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Quase 20 mil mortes

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A pandemia atingiu nas últimas 24 horas 58.131 pessoas, tantos são os casos detetados e registados no boletim epidemiológico do SNS. Houve 43 mortes desde ontem. São números demonstrativos do impacto desta doença.

Diminuíram os internamentos em enfermaria, são agora 2.027, menos 17 que ontem. Diminuíram igualmente os internamentos em cuidados intensivos, são agora 154, menos 8 que ontem. Mas com o aumento de casos diários, esta diminuição dos internamentos é meramente circunstancial. A verdade é que daqui a uns dias teremos o aumento de internamentos, como é evidente. E de mortes.

Os 58.131 casos registados hoje são o segundo valor mais alto de novas infeções em 24 horas desde o início da pandemia em Portugal, apenas superado pelo valor de sexta-feira, quando se registaram 58.530 casos.

Quanto aos óbitos, o registo total aproxima-se dos 20 mil óbitos. Desde o início da pandemia em Portugal, em março de 2020, já morreram 19.539 pessoas com covid-19.

Morte na Lagoa Azul

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A Guarda Nacional Republicana (GNR) encontrou esta manhã o cadáver de um homem com idade entre os 50 e 60 anos na Lagoa Azul, em Sintra, adiantou esta polícia.

De acordo o oficial de serviço do comando geral da GNR, citado pela Lusa, o corpo foi encontrado por volta das 10:00 de hoje.

As causas da morte não são conhecidas e estão a ser investigadas, adiantou.

Segundo os bombeiros, o corpo do homem foi encontrado a boiar. Foram feitas tentativas de reanimação, sem sucesso. O óbito foi declarado ainda no local.

A Lagoa Azul é propriedade privada, não é permitido nadar na lagoa. Apesar de privada, a lagoa é local de veraneio para muitos dos habitantes das regiões de Sintra e Cascais. É normal, quando está bom tempo, as famílias irem para ali passear durante o dia. À noite é local para outro tipo de cenas.

fontes: Lusa e Correio da Manhã

Sociedade Portuguesa de Autores, a “Branca de Neve”

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O assunto é discutido nas tertúlias, mas raramente chega às parangonas dos jornais. Na verdade, a gestão dos dinheiros da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) já foi, uma vez, motivo de investigação jornalística. Mas, no fim-de-semana de janeiro de 2003 em que a SIC trouxe o escândalo aos jornais televisivos, a detenção de Carlos Cruz por suspeitas de pedofilia abafou tudo e a notícia sobre a SPA morreu quase sem se dar por ela.

Resumidamente, a SIC anunciava ter documentos que indiciavam nepotismo, corrupção e gestão danosa na administração da SPA presidida, nessa época, por Luiz Francisco Rebello. Nas eleições seguintes, Rebello não foi reconduzido. Nada que tivesse impedido, anos mais tarde, que o seu nome tivesse sido dado a um largo na cidade de Lisboa.

Dezanove anos passados, duas administrações depois, nem Manuel Freire nem José Jorge Letria, o atual presidente da SPA, conseguiram por cobro às desconfianças e ao falatório. Nas redes sociais, quando se menciona a SPA, surgem frequentemente comentários deste género:

“Salários de 10 mil euros?” Indignou-se Francisco Moita Flores, antigo cooperador da SPA e que saiu da cooperativa em litígio com Luiz Francisco Rebello. Autor literário, de programas de televisão e cinema, Moita Flores explicou-nos que tinha descoberto, de modo fortuito, haver grupos privilegiados na repartição do imenso bolo de dinheiro que a SPA recebe via cobranças diretas ou via taxas fiscais, “que eram os amigos do presidente. Lembro-me que me saltou a tampa”, disse-nos. E saiu. Hoje, descobriu que as suspeições não acabaram.

E não acabaram porque as perguntas continuam sem resposta. Quanto ganha um administrador da SPA?

Resposta de Carlos Madureira, diretor do departamento jurídico da cooperativa: “Os membros do Conselho de Administração são remunerados nessa qualidade e não como membros do órgão electivo de Direcção, pelo que não poderemos, por diversos motivos, e tal como acontece em relação aos restantes trabalhadores, prestar informação sobre a respectiva remuneração”.

Acontece que, em princípio, ninguém quer saber quanto ganha um motorista ou um funcionário administrativo. Sabemos que os membros dos órgãos sociais não têm salários, são recompensados por senhas de presença nas reuniões em que participam. E sabemos que os administradores têm salários. Os cooperadores que falaram connosco dizem que esses salários serão exorbitantes.

