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Alcântara desaparece

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Os 200 milhões de euros orçamentados no projeto RIVART sobrepõem-se a qualquer outra coisa e o mural do Vhils foi destruído. Podia ter sido preservado. Hoje não há obstáculos técnicos para a engenharia e tudo é permitido à criatividade dos arquitectos. Mas os construtores civis continuam a ser “patos bravos” e o dono da obra quer lá saber de artistas.

Enfim, nada dura para sempre, como diz o próprio Vhils no Instagram quando confirmou a destruição de mais uma das suas obras de arte. E já são duas que Lisboa perde.

Instagram de Vhils

Noutras partes do Mundo, a arte de rua e os grafitti são olhados com olho crítico e já aconteceu paredes inteiras serem “roubadas” para que a pintura mural possa ser transportada, escondida e vendida. Aconteceu em Inglaterra, tal e qual relatámos em novembro no artigo “Um fantasma que pinta murais”.

Nada dura para sempre, mas é uma pena quando se descaracteriza uma cidade. Descaracterizar significa matar-lhe a alma, eliminar tudo aquilo que faz uma cidade ser diferente de outras, ser um sítio único, original. Lisboa é cada vez menos isso e o bairro de Alcântara acaba de morrer. Não apenas porque ficou sem o mural de Vhils, mas porque perdeu as ruelas, as tascas, os bares. Vai perder a boémia e a alegria atrevida dos noctívagos.

Em troca de quê? De vários edifícios de 9 pisos acima do solo, destinados a escritórios e a 230 apartamentos de luxo.  

Por enquanto, ainda sobra uma parte do Lx Factory, embora de dimensão cada vez mais reduzida. Ao fundo da rua já desapareceram alguns edifícios onde funcionavam restaurantes e comércio. E a tendência será para um dia ir tudo abaixo. A Lx Factory pertence ao fundo de investimento francês Keys Asset Management que, como é evidente, não se contenta em receber rendas de lojinhas de artesanato ou de pequenos restaurantes vegan. Eles querem lá saber, não são Hippies, são Yuppies.

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Multiplicam-se as infeções

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Nunca antes houve tantos infetados com covid-19 como nas últimas 24 horas: foram 43.729.

O número de mortes começa a ser de novo bastante elevado. No boletim epidemiológico de hoje estão registados 46 óbitos associados ao covid-19.

A região Norte é hoje a área do país com mais novas notificações, num total de 41,42% dos diagnósticos.

Internamentos a subir

Em todo o território nacional, há 1.955 doentes internados, mais 17 face ao valor de ontem, e 160 em unidades de cuidados intensivos (UCI), menos 14 em relação ao dia anterior.

De acordo com o boletim da Direção Geral de Saúde sobre a situação epidemiológica, existem 332.786 casos ativos da infeção em Portugal — mais 1.628 do que ontem — e 324.954 pessoas em vigilância pelas autoridades — mais 23.793 do que ontem.

A escola de Sócrates é hoje escola de meninos-bem

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A United Lisbon International School abriu portas nas mesmas instalações onde funcionou a Universidade Independente. Para os mais distraídos: a escola onde José Sócrates obteve o seu diploma de engenheiro.

Na verdade, sabia-se de um megaprojeto para o local. Com a pandemia as atenções dos jornalistas ficaram confinadas, mas o projeto avançou. A escola está a funcionar, edifício de cara lavada, depois de muitas barrelas de lixivia e várias camadas de tinta. O cheiro a podre saiu.

O megaprojeto engloba não só a escola, mas ainda espaços de cowork empresarial, residências para idosos, um hotel. Investimento gordo, não só porque os terrenos e edifícios não devem ter sido baratos, mas há também as obras de raiz ou de adaptação. Tudo junto fala-se em mais de 50 milhões de euros. Uma bagatela para os donos do Grupo Martinhal que já têm investimentos de vulto na hotelaria e no imobiliário em Portugal.

A Universidade Independente morreu em 2007, vítima das guerras da política e das guerras internas pelo poder na empresa que detinha a Universidade Independente.

