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MORRER DE BORLA

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Claudisabel, ainda jovem, morreu de borla. A viver no Algarve, deslocou-se a Lisboa para participar num programa de televisão de domingo à tarde. Um daqueles programas que são pagos pelas autarquias, porque lhes interessam aparecer nas televisões, mas onde, na maioria dos casos, os artistas convidados não são pagos pelas atuações que fazem.

As autarquias pagam aos canais de televisão, mas os artistas não recebem cachet. Vão para serem vistos, na esperança de que, algum dia, os organizadores de festas e bailaricos populares se lembrem deles e os convidem para atuar.

É um mundo cão de exploração laboral. Foi nestas circunstâncias que a cantora Claudisabel acabou por morrer de madrugada, numa autoestrada de regresso a casa. Se lhe tivessem pago cachet, talvez ela optasse por dormir num hotel, descansar, antes de voltar a fazer mais 300 kms de viagem.

Foram vários os testemunhos que recolhemos, todos anónimos, relativamente à produção destes programas de televisão. Dizem-nos mesmo que há até casos que se assemelham a extorsão, como um depoimento recolhido onde se afirma que “alguns cantores, pagam às produtoras para irem aos programas de televisão. Isso é um esquema que sempre existiu.”

Carlos III já vale dinheiro

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O Banco de Inglaterra mostrou as novas notas com a cara do rei Carlos III. As novas notas terão o valor facial de 5, 10, 20 e 50 libras.

O dinheiro velho, com o retrato da rainha Isabel II, continuará a circular a par das novas notas.

Notas Carlos III deverão ser postas a circular em 2024. Até lá, as rotativas estão a produzi-las.

Com o tempo, a memória da rainha com o mais longo reinado de sempre vai ficar cada vez mais remetida para os livros de História e sai do quotidiano dos britânicos. A substituição do dinheiro é apenas um passo desse programa.

TEMPORAL ESTÁ A CHEGAR, É MELHOR CALÇAR AS BARBATANAS

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Com o regresso do temporal, segundo as previsões meteorológicas, regressa também a apreensão dos que vivem ou trabalham nas zonas mais susceptíveis de virem a ser afetadas por inundações, enxurradas e deslizamento de terras.

Algumas dessas zonas já estiveram duas vezes debaixo de água, como são os casos da zona ribeirinha de Alcântara, em Lisboa, Algés, em Oeiras, ou Póvoa de Santo Adrião em Odivelas.

Algés em 13 de dezembnro de 2022

Aliás, o município de Odivelas anunciou a criação de um fundo de auxílio de emergência para apoiar 62 famílias, um apoio para despesas de alimentação, medicamentos, óculos, livros escolares e faturas de água, eletricidade e gás.

A autarquia ainda está a fazer o levantamento dos prejuízos, mas estima haver pelo menos 7 milhões de euros em danos causados pelas inundações dos dias 7 e 13 de dezembro, em habitações, empresas e infraestruturas públicas. Se hoje ou amanhã voltar a acontecer o mesmo, a fatura poderá ser bastante superior.

Foi em Odivelas que ocorreu uma das mortes do temporal da semana passada, quando um táxi caiu à ribeira de Odivelas e foi arrastado pela corrente. O corpo do taxista foi encontrado poucas horas depois no Barreiro, o que dá bem uma ideia da força da água. A outra morte foi numa cave em Algés, onde morreu a residente.

Hoje, a proteção civil não tem parado de enviar avisos de alerta por sms aos residentes das áreas mais críticas.

AMARGO E DOCE

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Há tantos anos que quase apetece escrever, era uma vez, seguia umas séries da BBC que eram fantásticas. Umas históricas, outras ficcionadas, deixavam sempre resíduos de ensinamentos úteis para o resto da vida. Uma delas tinha um título pouco sugestivo: Upstairs, Downstairs, que traduzido à letra para Português ficaria ainda pior: Escada Acima, Escada Abaixo. Daí que em Portugal a baptizassem de A Família Bellamy.

