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AZEITE DE LUXO

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O preço do azeite está a subir há já mais de um ano. Em 2023, o aumento foi de cerca de 70% em relação ao ano anterior. E continua a subir.

Se Portugal produz azeite mais do que suficiente para o seu próprio consumo, porque é que os preços estão a subir tanto? Para que servem olivais intensivos a perder de vista?

Estamos acostumados a sofrer às mãos das empresas de distribuição alimentar. Compram barato ao produtor e vendem caro ao consumidor. No caso do azeite, talvez não seja o caso. Os grandes produtores de azeite são, hoje, empresas multinacionais do setor agroindustrial. Costumamos dizer que os espanhóis compraram o Alentejo para lá plantarem olivais imensos. Olivais regados, que devem gastar boa parte da água do Alqueva, a julgar pela dimensão das áreas de regadio.

Transformaram a oliveira, uma espécie arborícola resistente à seca, numa nova espécie produtora de azeitona, uma espécie de “vaca leiteira de raça apurada”, mas que precisa de ser regada para produzir muito.

E é aqui que parece estar a razão do aumento de preço do azeite. É que em Espanha tem havido seca severa e a maior parte do olival não é de regadio. Por isso, o azeite produzido em Portugal acaba por ir para Espanha ou é comercializado pelos produtores espanhóis que precisam de alimentar os seus mercados tradicionais espalhados pelo mundo. Isso faz com que haja menos azeite disponível em Portugal. E o aumento de preço será a consequência.

Pode ser isto que acabámos de explicar, ou pode ser a tradicional ganância de quem aproveita as circunstâncias para engordar contas bancárias.

A verdade é que de 24 € o garrafão de 5 litros, o mesmo garrafão desta marca de azeite passou para quase 56 €, um aumento a rondar os 135%, em dois anos. É o azeite a ficar só para ricos.

PPC, o melhor ‘amigo’ do PS

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A aparição de Passos Coelho na campanha do PSD foi das coisas boas que podiam ter acontecido ao… PS.

Facilita imenso a argumentação política, quando podemos apresentar o culpado por 4 anos mal passados (2011 – 2015) pelos portugueses na história recente do país.

Afinal, PPC foi o aglutinador da maioria de esquerda que se formou nas eleições legislativas de outubro de 2015.

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A PROPÓSITO DE FOTOJORNALISMO

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fotografia de Francisco Pinto

A fotografia de Francisco Pinto, jornalista, polivalente, que trabalha para a LUSA (com uma pequena avença), vale por mil palavras. É uma frase feita, mas não há outra para um retrato tão eloquente do que é o abandono do interior do país.

Todos sabemos que nada é eterno e que as mudanças são boas ou más, dependendo dos pontos de vista. Mas o isolamento de territórios e populações não pode ser bom. É deprimente, não só para o ânimo das pessoas como para a economia dos territórios.

Houve um tempo em que deu jeito aos governantes mandar rasgar autoestradas e abandonar a ferrovia. Os fundos europeus pagavam o alcatrão. Foi a época de grandes contratos com as construtoras de obras públicas, embora as autoestradas tivessem todas acabado nas mãos dos privados com contratos de concessão sem risco, em que o Estado garante a viabilidade do negócio, independentemente do uso que a via tenha.

Voltando à fotografia. A Estação de Mogadouro, Linha do Sabor. A realidade pode ser horrivelmente bela.

ESTADO OBRIGADO A INDEMNIZAR RECLUSOS

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A causa de Marques Ângelo foi defendida por Vítor Carreto, advogado experiente neste tipo de questões. “Desde o ano 2000, recusaram-me mais de 100 casos, pois o crivo do TEDH é muito exigente. Recusam 90% das queixas. Mas deram-me razão em cerca de 40 casos”, disse-nos o advogado.

“As prisões em Portugal não têm as condições mínimas”, diz Vítor Carreto. E só não há mais queixas porque o sistema prisional intimida os reclusos, muitas vezes com recurso à violência. O advogado Carreto explica: “há muito medo de um recluso para apresentar queixa; há guardas prisionais a ameaçar reclusos; já aconteceu uma diretora de um estabelecimento prisional ameaçar cortar saídas jurisdicionais a um recluso por ter apresentado uma queixa”.

uma cela, duas camas (pelo menos)

No caso de Marques Ângelo, o TEDH reconheceu que no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), onde este recluso esteve durante 11 meses, as condições de vida agravam a pena que o recluso tem de cumprir, por “falta de ar fresco, humidade, falta ou quantidade insuficiente de alimentos, má qualidade dos alimentos, cela com bolor ou suja, falta de privacidade nos chuveiros, infestação da cela com insetos e roedores, falta de produtos de limpeza, sobrelotação e temperatura inadequada”, segundo consta no acórdão.

janela de uma cela do EPL

Vítor Carreto diz que quem é condenado “tem o dever de cumprir pena, mas na prisão não perde o direito à dignidade”. Ora, sabendo que na maioria das cadeias a sobrelotação, a deficiente assistência médica, a má qualidade da alimentação, a proliferação de pragas de percevejos, baratas, ratos, as condições de reclusão acabam por constituir uma segunda pena que nenhum tribunal decretou.

chuveiros

A atual ministra da Justiça reconhece as insuficiências da rede de estabelecimentos prisionais, nomeadamente do caso do EPL. Há um plano para se proceder ao encerramento definitivo desta prisão.

vídeo – declarações da ministra da Justiça sobre o encerramento do EPL

Esse é o plano do atual Governo, mas com eleições à vista tudo pode mudar com um novo Governo e outra pessoa a liderar o Ministério da Justiça.