Na política, com o primeiro-ministro “encostado às cordas” perante claras evidências de facilitismo na obtenção de notas e de créditos que lhe permitiram concluir a licenciatura, o ministro da Educação tentou cortar o mal pela raiz e mandou fechar a escola, na esperança de que o escândalo ficasse debaixo dos escombros da Universidade Independente. Para tentar safar Sócrates, sacrificaram largas centenas de estudantes que tinham investido anos de esforços e o dinheiro das propinas (a rondar os 300 € por mês) e que, de um dia para o outro, ficaram sem nada que lhes pudesse ser útil no mercado de trabalho.

As guerras internas, entre o reitor Luís Arouca e o acionista Rui Verde, presidente da SIDES,  Sociedade Independente para o Desenvolvimento do Ensino Superior, ajudaram o ministro Mariano Gago a encontrar argumentos para mandar fechar a escola.

Foram as viagens em jactos privados, almoços com vinhos de 500 euros, carros muito caros, jóias, mobiliário, casas, durante anos os responsáveis da Universidade Independente levaram uma vida faustosa, cometeram burlas e até inundaram uma cave para destruir documentos, rezam as crónicas da época e é bem capaz de ser verdade. Mas safaram-se sem grandes complicações dos problemas jurídicos e as zangas ficaram sanadas com o tempo e a morte de alguns dos protagonistas.  Ao olhar hoje para o edifício da ex-Universidade Independente percebemos que a vida continuou a correr bem a alguns malandros.

“Diz Pára!” contra a violência

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O tema “Diz Pára!” da banda musical FBO foi adotado pela APAV para fazer parte das campanhas de sensibilização contra a violência.

“Diz Pára!” é o 3º Single do 2º Álbum desta banda que começou por se dedicar aos covers mas, agora, canta temas originais.

No seu site, a APAV diz que “associa-se aos FBO na divulgação do tema “Diz Pára!”, que pretende servir de alerta em relação à violência que continua a perdurar na nossa sociedade”.

Para a APAV, “a música continua a ser uma excelente forma de divulgação e sensibilização, pelo que esperamos que este tema chegue a quem esteja a precisar desta mensagem de força: Diz Pára!

FBO é uma banda oriunda de Cascais, formada em Junho de 2019. O grupo é formado por André Reis,  Diogo Nabais e Luís Fernandes. Cantam em português, canções emotivas, mensagens com carga emocional, fazem desta jovem banda uma boa surpresa para quem os vê e ouve nos concertos que realizam e nas gravações que produzem. Confessadamente, inspiram-se nos seus ídolos e referências musicais: HMB, Amor Electro, Pedro Abrunhosa e Expensive Soul.

As opções devem pagar-se

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Sou defensora do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com todas as insuficiências que por vezes tem: os atrasos nas consultas, nas cirurgias, etc. O ‘despacho Arnault’, como ficou conhecido o diploma publicado em Diário da República de 29 de julho de 1978, da responsabilidade do então ministro António Arnault, o Pai do SNS, abriu o acesso aos cuidados médicos a todos os cidadãos garantindo, pela primeira vez, a universalidade, generalidade e gratuitidade dos cuidados de saúde.

Sou, pois, contra o utilizador-pagador na saúde.

Mas, desta vez, a situação é bem diferente. Uma amiga médica dizia-me, recentemente, que Portugal erradicou a varíola, o sarampo, a tuberculose, com vacinas obrigatórias, pelo que também a contra a COVID deveria ser obrigatória.

Vivemos em democracia e obrigar as pessoas a vacinarem-se contra uma doença tão recente, não me parece correcto. Cada um opte se quer ou não estar doente e ser ou não veículo de transmissão de uma doença.

Mas no que respeita aos cuidados de saúde, aí já é outra conversa. Se uma pessoa opta por ir a um restaurante, sabe que tem de pagar a conta, já que não quis cozinhar em casa; se opta por ir ao supermercado, sabe que vai pagar a conta, talvez mais cara do que se fosse ao mercado ou à mercearia do bairro. As opções têm, por isso, um preço. Nesse sentido, o que me parece, ao invés de uma vacina obrigatória, quem opta por não ser vacinado se adoecer deve pagar as contas, sejam elas de medicamentos ou até de utilização de ECMO. Mas pagá-las na íntegra, sem que o SNS comparticipe com um único cêntimo. Respeitamos, pois, o direito a recusar a vacinação, desde que essa escolha não recaia sobre todos nós e, na verdade, muitas vezes até recai, já que são transmissores e a disseminação do vírus pode sempre atingir pessoas vacinadas, ainda que com menor gravidade.

