Angola, a suspeita do costume

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Que as recentes eleições em Angola foram “marteladas”, é a intuição generalizada. Todos os partidos políticos concorrentes, à exceção do MPLA, consideram que os resultados foram viciados e formalizaram, sucessivamente, pedidos de recontagem, mediação judicial com recurso ao Tribunal Constitucional.

Com as instituições do estado capturadas pelo partido que se agarrou ao poder desde 1975, o diálogo político e institucional entre o MPLA e os outros partidos é uma conversa de surdos. Não leva a nada.

A comunidade internacional observa cinicamente, mantém a pose dos interesses de Estado. No caso de Portugal, depois de Marcelo ter decidido participar no funeral do ditador José Eduardo dos Santos em plena campanha eleitoral, ninguém duvida que ele voltará a Luanda para aplaudir o “novo” Presidente na tomada de posse.

Entretanto, a UNITA continua a exigir uma inspeção judicial às atas em posse da Comissão Nacional Eleitoral e dos partidos políticos e questionou os motivos que levaram a CNE e o Tribunal Constitucional a rejeitarem comparar as atas. A questão é que, aparentemente, as atas dizem coisas diferentes, embora tenham sido “escritas” pela mesma mão.

O MPLA diz que a UNITA apresenta “documentos falsificados” nos recursos que interpõe e ameaça com ações judiciais. Enquanto se consomem energias nesta querela de acusações mútuas, o andor passa e a procissão dirige-se para a tomada de posse do Presidente, marcada para 15 de setembro.

Em Luanda, a tropa e a polícia patrulham as ruas. A vontade de protestar está, assim, reprimida à partida. Para já, a contestação vai sendo feita na imprensa.

Jornal Folha 8, primeira página online

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