Repetimos a pergunta mais do que uma vez, por email. Na última tentativa invocamos a Lei-quadro do Estatuto de Utilidade Pública, que, resumidamente, diz que as entidades com estatuto de utilidade pública devem “assegurar a transparência da gestão através da possibilidade de acesso aos documentos relativos à sua gestão financeira e patrimonial a quem demonstrar ser titular de um interesse direto, pessoal, legítimo e constitucionalmente protegido”, ou seja, no caso da cooperativa SPA, os cooperadores têm o direito a ter acesso às contas e no caso dos jornalistas é o tal “direito constitucionalmente protegido”. Isto é, a SPA deve responder às questões. Mas as respostas que obtivemos foram sempre negativas, como se um jornalista não tivesse direito a fazer perguntas.

Todas os textos legais que consultamos são claros quanto às obrigações de transparência e rigor. Por exemplo, a Lei que Regula as Entidades de Gestão Coletiva do Direito de Autor e Direitos Conexos (Lei 36/2001, 4ª versão) reza assim:

Artigo 10.º
Princípios

1 – A atividade das entidades de gestão coletiva respeita os seguintes princípios e critérios de gestão:
a) Transparência;
b) Organização e gestão democráticas;
c)

O mesmo texto legal (artigo 49º), atribui à IGAC (Inspeção Geral das Atividades Culturais) a fiscalização da lei, ou seja, o seu cumprimento. No ponto 3 do artigo 49º lemos que “a IGAC pode solicitar a intervenção da Inspeção-Geral de Finanças e da Autoridade Tributária e Aduaneira, sempre que exista necessidade de apuramento de matérias relacionadas com indícios de infrações de natureza financeira ou de matérias específicas cuja fiscalização e competência de intervenção incumba às referidas entidades” e que, ainda, “a IGAC” é a entidade competente para rececionar e avaliar as questões submetidas pelos membros, titulares de direitos, utilizadores, entidades de gestão coletiva e outras partes interessadas, sempre que considerem existir quaisquer atividades ou circunstâncias que violem alguma das disposições da presente lei.”

Enviamos o nosso email a este departamento governamental, solicitando resposta às seguintes questões:

1- O IGAC recebeu alguma vez denúncias ou indícios de eventual gestão danosa na SPA?

2- Se recebeu, que diligências foram feitas para esclarecer o assunto?

3- O IGAC sabe qual o montante dos salários dos membros do Conselho de Administração da SPA?

Sete dias depois, estamos a escrever e vamos publicar este artigo sem termos recebido resposta deste organismo.

E quando perguntamos aos cooperadores que estão contra o estado a que isto chegou, porque não “partem a loiça” nas assembleias gerais, respondem com o receio das represálias. Como se fosse possível a SPA deixar de pagar o que tem de pagar, como castigo por alguém se atrever a desafiar o poder instituído. E quando perguntamos porque não votam contra aquilo que não querem que seja aprovado, mostram-nos o boletim de voto…

Segundo nos contaram, o voto presencial é de braço no ar e o voto por correspondência identifica o votante. Ou seja, dizem os cooperadores, quem não quiser cair em desgraça vota a favor. Pouco democrático, o ambiente na SPA.

Reflexo disso, os cooperadores que falaram connosco pediram, sem exceção, para não serem identificados. Muitos nem responderam por escrito, preferiram conversas “ao vivo”. Alguns nem apareceram aos encontros marcados. Um filme negro.

Tudo isto, ao mesmo tempo que a SPA passa a mensagem de que moveu uma ação contra um dos cooperadores mais contestatários. Diz o diretor do departamento jurídico que “tendo em conta que o processo está ainda em fase de inquérito, a Direcção não poderá revelar o nome do Cooperador. Ainda assim, a SPA esclarece que a queixa não foi apresentada pelo teor das questões colocadas pelo Cooperador. A SPA recebe com regularidade questões apresentadas pelos diferentes autores que representa e não apresentou qualquer queixa crime contra qualquer deles pelas questões suscitadas. Por isso, o fundamento da queixa crime é outro, até porque a apresentação de questões não consubstancia a prática de qualquer crime.”

O tempo dirá se a queixa da SPA tem pernas para andar. Mas, se chegar a tribunal, até pode acontecer que ao fim do dia a SPA tenha de responder às questões que lhe são colocadas e a que não tem querido responder.

