A última estátua de Lenin na Finlândia, acaba de ser retirada. O monumento foi desmantelado. Esteve décadas exposto num local público, no centro de Kotka, uma pequena cidade de 50 mil habitantes no sudeste do país.
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A obra faz parte da coleção de arte da cidade, não foi destruída, apenas retirada. Ficará no armazém do Museu Kymenlaakso, um museu onde se preservam (neste caso, onde se armazenam…) as heranças culturais dos povos que influenciaram aquela região da Finlândia.
No seu tempo, Vladimir Lenin foi um líder popular, agregador, idealista, capaz de fazer História e de deixar uma influência duradoura no seu povo e no mundo.
O desmantelamento do monumento a Lenin é também uma espécie de lição para os que hoje se julgam poderosos. Tudo tem um tempo.
Os homens morrem, as estátuas caem, por vezes ficam os ideais.
Messias, Deus, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos,
Tudo que a nós nos diz respeito
O corpo de Diana Santos foi encontrado, desmembrado, decapitado. O macabro achado aconteceu por mero acaso, aparentemente. Foi encontrado por um rapaz que se dirigiu a uma casa em ruínas para urinar, na localidade francesa de Mont-Saint-Martin, a 70 quilómetros da fronteira com o Luxemburgo.
Diana residia no Luxemburgo já há uns anos. Trabalhava na hotelaria e cantava em festas populares, no âmbito da comunidade portuguesa emigrada.
fotograma vídeo de Diana Santosfotograma vídeo de Diana Santosfotograma vídeo de Diana Santos
As investigações estão a cargo da polícia francesa, mas nada garante que o crime tenha ali sido cometido. No local onde o corpo foi encontrado não havia vestígios de sangue, o que significa que o assassinato não foi ali cometido. O corpo terá sido levado para lá já depois de esquartejado.
A identificação da vítima só foi possível pelas tatuagens. Diana tinha várias, tanto no tronco, como nos braços e pernas.
Saiu de Lisboa para a Tapada do Mocho, em Paço de Arcos, e essa residência determinou o testemunho publicado, a 2 de Março último, no nosso prezado colega local A Voz de Paço d’Arcos¸ de que, com a devida vénia, se transcreve o final:
«Quando vejo perdizes e coelhos a saltarem-me ao caminho, acende-se uma luz de esperança – a vida original resiste e está disposta a partilhar o espaço connosco. Seremos suficientemente inteligentes para aproveitar a oportunidade e o ensinamento? Este descampado fabuloso, atravessado por ribeira e vegetação exuberante, é particular e tem aprovado um projeto de construção de consulta impossível por quem vai tentando saber o que ao lado de suas casas está para acontecer. Oxalá a ganância não ameace os derradeiros equilíbrios e possamos, num futuro ao virar da esquina, não só levar filhos e netos a sentar-se junto da água da ribeira reconduzida ao leito, num parque verde naturalizado, como, com engenho, arte e paciência, ouvir de volta o piu do mocho que deu nome à Tapada».
Uma conversa
Conversámos na tarde de domingo, 25, na galeria da Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana, em Cascais, onde Gisela expõe «Povoamento disperso». Estive acompanhado por Simoneta da Luz Afonso e seu marido, uma coincidência feliz, porque há tempos que não abraçava estes meus amigos dos tempos da nossa formação museológica, nos primórdios da década de 70, e porque assim pudemos sentir de perto a emoção que ainda das obras expostas se transmite à autora e ela nos transmite a nós. Regalámo-nos.
Povoamento disperso, Galeria da Biblioteca Municipal de S.Domingos de Rana
Tinha, por isso, de querer saber mais. E aí vai o que logrei saber.
– Mantém-se na Comunicação Social, área em que se formou; detêm os seus escritos um conteúdo pedagógico militante. Que mensagem fundamental gostaria de passar?
