A praça de touros da Póvoa de Varzim já não existe. O projeto de requalificação do local esteve parado 2 anos, à espera que o tribunal decidisse sobre a legalidade da demolição da praça de touros. O processo de demolição foi travado pela Justiça, na sequência de uma ação movida pela Patripove (Associação de Defesa e Consolidação do Património Poveiro).
Agora que o juiz decidiu, a praça já foi abaixo. A demolição foi agora retomada, depois da autarquia ter recebido, na quinta-feira, a informação de que a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto transitou em julgado, dando luz verde para que as obras para a construção de um pavilhão multiusos, que vai ser erguido no mesmo local, possam avançar.
A praça de touros antes de ser demolidamaqueta do futuro centro cultural
A Póvoa de Varzim ganha um novo e moderno espaço cultural, a memória das tradições medievais bárbaras fica registada nos livros e a sociedade poveira livra-se de rituais sem sentido.
“De certa maneira, estás a fazer história neste programa”, disse Diogo Piçarra, depois de Rúben Torres ter cantado.
O The Voice Portugal estreou de forma surpreendente a edição de 2022. Mais uma vez, nota-se a mãozinha da produção, na seleção dos concorrentes. Provavelmente, uma mãozinha que vai atrás dos potenciais concorrentes a este programa, não se limita a esperar que eles apareçam.
Rúben Torres não se limitou a participar num programa de cantigas. Como disse Carolina Deslandes, “vieste acordar as pedras do chão, vieste reorganizar os corações das pessoas, vieste tocar alarmes e abrir portas”.
Os ciganos portugueses ganharam uma nova âncora de afirmação social. Um programa de televisão pode fazer maravilhas pela sociedade, se quem o faz tiver essa preocupação. Com o The Voice, não há dúvidas de que é assim.
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Depois de Rúben, nesta primeira sessão de 2022, houve de tudo: um transexual, uma refugiada ucraniana, uma filha da diáspora africana lusófona, mais uma mão cheia de concorrentes com histórias de vida interessantes. Um bom alinhamento, pensado para produzir picos de emoção ao longo da emissão.
Os membros do juri são peças importantes para a popularidade do programa. Marisa Linz e Diogo Piçarra são valores seguros, os dois novos membros parecem boas escolhas: Carolina Deslandes e Dino de Santiago.
As notícias sobre guerras são sempre um pouco exageradas. O jornalismo tende cada vez mais para o sensacionalismo, perante a necessidade de vender a um público pulverizado por inúmeras fontes de informação na net.
Nos noticiários ouvimos falar em milhares de fugitivos que saem da Rússia pelas diferentes fronteiras do país, para não serem mobilizados. Mas a informação não é contextualizada. Não nos dizem quantos milhares, nem conseguimos saber se são muitos ou poucos, em termos relativos. A Rússia é o maior país do mundo, em área, mas terá apenas 146 milhões de habitantes, a acreditar no countrymeters.info consultado quando este artigo foi escrito.
Os números valem o que valem, mas podem dar uma ideia do custo político de uma decisão governamental.
Os desertores portugueses
Por exemplo, quando Salazar decidiu ir “para Angola e em força”, na sequência dos primeiros ataques dos grupos independentistas, a sociedade portuguesa também experimentou sentimentos antagónicos: revolta e medo, voluntarismo e oposição, sacrifício e deserção.
Salazar, quando declarava guerra nas colónias africanas
Somos um país pequeno, com uma população diminuta. Hoje somos 10 milhões, em 1960 seriamos 8 milhões e 800 mil.
Miguel Cardina no artigo “A deserção à guerra colonial: história, memória e política”, publicado em 1988 na Revista de História das Ideias, diz-nos que entre 1961 e 1974 (13 anos de guerra em três frentes africanas – Angola, Moçambique e Guiné-Bissau), registaram-se 9 mil deserções (soldados que fugiram), e cerca de 200 mil mancebos faltaram à inspeção militar. Números que rondam os 20% do total de jovens que foram chamados para cumprir o serviço militar obrigatório em vigor em Portugal, naquela época.É um número pesado, representativo do repúdio social por aquela guerra.
A sociedade portuguesa nunca sofreu o “bullying” da propaganda política e ideológica que hoje se exerce sobre os antagonistas na guerra da Ucrânia. Naquela época não havia redes sociais e era fácil isolar um país da influência estrangeira.
Quanto à guerra na Ucrânia, não sabemos ainda a dimensão desse repúdio na sociedade russa. Quando na SIC, por exemplo, nos dizem que “milhares de pessoas tentam fugir da Rússia com medo de serem enviados para a guerra”, deviam-nos dizer quantos milhares, quantos homens em idade de combater, quantas mulheres e quantas crianças. Dizer “milhares” apenas, não chega.
Meios de comunicação social, redes sociais, dark web, todos os campos são válidos para propaganda de guerra e desmoralização do inimigo.
