OS LUGARES DE MARAMGONÍ

As imagens que ilustram esta nota são, a meu ver, basto significativas para que se dê conta do talento pictórico do paulista Maramgoní, agora com 50 anos e um currículo já notável de exposições de raro mérito.

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Maramgoní não apenas pinta os lugares, captando-os num determinado momento: retrata-lhes a vida, o simbolismo das formas, o pormenor amiúde despercebido mas tocante. Por outro lado, a sua paleta vive sobretudo das cores quentes, aconchegantes, como se quisesse tudo envolver numa aura não desprovida de mistério. Prefere a noite onde os candeeiros eléctricos desempenham papel primordial. Veja-se esta Rua Garrett em dia molhado: é ao lusco-fusco? É à noite? Há janelas e portas iluminadas; mas, em primeiro plano, o rendilhado branco da calçada ganha tal força que hesitamos em descer para o parque subterrâneo, por mais que ele sub-repticiamente nos convide a entrar, nesse escuso canto direito inferior da imagem.

Rua-Garrett-Chiado-155-x-90-cm

E não é feérica esta cidade de Lagos também em noite de chuva?

Praca-Infante-D.-Henrique-Lagos-100-x-150-cm

Afirma-se, no texto de apresentação que nos foi enviado, que a pintura de Maramgoní se fundamenta «numa arquitectura filosófica». Não que os edifícios se comportem quais pensadores. ‘Arquitectura’ significa aqui, se bem interpreto a expressão, o modo como Waldemar Maramgoní Júnior observa os ambientes e minuciosamente os reproduz. Sim, há gente a passear-se nessas ruas – quais pontinhos negros na Praça Infante D. Henrique de Lagos ou solenes damas e cavalheiros num Regent Circus de finais do século XIX – mas o olhar desvia-se para os edifícios, desenhados, não há dúvida, com um rigor de arquitecto.

Regent-Circus-1880-London-80-x-120-cm

Mais uma vez, portanto, vamos ter o privilégio, a partir do próximo dia 8 e até 7 de Novembro, admirar na galeria de arte do Casino Estoril a sua exposição «Lugares». Título sintomático – a proporcionarmos bem agradável viagem.

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