Recebiam muitas visitas para jantares requintados, claro, até um dos herdeiros da rainha Vitória já a chegar à meia-idade. Sem ter outra ocupação que não fosse namorar e degustar lautos banquetes, o herdeiro sem trono aceitava o convite dos Bellamy, sempre a fazerem por se manter na crista da onda das relações sociais. Curiosamente os elementos da família tinham um protagonismo secundário.

As figuras principais de toda a série faziam parte da legião de servidores da casa, com o “quartel-general” no rés-do-chão da mansão vitoriana e dormitórios no sótão. A estratificação social era bem caracterizada nas conversas do mordomo, ou da governanta, com os senhores da casa: muitas vezes excelência, vénias de cabeça baixa, mãos atrás das costas, ele, as dela cruzadas à frente numa actividade nervosa. Depois cada um descia as escadas e assumia o lugar de topo na hierarquia de serviçais, determinando tarefas com arrogância e a voz bem colocada.

O jantar do príncipe, tão próximo do Natal, era um acontecimento. Antes de tudo era preciso planear a refeição, depois organizá-la de forma a encadear cada fase com sucesso. E a governanta levava horas a pensar no cardápio, sempre sob o olhar atento do mordomo, Mr. Hudson que, polindo exaustivamente os sapatos do amo, ia dando palpites. Um deles eliminava as angústias da governanta e da cozinheira em três tempos: “Sua Excelência diz que as coisas simples são as melhores, desde que sejam frescas e de excelente qualidade”. “Frescura e qualidade”, repetia a governanta num tom adocicado, olhando o tecto. “Já sei: rodovalho cozido ao vapor com legumes salteados e para sobremesa, peras cozidas com especiarias”. Olhava a cozinheira, ainda incrédula. Até lhe parecia mentira uma refeição tão simples para servir a um príncipe.

Depois as ordens, as recomendações especiais, a correria dos subalternos como abelhas na colmeia, para fazerem as listas e os recados. “Só os melhores ingredientes…até o tamanho das peras conta.”. Os fornecedores habituais fariam chegar o resto à mansão pela porta das traseiras, ao nível daquele piso mais baixo.

Fazia-se o jantar. Vinha o convidado com um séquito considerável. O mordomo servia os vinhos. As empregadas subiam e desciam as escadas para levar os amuse-bouche. Depois aparecia o prato principal. Sua quase Alteza metia uma garfada à boca, aprovava, sorria. As almas dos Bellamy, até aí em suspenso, descansavam, retribuindo o sorriso em dobro. A criada que o servira, por sinal muito engraçada, dava um imperceptível suspiro de alívio antes de descer e contar as novidades lá em baixo. Uma excitação.

Enquanto outra ia saber se era preciso servir mais, tratava-se da sobremesa. O aroma do molho a engrossar, já subia pelas escadas até às narinas dos ilustres. Nessa altura, invocando necessidades fisiológicas urgentes, sua Excelência levantava-se e saía da sala, mas em vez de entrar no WC, acendia o charuto pelo caminho atapetado e descia as escadas sem barulho. Meio escondido num vão da copa, espiava a empregada bonita, ocupada na cozinha a colocar as peras na travessa de prata. Por segundos que lhe pareciam a ela uma eternidade, havia uma troca de olhares, languidez…Depois ele desaparecia deixando atrás de si espirais de fumo aromático. A serviçal que levaria outra travessa notava, também ficava alterada. A governanta, de costas, consolava-se com a espessura do molho, de cabeça para trás e narinas dilatadas, mas dava por um aroma diferente que não vinha da panela…

As moças ajeitavam as toucas, pegavam nas travessas, ouviam as recomendações. Cada uma de seu lado da mesa precipitava-se para a porta ao mesmo tempo e o desastre acontecia…chocavam. Peras e molho derramados pelo chão, as batas brancas salpicados de amarelo-açafrão… Momentos de profundo silêncio e pesar, depois discussão acesa entre ambas, acusações mútuas de culpas, ameaça de tempestade. E agora? A governanta dava um berro: “Agora chega. Mandei cozer uma boa porção de peras para acautelar casos destes…”.

