Ouve, abre os olhos, olha para cima
Desfruta das coisas boas que a vida tem!
Ele jurou ser um esbanjador de sorrisos
Desde que estivera, em Maio de 1989, numa das ilhas do arquipélago das Baamas que o Rogério se apercebera da enorme força do sorriso.
Era quase lusco-fusco. Cruzou-se com ele bonita senhora de meia-idade. Não resistiu a que os seus olhares se cruzassem também. A senhora esboçou logo um sorriso: «You welcome!», «Seja bem-vindo!». Rogério correspondeu; instintivamente e estacou, de imediato, a consciencializar o ocorrido. Ele acabara de chegar do outro lado do Atlântico; a senhora não o conhecia de sítio nenhum e sorriu-lhe!
Daí por diante, Rogério jurou ser um esbanjador de sorrisos.
No cosmopolita equipamento balnear onde lhe foi dado passar uns dias de férias, repetiram-se, pois, os bons-dias, «have a nice day», «you welcome», «boa noite!»… Sempre correspondidos, com toda a naturalidade, passado o inicial centésimo de segundo de surpresa.
No elevador, a jovem tinha, naturalmente, a objectiva ao peito. Rogério olhou, viu-a apontada para ele, «assustou-se», pôs as mãos no ar – e foi o sorriso geral.
A menina segurava uma enorme bóia em forma de flamingo. O bico do bicho soltou-se-lhe dos braços e, numa «ameaça», bateu num Rogério «assustado». A menina riu, os pais acharam piada. O sorriso instalou-se nos escassos segundos da subida do ascensor.
Faleceu-lhe inesperadamente uma colega, amiga do peito e cúmplice em muitas iniciativas. No luto, Rogério deu consigo, a determinado momento, a enviar-lhe um sorriso! E tem a certeza de que ela lhe correspondeu!
A TAP acaba de assumir que lhe roubaram dados pessoais de centenas de milhar de clientes, num ataque de piratas informáticos que dão pelo nome de Ragnar Locker, num ciberataque em 26 de agosto.
A empresa diz que tentou minimizar os prejuízos. Mas não conseguiu. Neste momento, segundo já foi publicado na imprensa, há 115 mil clientes da TAP que têm os seus nomes, moradas, números de telefone e informação profissional, à disposição de organizações que usam e abusam desses dados para ilegalidades como, por exemplo, vendas agressivas ou esquemas de burla.
A polícia procura conter os danos provocados por este tipo de atividades. Talvez na investigação a este assalto, tenha acabado por encontrar as evidências que levaram ao desmantelamento de uma rede que traficava dados pessoais.
PJ e FBI DESMANTELAM ORGANIZAÇÃO DE PIRATAS
A notícia foi divulgada tardiamente em Portugal dia 13 de setembro.
O jornal Público noticiou hoje o que aconteceu há mais de uma semana
O jornal dissemina informação fornecida pela Polícia Judiciária. A polícia portuguesa e o FBI deitaram abaixo o site WT1SHOP que “disponibilizava, ilicitamente, cerca de seis milhões de dados e informações de identificação pessoal, nomeadamente dados de passaportes, cartas de condução digitalizadas, contas bancárias, cartões de crédito e credenciais de acessos a diversos websites e serviços”, registos obtidos a partir de acesso ilegítimo e intrusão e captura de credenciais. Tal e qual o que aconteceu na TAP.
O servidor onde estes dados estavam alojados foi localizado em Portugal, embora a operação criminosa fosse liderada por um cidadão de nacionalidade moldava, o senhor Nicolai Colesnicov, que está detido.
Esta operação foi tornada pública hoje, mas desenrolou-se há mais de uma semana, segundo divulgou no passado dia 7 o site The Hacker News.
Na altura, o site Flashpoint divulgou que este esquema de venda de dados roubados já tinha proporcionado um volume de negócios superior a 4 milhões de dólares.
