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RETOMADA A TRADIÇÃO DOS CANTEIROS DE CASCAIS

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Dantes, atacava-se o Maio. No dia 1, um grupo do pessoal que trabalhava nas pedreiras da freguesia de Cascais ia de porta em porta, logo de manhã cedo, a arrebanhar os amigos para o almoço de confraternização. Havia sempre à mão um cálice de bom medronho caseiro, um naco de pão, uma rodela de linguiça.

Pouco a pouco, a peregrinação foi-se perdendo e ganhou força a ida até à orla, entre Cascais e o Guincho. Pescava-se e do que se lograra apanhar, mais o que se comprara na praça, era caldeirada farta, em fogo a lenha. Proibiram-se as fogueiras, bardaram-se os terrenos e, agora, particamente só o União Recreativa da Charneca mantém a tradição da caldeirada.

Pelo lado oriental do concelho, canteiros também havia, agora menos, que a idade e as novas tecnologias trouxeram modificações. Uma tradição, contudo, se mantém e agora foi retomada: a da saborosa caldeirada preparada a preceito pelo Carlos no seu barracão.

Assim voltou a acontecer, no 1º de Maio.  A dar oportunidade também de se observar de novo o que o Carlos vai ajuntando ali, um hábito que – além do «Caracol» – tem em Trajouce outros seguidores de antiguidades.

E que antiguidades, senhores!

Máquinas de escrever como já se não encontram nem em museus, ao que parece; telefonias de todos os tamanhos e feitios; pratos da Fábrica de Louças de Sacavém e doutras; candeeiros; lanternas…

Claro, pergunta o Carlos para onde é que tudo aquilo irá, um dia. Se alguém poderá aproveitar para mostrar como eram as máquinas de costura antigas e tantos outros utensílios ora caídos em desuso. Ele pergunta bem. E quem haverá aí capaz de lhe dar uma resposta?

FALTAM MEDICAMENTOS NAS FARMÁCIAS

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À porta de uma farmácia nos arredores de Lisboa, uma fila de pessoas que esperam pela abertura da loja, depois da hora do almoço. São quase todos mais velhos, clientes fiéis de um negócio com “zonas cinzentas”.

A falta de medicamentos tem vindo a agravar-se, muitas pessoas começaram a ter problemas em conseguir adquirir os medicamentos prescritos pelos médicos, mesmo sendo tratamento de doenças crónicas.

Por exemplo, nesta fila que acompanhámos, um dos doentes não conseguiu adquirir Inderal 40. “Já é a segunda farmácia onde vou hoje e não consigo comprar. Tomo dois comprimidos de Inderal por dia. Não passo bem sem isso.”

A farmacêutica não tem explicação para as falhas na logística, diz ao cliente que o fornecedor recebe os pedidos, mas não os satisfaz plenamente. “Há sempre medicamentos que não vêm”, diz ela. Tomou nota do pedido, garantiu que telefonará assim que o medicamento chegar, mas não sabe quando isso irá acontecer.

Em janeiro deste ano, as notícias já davam conta de problemas em fornecer o mercado nacional com alguns medicamentos. Na altura, os principais problemas eram com o antibiótico amoxicilina, o anti-inflamatório ibuprofeno e paracetamol.

O bastonário da ordem dos Farmacêuticos dizia então, nos jornais, que “a situação tem vindo a agravar-se e, muito provavelmente, vai agravar ainda mais, porque todas as causas que estão na sua base se vão manter”.

E não é que acertou em cheio? Dois meses depois, as notícias acrescentavam novos problemas, quer com a importação de medicamentos quer com a produção nacional de medicamentos. É o caso do Ozempic, Trulicity, Inderal e Rivotril, quatro dos vários medicamentos que se encontram em falta nas farmácias. E é essa a situação que hoje vivemos.

OS INDUSTRIAIS DO MEDICAMENTO QUEREM LUCRAR MAIS

Dizem que a culpa é da guerra (mas não explicam bem porquê), dizem que a culpa é do Governo (porque nunca delineou uma estratégia para suprir falta de medicamentos em épocas de crise) e dizem que a culpa é da indústria que deslocalizou a produção para a China, onde a mão de obra é baratucha, mas onde muitas fábricas tiveram de interromper a laboração devido à política “covid zero” implementada pelo Governo da China.