E enquanto o exército de escravos limpava e as fardas eram trocadas, preparavam novas travessas que logo eram levadas escada acima. À saída o príncipe, excelência, duque de alguma coisa, ou quase alteza, exigia a presença de todos, mas só tinha olhos para a empregada bonita. “Foi o melhor jantar que provei até hoje”. E despedia-se.

Esgotada, a tripulação descia e sentava-se nas cadeiras à volta da longa mesa de refeições, no porão daquele barco. A governanta, com a mão no braço do mordomo, agradecia. “O que valeu foi planear, organizar e descomplicar, Mr. Hudson. Coisas simples podem fazer a melhor das refeições, sua Alteza tem razão”.

Retirei estes ensinamentos para os momentos especiais da vida, até para o Natal. Repliquei muitas vezes este prato com o rodovalho, outras substituído por uma simples dourada. O êxito das peras bêbadas, afinal a delícia de sobremesa que deleitara sua quase Alteza, depende dos ingredientes do molho. Truques de cada um… Mas para um Natal ainda mais apetitoso, não se pode esquecer uma pitada de alegria.

MAIS CHUVA E INUNDAÇÕES

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A Proteção Civil decidiu colocar em estado de alerta especial amarelo os distritos de Viana do Castelo, Vila Real, Braga, Aveiro e Coimbra, Leiria, Viseu, Lisboa e Santarém.

A previsão meteorológica para os próximos dias faz temer que ocorram periodos de preicipitação e inundações semelhantes às da semana que passou.

A precipitação será intensa, o Instituto do Mar e da Atmosfera (IPMA) também já emitiu avisos amarelos e laranja para alguns distritos do país.

O período crítico começará ao final do dia 19, sendo que a momento mais perigoso será na madrugada de dia 20, terça-feira.

ZELENSKY DESAFIA PUTIN PARA UM DUELO

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A guerra na Ucrânia está a atingir níveis de palhaçada bélica difíceis de imaginar. O Presidente da Ucrânia desafiou o Presidente da Federação Russa para um combate a dois. Uma cena de rua, embora também seja possível que Zelensky se imagine num ringue esplendoroso rodeado de câmaras de televisão a dar a cena em direto para o mundo.

Putin não deverá responder ao desafio. No início da guerra, ouviram-se muitos comentários sobre as táticas medievais do exército russo, mas não há nada mais medieval do que um combate entre nobres cavaleiros.

O líder ucraniano disse que estava pronto para combater a dois com Putin, já amanhã. Não especificou com que armas pretende desafiar o adversário ou se é coisa só para andar à chapada.

O desafio de Zelensky não passa de show mediático, é evidente. O tempo passa, a guerra cristaliza, os media desviam-se para outras cenas. Zelensky não aguenta sem ser cabeça de cartaz. Está a dar para a asneira. Tudo isto aconteceu… na televisão francesa TF1.

Tipa asneirenta

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Nunca parti um osso, nunca fui operada, mas há dias um médico passou um pequeno papel para que me deitasse numa marquesa e deixasse que mexessem dentro de mim. 

Dias antes, tive de fazer a preparação para a intervenção cirúrgica. Dieta, 36 horas sem comer, oito das quais sem sequer poder beber água.

Como qualquer idiota que se preze fui à net “pesquisar”. Os cenários eram dantescos. Sim, eram possibilidades reduzidas, mas possíveis. Larguei a net antes que a net me engolisse de medo.

E a mamã apareceu. Atentas às voltas com o caminho em hora de ponta, lá fomos conversando e rindo, algo que há muito não acontecia.

Ouvi um plim no móvel, não liguei, a mamã estava na faixa do BUS e, sem me pedir opinião, enfiou-se com uma grande pinta para outra. “Bate por trás, bate, tu é que pagas”. Admirei a determinação e humor. Caiu outro plim, não liguei, andávamos à procura do maldito parquímetro para encher a barriga da EMEL.

Sentámo-nos numa esplanada, um café para ela, um micro-golo de água para mim. Ouvi outro plim. Que seca! Quem é que me está a chatear, afinal?