Ai, os músicos!

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            Esteve lotado o Salão Preto e Prata do Casino Estoril para, na tarde de domingo, 16, assistir ao já tradicional Concerto de Ano Novo, dado pela Orquestra da Câmara de Cascais e Oeiras, sob direcção do maestro Nikolay Lalov. Uma iniciativa da Câmara (pela Fundação D. Luís I) e do Casino Estoril.

Foram interpretadas – como não podia deixar de ser! – valsas de Strauss e obras de Fr. V. Suppé, P. I. Tchaikovsky, A. Dvorák, R. Stolz e E. Doga. Já depois do repertório dado por concluído, o maestro regressou para – com a participação entusiasmada das palmas do público – a orquestra fazer ouvir a Marcha Radetzky, da autoria de Johann Strauss I, que, como tradicionalmente acontece no concerto de Ano Novo da Orquestra Sinfónica de Viena e agora também no Salão Preto e Prata, alegremente fechou o programa, após cerca de duas horas de mui agradável espectáculo.

            Lalov quis dedicar o concerto aos músicos, aos compositores e aos intérpretes. Recordaram-se, por isso, no anúncio do concerto, as dificuldades havidas por todos estes profissionais em se adaptarem às novas realidades a que a pandemia obrigou:

            «Foram descobertos o trabalho “on-line”, concertos “em streaming” e muitos amantes de música conseguiram satisfazer os seus gostos através das novas formas de assistir a um concerto. No entanto, não existem gravações sem músicos e não é possível realizar e transmitir um espectáculo sem os artistas reais a trabalhar».

            E acrescentava-se:

«Apesar das grandes dificuldades e o desânimo provocado pela falta de convívio com o seu público, os músicos fizeram tudo para manter a sua arte viva e ajudar a população a ultrapassar as suas angústias e preocupações através da sua arte».

Tem Nikolay Lalov o hábito de anteceder cada trecho com uma explicação do que vai ouvir-se, entretecendo-a com histórias da sua vida e, desta feita, sobretudo, das vidas dos compositores, tudo relacionado com a força de vontade que é preciso ter para singrar na vida, da tenacidade a manter para se obter o desejável aperfeiçoamento. E, durante esta pandemia, as dificuldades agravaram-se, porque faltou o contacto, o convívio, a troca de impressões, o público!…

Alguém lhe comentou, por exemplo, que ser músico e não poder actuar, não ter o frémito da responsabilidade que a integração numa orquestra exige e o gozo íntimo que suscita é como estar na cama com… o retrato de Marilyn Monroe!

Daí o maestro ter saudado com regozijo, em seu nome e no dos músicos, a oportunidade que ora lhes estava a ser dada de se apresentarem em público. Via-se, aliás, em todos os rostos essa alegria, mormente quando, no final de cada trecho, se erguiam bem alto os arcos dos violinos!

Um perito em interpretação musical dissecaria agora não apenas a oportunidade (ou não) do programa escolhido; deter-se-ia na forma como o rapaz da percussão soubera ser rigoroso no xilofone, quando lhe foi dada a possibilidade de quase estar a solo e todos dependiam dele; salientaria, quiçá, as entradas fortes dos metais, em contraste com a suave doçura dos violinos; chamar-nos-ia a atenção para o dedilhar da harpa… Enfim, para um amante da música mas ignorante de erudições, estas duas horas em final de tarde de domingo soaram primordialmente qual melodiosa esperança de um 2022 melhor!…

Estava florido o palco, qual canteiro a sonhar almejadas Primaveras! O maestro rompeu o protocolo e ele próprio, a meio do concerto, distribuiu rosas aos músicos. No final, também ele foi obsequiado com vistoso ramo multicolor. E o público longamente aplaudiu, não regatou aplausos e saiu a cantarolar no íntimo, bem ritmada, a Marcha Radetzky…

As imagens que ilustram este apontamento devem-se a João Lamares que, graciosamente, fez mui completa reportagem fotográfica tanto do ensaio geral como do concerto. Bem haja!

Salão Preto e Prata, Casino Estoril

Cantinas nas cadeias, não é negócio de guardas prisionais

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Quem manda nas cantinas prisionais é o diretor da cadeia, diz-nos um guarda prisional em reação ao nosso artigo sobre “O negócio dos guardas prisionais” publicado ontem. Mantemos a identidade deste guarda prisional sob sigilo, não queremos que a divulgação do que ele diz possa prejudica-lo de alguma maneira. E o que este senhor nos diz é que “nunca ninguém da farda (guarda prisional) teve alguma participação na gestão das cantinas.”

