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Rússia/Ucrânia, ataque e contra-ataque

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Putin falou, orbi et orbi, Biden e Zelensky “sacaram das pistolas” e ameaçaram exterminar a Rússia até ao último russo.

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Com a Ucrânia na NATO, o mecanismo de defesa comum obrigará todos os membros a agir em defesa da Ucrânia.

Na prática, a aliança já funciona. A NATO, ou os Estados membros, treina as tropas ucranianas, fornece equipamento, informações, tudo o que é preciso para obter vantagens no campo de batalha. Só falta mesmo enviar tropas regulares para a Ucrânia, porque os mercenários já lá estão.

Do Mediterrâneo até ao circulo polar ártico, todos unidos contra a Rússia. Só faltarão mesmo os pinguins.

Como mais vale rir do que chorar, o cartoon de Hélder Dias.

cartoon de Hélder Dias

CHINA tem o mais jovem preso político de sempre

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A China está longe de ser um regime democrático e o que ontem publicámos é apenas uma das evidências do totalitarismo que caracteriza o regime do Partido Comunista Chinês.

O desaparecimento de potenciais inimigos do Estado chinês é prática recorrente. Talvez o mais famoso preso político da China seja um individuo que se chamava Gedhun Choekyi Nyima, um tibetano desaparecido em 17 de maio de 1995, com seis anos de idade. Hoje, provavelmente, mudaram-lhe a identidade.

cartaz sobre o desaparecimento de Gedhun Choekyi Nyima

A criança era o sucessor designado do Panchen Lama, alto dirigente da religião budista, escolhido pelo dirigente supremo Dalai Lama, através de um processo tradicional.

Desde que a China invadiu e ocupou o Tibete, o Dalai Lama é um elemento a abater, por ser o foco da resistência à ocupação. O rapto da criança e a imposição de um outro Panchen Lama fez parte do processo de criar divisões entre os tibetanos.

A verdade é que desapareceu uma criança de seis anos. A China assume que tem tido a criança (e a família) sob custódia, mas que todos estão bem de saúde. Mas nunca mais foram vistos. Visitas nunca foram autorizadas.

Na Assembleia da República

A denúncia destas práticas chinesas de fazer desaparecer inimigos políticos já foram, antes, objeto de discussão e votação na Assembleia da República.

Em 2019, 24 anos depois do sumiço de Gedhun Choekyi Nyima, os deputados portugueses votaram a condenação do  “desaparecimento forçado do prisioneiro político mais jovem do mundo, o 11.º Panchen Lama”, solicitando ao Governo português que apelasse ao Governo chinês pela libertação do prisioneiro.

O PAN argumentou que o desaparecimento de Gedhun Choekyi Nyima era “uma violação grave e flagrante dos direitos humanos e liberdades fundamentais”, que desrespeitava a Convenção das Nações Unidas para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado.

O voto de condenação foi apresentado por André Silva, na época o deputado único do PAN. Votaram a favor Bloco de Esquerda, o deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira, a deputada do PS Isabel Santos e quatro deputados do CDS-PP: Telmo Correia, Filipe Anacoreta Correia, Ana Rita Bessa e João Almeida. Os restantes deputados do PS, PSD, CDS abstiveram-se. Só o  PCP votou contra.

Gedhun Choekyi Nyima hoje terá 33 anos de idade.

PORTUGAL DOS PEQUENITOS: UMA MIRAGEM

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Dizem que visitamos Portugal dos Pequenitos, em Coimbra, duas vezes na vida: quando somos crianças e quando temos filhos. Eu tenho uma quota bem mais elevada e talvez tenha roubado a oportunidade ou a vez a outros. Fui muitas vezes ali quando era criança e outras tantas com as minorcas da casa.

Viajar até lá pode ser uma boa proposta para passar um dia ou um fim-de-semana.

Todavia, este Portugal dos Pequenitos já nada tem a ver com o da minha infância. Pode ser o romantismo da recordação. Mas não me parece…

De facto, os bilhetes não são baratos, ainda por cima tendo em conta a degradação do interior que magoa profundamente. No site anuncia-se a venda de ingressos online. Não funciona. Resta esperar em filas que atravessam o largo fronteiriço. Uma vez entrados, há dois pavilhões que estão muito bem cuidados. O de Timor, por exemplo, tem a história do crocodilo e a presença portuguesa, entre outros pormenores interessantes. É o primeiro espaço a visitar. Depois, há as casinhas, mesmo os pagodes chineses, e os museus e monumentos nacionais em miniatura. A fechar, o espaço dedicado a África também está razoavelmente ilustrado. Pelo meio fica o pavilhão do Brasil, com um filme sobre a Amazónia, que se revelou uma boa surpresa.