Estes 4 milhões são uma estimativa por defeito, calculada em 2020. O site Flashpoint diz que o negócio da compra/venda de dados pessoais roubados principalmente por intrusão em comércio online, era feito em Bitcoin. Em 2020, o site agora desmantelado já tinha mais de 60 mil utilizadores registados, incluindo 91 vendedores e 2 administradores, com a venda total de cerca de 2,4 milhões de credenciais. Em dezembro de 2021, as autoridades apuraram que o número de utilizadores registados tinha aumentado para mais de 106.000, com 94 vendedores e cerca de 5,85 milhões de credenciais disponíveis para compra ilícita.
O ciberespaço é o novo faroeste, território de índios e cowboys, assaltantes e pistoleiros que disparam mais rápido que a própria sombra.
O MPLA joga, mais uma vez, o trunfo do facto consumado e volta a ganhar. Com todos os partidos concorrentes às eleições a protestar contra os resultados fraudulentos e a pedir recontagens de votos e revisões de atas eleitorais, o MPLA respondeu com a tropa e a polícia nas ruas.
Jornal de Angola em 13 de setembro de 2022
Hoje, o Jornal de Angola evidencia toda a complacência da comunidade internacional face à política do facto consumado. Não só anuncia a bênção da ONU, em manchete, como confirma a presença de Marcelo Rebelo de Sousa em Luanda, para a tomada de posse. Nem outra coisa seria de esperar.
Jornal de Angola em 13 de setembro de 2022
A oposição que conseguiu eleger deputados parece aceitar, de igual modo, a política do facto consumado. Diz o Jornal de Angola que todos os 220 deputados eleitos vão tomar posse na próxima sexta-feira.
destaque da página 2 da edição de 13 de setembro de 2022 do Jornal de Angola
Assim, o MPLA irá reinar mais cinco anos. Outro galo cantaria se a UNITA tivesse peito para recusar os 90 lugares que lhe foram concedidos. Seria uma posição política de grande impacto, não só entre os angolanos, mas, também, no exterior. As reclamações e protestos que a UNITA apresentou, logo após a divulgação dos primeiros resultados, não obtiveram qualquer eco nos órgãos que controlam o ato eleitoral e a Justiça.
Pelo mesmo caminho irão FNLA, PRS e PHA, cada um com direito a dois deputados no novo parlamento.
Na verdade, António Costa fartou-se de falar, mas já tinha esgotado antes as boas notícias que tinha para dar: as “prendas” de 125€ para quase toda a gente, os 50€ para os miúdos e o adiantamento de 50% da pensão que, no entanto, os pensionistas irão pagar com língua de palmo.
E é tudo. Na entrevista que deu à TVI, o primeiro-ministro justificou as políticas de contração salarial da Função Pública (e por arrastamento, de toda a gente) com a necessidade de combater a inflação, falou de um aeroporto que continua sem se saber onde vai ser construído, confirmou a existência de um semi ministro que é Pedro Nuno Santos e falou de grupos de trabalho (jobs for the boys) que foram ou vão ser formalizados para estudarem a reforma do SNS e a sustentabilidade da Segurança Social. Novidades mesmo, zero.
Novidades mesmo, mesmo, talvez só daqui a uns dias quando for anunciado novo pacote de apoio às empresas.
Não foi uma conversa completamente desinteressante, longe disso. Ficámos com a certeza de que vamos continuar a apertar o cinto, isto apesar do Governo esperar encaixar mais 2,8 mil milhões em impostos. É que a inflação só é má para quem consome. Para os produtores, distribuidores, retalhistas e cobradores de impostos costuma ser boa.
Os dias passam e o silêncio abate-se sobre o assalto aos computadores do Ministério da Defesa. No passado dia 8, a ministra Helena Carreiras disse que o Ministério averigua “todos os indícios de potencial quebra de segurança informática”. Potencial é um termo estranho, dado que houve documentos NATO que foram extraídos dos computadores do Ministério da Defesa e encontrados “à venda” no basfond da web. Isto, a ser verdade o que os serviços secretos dos EUA fizeram chegar aos ouvidos do primeiro-ministro António Costa.
Enquanto esperamos por mais explicações sobre o sucedido, a recolha de informação a que nos dedicámos retrata um quadro de grande insegurança, no que diz respeito à salvaguarda dos chamados documentos secretos.
Garantem-nos que a circulação desses documentos é bastante livre entre os agentes. Mesmo entre unidades com diferentes competências e áreas de atuação, porque “muitos dos documentos são transversais a várias áreas temáticas”.