Trabalho atualmente no Museu Bordalo Pinheiro, onde sou adjunta de direção. Entrei neste equipamento em 2016 e fui, durante cerca de três anos, responsável pela sua Comunicação. A Comunicação está hoje fortemente alavancada nas redes sociais, tudo ou quase tudo se comunica através delas e de newsletters – mesmo os anúncios, anteriormente impressos, mudaram-se para estes espaços virtuais. Exige-se criatividade e um trabalho de divulgação incessante e original para conseguir que o público chegue até nós e crie hábitos de estar e voltar. Vivemos imersos em informação, é um desafio diário manter qualidade e oferecer diferente. Pessoalmente, aprecio um trabalho de escrita que possa ser mais refletido, aprofundado, diferente do “post” diário, do “tweet”, do “insta”, do tik-tok das gerações mais novas. Imagino com dificuldade ater-me a estes meios de rapidez e ferocidade pela atenção de quem rola os dedos pelo telemóvel. Felizmente, apesar das minhas funções serem de apoio à direção do Museu e à sua gestão corrente, consegui não me desligar totalmente do trabalho de edição. Por exemplo, coordeno, com o João Alpuim, diretor do Museu, a coleção Cadernos de Bordalo, seguramente um dos aspectos mais refrescantes e compensadores do meu trabalho quotidiano no Museu.
– Abandonou a cidade, refugiou-se no campo que ainda resiste, aspira a que nunca se impeça o mocho de vir piar na Tapada a que deu o nome. A que lhe sabem as suas alfaces?
De facto, cheguei a arriscar vida familiar na zona do Cartaxo/Santarém quando os meus dois filhos mais velhos eram ainda crianças pequenas. É possível ter aí uma excepcional qualidade de vida, em termos de silêncio, ar limpo, tempo, entrosamento e respeito pela natureza e animais, também para com os últimos velhos cujas vidas foram quase sempre tão duras que continuam a alimentar, em sonhos, a fuga para um mundo melhor. Por outro lado, este “campo”, que dista meros 70 kms de Lisboa, tem vindo sempre a deprimir: as aldeias estão vazias, não há transportes públicos, qualquer atividade das crianças exige deslocações automóveis e é impossível que sejam autónomos. Verifico que, nos anos mais recentes, muitas casas foram compradas por gente da cidade e estrangeiros, mas não é suficiente para dar vida às localidades. Há uma tremenda falta de planeamento a este nível e, sem transportes, é impossível estabelecer “commutings” viáveis, empregabilidade duradoira, raízes por parte dos mais novos. Aliás, não há trabalho. Tive de vender a minha linda casinha no campo com o seu jardim de rosas, couves portuguesas e limoeiro ao sol. Vivo, desde 2010, no concelho de Oeiras, embora tenha crescido em Carcavelos. Sou uma sortuda por ter conseguido, à beira dos 50, comprar uma pequena casinha de cooperativa com miniquintal e rodeada de árvores e canto de pássaros. Foi uma salvação!
– Aliás, fez para as crianças, em colaboração com sua avó, Maria de Lurdes Modesto, um livro de receitas. Que propósito norteou a equipa?
Da minha querida e saudosa Maria de Lourdes Modesto sou neta de coração, não de facto. Tornámo-nos muito amigas a partir da colaboração na revista Atlantis, a revista de bordo da TAP de que fui coordenadora durante aproximadamente dez anos, enquanto foi dirigida pela minha não menos querida amiga Simonetta Luz Afonso. Com a Avó Milu, forjávamos as histórias todas: unia-nos um humor e imaginação muito parecidos. É a única pessoa com quem consegui, até hoje, escrever a meias – podia começar uma frase e ela acabava, e vice-versa, e ninguém diria que éramos duas. Tínhamos uma ligação muito forte, muito sentida, falávamos com o olhar. Ensinou-me imenso, imenso. Com a graça e generosidade que a caracterizavam. E quis sempre aprender, também, porque era uma mulher excepcionalmente inteligente e arguta. Podia ter sido uma notável primeira-ministro, tenho a certeza. Já não se trabalha com a qualidade que ela tinha e exigia! A Minha Primeira Cozinha Tradicional Portuguesa fez-se para celebrar os 30 anos dessa obra maior e irrepetível que é a Cozinha Tradicional Portuguesa. Avó e neta partem numa viagem por Portugal, à descoberta das regiões e da sua gastronomia. Os desenhos do Bernardo Carvalho são dos mais belos que lhe conheço. Foi um trabalho feito com amor e isso nota-se.
– Filha duma historiadora de Arte, neta de uma senhora que todos admirámos e admiramos e que punha arte nas receitas tradicionais… foram antecedentes para se dedicar às Artes? Dedicação exclusiva ou de puro gozo espiritual?
