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Lisboa, conduzir devagarinho

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Em muitas cidades europeias estão a ser implementadas medidas muito restritivas da velocidade do trânsito automóvel. Paris, Londres, são exemplos de grandes cidades onde o limite de 30 quilómetros por hora já está a ser aplicado em muitas ruas, principalmente nas zonas mais residenciais e nas imediações das escolas.

Em Lisboa, também já existem as chamadas zonas 30. A ideia inicial era aplicar esta medida em trinta bairros da capital, mas ainda só há cinco, segundo parece…

Em algumas zonas da cidade, conduzir abaixo dos 30 kms por hora é uma inevitabilidade. Nas chamadas horas de ponta, não há mesmo outro remédio.

Com a redução da velocidade automóvel, a ideia é dar maior segurança aos peões e a quem circula de bicicleta e promover o uso dos transportes públicos. Há uma orientação política para levar as pessoas a abandonar a utilização sistemática de viaturas particulares. Em Lisboa isso é evidente…

No país, em 2021 houve mais de 16 mil acidentes de viação em meio urbano, dos quais resultaram 119 mortes. Reduzir a velocidade automóvel também pode ajudar a diminuir estes números.

ASSIM NOS ENGANAM NO SUPERMERCADO

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Todos os produtos em venda pública devem ter o preço afixado. Mais, a lei diz que além do preço unitário, a etiqueta deve ainda ter informação sobre o preço por unidade de medida. Ou seja, o preço por quilo para sólidos e o preço por litro para líquidos.

As prateleiras dos supermercados estão cheias de etiquetas. A maioria dos clientes apenas repara no preço unitário. Mas, por várias razões, devíamos todos reparar nas letras pequeninas que indicam o preço por unidade de medida. Primeiro, porque é essa indicação que nos diz qual o produto mais barato. Isto é, se a informação estiver correta. Nem sempre está. No caso que apresentamos há erros na etiquetagem.

Primeiro erro: preço por quilo. A etiqueta diz que cada unidade (caixa com 12 cápsulas de café) custa 1,94 € e que o quilo custa 3,23 € (seria o café mais barato do Mundo). Se isto fosse verdade, cada caixa de 12 cápsulas de café teria de ter 600 gramas. Realmente, a etiqueta diz que tem 600 gramas, mas a balança só confirma 104 gramas.

Se descontarmos o peso do alumínio das cápsulas e da embalagem de cartão ficaremos, provavelmente, com 60 gramas de café. É o segundo erro, na mesma etiqueta. Uma trapalhada que, mesmo involuntária, baralha o cliente e leva ao engano.

Num dos produtos concorrentes, por sinal marca própria deste supermercado, uma caixa de 10 cápsulas de café custa 1,72 €, para um custo por quilo de 31,27 €. E diz que cada caixa tem 55 gramas de café. Desta vez as contas batem certo.

Moral da história, se o cliente for na conversa do preço p/kg, compra o primeiro produto acreditando que está a comprar muito mais barato. Mas é um erro, como já vimos.

Controlámos esta situação ao longo de uma semana, a contar do dia em que solicitámos na caixa central do supermercado a retificação das etiquetas erradas. Nada mudou, durante 7 dias.

A fiscalização e a instrução de processos de contraordenação, por não cumprimento das regras respeitantes à afixação de preços é da competência da ASAE.  No site deste organismo fiscalizador, diz que a coima sobre o não cumprimento das regras pode ir até 29.900 €. Será por etiqueta errada?

O QUE PENSAMOS DA GUERRA (10)

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No vox pop de hoje, a reprodução das opiniões de um professor universitário, um cartoonista e dois jornalistas.

Links para vox pop anteriores: 1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 6 – 7 – 8 – 9

A PRÓXIMA GUERRA

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A próxima guerra vai ser a invasão de Taiwan, a Ilha Formosa, pela China. E se isso acontecer nos próximos dias, haverá um paralelismo evidente entre o que se passa hoje e o sucedido com os eventos que levaram à Segunda Guerra Mundial, que decorria essencialmente em solo europeu até o Japão entrar na guerra com o ataque a Pearl Harbour.

A Segunda Guerra Mundial teve início em 1 de setembro de 1939 com a Alemanha a invadir a Polónia. O Japão entra na guerra em dezembro de 1941. Na verdade, Alemanha e Japão nunca combateram juntos, a Guerra do Pacífico foi uma iniciativa nipónica de ocupação de territórios na China, Tailândia e colónias britânicas e norte-americanas. Os dois conflitos e as diferentes alianças e sinergias militares que geraram levaram aquilo a que chamamos Segunda Guerra Mundial.