No primeiro sms as cinco mil hipóteses que temia de ter cancro caíram na calçada escorregadia.

Entreguei os exames e o medo dos efeitos colaterais da anestesia ao balcão da clínica. Deixei o telemóvel com a mamã, sugeriu pô-lo no silêncio. Não, quero saber que continua a tocar, cada plim é um sinal de esperança, quero estar lá dentro a saber que continuam a tocar plins.

Pediram-me para tirar a roupa. Despi as calças, a camisa e a memória das doenças com nomes caros que me tinham enchido a cabeça. Deixei de ser a pessoa mais importante dentro de mim.

A médica desejou-me bons sonhos, sei que sonhei muito, não me lembro. Resolvi antes viajar pela amizade de sonho com a minha tipa asneirenta.

Não gostei dela quando a conheci, nem um bocadinho. Falava super alto e em cada frase dizia cinco asneiras! Não me choco facilmente com a linguagem popular mas o rol contínuo de asneiras era inesgotável, intragável. O marido, pelo contrário, era educado, culto, divertido, sempre vestido com originalidade. Questionei-me várias vezes sobre o que é que ele fazia com uma tipa daquelas.

As asneiras não acabaram, penso que diminuíram, mas deixaram de me afectar pois cada frase asneirenta trazia a reboque uma gargalhada. Se inicialmente conversava mais com o marido, com o tempo fui-me aproximando da tipa asneirenta.

Com ela estava sempre bem disposta, era uma alegria, tinha exageros, sim, mas era uma alegria. O tempo deu-nos a partilha de sentimentos e vivências íntimas, segredos inconfessáveis. Não éramos assim tão diferentes. Entediamo-nos.

O meu cão quase sempre fazia xixi pelas pernas abaixo quando a via. Toda a gente de quem o meu cão gostava tinha um automático aval meu. Era boa gente. Eu bem que posso enganar-me com as pessoas, ele era infalível.

Mas havia uma coisa que me irritava. Tenho esta mania de que tiro fotos muito boas mas o meu cão nunca olhava para mim, virava sempre o focinho, uma frustração. Mas, com a tal tipa, bastava ela chamá-lo e ele fazia pose para ela! É que fazia mesmo!

Partilhávamos uma praça, a praça de toda a gente e toda a gente se dava com toda a gente. Bebíamos café juntas, muitos jantares, saímos para ir à outra praça quando a noite avançava. Era uma espécie de after que acabava às 4 da manhã.

A tal tipa asneirenta tornou-se habitue lá de casa. Aparecia sem ter que se fazer anunciada e ia ficando, ficando.

Uma vez, num jantar caseiro, abusámos um pouco no álcool. Só um bocadinho. Estava meio ressacada quando cheguei à praça no dia seguinte, encontrei-a com amigos, convidei todos para jantar. Os amigos desculparam-se, ela olhou-me com um ar muito sério, nunca tinha visto aquele ar tão sério. Deve estar de ressaca, pensei. Insisti, lá acabou por vir.

Enquanto palrava ao ritmo das voltas que dava com a colher de pau, ela areou um fervedor de água até ficar da cor original! Fiquei impressionada. Depois, serenamente perguntou: “Tu não te lembras, pois não?” Do quê? Repetiu a pergunta com um sorriso: “Tu não não te lembras mesmo, pois não?”  Não me lembro do quê pá?

“Saímos do after, estavas…bem disposta, convidaste-me para comer qualquer coisa aqui em casa, pediste que levasse duas cervejas. Quando percebeste que não tinha trazido nada, gritaste, descompuseste-me, mandaste-me embora, bateste a porta com um grande, grande, grande estrondo, quase que me atingiste no nariz!”

Olhei para ela incrédula. Pedi desculpas mil vezes, não me lembrava de todo, de nada, nadinha. E assim continuou a nossa amizade.

Na praça e arredores tornou-se uma rock star, conhecia toda a gente, combinava planos de trabalho com toda a gente, tornou-se de toda a gente.