A propaganda ucraniana é muito bem feita. Os discursos de Zelensky chegam às redações e redes sociais traduzidos em inglês, as fotos são sempre horrorosamente belas. Há muita mão-de-obra empregue nesta propaganda, muito dinheiro investido nisto.
A outro nível, desenvolve-se também uma guerra assimétrica com a promoção da guerrilha urbana. Nas redes sociais, ensina-se a fazer bombas caseiras e publicitam-se os ataques realizados.
publicado na rede Telegrampublicado na rede Telegram
No Facebook, existem diversos grupos e perfis que se dedicam a incentivar atos de vandalismo e guerrilha urbana.
página anti-Rússia no Facebook
Neste tipo de páginas, noticiam-se atos de sabotagem e fornecem-se links que alegadamente comprovam os acontecimentos e onde constam apelos à sistematização da violência política.
publicado no Facebook
A tendência é para o aumento deste tipo de ações. Uma garrafa com gasolina que explode, um pneu a arder no meio da rua, um cidadão que ficou com o carro queimado, são as pequenas batalhas dos partizans.
Os russos também jogam neste campo. Hoje (25/09) surgiu a informação (num comentário -que reproduzimos abaixo- a uma notícia sobre o eventual fecho da fronteira entre a Rússia e o Cazaquistão), que depois do anúncio dos resultados do referendo, será apresentado um ultimato à Ucrânia sobre a retirada voluntária das tropas dos territórios anexados pela Rússia. Em caso de recusa, Moscovo declarará guerra a Kiev. Depois disso, a guerra total, com a destruição sistemática das estruturas do país e ataques dirigidos aos centros de decisão.
Um modo de dizer a Zelensky que ele passará a ser também um objetivo militar.
comentário no Telegram sobre reação da Rússia após anexação dos territórios
O Facebook filtra palavras e imagens. Por exemplo, uma obra de arte que exiba os seios de uma mulher pode ser censurada, normalmente é. Mas o filtro (chamado algoritmo) não sabe diferenciar uma imagem de pornografia de uma pintura clássica, por exemplo. Censura tudo de modo igual.
O pudor em relação aos mamilos femininos é um preconceito cultural norte-americano. Na Europa não existe. No entanto, o Facebook aplica o mesmo filtro, seja na Europa ou na América do Norte.
Dirão que é uma maneira de evitar a promoção da pornografia e da prostituição. Mas duvidamos quando, no Messenger, a rede associada ao Facebook, se permitem esses “pecados”.
Messenger, da Meta Inc.
Onde o algoritmo censório é mais aplicado é na palavra. O alarme soa em Menlo Park, Califórnia, se em Lisboa escrevermos, por exemplo, “matar”. Ou “bombardear”. São exemplos do que acontece com frequência. Na pesquisa que fizemos, encontrámos alguém que escreveu, numa troca de comentários, “No Iémen e na Palestina, os campos são pelados, não cumprem os requisitos mínimos da FIFA, podem ser bombardeados”.
O autor desta frase ficou bloqueado 28 dias. Raramente o Facebook admite que o algoritmo errou. Mas a verdade é que o filtro não apreende o contexto da frase, não lê para trás, não entende ironia nem sarcasmo. Retira a frase do contexto, aplica a multa. No caso em apreço, quem a escreveu protestava contra um bombardeamento israelita que destruiu um campo de futebol em Gaza. A frase pretendia ser sarcástica, devia ser interpretada como crítica. Para entender isso, teria sido necessário que o algoritmo fosse inteligente. E não é.
O “campeão” dos bloqueios
Carlos Augusto Almeida corre o risco de ser o português mais bloqueado do Facebook, ainda em atividade nesta rede social. “Seguramente mais de 100”, assegura.
Perguntámos se os bloqueios se relacionam com alguma temática em particular? Temas políticos? Sociais? “Sempre por questões sociais, alertas, críticas seguidas de argumentos corretivos, etc.” responde Carlos Almeida, que nos explica que “nunca abordo questões partidárias, todas as minhas publicações, partilhas, comentários e gostos, são apartidárias. A minha política é unicamente destacar, opinar, argumentar e mobilizar para ações populares construtivas e transversais.”
Pedimos-lhe exemplos. Respondeu-nos: “Políticas florestais de Portugal, sou contra as contínuas e extensivas monoculturas de eucalipto e pinheiro bravo, minas a céu aberto ou em galeria, todas sempre junto a lençóis freáticos, rios, albufeiras e lagos naturais.”
Considera o termo “censura” indicado para estas questões, ou aceita que o Facebook age no interesse da comunidade, como normalmente argumenta a rede social? “Sim, o termo adequado é censura,” responde.
Na opinião do nosso interlocutor, o Facebook defende os interesses dos grupos económicos e pratica uma política de pensamento único. Qualquer um que pratique um discurso fora da caixa, contra o pensamento dominante, corre o risco de ser bloqueado. Basta que surjam queixas contra a publicação.
