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Donetsk, cidade bombardeada

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A grande diferença entre Bruno Amaral de Carvalho e todos os outros jornalistas portugueses enviados-especiais à Ucrânia, é que Bruno está onde caem as bombas.

O que ele fala é o que ele vê acontecer à sua frente. Não repete comunicados de imprensa, não repete propaganda, não interpreta nem opina. Apenas relata.

Hoje partilhamos a crónica que Bruno Amaral de Carvalho publicou na sua página no Telegram, sobre o que se está a passar em Donetsk.

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As políticas censórias do YouTube podem criar dificuldades no visionamento desta reportagem. Caso isso aconteça, pode ver o vídeo através deste link para a página do site Duas Linhas no Telegram.

ENTRARAM VIVOS, SAÍRAM MORTOS

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Centenas de pessoas concentraram-se no Rossio, em Lisboa, para uma manifestação em memória de três reclusos que morreram no interior das prisões portuguesas. São casos em que subsistem dúvidas sobre o que aconteceu. Dúvidas que os arquivamentos dos processos de inquérito apenas ajudaram a engrossar.

Daniel Rodrigues e Danijoy Pontes morreram na mesma noite no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Pouco tempo depois, Miguel Cesteiro apareceU morto na prisão de Alcoentre. Nos três casos há suspeitas de se tratarem de mortes violentas.

Entraram vivos e saíram mortos, foi o mote para a realização desta manifestação. Exige-se que o Estado esclareça as dúvidas sobre o que aconteceu a estas três pessoas que estavam detidas à guarda do Estado.

manifestantes subiram a Avenida da Liberdade

O ritmo a que se morre nas prisões portuguesas é elevadíssimo. A percentagem de suicídios é reveladora das falhas do sistema prisional. A imobilidade do Estado na resolução destes problemas pode confundir-se com cumplicidade e isso não deveria acontecer.

É evidente que quem vai parar a uma prisão portuguesa corre perigo de vida. O ambiente é de violência e castigos corporais. Os espancamentos são frequentes. O terror é o recurso mais frequente para controlar situações, dizem relatórios e testemunhos.

A aplicação da justiça em Portugal não contempla a pena de morte, mas ela existe e aplica-se com maior frequência a pessoas negras, ciganas e pobres. Precisamente os casos de Danijoy Pontes, Miguel Cesteiro e Daniel Rodrigues. E ninguém acredita em coincidências.

Foram estas as razões que levaram à realização desta manifestação. Solidarizaram-se com o protesto cerca de 50 organizações políticas e sociais, desde o SOS Racismo à associação Costume Colossal, dos Cavaleiros de S. Braz aos Precários Infléxiveis.

Bélgica, 55 juízes na cadeia

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reprodução da pintura The Wise Judges, de James Ensor

A notícia está a correr mundo, veiculada pelas agências noticiosas. A iniciativa é apresentada como uma “experiência” destinada a perceberem como é a vida numa cadeia.

Bom, ao lerem isto, reclusos no mundo inteiro vão rebolar a rir no chão das celas. A cena é ridícula. Primeiro, porque não passa de um fim-de-semana. Segundo, porque o estabelecimento prisional de Haren é uma prisão nova que ainda nem foi inaugurada.

Interessante seria que cada um dos 55 juízes voluntários ficasse isolado, anónimo, em diferentes prisões, no meio da população prisional. Que tivesse de dormir numa cela partilhada, usar o duche que todos usam, comer a comida que todos comem e obedecer aos guardas do mesmo modo que todos fazem. Isso seria uma experiência interessante e, eventualmente, capaz de mudar a perspetiva que se tem sobre a vida numa prisão.

“Esta imersão oferece aos magistrados que ditam as condenações a prisão a oportunidade de experimentar o que significa a privação de liberdade”, diz um comunicado do ministro da Justiça belga,Vincent Van Quickenborne. Adivinhamos o sorriso dele, quando ditou o texto.

UM PROJETO PORTUGUÊS

Curiosamente, a prisão de Haren é um projeto da empresa portuguesa OJP, com sede em Alpendorada. Ou seja, há em Portugal quem saiba comprovadamente construir prisões decentes. Há uma esperança para os serviços prisionais portugueses.

DEMÓNIOS À SOLTA

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A batalha por Izium começou em 28 de fevereiro e terminou dia 1 de abril, quando os combatentes ucranianos retiraram. Foram mais de 30 dias de combates, bombardeamentos, avanços e recuos, luta rua a rua.

Na altura deve ter sido difícil alguém ter contado os mortos. Mas é certo que morreu muita gente, de ambos os lados. Os russos dizem que tentaram negociar com os ucranianos a entrega dos corpos, mas que nunca foi possível chegar a um acordo.

As vítimas foram sepultadas num cemitério improvisado, nos arredores da cidade. Todas as campas (cerca de 500, segundo os russos) foram sinalizadas com uma cruz cristã e, nos casos em que foi possível, as campas ficaram identificadas. E é isso que hoje vemos nas imagens que a Ucrânia está a divulgar: campas, cruzes de madeira e cadáveres uniformizados.