Num dia demorámos 20 minutos para percorrer 300 metros. Vi tanto de mim nela, tanto. Com jeitinho disse que talvez chegasse o dia em que tudo o que haveria de querer era fazer esses 300 metros na dela, apenas com olás. Olhou-me fixamente, sempre deu importância aos erros que partilhei, ela que fizesse outros.

Nesta folia da praça ficou bem bebida, muitas vezes, mas num processo auto destrutivo. Na altura não conseguia mas, depois em privado, partia-lhe a cabeça, não a queria ver assim, eu própria estive assim tantas vezes, tantas coisas e pessoas que perdi a começar por mim.

Ela acalmou e na altura mais sofrível da minha vida esteve a meu lado, antes, durante e depois da morte do meu cão. Eu estava imbuída de amor, de amigos e comecei a fazer um trabalho sobre ele. Pedi para o filmar, a máquina dela dava para isso, ela negou de imediato mas insisti tanto tanto que, só para me calar,  lá aceitou.

Registar as dezenas e dezenas de pessoas que, com gosto e amor, falaram sobre o meu cão, tocou-nos e uniu-nos como nunca. Eram tudo coisas bonitas, lindas, tínhamos de conter as lágrimas. Às vezes não conseguíamos e não nos importávamos. O cão era dos dois, de toda a gente.

Decidi fazer uma tatuagem com o nome Pirata, assim se chamava o rafeirito. No caminho começou a dizer entre palavras que era muito longo o trabalho, que tinha os seus projectos para levar adiante… Fiquei petrificada, pedi-lhe para acabar a primeira parte, pelo menos, ela continuou a desculpar-se.

Cheguei desolada à loja das tatoos mas depois de a fazer enchi-me de alegria, uma alegria tão grande que tive de sair, não fosse rebentar com as janelas enormes da loja. Dei pulos de alegria enquanto ela filmava pormenores. Quando saiu, saltei-lhe para o colo, é uma mulher robusta, abraçámo-nos e sim vamos continuar!

Decidiu entretanto ir viver para a Costa Alentejana, tive saudades instantâneas. Antes de se ir embora deixou uma singela exposição de retratos das pessoas da praça. É que, de vez enquando, até tirava umas fotografias giras.

“Tipa asneirenta, conseguiste fazer o que sempre sugeri. É muito mais interessante apanhar as pessoas com naturalidade, sem elas repararem, em vez dos retratos do olha aqui para a câmara. Muito bom.” Elogiei com genuídade e orgulho mas… “Eu não estou aqui, não puseste uma única fotografia minha!”

Com uma grande, grande lata e voz meiga, respondeu que fez o que lhe disse, apanhou o momento, as pessoas. Por isso, eu estava por aquela exposição toda.

Olhei para ela: “Sua grande cabra, com uma justificação inteligente tiraste-me da exposição”. Rimos e lá foi ela enfrentar a força do mar da Zambujeira.

A sacana gostava de apanhar (não é pescar) sargos à noite com uma lanterna que os atrai e depois, pimba, com uma pistola apanha os inocentes sargos. É altamente ilegal, um extermínio de sargos!!!

Acordei da intervenção cirúrgica, sentaram-me numa poltrona, bolachas Maria e chá. Eu que descansasse. Quero lá descansar! Quero é ir ler os plins!

Há três noites que a tipa asneirenta foi assassinar sargos e não voltou à hora do costume. Nem depois, nem depois do depois. Os amigos espalharam de imediato a palavra, todos os barcos da vila percorreram a orla marítima, em terra, uma imensidão de gente maior do que o mar palmilhou as praias. Sem pausas, sem parar.

A tipa asneirenta acabou por aparecer. Toda a gente contou a toda a gente o pouco que se sabia. Estava viva, estava cá! A solidariedade das centenas de pessoas que gostam dela rasgou o céu, tocou a lua.

A tipa asneirenta sobreviveu ao poder dantesco das ondas do mar, conseguiu escapar-se dos rochedos violentos, nadou com as poucas forças que tinha e, não, não morreu na praia.