Aliás, já seria tempo de termos alguma consciência de quanto gastamos ao Estado em matéria de Saúde. Há muito tempo que defendo que cada utente deve receber a conta por inteiro quando vai ao Centro de Saúde ou a um hospital. Pagaria os valores irrisórios que lhe são atribuídos, mas saberia quanto custaram os actos médicos ao SNS e, portanto, a todos nós.

Talvez assim uns preferissem ser vacinados e outros aprendessem a não dizer tão mal do SNS.

Mais 33 mortes

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Mais uns dias e dobramos a fasquia dos 20 mil mortos, vítimas da pandemia. Hoje, o boletim epidemiológico regista que nas últimas 24 horas foram detetadas 32.271 pessoas infetadas e que faleceram 33 doentes com covid-19.

Estão agora internadas 1.813 pessoas infetadas (+80 que ontem), sendo que 168 delas estão em unidades de cuidados intensivos (mais cinco).

Coincidentemente, no sábado tinham morrido exatamente o mesmo número de pessoas: 33.

Quanto aos óbitos de hoje, uma das vítimas tinha entre 20 e 29 anos e outra estava na faixa etária dos 50 – 59 anos. Os restantes eram pessoas com idades superiores a 70 anos.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, já morreram em Portugal 19.303 pessoas com covid-19.

Chega, partido “venezuelano”

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A campanha oficial para as eleições legislativas antecipadas de 30 de janeiro começa hoje, depois de uma pré-campanha marcada por três dezenas de debates televisivos entre as forças políticas que elegeram deputados em 2019.

Todos os partidos já têm calendário definido para as ações de campanha, sempre com o fito de “dar nas televisões”, que é o que mais importa.

Dissidências na extrema-direita

Para o Chega, a campanha não começa bem. Um grupo de dissidentes do Chega veio agora pedir desculpas publicamente a todos aqueles que enganaram, levando-os a aderir ao partido. Pela voz de Fernando Amorim e de João Leitão, este grupo de dissidentes veio dizer que o Chega mais parece um partido estalinista, cubano ou venezuelano.

Nos eventos organizados pelo partido, o culto da personalidade é por demais evidente, com as paredes cobertas com a fotografia do líder Ventura, contam estes dissidentes, sem novidade para quem os ouve. Menos evidente são as perseguições e saneamentos que dizem ser recorrentes no interior do Chega, perseguições e saneamentos para afastar competentes e dar lugar a amigos ou familiares dos dirigentes.

“Ele quer é isto”, diz Fernando Amorim, referindo-se a André Ventura, afinal o grande beneficiário deste estado de coisas existente no Chega. “Nepotismo”, “censura”, “seita sem propostas”, são palavras disparadas pelos dissidentes contra Ventura. E fizeram-no de cara destapada, sem medo de represálias ou processos persecutórios. São pessoas que não ajoelham por imitação ou pantomima como faz, aparentemente, André Ventura.

Dar voz ao silêncio, contra a pedofilia na Igreja Católica

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No primeiro dia foi notícia “gorda” a abrir noticiários e a fazer manchetes nos jornais. Ao segundo dia foi notícia curta, mas ainda a fazer ferver o sangue dos que nas redes sociais da lei do anonimato se vão libertando. Ao terceiro dia, silêncio.

O silêncio é uma autoestrada para o esquecimento. E se o assunto cair no esquecimento, vai ser manipulado. Por isso, é preciso continuar a falar disto e a publicitar a honrosa iniciativa da Igreja Católica de abrir um inquérito sem precedentes para se apurar toda a verdade sobre a pedofilia na instituição.

Foi constituída uma Comissão Independente e as vítimas desses abusos sexuais podem e devem “dar o seu testemunho, contando desde logo com o sigilo profissional da equipa e a garantia do seu anonimato” garante-se no site “Dar Voz ao Silêncio”.

fonte Diocese de Setúbal – Canal Oficial – YouTube

A expectativa é alta, adivinha-se uma avalanche de denúncias. Mas não foram anunciados relatórios parcelares nem pontos de situação periodicos, pelo que o silêncio pode contribuir para o arrefecimento do caso e fazer esmorecer a vontade de denunciar.  