Muitos dos problemas do EPL são transversais a todas as cadeias portuguesas. “A comida é uma javardice, o orçamento é de 3,40 € por dia para três refeições de cada recluso”, diz Vítor Carreto. Segundo ele, os reclusos “comem sentados na cela, na cama, muitas celas não têm mesa nem cadeira”, explica o advogado. “A sanita é dentro da cela”, acrescenta, sem nada a resguardar a privacidade do recluso que, assim, usa a sanita à frente de todos os outros que cohabitam na mesma cela.

sanita no interior da cela

Uma última questão a Vítor Carreto:

– EPL não será o único estabelecimento prisional a ter más condições. Pode nomear outros casos?

Resposta:

– Estabelecimento Prisional de Coimbra, Estabelecimento Prisional de Aveiro, Estabelecimento Prisional de Braga, Estabelecimento Prisional da Covilhã, etc.

Elucidativo. A propósito do caso Marques Ângelo, o advogado Vítor Carreto divulgou um comunicado onde afirma que “Portugal pratica a tortura mental e física nas jaulas frigorificas a que chama “Estabelecimentos Prisionais.”  O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos parece concordar.

O comboio socialista

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Ter sido ministro é bom e mau. Por um lado, os adversários ficam a conhecer onde podem magoar mais com as críticas a políticas que não correram bem, mas quem foi ministro pode mostrar obra feita e bem sucedida. Nesta campanha eleitoral, um dos trunfos de Pedro Nuno Santos é o impulso que deu ao transporte público ferroviário.

Neste excerto de um vídeo de campanha, o elogio é feito por um ferroviário.

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GUINÉ-BISSAU: LÍDER DA OPOSIÇÃO EXPULSO DE UMA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL

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O representante da Guiné-Bissau na Conferência Parlamentar, Domingos Simões Pereira, viveu um momento delicado quando, em Marrocos, na Conferência Parlamentar sobre a Cooperação Sul/Sul, o presidente da Mesa da Conferência o “convidou a abandonar a sala” depois do seu discurso.

Foi um momento embaraçoso para todos os participantes, com toda a certeza. O representante de Marrocos, Enaan Mayara, presidente do Congresso marroquino e que presidia à mesa da conferência, considerou que o teor do discurso de Domingos Simões Pereira não se adequava ao tema da conferência.

Uma cópia da emissão televisiva, mostra o momento em que o representante de Marrocos justifica a decisão de expulsar Domingos Simões Pereira da sala.

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Segundo relatos publicados na imprensa africana e brasileira, o antigo Presidente da Assembleia Nacional Popular (entretanto dissolvida pelo Presidente da República) levou um discurso de ataque político à atuação do Presidente Umaro Sissoco Embalo, que leu, sem respeitar o tema da Conferência.

Pouco depois o presidente da CEDEAO apoiou a posição do presidente da Mesa.

Guiné-Bissau vive momento delicado

Tudo começou no final de 2023. Na sequência da detenção judicial de dois membros do Governo, Bissau viveu dias de grande incerteza, com tiroteios nas ruas e algumas vítimas mortais, nos confrontos entre a Guarda Nacional (que foi libertar os membros do Governo detidos) e as Forças Armadas às ordens do Chefe de Estado Maior, na altura em tratamento médico fora do País, que teve de usar estes meios para repor a legalidade e remeter de novo à cadeia os libertados.  

O Presidente, que também estava fora do País em viagem de Estado, terá sido informado, posteriormente, da intenção de libertarem, também, os detidos responsáveis pela tentativa de golpe de Estado de Fevereiro 2022 com a intenção de o impedir de regressar à Guiné-Bissau. E, na sequência desses acontecimentos, dissolveu o parlamento por considerar ser a única maneira de fazer abortar o golpe de estado que estava em curso. A oposição guineense, por sua vez, considera que o Presidente da República promoveu um ‘golpe de estado palaciano’.

A Guiné-Bissau, actualmente, tem um Governo de iniciativa Presidencial que conta com a participação de diversos partidos, incluindo o PAIGC que ali está representado por figuras importantes, como é o caso, por exemplo, do ministro dos Negócios Estrangeiros que pertencia ao Governo que foi demitido em consequência da dissolução da Assembleia Nacional.

Um Jardim Chinês na Quinta dos Inglesinhos

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            Prossegue a notícia:

«O investimento (…) será inteiramente suportado pelo grupo chinês, que pensa concluir a obra no espaço de três anos. O Jardim Chinês comportará um pavilhão de exposições, palácio de congressos, uma pousada tipicamente oriental, cascatas, flora chinesa, bastantes lojas. Para completar este maravilhoso panorama, está ainda projectada a edificação, em miniatura, dos principais monumentos chineses».