Em Portugal, um dos motivos mais invocados para a falta de medicamentos é o limite de preço na venda ao público. O Estado comparticipa no custo do medicamento, mas implementou um sistema de controlo de preços que não permite que os laboratórios vendam ao preço que querem. A inflação estará a aumentar os custos da produção e da distribuição e pode haver medicamentos em que o preço não compense… o que é o mesmo que dizer que, a ser assim, todos os “problemas” desapareceriam se o preço fosse livre.

A culpa tem demasiados pais, é uma espécie de filha de uma meretriz. Mas o problema talvez pudesse ser minimizado se os farmacêuticos tivessem a liberdade de aconselhar o doente a optar por um medicamento compatível ou semelhante ao que o médico prescreveu. Falta um, toma-se outro. Seria uma solução para muitos casos, embora admitamos que não seja uma solução 100% satisfatória.

AGÊNCIA LUSA versus RUI DA FONSECA E CASTRO

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A agência de notícias Lusa moveu um processo contra o antigo juiz Rui da Fonseca e Castro. A Lusa não fez notícia do caso, foi o próprio acusado a publicitar o assunto na página da Associação Habeas Corpus no Telegram.

Nesse texto, lê-se que “deduziu a Lusa – Agência de Notícias de Portugal, S.A., acusação particular contra mim, imputando-me factos que qualifica como um crime de ofensa a organismo, serviço ou pessoa colectiva”.

Anexado ao texto, o documento onde a Lusa lavra a acusação contra Rui da Fonseca e Castro.

recorte do documento

O processo inclui um pedido de indemnização civil de 5.100 euros. Parece-nos pouco, para quem se sente ofendido. Mas talvez a Lusa não tenha querido investir nesse pedido de indemnização. É que as custas judiciais são proporcionais ao montante do pedido de indemnização. Ou seja, quanto mais se pedir, mais se paga à cabeça.

É normal que os custos da Justiça sejam um impedimento para os mais pobres, mas acreditamos que a Lusa não se enquadra nesse imenso universo da pobreza. Portanto, talvez a timidez do pedido de indemnização seja sinónimo de pouca fé na causa.

A ofensa da Lusa deriva de afirmações proferidas em 13/09/2021, quando Rui da Fonseca e Castro era juiz na comarca de Beja. Numa entrevista ao canal espanhol El Toro TV, o juiz disse que a Lusa não era um órgão de comunicação social independente porque vivia de subvenções públicas e que, por isso, estaria submetida aos interesses do Governo e dos que dominam o sistema político vigente em Portugal.

O facto dessas declarações terem sido partilhadas nas redes sociais, aumentou a dor da Lusa, diz a acusação.

recorte do documento onde a Lusa pede a condenação de Rui da Fonseca e Castro

As declarações de Rui da Fonseca e Castro foram proferidas no âmbito das críticas que faz às políticas implementadas durante o combate à pandemia covid-19. Quem quiser ver toda a entrevista, basta clicar NESTE LINK.

Moeda antiga de Alcácer do Sal dá que falar!

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A moeda data da Idade do Ferro, de mais de um século antes da nossa era, e apresenta, inscrito entre dois golfinhos, o nome de Alcácer do Sal em estranhos caracteres, ainda por decifrar, de uma língua pré-romana. Na outra face, mostra-se a imagem do deus Neptuno, o deus do mar.

Pelos finais do séc. I antes de Cristo, o nome passou a ser IMP ∙ SAL, como se lê noutra moeda idêntica, achada na villa romana de Freiria, em Cascais, abreviatura que significa Imperatoria Salacia.

Julga-se que tal designação deriva da grande importância estratégica do sítio, como porto abrigado no estuário do rio Sado: imperatoria, por estar ligada ao poder político; salacia, mui provavelmente por, já nessa altura, aí se explorar o sal, condimento que sempre assumiu papel relevante, mormente para conservar o peixe.