A verdade é que o Regulamento Geral dos Estabelecimentos Prisionais, no artigo 50, refere a existência das cantinas e define brevemente o acesso do recluso a esse serviço, mas não especifica como funcionam, embora diga que quem define os preços é o diretor da cadeia.

Nas esparsas notícias publicadas sobre o tema, há relevância apenas para auditorias realizadas a propósito do não pagamento de impostos devidos pelo funcionamento das cantinas. Por exemplo, no Blog do Guarda Prisional, há uma única notícia sobre cantinas para dizer que há fugas ao fisco e que em 2015 os resultados de uma auditoria foram enviados para o Tribunal de Contas “para serem apuradas eventuais responsabilidades face a possíveis infracções financeiras.”

Nos jornais não encontrámos nada que ilibe genericamente o corpo da Guarda Prisional destas ilicitudes ou de cumplicidade e isso pode levar a conclusões erradas, de facto. Não há muitos casos de denúncia destas irregularidades por parte da Guarda Prisional mas, quando isso foi feito, é verdade que não teve grandes consequências.

Mas, lendo o que está publicado no Blog do Guarda Prisional, ficámos a saber que “em média, as cantinas das prisões lucram anualmente 47,15 euros por recluso”. Isto, em 2015. De lá para cá, o número de reclusos aumentou bastante e talvez a margem de lucro per capita das cantinas tenha aumentado também.

A nossa fonte diz-nos ainda que “a partir da segunda vez que o Dr. Celso Manata veio para Diretor Geral, terminou com os sacos azuis e toda a contabilidade tem um programa informático onde tudo tem que ser registado”. Celso Manata é um magistrado que dirigiu os serviços prisionais de 1996 a 2001 e que regressou para um segundo mandato em 2016. Só depois deste regresso se acabaram os “sacos azuis”, isto num negócio que, segundo foi divulgado, movimentava à época mais de 8 milhões de euros por ano.

“As cantinas nunca estiveram à mercê dos Guardas Prisionais”, garante-nos a fonte, esclarecendo que quem lá trabalha “são funcionários civis , pertencem à função pública normal, e fazem parte do quadro de funcionários da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais” e acrescenta que “quase todas as cantinas têm um ou dois reclusos remunerados a trabalhar com a pessoa civil.”

Portanto, as cantinas não são um negócio dos guardas prisionais. De quem será, então?

Polícia Municipal de Sintra investe contra manifestante sem abrigo

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Eunice Muñoz hospitalizada

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fotografia do Facebook de Eunice Muñoz

Eunice Muñoz está hospitalizada no Hospital S. Francisco Xavier, com dificuldades respiratórias. A atriz de 93 anos está na enfermaria covid, embora pelas informações divulgadas não seja claro se está ou não infetada.

Na verdade, ter problemas de saúde aos 93 anos não é nada de espantar e os sintomas covid são comuns a muitos outros problemas de saúde. Só um teste dirá se Eunice está ou não infetada com o Sars-cov-2.

Eunice Muñoz está a meio de uma digressão, com a qual pretende finalizar a sua longa carreira de atriz de teatro (estreou-se com 13 anos no palco do Teatro Nacional Dona Maria). “A margem do tempo”, a peça final de 80 anos de teatro, esteve em cena no passado dia 15, no Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim e deveria ser apresentada dia 29, em Portalegre.

Eunice diz que “o teatro é a sua vida”, quando um terminar a outra acaba-se também.

O negócio dos guardas prisionais

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Nas prisões portuguesas, as chamadas cantinas são da iniciativa privada de guardas prisionais. Em cada um dos estabelecimentos prisionais, um ou mais guardas com espírito empreendedor organizam o comércio de produtos com mais procura.

Num comunicado enviado às redações, a APAR – Associação de Portuguesa de Apoio ao Recluso vem denunciar a prática de preços especulativos nessas cantinas prisionais.

Diz a APAR que “os reclusos, em Portugal, têm que comprar todos os produtos de que necessitam nas cantinas das cadeias onde se encontram, dado que os familiares estão proibidos de lhes entregar mais do que um quilo de alimentos por semana. E é, também, sabido que, em todas elas, os preços são marcados com margens de lucro escandalosas.”