Agora pode acontecer uma coisa semelhante. Há uma invasão, o conflito ainda se desenrola apenas nos limites geográficos da Ucrânia, mas os restantes países europeus alimentam a guerra com armamento e sanções económicas contra o invasor, a Rússia. Na Ásia, a China avisa Taiwan que não serão toleradas interferências estrangeiras e que atividades separatistas não serão toleradas.

Taiwan separou-se da China em 1949, tem um regime político considerado democrático e capitalista. A China considera a ilha como parte integrante do seu território nacional e, mais dia menos dia, vai lançar um ataque militar se a persuasão não for suficiente.

A independência de Taiwan é apoiada pelos Estados Unidos, que fornecem equipamento militar e formação ao exército separatista.

O general chinês Wu Qian, porta-voz do Exército de Libertação Popular, enviou ontem um recado ao Mundo, através dos jornais, dizendo que a “questão de Taiwan é um assunto interno da China”.

Sabemos como tudo acabou em 1945, certo? Com 70 milhões de mortos, metade da Europa em escombros e duas bombas atómicas no Japão.

Pormenores irritantes!

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Foi a gota de água que fez transbordar o copo – e pronto!

Na votação para um órgão directivo, o candidato a presidente fazia questão em ter um colega como vice-presidente; votou nele; perdeu a eleição por um voto!

Reza uma frase latina «de minimis non curat praetor», que é como quem diz: “o pretor (encarregado de julgar os pleitos, na antiga Roma) “não cuida dos pormenores”. A ideia não é a de considerar os pormenores desprezíveis, não: o que se pretende assinalar aqui é que ao detentor dum cargo de chefia não compete preocupar-se com pormenores de execução, pois para esses há adequados funcionários.

(E, já agora, assinale-se: não deve dizer-se “pequenos pormenores”, porque pormenor significa isso mesmo, ser pequeno).

É pequeno mas irrita muito, amiúde. Aquele grãozinho de areia a desafinar a engrenagem…

Numa Câmara Municipal, por exemplo, os pormenores de execução deixam-se aos técnicos. Para isso estudaram, a ganhar competência. Mesmo nos pormenores. Ou melhor, exactamente nos pormenores.

Está em cena no Mirita Casimiro “Charlotte”. Como seria diferente a encenação e a representação se os pormenores – do guarda-roupa, do cenário, da música, da luz… – fossem deixados ao a acaso?!

Sim, ao pretor não compete olhar para os pormenores, tem mais que fazer. Certo é, porém, que, de vez em quando, lá vem quem traz o pormenor à luz da ribalta e é o cabo dos trabalhos! Pensaria o sr. Boris Johnson que iam embicar com as festas que os seus diligentes assessores organizaram no n° 10 da Down Street? Não pensou. Era um pormenor. Uma festa de amigos, para espairecer quando se tem pelos ombros responsabilidades tamanhas! Errou.

A árvore centenária

Aquela árvore secular classificada precisava de ser devidamente identificada para quem lhe passa ao pé do lado de fora do muro? Não está. Um pormenor! E deste valerá a pena falar.

Trata-se de uma árvore enorme que está no canto nordeste do Parque Marechal Carmona, a dar para a igreja matriz. Zona de passagem obrigatória para muitos forasteiros e de habitantes que adregam ir ver as exposições no Bairro dos Museus. Não há quem não pare a fim de admirar esse «ficus macrophylla» – assim é o seu nome científico. «Árvore da borracha», lhe chamamos nós. E admiramos a sua vastíssima envergadura e, no solo, a força das suas inúmeras raízes. Um potentado, dir-se-ia! Pois acontece que este espécime centenário, de 19 metros de altura, está classificado como «Árvore Monumental de Interesse Público», segundo consta no Diário da República nº 276, II Série, de 28.11.2006.

Os serviços camarários limparam-na em Novembro de 2015, a fim de se garantir maior solidez aos seus inúmeros ramos; contudo, houve um pedido que foi feito e que, até ao momento, pode ser o tal pormenor irritante difícil de ‘engolir’.

