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Lisboa, chefes passam à frente na fila para a vacinação

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No dia em que PSP e GNR, um pouco por todo o país, autuaram centenas de pessoas por terem desrespeitado as regras do confinamento, ficámos a saber que continuam a ser descobertos comportamento ilícitos de quem abusa da influência que tem para passar à frente na fila para a vacinação anti-covid. Mas de multas a penalizar estes comportamentos, não há notícia.   

O que fazer com as sobras diárias da vacinação contra o covid-19 continua a ser motivo de acesa discussão e de polémica. O último caso conhecido envolve dirigentes das estruturas autárquicas de Lisboa, a saber: um vereador, a diretora da Higiene Urbana, o comandante e o subcomandante da Polícia Municipal de Lisboa. Estas pessoas foram vacinadas com a 1ª dose, passando à frente de uma imensa lista de cidadãos mais prioritários.

A justificação apresentada é o estafado argumento de evitar que as sobras fossem parar ao lixo. Segundo um documento tornado público pelo PAN, “fonte da autarquia deu igualmente conta de que foram contactadas as autoridades de saúde para saber que destino dar às doses que sobravam e as determinações foram no sentido de “garantir o aproveitamento total das doses existentes”, vacinando em primeiro lugar “todos os profissionais da linha da frente envolvidos na operação de vacinação”. E passar depois para a vacinação dos “grupos da primeira fase de prioridade como os bombeiros e polícias”.

Ou seja, a orientação recebida não foi a que a autarquia seguiu, uma vez que nenhum dos casos referenciados são de pessoas que integram a chamada “linha da frente”, nem são profissionais de Saúde, nem são prioritários por doença ou idade. Aliás, existem milhares de pessoas e profissionais com prioridade, inclusivamente sob tutela das pessoas que passaram à frente na fila (por exemplo, os agentes da Polícia Municipal).

Na senda deste tipo de atitudes, nasce a desconfiança. O PAN anunciou, entretanto, ter submetido um requerimento à autarquia onde, entre outros quesitos, pergunta “quantas vacinas foram até ao momento administradas a funcionários e funcionárias da autarquia e com que funções na mesma?”

O requerimento deu entrada a 15 de fevereiro. Não se sabe quando terá resposta.

Covid-19: 90 mortes, Costa e Marta tomaram 1ªdose da vacina

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Nas últimas 24 horas houve menos de 100 mortes em Portugal devido á pandemia covid-19. O boletim epidemiológico de hoje regista 90 mortes. Apetece escrever “apenas 90 mortes”, embora uma só já fosse demais. Mas é um número que reforça a esperança de que a pandemia esteja a ficar controlada.

O número de novas infeções também é relativamente baixo:  1.303 casos. No entanto, o número de internados continua elevado: 4.832 doentes (mais seis do que no domingo) em enfermaria, dos quais 784 em cuidados intensivos (menos onze).

Segundo afirmou a ministra da Saúde, em média estão a ser realizados 39 mil testes por dia. “O nosso objetivo é manter um nível elevado de realização de testes”, garantiu Marta Temido. Após o máximo de quase 77 mil testes num só dia, atingido em 22 de janeiro, a ministra diz que a cadência vai aumentar, uma vez que o Governo optou pela realização massiva de testes de despiste como método de combater a propagação da pandemia.

Governo começou a ser vacinado

Em paralelo, Marta Temido admitiu que os profissionais de saúde têm também de começar a retomar a atividade assistencial não covid, que foi, entretanto, suspensa com a terceira vaga pandémica no país. Mas para que isso seja possível, é preciso controlar primeiro a pandemia, disse a ministra.

Quanto à campanha de vacinação, a ministra assegurou que já foram inoculadas mais de 533 mil doses da vacina, sendo que 200 mil pessoas já tomaram as duas doses recomendadas.

A ministra informou, ainda, que alguns membros do Governo já tomaram a primeira dose, entre os quais o primeiro-ministro e ela mesmo: “Eu própria fui hoje vacinada ao final da manhã”, afirmou Marta Temido.

Ambientalistas contra projeto Porto Cruz da Câmara de Oeiras

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No comunicado divulgado pela organização “Evoluir Oeiras”, dá-se conta de que na próxima 4ºfeira, dia 17, haverá um debate sobre este assunto em que participarão Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade Lisboa, o militar Carlos Branco (fundador da Associação Vamos Salvar o Jamor) e a jurista Margarida Gonçalves Novo.

Este projeto da Câmara Municipal de Oeiras está a ser criticado por diferentes organizações de cidadãos. Neste momento, o projeto de loteamento da foz do Jamor, também conhecido por projeto Porto Cruz, está em fase de discussão pública e as críticas atingem não só questões ambientais mas, também, contestam a legalidade do projeto.