Neste comunicado, a APAR afirma que em alguns estabelecimentos prisionais se “ultrapassam todos os limites” e dá o exemplo do Estabelecimento Prisional da Carregueira, onde “muitos produtos, que já eram caros, foram aumentados, recentemente, para o dobro”.

Exemplos que constam na denúncia feita pela APAR:

  1. Uma caixa com um quilo de açúcar em saquetas custa nos supermercados 1,29€. Custava, na cantina, 1,96€ e foi aumentado para 2,77€;
  2. Um garrafão de água do Luso, que custa, no exterior, 1,35€ é vendido a 1,74€;
  3. Uma caixa de chá, vendida, no exterior, a 0,41€ custa 1,10€ na cantina;

Não sabemos onde a APAR faz compras, mas fomos ao site do Continente e comparámos os preços.

A diferença de preços é mais do que evidente. Os preços indicados no comunicado representam um lucro a rondar os 300% no açucar, por exemplo. Lucro idêntico no chá. Menor, na água mineral.

Em 2018, a Associação Sindical dos Juizes Portugueses publicou uma entrevista com o secretário-geral da APAR, onde Vítor Ilharco explica que “até há seis, sete anos, as famílias podiam levar os produtos de primeira necessidade, alguma comida para reforçar a péssima alimentação, mas, com base na segurança, impediram que fossem levados esses produtos para dentro das cadeias, para obrigar os reclusos a comprar tudo nas cantinas, onde é tudo muito mais caro. Tão caro que levou a Associação Sindical dos Juizes a dizer que, só num ano, as cantinas das 49 cadeias portuguesas tiveram um lucro de 600 mil euros.”

Estamos a falar, portanto, de um esquema que é bem conhecido nos meandros do Ministério da Justiça e do Ministério das Finanças. Mas toda a gente finge não ver.

Sem pretender ironizar, estamos talvez perante um caso merecedor de uma ação fiscalizadora da ASAE, no âmbito dos delitos contra a economia. No site desta agência policial lemos que incumbe à ASAE garantir a salvaguarda dos consumidores e da leal concorrência.

(artigo com contraditório neste link)

Cuidado com o Homo Larapiens!

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Começando pelas boas novas, a primeira, excelente mesmo, é o desenho de uma clara vitória do homo sapiens sobre essa terrível ameaça, que é o covid-19. Os danos a suportar são colossais, e a Humanidade ainda tem pela frente um longo e tortuoso caminho, com inegáveis avanços e recuos, mas conseguiu resistir bem e já consegue conter muita da devastação que se previa.

A outra boa notícia consiste no salto qualitativo que se verifica no debate político, em Portugal, com a introdução de novos conceitos e executantes: algum desacerto existente, de momento, entre os diversos canais concorrentes, terá dado aso a um combate mais equitativo, “libertando” diversos jornalistas submissos às “vozes-dos-donos”; mas também o presente confinamento sanitário terá sido decisivo para marcar uma campanha eleitoral diferente, com programas mais consistentes e melhores desempenhos pessoais.

É certo que muita gente ainda procura concentrar-se em “touradas”, como a prisão perpétua e a eutanásia, enquanto outra persiste na troca de “graçolas” que apenas visa desviar as atenções dos verdadeiros problemas e arregimentar eleitores confusos e inseguros. É, no entanto, bem notória a introdução de novos temas no discurso político, com propostas distintas e que propõem uma reflexão séria sobre o nosso futuro coletivo.

E bem precisados andamos de mudança, porque são múltiplas as desgraças que, aceleradas pela Covid-19, irão provocar tremendas “mutações” no mundo atual:

1 – O desafio da China e da Índia que, numa globalização sem freios, já hoje controlam a indústria europeia e americana.  

2 – A disrupção militar à escala mundial, que faz temer a entrada de Portugal numa próxima confrontação.  

3 – A anunciada subida dos juros sobre os empréstimos, que irá apertar as contas públicas e das famílias endividadas e comprometer qualquer planificação certa e segura.

4 – O espetro da bancarrota do sistema financeiro mundial, desastre que só ainda não aconteceu porque alguns bancos centrais insistiram em injetar somas astronómicas, adiando assim o bloqueio das nossas próprias contas privadas.

5 – A imigração descontrolada, que está a alterar a composição social e os hábitos de países-chave de uma Europa “balcanizada” e que já nem controla a aplicação das leis, em significativas parcelas do seu território.

6 – A nossa total dependência de um espaço geopolítico dominado por empórios económicos sem rosto nem pátria, assentes na exploração da mão-de-obra internacional.