Os nossos interlocutores dizem-nos ser possível passar informação classificada por e-mail não profissional, das plataformas Gmail ou Yahoo, por exemplo, sem qualquer problema. Dizem-nos que nada impede que alguém transfira documentação considerada sensível para pendrives e levá-la no bolso para o exterior.
Há até setores que têm acesso ilimitado a toda a documentação, como é o caso dos serviços de informática. Quem trabalhe nesses departamentos tem privilégios de administrador do sistema e consegue aceder aos ficheiros sem deixar rasto.
De pouco serve o nível de secretismo atribuído a determinada mensagem ou ficheiro. Pelo menos, em Portugal.
Formalmente há quatro níveis de classificação de segurança
MUITO SECRETO (Top Secret). São documentos que têm que ser guardados em caixas fortes e de acesso reservado (zonas de segurança nível 1) a pessoas classificadas com este grau. O funcionário não autorizado que passe os olhos por esse tipo de documentação pode sofrer “consequências graves”, segundo nos dizem. Esta conceptualização talvez fosse adequada aos tempos da Guerra Fria, mas com a informatização de processos parece-nos que a “caixa forte” não é mais do que um computador com uma password complicada.
SECRETO. Documentos que só podem ser conhecidos por pessoas autorizadas. Tal como o grau acima, o acesso não autorizado implica “consequências graves”. Também deverão ficar guardados em áreas de segurança nível 1. Em teoria, todas as pessoas que entram e saem de uma área de segurança nível 1 têm de ficar registadas.
CONFIDENCIAL. É o terceiro nível de segurança. Normalmente, são documentos que contêm informação cuja divulgação poderá ser prejudicial para os interesses do País ou dos seus aliados. Acesso limitado a pessoas autorizadas.
RESERVADO. Este tipo de documento pode circular sem restrições dentro dos serviços de informação e policiais, mas não pode ser mostrado a pessoal não autorizado.
Contaram-nos casos onde se cruzam interesses restritos da segurança do Estado com necessidades meramente policiais. Situações em que a Polícia Judiciária acaba por ter acesso a informação classificada, consultar documentos NATO ou de serviços de informação estrangeiros.
Segundo as nossas fontes, é muitas vezes difícil confinar um documento classificado de Top Secret quando, no mesmo processo, existem informações sem a mesma classificação. Deram-nos o exemplo do caso do argelino Sofiane Laib, suspeito de terrorismo, expulso de Portugal à revelia do Ministério Público. As ligações de Laib à Al Qaeda constavam em documentos classificados que estavam misturados com outras informações de acesso menos restrito. Sofiane Laib terá confessado ter ligações com Mohammed Atta, um dos principais terroristas do atentado de 11 de setembro em Nova Iorque. Detido na prisão da PJ, foi levado uma noite para o aeroporto de Lisboa e desapareceu. O que lhe aconteceu talvez conste em algum documento Top Secret do SIS.
Sofiane Laib, desaparecido de uma cela da PJ em 2006
A ser assim, percebemos que não seja de afastar a possibilidade de documentos secretos irem parar a “escaparates” de leilões na web. E percebemos, também, a dificuldade da ministra da Defesa ou do CEMGFA em explicar o que se passou com a alegada intrusão de hackers nos computadores do Ministério da Defesa.
Desta vez não me sai da cabeça desde que vi uma criança de 10 anos, em tronco nu, a assistir a um jogo de futebol porque um Segurança cobarde seguiu as instruções de uma direcção, composta por energúmenos, que proíbem que os assistentes, que pagaram (caro) um bilhete, “utilizem adereços afetos ao clube visitante nas zonas das bancadas destinadas aos adeptos da formação da casa”.
Nos países civilizados o futebol é um espectáculo e uma festa. Ponto de encontro de amigos e famílias que se sentam para, durante hora e meia, se deliciarem com o desporto de que gostam. Gritam pelos seus, aplaudem as boas jogadas da sua equipa, gozam com os adversários quando levam a melhor e suportam as brincadeiras deste quando se “vira o bico ao prego”.