Quero tanto essa dedicação exclusiva! Teria tanto para dar. Conhece algum mecenas disposto a ajudar-me? Não tanto gozo espiritual, há mesmo uma pulsão irredutível para desenhar e muitas horas de trabalho, serões e férias dedicados a este trabalho.
– A ida para um museu com as características do de Bordalo Pinheiro foi um desejo concretizado, suponho. Como adjunta de direção, que programas tem entre mãos? Outros haverá, porém, que gostaria de poder concretizar.
O Museu Bordalo Pinheiro é uma festa. Somos uma equipa pequena, quinze pessoas, mas o ambiente de trabalho é invulgarmente alegre e produtivo. Orgulhamo-nos muito da nossa programação e das nossas loucuras – aquelas exposições e numerosos eventos que não estavam programados e acontecem. E correm bem! Temos um serviço educativo de excelência, acolhendo escolas a um ritmo frenético, mas também celebrando parcerias com instituições e comunidade. Claro que para o serviço educativo funcionar, contamos com o trabalho dos investigadores, da documentação, da conservação, da comunicação. Uma designer de excelência e uma administrativa tão despachada quanto bem disposta. Sem esquecer a dedicada equipa de acolhimento e bilheteira. Nada se faz sem uma boa equipa entrosada. E sem lautas gargalhadas.
Assume-se a artista como ilustradora. De facto, deu-lhe para agarrar em livros antigos, desmancha-os e faz-lhes bonecos por cima, amiúde inspirada nalguma das frases que lhes subjazem e que se lhe afigurou digna de realce. Dir-se-á, no entanto, que depressa Gisela Miravent passa do concreto para o onírico. Devaneia. Parte para outros mundos onde a Poesia campeia, a Beleza com ela se entrelaça e… nós ficamos perplexos, dela cativos!
A história de Pinóquio que já ilustrou; a preparação das comidas, que apresentou em livro às crianças, de mão dada com sua avó, Maria de Lurdes Modesto (A Minha Primeira Cozinha Tradicional Portuguesa, de 2012); diálogos entre seres imaginários, ao jeito de Paula Rego… são, entre muitos, os ingredientes que povoam a sua bem saborosa ementa, deliciosamente apresentada na exposição.
Se recomendo a visita? Não! Apenas afirmo que, não a visitando, se perde uma oportunidade única de sentir a Liberdade à solta! E há que ler as legendas.
Gisela Miravent Tavares formou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. Ilustrou para a AMI o 2º volume das Histórias para não adormecer. Foi, durante dez anos, a coordenadora editorial da revista de bordo da Tap, a Atlantis, e colabora pontualmente com artigos para esta e outras publicações. É Diretora-adjunta do Museu Bordalo Pinheiro (Campo Grande, Lisboa).
– Comunicante pela escrita, é-o também através do desenho e dos seus quadros. Não sei se é esta, em S. Domingos de Rana, a sua primeira exposição individual; que a levou a expor agora e num equipamento que não deixa de ser ainda beijado pela ruralidade?
Esta é apenas a minha segunda exposição, a anterior ocorreu também este ano, n’ A BASE, uma escola artística sediada em Campo de Ourique. De facto, da escola para a biblioteca, sinto-me confortável pelo ambiente naturalmente pedagógico. Professores, livros, arte a fluir, ambiente que propicia o mergulho na criatividade, convoca a imaginação, rodeia-se de gente curiosa e com vontade de aprender. E tem razão: esse beijo de ruralidade encantou-me. Pese variados amigos e conhecidos torcerem o nariz à ideia de saírem de Lisboa para rumar a São Domingos de Rana?! Paciência. Os que querem ver os trabalhos, sempre chegam cá e, felizmente, têm vindo muitas pessoas que considero extraordinárias. Estou muito contente. Os meus desenhos também, há-de reparar que, mesmo os mais azuis e até os vermelhos-fogo, adquiriram um sorriso luminoso. É evidente que exporei com o maior gosto em galeria ou noutra sala que me acolha. Tudo é bom quando vem por bem.
– «Gisela Miravent»: pseudónimo? Nome artístico? Que se esconde por detrás da aparente estranha identificação?