No texto camarário que anunciou essa intervenção, escreveu-se: «[…] e vai continuar a fazer parar quem ali passa para admirar a sua beleza». Admira a beleza, sim; mas… não perguntará também como se chama e não quererá saber algo mais sobre árvore tão imponente? Querer, quer; só que o painel está do lado de dentro do parque, voltado para dentro e só o lê quem entrar e der a volta até lá!

Solução? Muito simples: faz-se uma cópia do letreiro e põe-se do lado de cá! Simples, não é? Já foi sugerido há muitos muitos meses. Ainda não houve quem se disponibilizasse a dar cumprimento a esse pormenor… irritante!

A mata de dragoeiros

Aqueloutro painel de publicidade institucional impede a admiração do pequeno e bonito bosque de dragoeiros, já classificado também, à entrada do Parque Palmela e não se tira? Pormenor!

Paramos de novo para explicar melhor. Ou antes para reproduzirmos o que já aqui escrevemos na edição de 9 de Agosto de 2021 e que não teve eco nenhum, que se saiba:

Estamos a falar de uma pequena floresta de dragoeiros, classificada “de interesse público” pela Autoridade Nacional Florestal (Aviso n.º 5/2012, de 16 de Março). Pequena, sim, mas basto significativa, pois, ao que parece outra não há deste tamanho no nosso País. E o dragoeiro é árvore bem bonita, convenhamos; a sua floração, exuberante!

Escreveu-se que a Câmara Municipal tem menosprezado essa pequena floresta. Tem. E importa explicar porquê. É que existem ali dois painéis publicitários que impedem ao transeunte a visão plena desta beleza. Um é institucional, como se diz, ou seja, serve a publicidade da Câmara; outro foi concessionado.

Ora acontece que, entre as medidas de gestão, designadamente para melhor usufruto dessa mata de espécies únicas, foi proposta a retirada desses painéis.

Iniciou-se, por isso, a 21 de Março de 2017, nos serviços camarários, por pronta intervenção da Cascais Ambiente, o processo que propunha a retirada de, pelo menos, o painel institucional gerido pela Câmara. Esse processo seguiu todos os trâmites necessários em tais situações, sempre angariando pareceres favoráveis, tendo culminado com a proposta de concordância, por parte do Director do Departamento de Gestão Territorial, Luís Campos Guerra, datada de 12 de Julho de 2017. Houve ocasião, a 1 de Junho de 2020, de insistir na resolução do assunto (referência E-DCID/2020/8367).

Passaram, portanto, estes anos todos e… nada! Já na imprensa local se falou disso amiúde. Aliás, Vasco Manuel Almeida da Silva, do Centro de Ecologia Aplicada “Prof. Baeta Neves”, do Instituto Superior de Agronomia, publicara na revista Bouteloua, nº 21 (Junho de 2015), p. 123-133, o artigo «A mata de dragoeiros do Parque Palmela em Cascais (Portugal), contributos para a sua valorização».

Prossegue, a toda a velocidade, o arranjo urbanístico à entrada nascente da vila, justamente não muito longe da mata de dragoeiros. Será que, aproveitando a boleia, algo se poderá fazer em prol da mata?

Que pormenor irritante!

Os pormenores não-irritantes

Deixando esse mundo botânico em que Cascais também poderia ‘dar cartas’, embrenhemo-nos pelas maravilhas geológicas! Aí há também pormenores a observar; esses, no entanto, são de encanto e não de irritação. E assim convém terminar, em beleza!

Nunca deixo de mostrar a quem nos visita a caverna cada dia maior que o mar, lenta e inexoravelmente, vai abrindo a meio caminho entre o Forte de Oitavos e o farol do Cabo Raso. Para quem tem GPS, concretamente a  (mais ou menos) 38°42’17.0″N e a 9°28’47.5″W. A nossos pés, minúsculas pontes parecem milagre! Pormenores são, todavia, dignos de atenção. O efeito erosivo da água e das aragens. Qualquer dia, num ápice, vão desaparecer!

E, amigo leitor, permita-me outra sugestão.

De passeio pela orla de Cascais ao Guincho, entre na rua para os Oitavos, desvie à direita como quem vai para o hotel, mas pare logo aí a uns 20/30 metros e olhe para a sua esquerda. Verá as finíssimas lamelas de areia que formam a duna consolidada de Oitavos.

Uma beleza! Integrada no Parque Natural de Sintra-Cascais, a duna faz parte da Reserva Ecológica Nacional.