Nos sítios mal frequentados o que conta é ganhar a todo o custo e não se aceitam críticas ou, sequer, brincadeiras dos adversários. Daí que, por vezes, a uma “boca” se responda com um insulto, a este com uma agressão e, a esta, um pandemónio.
As bancadas estão repletas de gentinha frustrada que não aceita juntar, aos desaires do seu dia-a-dia, uma derrota da “sua” equipa. Quanto mais o gozo dos adeptos das equipas adversárias. Um modo de evitar essas confusões foi criar espaços separados para os adeptos das duas equipas em acção.
Caso acabem os bilhetes nos espaços destinados à equipa visitante, e para não se perder o dinheiro que estes podiam deixar nas bilheteiras, acabam por vender bilhetes que, em princípio, estariam destinados aos adeptos da equipa visitada. Só que, os portadores destes, terão de entrar disfarçados não se podendo, sequer, manifestar se a sua equipa merecer aplausos. Nunca percebi como há adeptos a aceitarem estas regras absurdas, mesquinhas e, creio, ilegais.
Mas a verdade é que o simples facto de levarem uma camisola, ou um cachecol da sua equipa, ou vibrarem com um golo da mesma, é considerado motivo para serem agredidos pelos anormais que aproveitam estes jogos para mostrarem toda a sua incapacidade de viverem em sociedade. As claques são, geralmente, um grupo de gente mal formada, inculta, cobarde e mesquinha. Mas que, em multidão, se torna perigosa.
Um grande problema, para as equipas que aceitam as atitudes dos fanáticos boçais, é que estes podem levar ao vazio das bancadas. Algo já visível quando os jogos não têm, pelo menos, a intervenção de uma das quatro maiores equipas do campeonato. É frequente ver, na televisão, jogos com poucas centenas de adeptos.
No dia em que as atitudes destas bestas levarem a que as direcções das grandes equipas convençam os seus adeptos a não se deslocarem a alguns campos, os dirigentezitos que, hoje, aceitam estas vergonhas, terão de mudar as regras e afastar os jumentos dos locais destinados a gente. O problema maior é que é desta corja de agressores que são eleitos os directores.
Não será fácil, estou certo, acabarem as imagens de crianças, que só têm o sonho de ver os seus ídolos em paz, em tronco nu, numa bancada qualquer, graças, unicamente, às decisões de acéfalos.
Essas imagens, mais do que nos chocarem, fazem-nos perceber a distância a que estamos de um país civilizado.
Disseram-nos que foi um ciberataque em que centenas de documentos secretos enviados pela NATO para Portugal apareceram à venda na Internet, segundo foi amplamente noticiado.
Aconteceu em data não divulgada, provavelmente em 24 de agosto, segundo se depreende pelo relato publicado no Diário de Notícias, o jornal que teve acesso a esta informação em primeira mão.
O alerta surgiu quando agentes da inteligência norte-americana detetaram centenas de documentos NATO enviados para Portugal à venda na ‘darkweb’. A embaixada em Lisboa comunicou a situação diretamente a António Costa.
Tudo isto é estranho. Primeiro, o que foi tornado público pretende dizer que o ataque não foi mais do que um assalto para vender documentos roubados. Seria mais lógico que os assaltantes contactassem diretamente quem pudesse estar interessado na aquisição.
Segundo pormenor estranho é a divulgação do sucedido. Não foi feita de imediato e não foi feita oficialmente (num comunicado do Ministério da Defesa, por exemplo). O modo como a notícia foi divulgada (através de fontes anónimas) parece indiciar que se esperou pelo momento de espalhar a notícia. E o facto de se ter escolhido o veículo (no caso, o Diário de Notícias) ajuda a fortalecer a ideia de que estamos perante um esquema planeado.
Terceiro: seria lógico que as comunicações NATO tivessem um nível de segurança comum nos diferentes Estados membros. Ou seja, o assalto foi feito a computadores instalados em Portugal, mas foram os americanos a dar por ele.
Quarto elemento estranho é o modo como o facto chegou ao conhecimento do Governo português. Serviços secretos estrangeiros comunicaram “diretamente” ao primeiro-ministro português? Ultrapassando todas as vias de comunicação protocoladas? O normal seria terem comunicado aos serviços de segurança nacionais que, por sua vez, comunicariam ao ministro da Defesa e o primeiro-ministro só seria incomodado em caso de estrita necessidade. É assim que as coisas funcionam.