Izium 16 de setembro de 2022

É provável que muitas vítimas sejam civis. Mas, nesta guerra, os civis também combatem. Os combates de artilharia são propícios a causarem vítimas civis. É o que está a acontecer agora, com os bombardeamentos ucranianos sobre as cidades controladas pelos separatistas e tropas russas. É o que se vê nas fotografias seguintes, que dizem respeito ao que se passa em Kherson.

Kherson 16/09/2022

Nos dois lados, há gente que defende e morre por aquilo que acredita ser seu: uma pátria, uma nacionalidade, uma cultura, um modo de vida, uma casa, uma família.

Parece evidente que a Ucrânia se prepara para mais uma ofensiva mediática para demonizar a Rússia. Faz parte da guerra, vilipendiar o inimigo. E nisso a Ucrânia tem sido eficiente e eficaz.

Izium 16/09/2022

MOTA VOADORA

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No Japão, as motas já voam. E nem precisam de ir muito depressa. Uma empresa japonesa acaba de apresentar um modelo a que chamou XTurismo e que pretende colocar à venda ainda em 2022.

Veja o vídeo:

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E com isto, o velho Código da Estrada há de ir parar ao caixote do lixo. Imaginar o futuro é sempre difícil, mas à medida que a tecnologia avança e se desenvolvem novas máquinas, tudo muda. Sempre foi assim, desde a invenção da roda.

A ficha técnica completa do modelo XTurismo:

NO ARQUIVO MORTO

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Passou um ano e todas as perguntas continuam sem resposta. Danijoy Pontes e Daniel Rodrigues entraram vivos no Estabelecimento Prisional de Lisboa e saíram dentro de caixões.

As circunstâncias das mortes estão por explicar.  A Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) arquivou rapidamente os dois casos. As autópsias de Danijoy e Daniel revelaram a presença de ansiolíticos e antipsicóticos, medicamentos que os serviços prisionais lhes estariam a fornecer, embora as famílias digam que nada o justificasse.

Ontem, as mães de Danijoy e Daniel foram depositar flores na porta da prisão onde os filhos morreram ou foram mortos. Amanhã, 17 de setembro às 16h, no Rossio, em Lisboa, está convocada uma manifestação cívica para reclamar pelas respostas que as autoridades têm de dar sobre estes dois casos.

Em março passado, uma outra manifestação teve lugar em frente ao EPL para protestar contra o elevado número de mortes por explicar que ocorrem nas cadeias portuguesas. Segundo disse a APAR nessa ocasião, nos últimos 5 anos, morreram 303 reclusos, 66 dos quais foram considerados suicídios.

ANDAMOS A PAGAR A FARRA DOS ANGOLANOS

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A Frente Cívica quer saber o que foi feito a cinco mil e setecentos milhões de dólares que o BES Angola (BESA) disponibilizou a empresários angolanos e que estavam cobertos por uma garantia Soberana assinada por José Eduardo dos Santos. É uma quantia até difícil de escrever: 5.700.000.000,00 USD.

Quando o BESA rebentou, a maioria do capital social do banco pertencia ao Banco Espírito Santo (BES), de Ricardo Salgado. Quando o BES colapsou, o Estado português nacionalizou o banco para evitar efeitos de dominó na economia. Desde então, o buraco financeiro do BES tem sido pago com o sacrifício dos contribuintes portugueses. A questão é saber se essa Garantia Soberana foi resgatada, se o dinheiro voltou ou se acumulou na dívida que os portugueses têm estado a pagar.

Uma boa parte dos empréstimos do BESA a empresários angolanos ficou nas mãos de pessoas próximas do Governo de Angola, membros do círculo de privilegiados do regime.

A Frente Cívica lembra que Carlos Costa, quando Governador do Banco de Portugal, afirmou não se prever “impacto negativo relevante na posição de capital do BES resultante da situação financeira da filial BESA”. E depois foi o que se viu.

Esta questão foi veiculada pela revista Sábado e, depois, o dirigente da Frente Cívica, Paulo de Morais, no Facebook, disponibilizou-se para enviar uma cópia da garantia Soberana de Angola a todos quantos quisessem ler o documento.

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Talvez a frase mais interessante deste documento seja o ponto 3 que diz assim: “as dúvidas e omissões resultantes da interpretação e aplicação deste diploma são resolvidas pelo Presidente da República”.

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Tribunais e árbitros para quê, se há um Presidente da República, não é? Por outro lado, como há sempre um Presidente da República, o Governo português tem a quem se dirigir para pedir o dinheiro de volta. É por isso que a Frente Cívica pergunta se “o Banco de Portugal envidou quaisquer esforços no sentido de recuperar, a favor do sistema financeiro português o capital referido (cinco mil e setecentos milhões de dólares norte americanos), em que medida as anunciadas excelentes relações diplomáticas entre Portugal e Angola, contribuíram (ou não) para o desiderato da recuperação de tão elevado montante, se este capital não tiver sido até hoje recuperado, quem está a assumir este prejuízo, o BES, o Novo Banco, o Fundo de Resolução ou o Estado português?”