Concluíram os cientistas que a duna «terá sido formada durante o Estádio Isotópico 3, num “curto intervalo” compreendido entre 33 000 e 30 000 BP, provavelmente cerca de 32 000 BP, quando ocorreu, na área do Atlântico Norte, um evento climático de aquecimento (Grand Bois warm event), isto é, quando surgiram condições interestadiais propícias à formação de acumulações eólicas» desse tipo. As siglas BP significam «before present», ou seja, anos antes dos tempos actuais, uma grande velharia, portanto!

Z de enigma, os símbolos de guerra na Ucrânia

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É frequente atletas serem admoestados ou até punidos quando infringem estas regras de separação. O argumento mais escutado é o desporto servir para unir e não para dividir. É assim que casos de racismo têm sido menosprezados, por exemplo. E quando os atletas vítimas de racismo protestam são castigados. No futebol são inúmeros os casos deste género.

Agora, com a guerra na Ucrânia, a exceção virou regra. As manifestações políticas de apoio a um dos lados do conflito são permitidas e até incentivadas, promovidas pelas organizações do desporto. Já vimos isso acontecer nos jogos de futebol em Portugal. Já vimos isso acontecer em todo o lado, independentemente da natureza do evento. Nada mais justo, se nos pusermos do lado do agredido. Quem é contra a guerra, tem o dever de protestar contra quem a faz.

O problema é que há razões que a nossa razão desconhece e, por mais que isso nos espante, há russos que apoiam a causa russa na guerra da Ucrânia. Por nacionalismo ou por qualquer outro tipo de convicção, há muita gente na Rússia que apoia a invasão. E se aceitamos que as manifestações de índole desportiva ou cultural passem a ter um cunho político, devemos tentar perceber as razões dos dois lados da questão. Mas esta é uma questão difícil, que ninguém quer discutir, aparentemente.

Vem isto a propósito da posição assumida pelo atleta russo Ivan Kuliak. O atleta, quando subiu ao pódio para receber a medalha de bronze conquistada nos Campeonatos do Mundo de Ginástica que decorreram em Doha, colou a letra “Z” no equipamento que vestia.

Um “Z” sobre o peito. O mesmo “Z” que é visto pintado nos tanques que assolam a Ucrânia. Um “Z” como aquele que outros russos pintam nas ruas em manifestações de apoio a Putin. Um “Z”. Curiosamente, uma letra que nem existe no alfabeto cirílico russo.

A atitude foi considerada “chocante” pela Federação Internacional de Ginástica. Num comunicado, esta federação diz que vai promover um “processo disciplinar contra Ivan Kuliak”. Quem acompanha as notícias sobre esta guerra, talvez já tenha notado no “Z” pintado nos blindados russos. Mas então reparou que nem todos têm o mesmo “Z”. Alguns têm a letra “V”. Não há certezas sobre o que estes símbolos significam, as teorias são diversas. Uns dizem que é para se reconhecerem no campo de batalha. Outros dizem que identifica a unidade militar a que se pertence. Outros avançam com outras interpretações, nenhuma é certa.

Ninguém admite que possa tratar-se de um plágio do “Z” do Zorro que significava “justiça em nome do povo”, ou algo semelhante.

Os símbolos da extrema-direita da Ucrânia

Por outro lado, há um estranho silêncio sobre as constantes exibições de símbolos e bandeiras associadas ao nazismo na Ucrânia.

Link para a wikipedia sobre o Pravyi Sektor.

Link para a wikipedia sobre o Batalhão Azov.

O QUE PENSAMOS DA GUERRA (9)

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No vox pop de hoje, o pensamento de gente ligada à comunicação. Jornalistas, quase todos.

Links para anteriores vox pop: 1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 6 – 7 – 8

Repetição das eleições no círculo Europa custa uma fortuna

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Ninguém diria, mas há eleições para deputados da Assembleia da República, no próximo domingo, dia 13. Trata-se da repetição da votação no círculo da Europa, decidida pelo Tribunal Constitucional. Uma operação que vai custar ao Estado português cerca de 4 milhões e seiscentos mil euros só em despesa com correio.

Há 15 dias, no Diário da República veio a autorização do Governo para se efetuar essa despesa para contratação dos serviços postais para a repetição do ato eleitoral no círculo da Europa. Em rigor, são 4.621.252,67 €.

Os boletins de voto são impressos em Portugal e expedidos pelo correio para os diferentes locais onde existirão mesas de voto. Além disso, há os votos por correspondência que, evidentemente, são de porte pago pelo Estado português.