Fonte próxima dos serviços secretos portugueses, diz-nos que podemos estar perante um “exercício” destinado a manter os níveis de alerta elevados, um “estímulo” para a tomada de certas decisões políticas, mais um elemento para disseminar na opinião pública uma narrativa convincente.
O nosso interlocutor avança com a hipótese de, um dia destes, ser divulgado que o ataque foi da autoria de hackers russos. Diz ele que nos últimos dez anos, nos meandros da espionagem e contrainformação, se começou a estruturar a retórica de associar o conceito de estado terrorista à Federação Russa. Na verdade, algo que tem sido mencionado constantemente nas últimas semanas pelo Presidente da Ucrânia, Volodomyr Zelensky.
Setembro Vermelho, de Cândido Ferreira(Edições MinervaCoimbra, Junho de 2012) apresenta-se como «romance». Afirma o autor, numa ‘explicação necessária’, que se trata de «uma ficção que não pretende traduzir, com rigor absoluto, os factos ocorridos e a sua sequência». Acrescenta: «Procurando não desvirtuar a realidade que viveu, o autor recorreu a criações para contar uma história e não para acertar contas com a História».
Tudo gira, na verdade, em torno da biografia do protagonista, Ulisses de Castro, contada na primeira pessoa; e se a palavra romance se assume como o desenrolar de peripécias amorosas, Setembro Vermelho merece a classificação, porque a narrativa se desenvolve, desde o início, a partir de ou tendo como aliciante condimento os ‘romances’ de Ulisses.
Quem, no entanto, conhece o currículo do autor, depressa compreenderá que, mais do que os enredos amorosos, lhe importou dar a sua versão dos acontecimentos que abalaram a Academia Coimbrã em 1969. Aliás, o protagonista viveu em Paris o Maio de 68, confessa-se acérrimo militante do PCP e é deste prisma que o relato é minuciosamente feito, retrato acabado da vida estudantil coimbrã e das suas repúblicas.
¿Romance «histórico», então, para miudamente contar as peripécias por que passou a juventude portuguesa nesses anos de exacerbada guerra colonial – as lutas académicas, a ida da ‘malta’ para a recruta em Mafra, a incorporação compulsiva, o ‘clima’ em Angola… – e, inclusive, o que se seguiu ao 25 de Abril até ao 28 de Setembro de 75? Sim, desse prisma, mau grado a ‘explicação necessária’, romance histórico será.
Há, porém, um 3º aspecto, quiçá aquele em que o autor mais se deleita: a mui erudita discussão ideológica. Amiúde as personagens se envolvem em acesa troca de ideias, na defesa das causas subjacentes à sua actuação política e religiosa. Tudo é passado a pente fino, dir-se-ia…
Nesse âmbito, não é nada despiciendo o facto de o protagonista (o autor, entenda-se agora…), afirmando-se já aposentado, não ter resistido a contar, em epílogo, o rumo que cada um dos personagens seguiu até ao momento da edição do livro. E se já antes, aqui e acolá, as farpas se não pouparam, é nesse relato individual que a ironia assume papel preponderante, na medida em que cada «figurante» personifica percursos, amiúde inesperados, que ‘revolucionários’, pides e outros lograram milagrosamente engendrar…
imagem da contracapa
Muito bem escrito, sem gralhas (a louvar!), num português escorreito e de mui fácil leitura, ajustado a cada ambiente social, brinda-nos, de vez em quando, com sentenças lapidares, que não resisto a transcrever:
«Nunca será pela matraca que se quebra a alavanca das ideias» (p. 92).
«O sonhar acordado é a lanterna que ilumina as noites mais escuras» (p. 95).
«Até no campo mais daninho podem, a qualquer momento, brotar flores» (p. 106).
«Larga é a estrada que leva à desilusão, e estreito o caminho de regresso» (p. 107).
«Só se descobre que alguém sabe pouco quando fala muito» (p. 123).
«O povinho prefere um ditador que não lhe aumente as décimas a um libertador que o obrigue a dar corda ao relógio» (p. 124).