7 – O brutal aumento da fatura da energia, com agravamento nos custos de toda a produção agroindustrial, a que se soma uma bem orquestrada subida nos transportes de mercadorias e a contração na mobilidade das pessoas, esta a afetar os destinos turísticos.  

8 – O “golpe de estado em câmara lenta” a que se assiste na esfera social, traduzido no declínio do nosso SNS, da SS e das escolas públicas integradoras das minorias.

9 – A degradação do funcionamento do Estado de Direito e da generalidade das Administração Pública, traduzida no aumento de impostos que alimentam uma burocracia assente numa cultura que despreza os direitos humanos, o empreendedorismo e os méritos individuais, provocando a debandada dos jovens.  

10 – O nosso distanciamento face à dita “CPLP” que, hoje sem rumo nem projeto, e perante a turvação europeia, dificulta uma “saída” semelhante à da crise de 1808.  

11 – A lenta agonia de uma classe média subjugada aos poderes dominantes e que diariamente perde rendimentos, influência social e capacidade de intervenção.  

12 – A estonteante revolução informática e tecnológica que, durante a pandemia, deu um salto prodigioso nas áreas da bio e nanotecnologia, comunicações e energia.

13 – O reforço de uma contracultura que despreza a estrutura familiar tradicional, a solidariedade e a ética, abrindo caminho ao egoísmo e à aniquilação das formas tradicionais de relacionamento humano.

14 – A que se junta um quadro de orientações políticas desastrosas que só “desregulam” o mercado e favorecem a corrupção.

15 – E a que ainda podemos somar as alterações climáticas…

Em resumo, num futuro próximo, os portugueses terão de se prevenir contra uma “tempestade perfeita” que, mais do que ameaçar a segurança e bem-estar das novas gerações, poderá até comprometer a sustentabilidade do nosso próprio país. E, assim sendo, como é, qual o “voto útil” nas próximas eleições?

Será “útil” insistir na perpetuação da alternância entre “líderes inteligentes”, mas rodeados de gente corrupta e sem competência técnica, com “políticos burros” eventualmente sérios, mas igualmente servis aos mesmos interesses de sempre?

Será que o homo sapiens na generalidade, e os portugueses em particular, ainda irão a tempo de travar o novo “homo larapiens”, uma pandemia em ascensão e que se revela muito mais inquietante do que qualquer das mutações dos coronavírus?

Seca vai agravar-se

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Por exemplo, hoje, está disponível a informação de que dezembro de 2021 (o mês passado) foi o 4º mês de dezembro mais quente desde que há registos. “O valor médio da temperatura média do ar, 11.69 °C, foi muito superior ao valor normal,” diz quem sabe.

E o gráfico que acompanha este relatório mostra-nos que já há uns anos que não há frio como dantes. O mês de dezembro é cada vez mais ameno.

fonte IPMA

Pouco frio e quase nenhuma chuva. Os meteorologistas falam mesmo em seca. Dizem que a maior parte do território nacional está em estado de seca moderada, algumas regiões em seca severa e apenas 6,3 % do território permanece em situação normal.

fonte IPMA

Há um padrão meteorológico que se acentua com o passar dos anos: menos frio, menos chuva. Os meteorologistas dizem que essa tendência se agravou desde o ano 2000 e que passámos a assistir a períodos mais longos de seca.

O pior é que não há previsões de chuva significativa para as próximas semanas. Se não chover em fevereiro, vamos ter problemas não só no abastecimento de água às populações das regiões mais afetadas mas, principalmente, na agricultura. Sem chuva não haverá água para garantir as sementeiras nem a sobrevivência do gado.

É evidente que estas alterações climáticas não se limitam às fronteiras nacionais. É um fenómeno visível em diferentes partes do mundo e a Península Ibérica e todo o sul da Europa fazem parte desses cenários de mudanças climáticas.

Não sendo a região do mundo que sofrerá maiores aumentos de temperatura, o Mediterrâneo está qualificado como um “ponto quente” das alterações climáticas no documento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Estima-se que cerca de 500 milhões de pessoas sofrerão diretamente com as consequências dessas alterações climáticas.

As previsões deviam servir de alerta, quer para dirigentes políticos quer para cidadãos comuns: produção agrícola reduzida, diversidade de culturas muito diminuída, superfície de floresta queimada a duplicar ou triplicar. É a qualidade da nossa vida a desaparecer.