É mesmo o meu nome. Gisela… creio que a minha mãe pensou no bailado. E bem. Fiz ballet durante longos anos e é das coisas mais bonitas que me sucedeu em vida. Miravent tem origem catalã, consta que antepassados desceram da Catalunha até à ilha Cristina, a sul, onde viriam a dedicar-se à pesca do atum. Existem ou existiram as Conservas Mirabent – não é extraordinário? Mirar o vento?
(para ler toda a entrevista que Gisela concedeu e ficar a conhecer esta extraordinária artista,seguir este link)
Quando Lula chegou finalmente à Presidência da República do Brasil, em 2002, ele deveria ter tido a noção de que precisava dar certo. Ele deveria ter sabido que, se não desse certo, acabaria por fornecer excelentes pretextos aos seus inimigos de sempre: a direita reacionária e militarista.
Quase ia dando certo. A primeira Presidência foi gloriosa. Foi reeleito. Na segunda vez, foi submergido pelas suspeitas de corrupção e nepotismo.
Os governos de Lula ficaram na memória dos pobres, pela implementação de programas sociais. A “Bolsa Família” ou o programa “Fome Zero”, foram novidades absolutas num país marcado pela pobreza e desigualdades sociais. O Brasil triplicou o PIB e teve um Presidente bastante popular em todo o mundo.
Depois de ter deixado a Presidência, a investigação judicial “Lava Jato” incriminou Lula e foi condenado a 9 anos de cadeia pelo juiz Sérgio Moro que, mais tarde, acabou como ministro do Governo de direita de Jair Bolsonaro.
Entretanto, o Supremo Tribunal Federal anulou a condenação de Lula por considerar que esse juiz tinha agido com parcialidade no julgamento que dirigiu. Agora, o regresso de Lula à política oscila entre a redenção e a vingança.
Conheci Lula em 1989, quando ele se batia com Collor de Melo, nas primeiras eleições livres do Brasil. Fui a São Paulo, entrevistá-lo (para a RTP) numa sede do Partido dos Trabalhadores. Lembro-me bem das bandeiras com as estrelas vermelhas, das esfinges do Lenin e de Prestes nas paredes, da voz rouca e gramaticalmente desobediente, do dedo decepado (na mão esquerda) pelo torno mecânico. Lembro-me de ter pensado que aquele tipo nunca seria eleito presidente da república. Faltava-lhe o dinheiro e os compromissos com quem o tem. Enganei-me redondamente.
Lula é a prova que a vida dá muitas voltas, realmente. Tudo tem solução, exceto o dedo decepado na jornada fabril.
Os combustíveis voltam a subir, o gasóleo fica mais caro que a gasolina, o embargo total ao petróleo russo vai complicar tudo ainda mais, nomeadamente porque a inflação galopa em cima das medidas políticas decretadas pela condenação ocidental da Rússia e o apoio incondicional à Ucrânia.
As medidas políticas sacrificam os consumidores, mas continuam a permitir que o grande retalho, comercial, industrial, energético, beneficie de lucros como nunca tiveram antes.
A Agência Internacional de Energia (AIE) lançou um alerta sobre a provável falha que irá ocorrer durante o Inverno na distribuição de gasóleo pela Europa. O embargo europeu ao petróleo russo entra agora em vigor e as consequências serão duas, pela certa: quebra na distribuição e aumento do preço.
Neste recorte do relatório da AIE está dito que a “Europa manteve até agora importações de gasóleo da Rússia de cerca 600 mil barris/dia, mas a partir de fevereiro terá de encontrar outras fontes de abastecimento. As três novas refinarias projetadas no Kuwait, Nigéria e México irão entrar em funcionamento no final de 2023…”. Um ano inteiro de incógnitas quanto ao abastecimento energético na Europa.
Os combustíveis fósseis provenientes da Rússia chegam à Europa através de oleodutos ou gasodutos e, depois do que aconteceu no Mar Báltico com a sabotagem dos gasodutos russos, nada garante que o mesmo sabotador não repita a cena com os oleodutos, bem mais expostos e mais fáceis de sabotar. Um desses oleodutos atravessa a Ucrânia e, feitas as contas, pode até ser mais rentável aos ucranianos (desde que devidamente apoiados pelos aliados) destruir a infraestrutura do que continuar a receber pelo direito de passagem.