O problema é que à porta das casinhas portuguesas e dos monumentos, fechados em pleno Verão, tem os qrcode que não vão dar a lado nenhum e informação ZERO. Em 2019, uma notícia dizia: ‘Um novo mapa infográfico, uma aplicação para smartphones inovadora e a abertura de uma exposição foram as novidades tornadas públicas (…) pelo Portugal dos Pequenitos, que celebra este ano o seu 79.º aniversário’. Passada pelos polígrafos, esta notícia seria falsa.

Em diversos espaços surge a informação: ‘encontram-se temporariamente inacessíveis, em virtude do processo de renovação de conteúdos’. Pois, mas o preço dos bilhetes é o mesmo… E não seria grave se, por exemplo, nos degraus de acesso ou no interior de alguns monumentos, naturalmente desgastados pelo tempo e por muitas visitas, houvesse uma tira antiderrapante, que não será muito cara e teria impedido uma senhora de cair e abrir a cabeça, como vi em Setembro, no dia em que ali fui com as minhas netas.

Não há um folheto, uma visita guiada, uma explicação… Com tanta gente no desemprego ou mesmo com recurso a voluntários das escolas, a Fundação Bissaya Barreto não encontrou três ou quatro jovens que se dispusessem a acompanhar os mais pequenos? São pequenas soluções que impediriam a sensação de abandono e desleixo que nos fica.

Será que a Fundação se esqueceu que, ‘no âmbito da sua ação em defesa da criança, Bissaya Barreto idealizou este parque-jardim, de características únicas (…)’, inaugurado a 8 de Junho de 1940?

Boas notícias, da região saloia à Galiza.

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Cascais, Oeiras, Sintra e Mafra, 4 concelhos pioneiros na recolha de biorresíduos. Um projeto piloto, ainda em fase de teste nestes municípios.

A Telefonia na Rede www.setepontosete.p

Uma nova biblioteca municipal na antiga Fábrica Simões, freguesia de Benfica, em Lisboa. Aqui vai ficar o espólio literário de António Lobo Antunes.

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Obras de arte ao longo dos 260 quilómetros de rotas entre a cidade do Porto e Santiago de Compostela.

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OS LUGARES DE MARAMGONÍ

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Maramgoní não apenas pinta os lugares, captando-os num determinado momento: retrata-lhes a vida, o simbolismo das formas, o pormenor amiúde despercebido mas tocante. Por outro lado, a sua paleta vive sobretudo das cores quentes, aconchegantes, como se quisesse tudo envolver numa aura não desprovida de mistério. Prefere a noite onde os candeeiros eléctricos desempenham papel primordial. Veja-se esta Rua Garrett em dia molhado: é ao lusco-fusco? É à noite? Há janelas e portas iluminadas; mas, em primeiro plano, o rendilhado branco da calçada ganha tal força que hesitamos em descer para o parque subterrâneo, por mais que ele sub-repticiamente nos convide a entrar, nesse escuso canto direito inferior da imagem.

Rua-Garrett-Chiado-155-x-90-cm

E não é feérica esta cidade de Lagos também em noite de chuva?

Praca-Infante-D.-Henrique-Lagos-100-x-150-cm

Afirma-se, no texto de apresentação que nos foi enviado, que a pintura de Maramgoní se fundamenta «numa arquitectura filosófica». Não que os edifícios se comportem quais pensadores. ‘Arquitectura’ significa aqui, se bem interpreto a expressão, o modo como Waldemar Maramgoní Júnior observa os ambientes e minuciosamente os reproduz. Sim, há gente a passear-se nessas ruas – quais pontinhos negros na Praça Infante D. Henrique de Lagos ou solenes damas e cavalheiros num Regent Circus de finais do século XIX – mas o olhar desvia-se para os edifícios, desenhados, não há dúvida, com um rigor de arquitecto.

Regent-Circus-1880-London-80-x-120-cm

Mais uma vez, portanto, vamos ter o privilégio, a partir do próximo dia 8 e até 7 de Novembro, admirar na galeria de arte do Casino Estoril a sua exposição «Lugares». Título sintomático – a proporcionarmos bem agradável viagem.

Genocídio na China

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Rushan Abbas é uma ativista pelos direitos do povo Uighur, uma minoria étnica da China de religião muçulmana. Os uighurs têm sido perseguidos e acusam a China de praticar políticas genocidas que dão desde a esterilização compulsiva das mulheres até ao encarceramento massivo em campos de concentração.

Rushan Abbas esteve em Portugal, na Assembleia da república, para pedir ajuda para a defesa do seu povo. Se fosse ucraniana, não seria difícil. Mas os uighurs não existem nas preocupações da grande maioria dos portugueses.

Os uighurs têm tradicionalmente habitado uma série de oásis espalhados pelo deserto de Taklamakan dentro da Bacia de Tarim, na Ásia Central. Estes oásis existiram historicamente como estados independentes ou foram controlados por outros povos, dos chineses aos mongóis, tibetanos e turcos.