Também queremos saber.

Bullying no futebol

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O apedrejamento do carro da mulher do treinador do FC Porto, diz tudo sobre a violência que grassa no futebol, à volta do relvado. Felizmente que o jogo continua a ser disputado em moldes aceitáveis, o que não acontece com as ações de alguns adeptos, nomeadamente das claques dos clubes.

O problema não são os danos na viatura, mas é o exercício ilegítimo de pressão inaceitável dos adeptos sobre a equipa. Quando para manifestar desacordo ou desagrado se atacam familiares dos visados, estamos perante um ato terrorista.

Quem faz isto apenas pretende dominar o outro pelo medo. E se o próprio tem meios de defesa, a família representa uma vulnerabilidade difícil de contornar.

fonte: site do Futebol Clube do Porto

Pouco importa que o FC Porto tenha repudiado o apedrejamento. O comunicado difundido cumpre apenas com os serviços mínimos da decência. Falta extirpar o clube desta maldade.

Jornalismo e sindicalismo em tempo de guerra

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O Sindicato de Jornalistas e Trabalhadores dos Media Russos (JMWU, na sigla em inglês), acaba de ser extinto por decisão de um tribunal de Moscovo.

Esta associação sindical tem uma história repleta de conflitos com o Estado. A situação complicou-se desde que foi aprovada legislação que restringe a liberdade de imprensa, nomeadamente na cobertura da guerra na Ucrânia. O sindicato JMWU passou a ser visto pelo poder como uma espécie de “santuário” da oposição, mas como qualquer sindicato que se preze, dedica-se à defesa dos jornalistas, nas questões do direito do trabalho e nas questões da liberdade de imprensa. O problema é que também não se coíbe de tomar posição pública contra a guerra na Ucrânia.

extrato de declaração do sindicato JMWU publicada no Facebook

Na Rússia existe uma lei que proíbe a divulgação de notícias que descredibilizem as Forças Armadas. Ao defender jornalistas acusados de propagarem notícias que descredibilizam as Forças Armadas, o sindicato JMWU acabou por ser igualmente acusado desse crime.

Pelos mesmos motivos, o sindicato já antes tinha sido condenado a pagar uma multa de 500 mil rublos. Agora, talvez pela reincidência, a decisão jurídica é de extinção do sindicato.

Em maio passado, tudo se precipitou quando as instalações do sindicato JMWU foram vasculhadas pela polícia numa rusga inesperada. Logo de seguida, o Ministério Público entra com um pedido de extinção da organização sindical. A leitura da decisão do tribunal esteve marcada para o início de agosto, foi adiada até agora. A condenação não surpreende ninguém, tendo em conta as circunstâncias em que a Rússia vive e o passado de conflitos entre o JMWU e o Estado.

Tribunal de Moscovo

Logo em maio, o Sindicato dos Jornalistas portugueses protestou contra a opressão exercida sobre o sindicato JMWU e associou-se ao apelo feito às autoridades russas pelo Comité para a Protecção de Jornalistas e outros organismos internacionais de jornalistas, para que deixassem  aquela estrutura sindical trabalhar livremente.

Conflitos entre organismos sindicais e de defesa da liberdade de imprensa com o estado russo não são novidade. Um outro sindicato de jornalistas, igualmente independente, denominado Sindicato Russo de Jornalistas (SJR), muito mais antigo que o JMWU, foi despejado das instalações que lhe tinham sido atribuídas, em 2007. O mesmo método de repressão foi utilizado contra outros dois organismos de defesa da liberdade de imprensa, o Centro para o Jornalismo em Situações Extremas e o Fundo de Defesa Glasnost. E  não havia guerra na Ucrânia nem legislação castradora da liberdade de imprensa.

Escola destruída

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Um míssil HIMARS, arma de grande precisão, destruiu uma escola na regiáo de Lugansk.

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O míssil HIMARS é uma arma de grande precisão, fabricada pela Lockheed, executa bombardeamentos cirúrgicos. A bomba voa para coordenadas GPS, não falha, nunca falhou desde que foi experimentada na guerra do Iraque.

(U.S. Marine Corps Photo By: Sgt. Frances Johnson/Released)

Segundo a Wikipedia, o M142 High Mobility Artillery Rocket System (HIMARS) é um sistema lançador múltiplo de foguetes dos Estados Unidos montado em um caminhão militar padrão.

O sistema HIMARS leva seis foguetes ou um míssil MGM-140 ATACMS, o sistema também é intercambiável com o MLRS M270A1, levando metade da carga de foguetes.

O lançador do sistema é transportável por um avião C-130. O chassi do lançador é produzido pela BAE Systems Mobility & Protection Systems (anteriormente Armor Holdings Aerospace and Defense Group Tactical Vehicle Systems Division), o sistema de lançamento dos foguetes é produzido pela Lockheed Martin divisão Missiles and Fire Control MFC.

HIMARS em ação na Ucrânia