. Que o Xi Jinping trata-lhes da saúde!
A administração do chamado Grupo Impala, aglomerado de empresas detidas por Jacques Rodrigues e família, utiliza todos os expedientes dilatórios para tentar evitar pagar dívidas que acumulou a trabalhadores despedidos.
Segundo declarações de um dos advogados envolvidos no processo, a Impala impugnou reclamações de créditos salariais, exigindo agora que os trabalhadores provem que não receberam. Hilariante, digno de uma peça humorística. Infelizmente, os tribunais de trabalho e a Justiça de um modo geral permitem que as empresas utilizem argumentação evidentemente falaciosa para prolongar ou evitar o pagamento de dívidas a quem lhes prestou serviço, neste caso, 174 trabalhadores envolvidos em diferentes processos de despedimento ao longo dos últimos anos, num total de 2,85 milhões de dívida a trabalhadores.
Perante isto, seria interessante que o tribunal exigisse a Jacques Rodrigues o comprovativo de que as transferências bancárias para o pagamento desses salários em atraso foram feitas e a exibição dos respetivos recibos. Na verdade, nem são apenas salários em atraso que estão em causa mas, também, indemnizações por despedimentos.
Algumas destas dívidas remontam a 2011. Este problema já foi até discutido na Assembleia da República, na Comissão de Trabalho e Segurança Social, que dedicou mais do que uma sessão para ouvir queixas dos trabalhadores e a defesa do patrão. Por sinal, Jacques Rodrigues teve uma prestação lastimável nesta comissão, que recordamos aqui neste vídeo:
reportagem sobre a sessão realizada na Comissão de Trabalho e Segurança Social na audição a Jacques Rodrigues
Na despedida, pedi-lhe para ser o meu anjo da guarda, egoísta como sou, pedi uma tarefa tão grande. O anjo da guarda anterior não teve férias desde que nasci. Acabou por cair. Puxei por ele ao limite.
Quando ouvi a frase, rebentou-me na cara, no corpo todo, uma onda gigante de choro. A dor sente-se na mesma proporção que o amor. A dor ocupa fisicamente tudo em nós. E não, não se torna mais fácil quando se sabe de antemão que, mais dia menos dia, se vai ouvir: o padrinho morreu.
Levantei-me das escadas da basílica, já estava inteira quando ali cheguei, tinha de estar. Respirei fundo, fiz o telefonema. A irmã disse que o velório era só no sábado. Senti um misto de vergonha, confusão, de ridículo. Estávamos numa quinta-feira. Continuei a fumar nas escadas, a olhar em frente, o jardim convidou-me.
Foi com ele que lá entrei pela primeira vez. Sempre gostei da profundidade do verde, dos espaços diferentes em harmonia, o nome tão bonito: Jardim da Estrela. Escolhi uma porta lateral, quis evitar o nosso banco preferido.
Nunca faltou a um aniversário, trazia sempre prendas maravilhosas e originais. Uma vez deu-me uma máquina de projecção de mão onde podia ver filmes de desenhos animados. Muito à frente! Ficava para jantar. Por muito que tivesse divertido com os amigos, esta era a melhor parte. Ficava sentada a seu lado que nem uma princesa. Tinha uma voz tranquila e uma cultura geral imensa. Às vezes fazia pequenas pausas para ver se o estávamos a acompanhar. Sim, acabávamos todos por o entender, misturava sabedoria com genuína humildade.
Quando deixei de festejar os aniversários em casa, nunca se esqueceu de ligar, por vezes íamos almoçar e, com um ar sorrateiro, dava-me umas notitas. Sabia que já não queria brinquedos, era adolescente.
Fui muitas vezes de férias para a roulote na Costa da Caparica. Convidaram-no a ficar no parque sem qualquer encargo, era sempre bom ter um médico por perto.
Mas, cada vez que alguém o procurava, era comigo com quem se deparava. Tinha sido chamado para uma emergência no hospital, tinha havido um acidente aparatoso, estava num colóquio da especialidade… Confesso que me divertia a inventar justificações. Ele aparecia de manhã para ver se estava tudo bem. Curiosamente, nessas alturas era raro surgir alguém à procura dele e ficava com ele só para mim.
Foi na fase adulta que começaram as conversas íntimas. Trocávamos segredos, riamos, falávamos de tudo, trocávamos mais segredos. Era um deleite. Conheci o homem debaixo do fato do sr dr. Teve uma vida mais dura do que a do cirurgião. Por causa da vida dos outros abdicou da sua. Tornámo-nos amigos.
Anos e anos mais tarde, nas visitas à sua casa, recordava-o uma e outra vez quem ele era para mim. Sem tristeza. Gostava de lhe dizer quem eu era, muitas vezes, não me cansava. Ria-me quando topava que ele fingia que sim, mas não se lembrava de nada. Eu fingia que não percebia e repetia tudo de novo.
Há 49 anos o meu pai teve um acidente grave e foi ele o cirurgião que o operou. Na altura a minha mãe estava grávida. Acompanhou-a ao longo da gravidez, seguiu a longa recuperação do meu pai.
Foi o meu tio mais velho quem trouxe a minha mãe para Lisboa e a colocou a trabalhar no seu café. Foi aí que conheceu o meu pai, apaixonaram-se, deram-me vida. O meu tio ficou chocado com a coisa, que vergonha! Despediu-a, levou a coisa muito peito, como se fosse um mal dele. É que ele era o Godfather.
Mesmo assim, a minha mãe convidou-o a ser meu padrinho e levou com um redundante não. O meu pai pediu então ao médico cirurgião. Aceitou na hora, cumpriu o seu papel ao pormenor, cheio de amor, desde o primeiro ao último dia. A meus olhos foi um ser humano perfeito, o melhor padrinho do mundo, o meu anjo da guarda. Apanhei o 28 para casa.
Vou voltar ao jardim. Sento-me no nosso banco preferido e digo, uma e outra vez, quem ele é para mim.
O cantor Toy está a processar o partido Chega por uso indevido e não autorizado de uma das suas canções durante a recente campanha eleitoral.
O artista refere, principalmente, a cantiga “Coração Não Tem Idade (Vou Beijar)”, cuja letra foi alterada para se adaptar à mensagem política do Chega.
Toy contactou a SPA – Sociedade Portuguesa de Autores – que também não foi contactada pelo Chega para obter autorização de utilização da canção.
Toy sente-se incomodado, não só pelo abuso de que foi vítima mas, também, porque não quer ficar associado a um partido com as características do Chega.