Os uighurs começaram gradualmente a tornar-se islamizados no século X e hoje o islamismo é a religião predominante entre eles.

homem uighur

Ximenes Belo, bispo acusado de pedofilia

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Os “segredos” de Ximenes Belo, bispo de Dili, padre católico, foram escondidos por vergonha e por subserviência dos timorenses. Todos sabem do que se passou, mas ninguém falou. Até agora. A vergonha não se baseia apenas no facto de Ximenes Belo ser padre, mas também por ser um dos heróis da independência do país, da resistência contra a Indonésia, razões que justificaram a obtenção do Prémio Nobel da Paz em1996, pelo seu trabalho “em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste”. Era um homem amigo dos poderosos.

Mas agora, depois do De Groene Amsterdammer ter publicado duas denúncias de homens que, em criança, foram sexualmente abusados por Ximenes Belo, pode ser que as línguas se desatem.

recorte do artigo sobre Ximenes Belo

O jornal ouviu várias vítimas e pessoas com conhecimento do caso, incluindo “individualidades, membros do Governo, políticos, funcionários de organizações da sociedade civil e elementos da Igreja”.

Em Timor, há muito que se diz que a verdadeira razão de Ximenes Belo ter abandonado o país de repente, em 2002, foi a necessidade de salvar a vida perante a ameaça de familiares de uma vítima de abuso sexual. Mas era sempre uma conversa de “ouvi dizer”, sem referências concretas, facilmente negada ou ignorada por governantes ou responsáveis da Igreja Católica.

Ximenes Belo anunciou a resignação do cargo, alegando, problemas de saúde e a necessidade de um longo período de recuperação. “Estou a sofrer de fadiga mental e física, o que requer um longo período de recuperação”, referiu Ximenes Belo num comunicado em que informava ter escrito à Santa Sé solicitando a renúncia do cargo de Administrador Apostólico de Díli, função que exercia desde 1983.

Desde 2002 que Ximenes Belo vive em Portugal. Aqui se refugiou do perigo das ameaças, embora seja difícil encontrar refúgio seguro para a má consciência e para o escândalo que rebenta como uma bomba relógio.

O jornal holandês refere que os alegados abusos terão começado ainda antes de Ximenes Belo ser nomeado bispo, quando ainda era superior nos Salesianos de Dom Bosco, e Díli, na década de 1980.
Os timorenses citados no artigo referem alegados abusos cometidos na década de 1990. Hoje com 42 anos, Paulo, como uma das vítimas é identificado, alega que quando ainda era menor foi alvo de abusos sexuais na casa de Ximenes Belo, por troca de dinheiro.
As primeiras denúncias foram feitas ainda antes de Ximenes belo ter abandonado Timor-Leste, numa época em que a Igreja católica tinha enorme influência sobre a população e mesmo sobre os governantes timorenses. Influência que, de resto, ainda hoje mantém.

Nas atuais circunstâncias, com um papa a sanear todos os crimes e abusos sexuais perpetrados por clérigos, em todo o mundo, Ximenes Belo não terá mais a proteção de que beneficiou até hoje.

Marketing do Governo

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O Dia Internacional da Limpeza Costeira foi celebrado em Portugal por uma iniciativa inédita de limpeza subaquática, organizada pela “Oceanum Liberandum”, associação sem fins lucrativos e que se dedica, entre outras actividades, a limpezas subaquáticas e de praias. Estas iniciativas contam com o patrocínio e apoio de inúmeras empresas e da Câmara Municipal de Sesimbra, e principalmente de centenas de voluntários que se uniram com vista a defender os oceanos e que pretendiam até bater o record mundial do Guinness com o maior número de mergulhadores presentes numa ação de limpeza aquática. Esse objectivo foi atingido.

A Secretária de Estado das Pescas, Teresa Coelho, participou numa das atividades de recolha de lixo costeiro-terrestre, e frente às câmaras e microfones de televisão, fez questão de sublinhar “a importância destas iniciativas no âmbito da promoção de métodos ambientalmente sustentáveis, nomeadamente enquanto factor decisivo para a valorização dos sectores da Pesca e da Aquicultura“.

A notícia apareceu na página do Governo bem como na página do Ministério da Agricultura e Alimentação, em ambas as suas contas do Facebook, bem como em vários órgãos de comunicação social.

E de tal forma foi redigida, que o incauto leitor ficaria com a garantia de que o Governo teria, se não sido o mentor da iniciativa, pelo menos um seu opulento patrocinador.

Pois, mas nem uma nem outra dessas ideias estaria correcta – e nem de perto nem de longe.

A muito louvável iniciativa de recolha de lixo costeiro-fluvial-marítimo contou com zero apoio do Governo Português, quer a nível financeiro quer de meios, nem por parte do Ministério da Agricultura e Alimentação nem por parte do Ministério do Ambiente.