Carlos Almeida acredita que “a maioria das vezes são perfis falsos ao serviço de lobbies e partidos políticos, mas também alguma inveja de utilizadores, unicamente por pensar fora da caixa.”
Carlos Augusto Almeida trava uma luta desigual com a mais poderosa organização de comunicação do mundo. Nunca fez queixa do Facebook aos organismos que têm por missão defender os direitos dos consumidores ou o exercício da liberdade de expressão e de opinião. Porque com a META (a empresa dona do Facebook) “ninguém mete a colher, nem mesmo governos eleitos democraticamente pelos cidadãos”, diz Carlos Almeida. É como se o sr. Zuckerberg fosse o dono-disto-tudo.
Enquanto não o expulsarem, ele continua no Facebook, onde se identifica com um cartaz vermelho que diz BLOCKED (bloqueado).
Foi descoberto um novo vírus da família do coronavírus e que é suscetível de infetar células humanas, dizem os cientistas. Até aqui, tudo bem. Já estamos habituados.
O vírus foi “visto” pela primeira vez há dois anos em morcegos na Rússia. Na época, não foi considerado uma ameaça aos humanos. Agora, mudaram de opinião.
O que também não deixa de ser estranho é o nome com que batizaram o “bicho”: khosta-2.
Ou este coronavírus desaparece no anonimato ou o primeiro-ministro português vai ter mais um problema. A semelhança fonética entre os nomes tem todo o potencial para gerar paletes de anedotas e de trocadilhos.
Normalmente, os nomes dos vírus resultam de acrónimos do inglês. Por exemplo, o nome SARS-CoV é uma abreviatura de ‘Severe acute respiratory syndrome coronavírus’ (Coronavírus da síndrome respiratória aguda grave). Como chegaram a Khosta, ainda não sabemos. Mas o nosso Costa corre o risco de passar a António Khosta. Isso é certinho.
Também há eleições na Guiné Equatorial. Acaba de ser anunciado que o povo vai a votos em novembro e que o candidato é o senhor do costume, aqui tratado por “hermano”.
A notícia foi dada nas redes sociais pelo vice-Presidente que é um dos filhos do Presidente Obiang. Hoje, cada vez mais, a política noticia-se nas redes sociais. Evita-se a mediação de algum jornalista mais chato e selecionamos quem queremos que nos aplauda. Funciona muito bem.
O presidente Obiang tem 80 anos, está no poder desde 1979. Na verdade, quem governa é o filho Teodoro (tem o mesmo nome do pai). Teodoro já esperou toda a vida para ser Presidente, vai esperar mais um pouco. O exemplo de Carlos III é uma inspiração, por certo.
O candidato é sempre o mesmo, no parlamento a hegemonia do partido quase único, mas a CPLP e a restante comunidade internacional consideram que a Guiné equatorial está no bom caminho.
Abolição da pena de morte
Prova disso são as felicitações e aplausos pelo anúncio da abolição da pena de morte.
O Presidente da República portuguesa foi um dos que aplaudiu a decisão da Guiné Equatorial, numa nota singela no site da Presidência. A CPLP, pela voz do secretário executivo, também festejou. Todos preferimos um mundo sem pena de morte.
Na verdade, a lei existia, mas já não era aplicada desde 2014. A abolição foi aprovada pelo parlamento, onde 99 dos 100 deputados se sentam em nome do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), o partido presidencial. Entrará em vigor no prazo de 90 dias.
Dois militares do Corpo de Fuzileiros foram acusados pelo Ministério Público do homicídio do agente da PSP Fábio Guerra.
Seis meses depois da morte do polícia, apenas dois dos três suspeitos iniciais foram acusados. Os fuzileiros estão em prisão preventiva desde o primeiro interrogatório judicial. O terceiro suspeito, um civil, continua em paradeiro incerto, supostamente fugiu do país. Na altura, circularam fotografias e foi exposta a identidade dos três suspeitos.
O agente Fábio Guerra, de 26 anos, morreu no passado dia 21 de março, no Hospital de São José, em Lisboa, devido às “graves lesões cerebrais” sofridas na sequência das agressões de que foi alvo no exterior da discoteca Mome. Postumamente foi condecorado com a Medalha de Serviços Distintos de Segurança Pública, grau ouro. O despacho foi assinado pela anterior Ministra da Administração Interna, Francisca Van Dunen.
Na verdade, vai ser difícil saber ao certo quem fez o quê. Os acontecimentos que antecederam a agressão ao agente da PSP envolveram mais de 20 pessoas numa rixa na via pública. Quatro agentes da polícia terão tentado parar com a violência e separar os dois grupos que se batiam. Um dos grupos, a que pertenceriam os suspeitos, terá então agredido coletivamente os 4 polícias e Fábio faleceu dois dias depois, em consequência dos ferimentos sofridos.