De Salacia foi natural um romano célebre, a quem prestaram homenagem os habitantes de Lisboa (a Olisipo romana) e também os da Colónia Escalabitana (Santarém). Chamava-se Lúcio Cornélio Boco e, além de escritor, chegou a ocupar altos cargos na administração local e provincial.

A fidelidade da população salaciense ao poder da Roma antiga pode atestar-se por, numa inscrição dedicada a Júpiter, estar gravada, em baixo-relevo, a águia imperial.

Este e outros aspectos dos sítios romanos do Sudoeste da Península Ibérica (Évora, Beja, Faro, Tavira, Mértola, Santiago do Cacém, Tróia, Setúbal, Écija, Arucci, Córdoba) vão estar em análise no encontro científico internacional, a realizar no dia 11, na Universidade do Algarve, e, no dia 12, em Mértola, esta também uma cidade, porto no rio Guadiana, que desempenhou papel deveras relevante na Lusitânia romana.

Levou-a a 1ª taxista de Lisboa!

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«Ele há coisas que acontecem!…», assim intitula Ana T. Freitas a crónica que recorda, no seu livro Uma Possibilidade chamada menina (Modocromia, Lisboa, junho de 2022, p. 31-33), o encontro com Carminda, que até serviu almoços a Salazar, por ele ser convidado amiúde dos senhores ricos em cuja casa servia. Carminda que, encantada com o rolar dos carros pela ruas de Lisboa, sonhava em conduzir um deles. Analfabeta, decidiu-se a aprender a ler e a escrever, tirou a carta e… o resto já se adivinha.

fotogramas de reportagem da RTP em 1978 sobre Carminda Gonçalves, a 1º táxista de Lisboa

E, nesta sua primeira incursão pela prosa, ela que é visceralmente poetisa, a dar cartas em Coruche, onde vive, com a sua periódica iniciativa «Um poema na vila», Ana Freitas leva-nos por aí, nas suas andanças, agora professora aposentada.

«Possibilidade» foi boneca, prenda de Natal. Nome assim escolhido por ser único. Aliás, «uma palavra grande! Talvez maior que felicidade… mais longa, tem a lonjura do caminho […] tem construção» (p. 23). «Menina» (parece-nos) é, ao invés, a Autora, porque estas páginas retratam, contam da sua vida, das suas ideias, de histórias, como a da D. Carminda, por que foi passando.

Ecos há de menina de escola, de mãe, de professora. De activista pela Cultura. Ecos do antes e do depois de Abril. Das origens modestas, sofridas. Daquele encontro com o homem em dia de chuva, bicicleta à mão carregada de sacos, que subia e descia o passeio para poder seguir caminho: «E assim a chover é que é pior!», comentou-lhe Ana. E, de «sorriso rasgado», o senhor, sem guarda-chuva, respondeu: «Não faz mal, a água faz falta, é boa para todos, e, se é bom para todos, é bom que chova» (p. 42).

Não sei invocar teses explicativas de uma prosa assim, como Lucília Meleiro faz no prefácio. Nem ouso também filiá-la – como peroraria crítico encartado – em corrente literária na moda ou em desuso. Sei, ao invés, que Uma Possibilidade chamada menina se lê com muito agrado e sem detença. A deliciosa aventura de ser mãe; a alegria de se aperceber que o filhote de 4 anos já sabia ler; a dissertação sobre a importância do nome, a propósito do apelido que misteriosamente lhe havia sido negado à nascença; aquele célebre jogo de futebol Portugal / Irão, à mesa de café com um invisual que ouvia o relato pelo telemóvel em alta voz; o significativo e bem oportuno dicionário feito pessoa que fala… E o grito final a vituperar o 24 de Fevereiro de 2022!

Frases curtas, singelas, aqui e além ornamentadas («Estranha pensei estranhadamente que teria decorado a estória linha a linha, mas estranhei!» – p. 64). A evocação apropriada de frases colhidas em leituras suas. E sempre, obsessiva, aquela cabeleira menina, enorme, que forte aragem mantém horizontal para trás, a mostrar Possibilidade em indefectível decisão de prosseguir além!…

Almôndegas com final feliz

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Chegam a casa dele depois de uma praia ao pôr do sol. Ela quer cozinhar, dar-lhe um mimo para fechar o fim de semana perfeito.