Sabemos bem que quanto mais tempo passar sobre o abuso, mais a vítima se submete à resignação e ao trauma, menos força tem para lutar por justiça e reparação. Denunciar abusos sexuais não é fácil, obriga a coragem e força moral. Muitos não conseguirão. E por cada um que se calar, maior será o “iceberg” que se esconde submerso nas águas escuras do crime sexual.

E é contra isso que temos de lutar.

Fim dos Renault a gasóleo

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A Renault em 2030 deixará de vender carros com motores de combustão e será uma marca 100% elétrica. Este anúncio veio reconfirmar a intenção da marca que já antes tinha avisado que não iria desenvolver novos motores de combustão.

Dentro de 8 anos a Renault só terá novos modelos de veículos elétricos. Esta decisão só será aplicada no mercado europeu, uma vez que noutras partes do globo a Renault continuará a escoar os stocks de viaturas com motores de combustão.

No entanto, a marca subsidiária Dacia vai continuar a ter motores de combustão para além de 2030, mesmo na Europa, a par de novos modelos elétricos.

Diesel acaba dentro de 3 anos

Mas os planos da União Europeia irão obrigar todas as marcas de construtores automóveis a ter apenas veículos elétricos a partir de 2035. De modo que, mesmo a Dacia, só terá mais algum tempo para se adaptar.

Neste processo de adaptação, a Renault já tinha antes anunciado que vai terminar, em breve, com os motores diesel. A marca continuará a fornecer o mercado com peças para motores diesel, mas dentro de 3 anos deixará de fabricar novos modelos com esse tipo de motor.

Morte de recluso, suspeitas de violência

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Morrer na cadeia é bastante mais frequente do que se possa imaginar. Por doença ou de morte matada, todos os anos morrem dezenas de pessoas que estavam à guarda do sistema prisional e não foram devidamente protegidas.

Casos de deficiente assistência médica, como o que relatamos aqui há dias e suicídios são, porventura, as situações mais comuns, embora não seja de desprezar a possibilidade de haver uma boa percentagem de situações de morte violenta que nunca foram devidamente investigadas. Por exemplo, em 2020, relatos nos media dizem-nos que morreram 75 reclusos, 54 por doença e os restantes cometeram suicídio. Nenhum homicídio. E no entanto, nenhum relatório internacional sobre direitos humanos omite casos que se passam em Portugal de violações dos direitos das pessoas, de violência policial ou de tortura nas esquadras de polícia e prisões, situações que revelam “um problema estrutural e que as respostas que têm sido dadas, em cumprimentos das obrigações assumidas pelo Estado português, não têm sido as suficientes”, diz a Amnistia Internacional.

O mais recente caso a motivar desconfianças e pedidos de investigação policial é o de Miguel Cesteiro, detido no Estabelecimento Prisional de Alcoentre. A morte deste recluso foi atribuída a doença mas, segundo um comunicado conjunto de várias associações ciganas, a família do falecido recebeu informações de que a morte se deveu, “presumivelmente”, a “agressões por parte de guardas prisionais”.

Recluso estava em isolamento

As desconfianças avolumam-se quando a família afirma que “nem sequer tiveram acesso ao relatório da autópsia”, segundo depoimento feito através do Facebook.

No dia do falecimento do recluso, a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais informou que a morte tinha ocorrido durante a noite, pelo que se deduz sem qualquer assistência médica. O corpo foi descoberto de manhã e os serviços clínicos do Estabelecimento Prisional de Alcoentre limitaram-se a constatar o óbito.

A DGRSP informou, ainda, que foi acionado o órgão de polícia criminal com competência territorial e feitas as comunicações devidas às autoridades judiciais, tendo o corpo sido encaminhado para o Gabinete Médico Legal de Vila Franca de Xira para efeitos de autópsia.

“Internamente, e também em conformidade com as disposições legais, foi aberto processo de inquérito interno a cargo do Serviço de Auditoria e Inspeção (Sul) que é coordenado por juíza de Direito”, garantiu a DGRSP.

Na mesma altura, e segundo um relato da TSF, os serviços prisionais negaram que o recluso tivesse sofrido surtos psicóticos durante três dias, sem ter tido a devida assistência médica.

Miguel Casteiro, 53 anos, morreu no Estabelecimento Prisional de Alcoentre