Informa-se ainda que se prevê investir nesse empreendimento a módica quantia de «cerca de 5 milhões de contos»! Exacto: milhões de… contos! Não de euros, pois que esse acordo foi assinado pela mui digna autarquia cascalense no ano de… 1991! A notícia vem na página 3 do Jornal da Costa do Sol nº 1212, de 25 de Julho desse ano, com o sugestivo título «A China aposta em Cascais».

Ainda o senhor Joe Berardo não pensara em criar o seu Boudha Eden, inaugurado só em 2001, na Quinta dos Loridos, Bombarral, já esse sonho se queria tornar realidade na histórica quinta de Carcavelos, que dá pelo nome «dos Inglesinhos» e que tanta polémica vem suscitando nos últimos tempos, da população em guerra aberta contra a autarquia que está disposta a autorizar, não um jardim chinês – esse projecto deve ter naufragado no estuário do Tejo!… – mas, também grandiosa, uma urbanização! Lá se vai o pinhal, gritam os contestatários, lá se vai um espaço verde, lá se vai a qualidade de vida!

Qualidade de vida seria essa, a do Jardim Chinês, que o diga quem visita o Boudha Eden!

«Inglesinhos» seriam as crianças dos membros da colónia britânica que ali se instalou, no século XIX, para tratar da ligação entre o continente europeu e a América através de um cabo telegráfico submarino. Obra de grande monta e de enorme importância estratégia que viria a ser concretizada em 1858. Coube ao pessoal do navio «Agamémnon» (nome  significativo, porque Agamémnon foi o comandante supremo do exército grego na guerra contra os troianos…) a instalação desse cabo, que inconformada e mui desastrada baleia estragou três semanas depois, obrigando a nova instalação em 1866.

Para a colónia inglesa, atendendo à natural morosidade da empresa, haviam-se criado mui adequadas acomodações, que ainda hoje se mantêm de pé, em acentuadas condições de degradação. Uma vista de olhos pelas páginas 73 e 74 do livro, de Guilherme Cardoso, Roteiro Fotográfico de Carcavelos e Alguns Apontamentos Histórico-Administrativos, onde se colheram duas elucidativas imagens, complementará o que se acaba de referir.

Implantada, como era obrigatório, em posição privilegiada diante da foz do Tejo, terminada a tarefa, retiradas as famílias para outras instalações – algumas decidiram ficar por cá e a colónia inglesa é seguramente uma das mais antigas no concelho de Cascais – todo o espaço ficou disponível para o que desse e viesse. E, como se vê, propostas nunca faltaram. Nem faltam!

Pode até acontecer que haja um milagre e, um dia, como quem não quer a coisa, a equipa de um outro cabo submarino ali venha a instalar-se com armas e bagagens, como sói dizer-se!

Quinta dos inglesinhos e praia de Carcavelos

CONTRA O RACISMO

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Sábado, a manifestação nacional contra o racismo e a xenofobia saiu á rua em várias cidades do país, mas não foi notícia de relevo em parte alguma. Os meios de comunicação social andam, talvez, demasiado atarefados a dar voz aos políticos em campanha. E, pelos vistos, para a maioria dos partidos políticos, combater o racismo e a xenofobia não é prioridade.

A invisibilidade destes eventos dá força à parte contrária. Quando grupos neonazis e fascistas organizaram uma manifestação contra a islamização e a imigração, o alarido mediático serviu para tudo até para promover os organizadores do evento.

A luta pelos direitos de cidadania é difícil. Não surpreende ninguém.

ROUBAR MICROFONES

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Num comício em Guimarães, o discurso de Mariana Mortágua foi interrompido por uma ação espontânea de protesto. Uma outra mulher que assistia ao comício, precisou de desabafar os problemas que a afligem. Podia ter sido um happening programado, uma encenação, mas não foi.

vídeo de campanha do Bloco de Esquerda

O mesmo instinto de aproveitar a oportunidade não foi conseguido pelo jornalista Carlos Daniel, quando moderava o derradeiro debate televisivo da pré-campanha. Sem aviso, um ativista ambiental “rouba” o microfone a Carlos Daniel e aos líderes partidários para gritar “…a crise climática não está na mesa de voto, está nas mãos das pessoas…” e mais não se ouviu, porque o rapaz foi empurrado para fora de cena.

Foram 20 segundos de “pedrada no charco” e nenhum dos intervenientes aproveitou a deixa para se pronunciar sobre o assunto: as alterações climáticas. Foi uma oportunidade perdida para todos, moderador do debate incluído.

AVIVAR A MEMÓRIA É A ARMA DO PS

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A memória da governação de Passos Coelho é o ‘calcanhar de Aquiles’ do PSD nesta campanha eleitoral para as legislativas de 2024. O Partido Socialista está a avivar essa memória, nos seus vídeos de campanha.

extrato de um vídeo de campanha do PS