Procura por entre as gavetas do congelador e tira uma embalagem de almôndegas. Vai à varanda, aprecia a brisa de uma noite quase de verão.  Dobra as costas, sinal de cansaço. Ele senta-se a seu lado, finge que não percebe. “Porque não me deixas fazer o jantar, tomas um duche e vens para aqui fazer-me companhia?”

Ela hesita mas acaba por anuir, volta com o cabelo molhado e um vestido quase transparente, liga a coluna Bluethooth. A música ecoa pela varanda, um dub simpático preenche a cozinha. Acende um cigarro, filtro branco, a lembrar as divas dos filmes noir. Ele decanta um tinto alentejano.

Ao vê-lo tirar a casca dos alhos aos bocadinhos com as mãos, engole subtilmente uma gargalhada com um gole do vinho sem tempo ainda para respirar. Ele passa a cortar cebolas com uma faca grande, num estilo profissional, em fatias finas. Tac, tac, tac! Está muito convencido das suas qualidades culinárias.

“Não há batatas para o puré”, vai à despensa. “Vou antes fazer arroz de manteiga”. Com um sorriso meigo, ela agradece o poder de decisão, ele verte água para a panela e um fio de azeite para o tacho. Acende o lume.

Agora um jazz ligeiro flutua enquanto ele faz o refogado e acrescenta tomates maduros cortados aos cubos. Ela percorre o corpo dele com o olhar. É magro, muito magro, perfeito para ela. “Se fosse lamechas diria que te amo, cozinheiro”. 

“Eu sou lamechas, amo-te, hei-de sempre amar-te”. Depois ergue a mão fechada: “açúcar, canela, e umas gotas de limão: a perfeita trindade”. Com um sorriso irónico ela estende as pernas em cima da cadeira desnudando os joelhos. Ele consegue desviar o olhar, acrescentar sal às almôndegas, uma folha de louro, pimenta, cominhos, outros temperos e vinho branco a olho. Tira o arroz do lume, coloca uma noz de manteiga, dá-lhe a provar, pergunta se é suficiente. “Mais, arroz de manteiga tem de saber a manteiga”.

Fumam um cigarro enquanto as almôndegas cozinham em lume brando. Não resistem a gestos sensuais, beijos molhados, mãos pelos corpos que aquecem até o molho das almôndegas ferver. Sinal para desligar todo aquele fogo, sentam-se à mesa. “Está delicioso, perfeito tal como tu”, diz logo à primeira garfada. Ele sorri com os olhos, deixam o vinho a meio.  

Alguém toca à campainha. É o amigo que divide o apartamento com ele, esquece-se sempre das chaves. Saem de imediato para casa dela. Deitam-se na cama, beijam-se devagar, despem-se um ao outro. Moldam-se, enrolam-se, fundem-se. Trocam a cama pelos puff’s do pátio. Deitados, de mãos dadas, olham as estrelas extasiados.

Continuo sentada, imóvel, ao som da musica romântica, até as letras do genérico desaparecerem. Sou a última a sair da sala. Está um tempo horrível, as gotas da chuva caem-me no rosto como se fossem lágrimas. O vento traz-me à fria realidade. Não tenho guarda-chuva, nem gabardine, chego a casa ensopada. A água do duche aquece-me, a água na panela ferve. Janto umas noodles chinesas de pacote. Apanho o cabelo e o casaco azul, abro o portátil e varro da memória aquele filme bonito, idiota, com final feliz.

AFINAL, GALAMBA FICA NO GOVERNO

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“Não posso prescindir de um membro do governo que ao longo dos anos deu provas de dedicação”. João Galamba apresentou a demissão, António Costa não aceitou. Galamba fica. Fica com o aplauso do primeiro-ministro, que diz que se fosse ele teria feito o mesmo.