No final desse dia fizemos uma pausa na partilha de informações, ela estava em boas mãos. Caí na cama, caiu-me o optimismo a que me agarrei e inventei. Chorei pela minha tipa asneirenta que irreversivelmente faz parte de mim. É um bocado de mim. A nossa amizade não se perde na distância, o amor corre quilómetros. Assim que puder vou à Zambujeira, tenho de ir. Preciso de abraçar a minha tipa asneirenta e dizer-lhe em repeat que a amo infinitos mil. Todos amamos.

Zambujeira

“PRENDA DE ANO NOVO” PARA POBRES E DESEMPREGADOS

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Mais uma boa notícia para os pobres e desempregados deste país. A partir de 1 de janeiro, o Indexante de Apoios Sociais (IAS) passará a ser de 480,43 euros (o valor atual é 443,20 euros). 

O IAS serve de referência a vários apoios e prestações sociais, entre as quais os valores mínimo e máximo do subsídio de desemprego. Assim, o valor máximo do subsídio de desemprego aumenta 93 euros, para 1.201,08 euros. E o valor mínimo do subsídio de desemprego passa para  552,49 euros (hoje é de 509,68 euros), num aumento que vale menos de 43 euros.

Talvez não fosse também má ideia o Governo diminuir este fosso entre desempregados “gordos” e desempregados “magrinhos”. Talvez não fosse má ideia o valor das prestações sociais aumentar bem acima dos valores da inflação, sob pena dos aumentos não significarem mais do que a manutenção do estado de pobreza do cidadão. Mas há mais natais até ao fim da legislatura.

A Liberdade

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O cartoon é uma arte, informação, ironia, sarcasmo, comunicação, opinião. Sintetiza tudo isto em meia dúzia de riscos bem feitos. Vamos com frequência à “Bíblia” dos cartoonistas e, hoje, não podemos deixar de vos mostrar a última edição do Charlie Hebdo, o jornal satírico que já pagou com sangue e vidas dos seus jornalistas, cartoonistas e outros trabalhadores pela liberdade de expressão.

Um qatari feliz na Europa com as suas putas e deputadas…

O BIG BROTHER FALA MUITAS LÍNGUAS

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O romance “1984”, de George Orwell,  está no primeiro lugar do top 10 livreiro na Rússia. Não nas vendas em papel e capa dura, mas nas obras vendidas online para download.

O romance é o download de ficção mais popular de 2022 na plataforma do livreiro online russo LitRes, e o segundo download mais popular em qualquer categoria, informou a agência de notícias estatal Tass.

Há quem veja nisto um sinal da revolta que deverá estar a dilacerar a sociedade russa e, consequentemente, o regime liderado por Putin.

O romance de Orwell foi publicado em 1949, após a derrota da Alemanha nazi e quando começava a Guerra Fria do ocidente contra o ex-aliado Josef Stalin. O livro foi banido na União Soviética em 1988, era já uma obra literária muito popular no ocidente.

Orwell disse que tinha usado a ditadura de Stalin como modelo para o culto da personalidade do Big Brother. Na história, existe uma “polícia do pensamento” que vigiava a implementação do conceito “A guerra é paz, a liberdade é a escravatura”.

Os arietes da política ocidental traçam já paralelismos com o Governo de Putin, os opositores envenenados, encarcerados e os meios de comunicação controlados.

Claro que a invasão da Ucrânia levou a novas leis que, por exemplo, tornaram um crime publicar qualquer informação sobre a guerra que esteja em desacordo com declarações oficiais. O Kremlin evita a própria palavra “guerra”, referindo-se, em vez disso,  a “operação militar especial”.

Mas também é verdade que a Ucrânia ilegalizou todos os partidos políticos da chamada esquerda, persegue os opositores de Zelensky, exibe na via pública alegados apoiantes da Rússia amarrados a postes, tortura prisioneiros políticos e abate soldados inimigos rendidos.

E também é verdade que no ocidente se proibiram os media russos e nas redes sociais se travam, através de filtros, todas as mensagens que pretendam revelar o que se passa no lado de lá da guerra.

Ou seja, o livro de Orwell deveria ser, também por aqui, obra a reler. O Big Brother fala muitas línguas.