Aliás, este último, no anterior Governo, até fez gáudio de orelhas moucas, olimpicamente ignorando os sucessivos pedidos de audiências e exortações por parte de organizações ambientalistas nacionais e internacionais, aquando do prenhe de obscuros interesses, dramático, selvagem, iníquo e absurdo processo de dragagem do Rio Sado, que decorreu contra a vontade da população, dos ambientalistas e com o beneplácito, e explícito e directo patrocínio da ex-Presidente da Câmara de Setúbal, e com o implícito apoio por omissão do Ministério do Ambiente e do Governo, com as nefastas consequências quer na Reserva Natural do Estuário do Sado quer no Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, área marinha protegida e parte integrante do Parque Natural da Arrábida e gerido pelo ICNF.

Imagem ilustrativa das consequências das dragagens no Rio Sado

A pergunta que resta formular é, enfim, apenas a seguinte:

Teresa Coelho esteve presente nesta iniciativa como cidadã ou como membro do Governo? Se compareceu como cidadã e ajudou a recolher lixo costeiro, a sua presença é de acolher e louvar.

Se, por outro lado, compareceu no papel de Secretária de Estado das Pescas e deixou-se fotografar e vídeogravar como tal, no mínimo seria interessante que nos informasse em quê o Governo contribuiu para o evento, ou se a senhora apenas esteve presente para capitalizar o acontecimento e para passar a mensagem da “preocupação” [inexistente até à data] do Governo com o Estuário do Rio Sado e respectiva envolvente terrestre e marítima.

Aguardemos os seus preciosos esclarecimentos. Mas sentados.

FORAM OS AMERICANOS, diz eurodeputado da Polónia

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Radek Sikorski é eurodeputado da Polónia e membro de uma associação de amizade com os Estados Unidos, assim se apresenta no Twitter. Tem obrigação de ser pessoa bem informada e de comunicar com o povo com responsabilidade.  

Este político polaco agradeceu aos EUA por terem rebentado com o gasoduto russo. Sikorski diz que o gasoduto só servia para a Rússia chantagear a Europa e, assim, aplaude o sucedido. Talvez para credibilizar a sua mensagem, o eurodeputado partilhou um twitt de uma outra pessoa com um vídeo onde Biden garantia, no canal ABCNews, em fevereiro, que se a Rússia invadisse a Ucrânia, o gasoduto iria ser destruido.

Traduzindo:

Biden diz que “se a Rússia invadir, deixará de haver um Nord Stream 2. Vamos pôr fim a isto.”

“Mas como vai fazer isso exatamente, já que o projeto está no controlo da Alemanha?” ouve-se uma jornalista perguntar.

Biden responde: “Prometo, iremos fazer isso.”

Com o gasoduto submarino destruído, o gás da Rússia só poderá chegar à Europa através de dois outros terrestres, um que sai da Rússia através da Bielorússia, atravessa a Polónia até chegar à Alemanha e um outro que sai da Rússia pela fronteira com a Ucrânia, passa pela Eslováquia até chegar à Áustria.

Ou seja, destruíram o gasoduto que não pagava direitos de passagem a ninguém. Os outros onde a Ucrânia e a Polónia cobram “portagem” continuam operacionais.

Resta saber como vai reagir a Rússia e o que tem a Alemanha a dizer a isto. O inverno aproxima-se, em alguns territórios do leste europeu já cairam os primeiros nevões.

FRUTA ENVENENADA

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“A contaminação por pesticidas está mais alta que nunca”, a frase vem escrita na introdução do relatório da ONG Pesticides Action Network Europe, divulgado hoje.

Sustentado em dados oficiais dos países investigados, os relatores escrevem ainda que “as frutas de outono estão muito contaminadas por vários pesticidas”. O relatório aborda particularmente o estado das maçãs e peras, duas das frutas de maior consumo na Europa nesta época do ano.

Em ambos os casos, os dados divulgados indicam níveis de envenenamento das frutas compatíveis com o surgimento de doenças cancerígenas ou cardíacas.

A situação mais complicada para Portugal é a das peras. Ao todo, 68% das peras portuguesas analisadas apresentavam valores elevados de pesticidas perigosos, a percentagem mais alta da Europa. No caso das maçãs, com 50% das peças de fruta a registar níveis proibitivos de pesticidas.

O relatório intitula-se “Paraíso Pesticida” e denuncia as políticas dos vários governos europeus que protegem os interesses da indústria de pesticidas e da agricultura intensiva.

Foram analisadas 44.137 amostras de frutas frescas entre 2011 e 2020, nos países produtores da União Europeia. Uma das conclusões do estudo é que o uso de pesticidas aumentou, a contaminação de maçãs, peras e ameixas quase duplicou desde 2011.