A Rússia é o terceiro maior produtor mundial de petróleo e seus derivados, depois dos EUA e da Arábia Saudita. É um negócio global, um mundo cão pelo controlo de um mercado que rende fortunas a cada segundo que passa.
fonte revista ACP
Metade do petróleo russo destina-se a países europeus. Conseguir que esses clientes optem por outro fornecedor de energia, será uma vitória para as multinacionais ocidentais que passarão a suprir as necessidades de centenas de milhões de consumidores europeus.
O preço do gasóleo tem subido mais do que o de outros combustíveis. Trata-se de um combustível muito utilizado na indústria e no aquecimento de edifícios, para além do abastecimento de automóveis, nomeadamente nos veículos comerciais e nos pesados de transporte.
Os serviços prisionais parecem estar em grandes convulsões internas. Há uma greve nacional em curso e sem fim à vista e há, em simultâneo, uma greve de guardas prisionais no Estabelecimento Prisional da Carregueira.
Na greve nacional, que começou em 1 de setembro, os guardas prisionais não executam diligências, como o transporte de reclusos em situações não urgentes. Segundo os sindicatos do setor, o período de greve é renovado semanalmente e assim continuará até que haja uma solução.
No EP da Carregueira, em Sintra, os guardas prisionais exigem demissão da atual direção da prisão. O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) marcou uma “greve total” neste estabelecimento prisional. Esta greve tem data para terminar, dia 31 de dezembro. Serão mais de 100 dias de paralisação.
Tanto na greve nacional como na que apenas afeta a prisão da Carregueira, os guardas reivindicam melhores condições de trabalho e melhores remunerações, entre outras regalias exigidas. Terão as suas razões, como é evidente.
A ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, diz que está “consciente das reivindicações” dos guardas profissionais e garantiu que tem estado “a conversar” com aqueles profissionais, que se encontram em greve. Diz a ministra que o direito à greve é um direito constitucionalmente protegido.
RECLUSOS AGUENTAM COM PREJUÍZO DAS GREVES
Por causa das greves, há uma série de procedimentos legais que ficam adiados, incluindo julgamentos, porque os presos não são transportados.
Já a Associação Portuguesa de Apoio aos reclusos (APAR) considera que as greves violam vários direitos consagrados na lei. Em comunicado, a APAR faz notar que “os reclusos estão impedidos de receber, ou enviar, correspondência. O que a nossa Constituição proíbe expressamente. Só podem beneficiar de uma visita por semana. O que viola a Lei de Execução de Penas.”
O comunicado enumera um rol de regras que ficam suspensas, porque os guardas prisionais estão em greve. A comida e a roupa lavada que os familiares dos reclusos deixam de poder levar porque as visitas foram drasticamente reduzidas, o transporte de reclusos doentes a consultas hospitalares, são alguns exemplos apontados no comunicado da APAR.
“Todos os sacrifícios caiem para cima dos reclusos, e seus familiares, já que lhes são cortados os poucos direitos que a Lei lhes confere”, conclui a APAR, no reconhecimento implícito da ironia que a situação encerra: os guardas prisionais usam os reclusos para obterem ganhos no conflito laboral.
Um dia destes, em vez de irmos às compras para renovar os trapos, vamos a uma loja de tintas escolher a cor do que queremos vestir.
A prova do que estamos a escrever está no vídeo que juntamos a este texto.
Nas imagens poderão ver a modelo Bella Hadid a entrar quase nua na passerelle, a ser pintada e sair vestida. Muito bem vestida, com um trapinho justo à pele que lhe ficou a matar.
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O produto ainda não tem preço, mas deve ser muito caro. Coisa para ricos excêntricos. Mas daqui a uns anos, se a tecnologia vingar, a roupa do futuro pode vir a ser assim. Numa lata de spray.
Com a pandemia, a seca, os fogos, a guerra e a inflação a afligir muita gente desprovida de resiliência, as recentes sondagens indiciam uma inesperada descrença na nossa excelente governação.
notícia do jornal online Observador em 30/09/2022
Um contrassenso, se atentarmos que, pondo de fora, entre outras inevitabilidades, a crise do SNS, SS, Educação e Cultura, Agricultura e Pescas, Cibersegurança e Justiça, vivemos em boa paz social e nos sobra desporto, festas e trabalheira que até permitiram eleger recentemente uma maioria absoluta, que nos anuncia obras sem precedentes e um grande pacote de promessas redentoras.