«O homem sábio aprende mais com os falhanços dos outros do que com os seus» (p. 162).
«A diversidade é o mel da humanidade» (p. 188).
«Quem não tem inimigos também não é digno de ter amigos…» (p. 188).
«A calúnia pode ferir-nos mais do que as balas» (p. 189).
«Os rouxinóis não cantam por serem estouvados, mas porque nascem poetas e trazem o coração cheio de melodias» (p. 234).
Apesar de confessar, no final (p. 285). que se decidiu a escrever este livro «na convicção de que as novas gerações saberão impor-se à pilhagem institucionalizada», o certo é que nele está, de facto, pintado em paleta de negras cores o quadro deste Portugal no dealbar do século XXI.
Todo o edifício continua a correr mui sério risco de ruir, mercê – atrevo-me eu a assinalar – da pertinaz existência daquela erva daninha para que já o perspicaz Luís de Camões quisera chamar a atenção, qual testamento, ao escolhê-la para ser a última palavra d’Os Lusíadas: a inveja!
Cristina Ferreira fez anos dia 9 de setembro e foi uma festa de arromba. Convidou amigos e quem ela quis, mas quem quiser tem oportunidade de “espreitar”. Vê-se quase tudo nas redes sociais.
Vê-se quase tudo, principalmente da aniversariante. A renda negra tapava pouco.
Há que aproveitar, 45 já lá cantam. Dizem que foi uma festa de excessos, mas isso não vimos. Não fomos convidados. Os convidados foram desafiados a serem criativos e o dress code da farra marcou pela ousadia. Mas ninguém ousou sequer aproximar-se do atrevimento da rainha.
Na imagem, alguns convidados da festa de aniversário de Cristina Ferreira
Cristina Ferreira escolhe o Instagram para se promover. Muitos dirão que basta aparecer na pantalha para se ser famosa. É verdade, mas os “likes” nas redes sociais valem dinheiro e por melhor que seja o salário na TVI, mais os dividendos, o dinheiro parece que nunca chega. Todos temos um problema parecido…
De modo que, quando ela aparece semidesnudada nas fotografias, não é exibicionismo. É profissionalismo.
Instagram de Cristina Ferreira
Se vasculharem bem, verão que ela também vende roupa, brincos, sapatos, maquilhagem. Parece uma banca de feirante, tem um pouco de tudo. E é nesse sentido que estamos aqui a dar uma ajudinha na promoção da página dailycristina no Instagram. E confessamos ser seguidores atentos.
Que as recentes eleições em Angola foram “marteladas”, é a intuição generalizada. Todos os partidos políticos concorrentes, à exceção do MPLA, consideram que os resultados foram viciados e formalizaram, sucessivamente, pedidos de recontagem, mediação judicial com recurso ao Tribunal Constitucional.
Com as instituições do estado capturadas pelo partido que se agarrou ao poder desde 1975, o diálogo político e institucional entre o MPLA e os outros partidos é uma conversa de surdos. Não leva a nada.
A comunidade internacional observa cinicamente, mantém a pose dos interesses de Estado. No caso de Portugal, depois de Marcelo ter decidido participar no funeral do ditador José Eduardo dos Santos em plena campanha eleitoral, ninguém duvida que ele voltará a Luanda para aplaudir o “novo” Presidente na tomada de posse.
Entretanto, a UNITA continua a exigir uma inspeção judicial às atas em posse da Comissão Nacional Eleitoral e dos partidos políticos e questionou os motivos que levaram a CNE e o Tribunal Constitucional a rejeitarem comparar as atas. A questão é que, aparentemente, as atas dizem coisas diferentes, embora tenham sido “escritas” pela mesma mão.
O MPLA diz que a UNITA apresenta “documentos falsificados” nos recursos que interpõe e ameaça com ações judiciais. Enquanto se consomem energias nesta querela de acusações mútuas, o andor passa e a procissão dirige-se para a tomada de posse do Presidente, marcada para 15 de setembro.
Em Luanda, a tropa e a polícia patrulham as ruas. A vontade de protestar está, assim, reprimida à partida. Para já, a contestação vai sendo feita na imprensa.