Quanto ao Presidente da República, é notório que este caso azedou a relação entre os dois. Costa recusou divulgar o que foi dito entre ambos na reunião que tiveram, mas sabemos que Marcelo queria que Galamba saísse.

Costa diz que “informei o senhor Presidente da República”, sem mais. Dito assim, fica um longo silêncio de duas horas, que foi o tempo que durou a reunião entre os dois.

GALAMBA NA CORDA BAMBA

cartoons de Hélder Dias

Galamba sabe que já não é ministro, mesmo se Costa ainda não o demitiu. Nenhum primeiro-ministro mantém um ministro no seu posto se disso depender o entendimento cordial com o Presidente da República.

Marcelo já disse que gostaria de ver Galamba fora do Governo, Costa ficou sem margem de manobra, a única alternativa é afrontar Marcelo e arriscar eleições antecipadas.

Neste momento, Marcelo está reunido com Costa e Galamba está no Ministério… a arrumar a secretária?

O ministro das Infraestruturas será o próximo a ser decapitado politicamente. A TAP revela-se um verdadeiro cemitério de ministros.

PROCURA-SE: LIMPADOR DE RETRETES

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Empregador: boa tarde. Qual é o seu nome?

Entrevistado : Marcelo Constantino

Empregador : então fale-me sobre si. Quem é o Constantino??

Entrevistado : bem, considero-me um homem sério, responsável, que sabe agarrar um novo desafio, com vontade de progredir e aprender mais a cada dia. Sou licenciado em faz de tudo um pouquinho, o que considero relevante para desempenhar a função.

Empregador : sr. Constantino, devo-lhe dizer que é um forte candidato à nossa vaga de emprego, de facto possui um bom currículo, uma boa apresentação, aparenta sustentar uma boa postura. Diga-me uma coisa, tem experiência no que toca em trabalhar na área do cocó?

Entrevistado : nunca trabalhei de forma profissional na área, mas há muito que lido e mantenho interesse por assuntos que saem diretamente do rabo. A velocidade a que é projetado, a sua consistência, muita ou pouca humidade, quais as suas tonalidades, o desfragmentado, o género mais contemporâneo ou artístico, os diferentes tipos de aroma. Mas bem, sou apenas um curioso no assunto. Mas garanto que se a vaga for minha, darei tudo por tudo, para desempenhar um bom trabalho.

Empregador : sr. Constantino, isto é apenas uma primeira entrevista, terá que passar por uma segunda se for selecionado, e nessa terá um teste, no qual será sujeito a uma situação caótica em contexto sanitário. Posso lhe marcar a segunda entrevista??

Entrevistado: sim, claro que sim! Por mim poderia ser agora. Não imagina como me sinto feliz pela oportunidade. Pode-me apenas dar uma ideia de qual é a remuneração??

Empregador : bem, o sr. sabe que a remuneração é equivalente às da função desempenhada. Se vai trabalhar com merda..

Entrevistado : ah sim, sim, compreendo. Foi apenas curiosidade, para fazer currículo, até trabalharia de borla!!

Empregador : gosto da sua postura, da sua maneira de encarar a proposta de trabalho. Se for um bom colaborador, trabalhar as doze horas por dia, os seis dias por semana, não cobrar horas extraordinárias, mantiver tudo sempre impecável, daqui a um ano, até pode ser promovido para trabalhar nas retretes da direção da empresa. Como deve calcular é outra responsabilidade! Mas também se trata de excremento de outra categoria, muito na base do gourmet, fezes mais refinadas! E nós recompensamos o bom colaborador, poderá vir a ser aumentado até trinta euros por mês, com alguns prémios incluídos, como vale de descontos no McDonald ‘s.

Entrevistado : caro senhor, estou sem palavras, mal posso esperar para colocar as mãos na massa… Quer dizer, no que resta dela…

PARIS, VIOLÊNCIA NAS RUAS

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Centenas de milhar nas ruas de Paris, forte contestação às políticas sociais do Governo francês, muitos episódios de violência.

Há centenas de detidos, mais de uma centena de polícias feridos.

O filme dos acontecimentos.

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