Sã democracia esta de brandos costumes, que estende as suas mãos largas a todos os poderes instituídos que bem convivem à mesa do orçamento e que merecia outro respeito e consideração. Pois se até o principal partido da oposição é chamado a definir as grandes orientações lusitanas! Santo Governo este, em que só leva sopa quem merece…
Depois de profunda e sentida análise sobre tão estranho fenómeno, sou levado a concluir que tamanha ingratidão só pode residir em graves falhas de comunicação. O povinho ignora, por completo, medidas fundamentais que irão agilizar a ação futura de todos os que que, com as suas tribos, tão abnegadamente servem o país.
Entre muitas outras decisões de grande utilidade pública, e que poderiam beneficiar a imagem da classe política, não posso deixar de manifestar a minha estranheza perante o silêncio a que foram votados vários diplomas magistrais, que até uma comunicação social insuspeita, como a nossa, desprezou.
Excelente notícia, e em sede de AR, cito a título de exemplo que, sob proposta de duas influentes deputadas indicadas pelos líderes dos dois principais partidos, e por certo sob beneplácito régio, a generalidade da nossa população ignora a aprovação de dois pacotes de regulamentos, tendentes a eliminar a eficácia de mais uma excrescência da nossa democracia, ao caso o Ticão.
Tratamento de urgência no encerrar para férias, o primeiro desses diplomas teve vida curta, ao impor medidas terapêuticas tão enérgicas que até comprometeriam, ou poriam mesmo fim, a cerca de 90% dos processos judiciais em curso no nosso país. A não ser que se optasse pela redistribuição de quase todos os juízes que, “deslocados de guerra” como os reles médicos e professores, sempre teriam liberdade para emigrar de comarca… ou de país.
Tão radical prescrição levantou, contudo, uma injustificada e incompreensível celeuma que, prontamente abafada por novo e brilhante receituário, depressa veio acudir às preocupações de centenas de cidadãos portugueses. Todos eles acima de qualquer suspeita, e muitos até detentores de altas comendas e prebendas, que, há muitos anos, estão a ser indecorosamente incriminados em processos indignos, lavra de gentinha paranoica e sem princípios, a quem lautamente pagamos.
Corrigido o primeiro diploma pela AR, agora mais à medida do Ticão, tais iniciativas mais não visam do que repor Justiça e promover a amnistia geral destas vítimas inocentes, quiçá mesmo abrir-lhes caminho ao pedido de uma pesada indemnização, justamente devida pelo arrastar de tenebrosos processos judiciais, sem fundamento.
Para, no final, com o povinho sem bufar e a pagar as favas como de costume pelos erros alheios, essa gentalha antipatriótica dos Tribunais ainda se safar da prisão…
Agora a graçola foi repetida com Duarte Lima. O antigo deputado do PSD estava a cumprir uma pena de prisão de seis anos, por crimes de burla no caso “Homeland”, um dos processos do caso BPN. Ontem, eram 17.15 horas quando foi notificado da decisão para ser libertado. Mas, quando saiu, tinha à sua espera quatro agentes da PSP, munidos de mandado de detenção, que o levaram para a esquadra do Cacém, onde pernoitou.
cartoon de Hélder Dias
Hoje, o juiz mandou-o para casa com Termo de Identidade e Residência, obrigação de se apresentar semanalmente às autoridades. Ficou proibido de se ausentar do país. Teve de entregar o passaporte.
Porque razão isto não pode ser feito de outra maneira, não sabemos. O juiz podia ter pedido aos serviços prisionais para lhe levarem Duarte Lima ou, então, o juiz podia ter ido à Carregueira comunicar ao recluso que, no âmbito do outo processo em que está envolvido, iria ficar sujeito a estas medidas de coação. Em causa, está o processo sobre a morte de Rosalina Ribeiro, sendo Duarte Lima suspeito de a ter morto.
O início do julgamento do homicídio de Rosalina Ribeiro, que ocorreu em 2009 no Brasil, está marcado para 23 de novembro.