As opções devem pagar-se

Tinha-me comprometido (comigo) a nunca, mas nunca, escrever sobre a COVID19. Mas tem algumas coisas que me andam a fazer zangar muito. Assisto aos noticiários e constato que um elevado número de doentes são pessoas que recusaram vacinar-se, sejam adultos ou crianças (e estas, naturalmente não têm culpa).

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Sou defensora do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com todas as insuficiências que por vezes tem: os atrasos nas consultas, nas cirurgias, etc. O ‘despacho Arnault’, como ficou conhecido o diploma publicado em Diário da República de 29 de julho de 1978, da responsabilidade do então ministro António Arnault, o Pai do SNS, abriu o acesso aos cuidados médicos a todos os cidadãos garantindo, pela primeira vez, a universalidade, generalidade e gratuitidade dos cuidados de saúde.

Sou, pois, contra o utilizador-pagador na saúde.

Mas, desta vez, a situação é bem diferente. Uma amiga médica dizia-me, recentemente, que Portugal erradicou a varíola, o sarampo, a tuberculose, com vacinas obrigatórias, pelo que também a contra a COVID deveria ser obrigatória.

Vivemos em democracia e obrigar as pessoas a vacinarem-se contra uma doença tão recente, não me parece correcto. Cada um opte se quer ou não estar doente e ser ou não veículo de transmissão de uma doença.

Mas no que respeita aos cuidados de saúde, aí já é outra conversa. Se uma pessoa opta por ir a um restaurante, sabe que tem de pagar a conta, já que não quis cozinhar em casa; se opta por ir ao supermercado, sabe que vai pagar a conta, talvez mais cara do que se fosse ao mercado ou à mercearia do bairro. As opções têm, por isso, um preço. Nesse sentido, o que me parece, ao invés de uma vacina obrigatória, quem opta por não ser vacinado se adoecer deve pagar as contas, sejam elas de medicamentos ou até de utilização de ECMO. Mas pagá-las na íntegra, sem que o SNS comparticipe com um único cêntimo. Respeitamos, pois, o direito a recusar a vacinação, desde que essa escolha não recaia sobre todos nós e, na verdade, muitas vezes até recai, já que são transmissores e a disseminação do vírus pode sempre atingir pessoas vacinadas, ainda que com menor gravidade.

Aliás, já seria tempo de termos alguma consciência de quanto gastamos ao Estado em matéria de Saúde. Há muito tempo que defendo que cada utente deve receber a conta por inteiro quando vai ao Centro de Saúde ou a um hospital. Pagaria os valores irrisórios que lhe são atribuídos, mas saberia quanto custaram os actos médicos ao SNS e, portanto, a todos nós.

Talvez assim uns preferissem ser vacinados e outros aprendessem a não dizer tão mal do SNS.

1 comment

  1. Não ser vacinado é a última moda da comunidade pseudo-intelectualoide. E ainda dão uma de carapaus de corrida: “olha para mim tão valentão que nem vacinado sou”.

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