“É imprescindível que a CTT – Correios de Portugal, S.A., proceda à expedição de 925.947 boletins de voto, com a maior brevidade possível, tendo em atenção a data do ato eleitoral e o Mapa Calendário das Operações Eleitorais definido pela Comissão Nacional de Eleições”, dizia o texto justificativo para a autorização da despesa.

Acontece que é dinheiro mal gasto. A grande maioria dos eleitores irá abster-se. A abstenção é sempre muito elevada e, agora, depois dos emigrantes terem visto os seus votos anulados devido a uma trapalhada da política partidária despoletada pelo PSD, duvidamos muito que queiram voltar a votar.

Segunda semifinal do Festival da Canção, sem Pontas Soltas

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A segunda semifinal do Festival da Canção 2022 esteve uns furos abaixo da primeira. O espetáculo foi igualmente bem realizado, o palco foi o mesmo, tecnicamente nada mudou. Mas as canções foram, globalmente, mais fraquinhas. É uma opinião, vale o que vale.

Genericamente, estes 10 concorrentes eram mais frágeis em termos vocais e não houve uma canção a rasgar, a surpreender. Na primeira semifinal tivemos atuações fora da caixa, não importa se ficaram ou não apuradas. Desta vez, com a exceção da última canção, foi tudo demasiado certinho. Tudo? Não. A canção nº8 teve duas originalidades. Primeiro, a presença vocal quase fez apagar a orquestração. Digamos que Jonas podia ter cantado à capela. Segundo, foi um número bastante coreografado, o cantor dançou, todos dançaram em palco. Marcou a diferença. A voz de Jonas é bastante interessante e a letra da canção interessante.

Isto é. Estando a escrever este artigo enquanto decorre o espetáculo, não sabia quem iria ficar apurado. Apostaria na canção 8 ou na 9. Gostaria que a número 10 também ficasse apurada, mas duvidava que isso viesse a acontecer. De certo modo, há um paralelismo entre a performance musical e corporal de Pongo e Tristany e o que aconteceu há dois dias com a atuação dos Fado Bicha, na primeira semifinal. Hoje, foi a vez deste duo nos oferecer uma mensagem assertiva que diz assim:

Xe, manos! Foi muito bom! E ao contrário do que aconteceu na primeira semifinal, o “povo pequenino” ou, quem sabe?, o grande juri, deixaram passar a mensagem.

Mas a canção “Pontas Soltas” de Jonas, a melhor canção na nossa opinião, ficou de fora.

PORTUGUESES QUE NÃO CONSEGUEM SAIR DA UCRÂNIA

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Alex Pinto e Ernesto Leite são dois portugueses ainda na Ucrânia e que estão com sérias dificuldades em sair da cidade onde vivem, Poltava.

Poltava está no caminho das tropas russas que se dirigem para Kiev pela frente leste. Depois de Kharkiv, Poltava é a paragem seguinte para novos combates.

Alex Pinto tem família ucraniana, é um empresário que vive há 17 anos na Ucrânia. Há dias, entrevistado por um canal de televisão, disse que só sairia se pudesse levar consigo toda a família. Não sendo possível, não será ele a abandoná-los. Já Ernesto Leite tinha chegado ao país há poucos meses, quando a guerra rebentou.

Ernesto Leite é um nome muito conhecido da música portuguesa, compositor de vários sucessos cantados por Mafalda Arnaulth, Rita Guerra, Adelaide Ferreira, entre outros.

Ernesto é um nómada, para compor música só precisa de estar onde haja internet e Poltava pareceu-lhe um sítio interessante para viver durante uns tempos. Acontece que os acontecimentos se precipitaram e, agora, a música é outra.

Quanto mais tempo passa, mais difícil é a situação

Os portugueses que se deixaram ficar demasiado tempo na Ucrânia, principalmente em zonas mais próximas da fronteira com a Rússia, só podem contar com os próprios meios porque o Governo português não tem capacidade logística para os extrair dos locais onde se encontram.

Neste momento há racionamento de combustíveis e muitas dificuldades em levantar dinheiro nos terminais de multibanco na maior parte das cidades ucranianas, o que dificulta a organização de uma viagem de muitas centenas de quilómetros para se tentar chegar à fronteira com a Polónia ou outro país limítrofe com a Ucrânia.

Com a evacuação da embaixada portuguesa em Kiev, aumentaram também as dificuldades de contacto dos portugueses ainda na Ucrânia e autoridades portuguesas.