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Segundo afirma a organização “Vamos Salvar o Jamor”, os terrenos onde se pretende erguer várias torres de 12 a 19 pisos de altura, “não tinham aptidão construtiva quando foram adquiridos pelos atuais proprietários, ao abrigo do PDM em vigor desde 1994. Os terrenos da Gist Brocades, da Lusalite e do Cantinho do Morais foram vendidos ao Grupo SIL” e, portanto, “coloca-se a questão de saber por que é que um grupo imobiliário adquire terrenos sem aptidão construtiva (ou seja, onde não é permitido construir)? Assumindo que o promotor imobiliário em causa sabe do seu ofício e estava na posse de todas as suas faculdades mentais, a resposta só pode ser uma: é porque sabia que a CMO o iria ajudar a conseguir a mudança de classificação do uso do solo”, acusa a organização, que classifica a operação da Câmara Municipal de Oeiras como um esquema de favorecimento do especulador imobiliário ao estilo “transformação de terrenos de tostões em terrenos de milhões”.

As críticas ao projeto referem a destruição ilegal da praia da Cruz Quebrada, a construção não autorizada de uma marina, a impermeabilização dos terrenos, construção em leito de cheias e de galgamento marítimo, entre outras questões que merecem ser esclarecidas pela Câmara Municipal de Oeiras.

Certamente que alguns destes temas serão discutidos no debate da “Evoluir Oeiras” que será difundido em direto, às 19h00 na próxima 4ªfeira, no canal de YouTube do movimento, moderado pela antiga jornalista da SIC, Carla Castelo.

canal EvoluirOeiras Mov no youtube

Aceitar ou resistir, eis a questão!

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O passado devia ter-nos ensinado a não ter medo e a lutar pelos nossos direitos. Mas desta vez a inteligência e as alterações dos interesses económicos perceberam que não é pela força ou pela guerra que as pessoas aceitam tudo. Mas em nome da saúde, tudo se aceita. Quem é que não aceita medidas para viver?

Em nome desta pandemia e pela sobrevivência humana medidas estão a ser tomadas sem que ninguém, ou muito poucos, as questione. Claro que me refiro a Portugal. Porque se olharmos ao mundo, muitos são os movimentos que começam a elevar a voz à resistência. Olhemos ao caso de um restaurante em Lisboa que no seu direito à resistência optou por abrir e servir refeições à porta fechada a um conjunto de cidadãos. Alguém denunciou e a polícia apareceu. Isto traz-me à memória reminiscências de um passado em que não vivíamos em liberdade. E muitos resistiram. Graças a muitos deles e a custo, a Liberdade chegou. Mas agora, parece que alguém a quer tirar e tudo em nome da pandemia. Mas ninguém questiona o óbvio. Porque houve anos de desinvestimento nos serviços de saúde? Porque é que o foco de investimento não é desde o início a saúde? E porque é que a famosa “bazuca europeia” o investimento não é na ciência e na saúde? Quando todos ouvimos já falar de novas pandemias que a globalização nos vai trazer!

Esta semana soubemos que a União Europeia não olhou com a devida atenção a um pormenor, o prazo de entrega das vacinas assinado com as indústrias. Mas todos acreditamos que uma instituição como é a União Europeia, servida de tecnocratas, de juristas, de elementos com vastos currículos nas mais variadas matérias se esqueceria de olhar que um contrato desta dimensão e com esta importância não tinha um prazo para a entrega?

Em nome da saúde, destruímos a economia do pequeno e médio empresário. Com a benevolência de uma sociedade pacífica e que vive arredada do mundo. Servida por meios instrumentalizados com mensagens claras e sempre na ótica do que tem que ser imposto.

Será que estamos a viver uma alteração de modelo de sociedade? Será que vamos assistir no futuro a um novo sistema económico?

Pelo mundo, figuras com voz levantam-se contra estas imposições. Na Holanda, na França e na Alemanha, movimentos levantam a voz a muitas das medidas impostas. E nós vamos aceitar tudo isto até quando? Calados e serenos, como é característico dos portugueses, acredito que seremos os últimos a levantar a voz. E aí temo que, possa ser tarde.

E dos erros que foram cometidos até agora ninguém fala. E das medidas que deveriam ter sido tomadas desde o início e que não foram também ninguém fala. O que se passa com as vozes críticas?

Onde andam os defensores da Liberdade? E os jovens que nasceram em Liberdade que não erguem a voz?

É curioso que veja que os que levantam a voz são os da geração anterior à minha entre os 40 e os 50 anos, os que nasceram no período pós 25 de Abril e esses estão a perceber o que aí virá.

Tenho muito respeito pelas vítimas da Covid-19, mas também tenho pelas vítimas de todas as outras doenças. E a verdade é que muitas das medidas que vão sendo tomadas levam a que muitos outros problemas de saúde se agravem ou vão até criando outros problemas de saúde aos que já existiam, ou poderão ter consequências de futuro.

Em nome da pandemia estamos a destruir a economia que era já débil de Portugal e são poucas, muito poucas as vozes que vejo unirem-se em nome da luta pelos seus direitos. Pelo contrário o que vejo é uma imensidão de críticos sempre que alguém decide pensar diferente e não aceita viver em manada.

Devo confessar que não sendo negacionista e não fazendo parte dos contestatários da pandemia desde o seu início, sou hoje um dos que começo a ter muita dificuldade em entender e aceitar muitas das medidas que nos são impostas.

Com exceção clara ao convívio social, ao bem-estar e à diversão, podemos sair de casa para tudo o resto. Quase parece que nos querem impor uma forma de viver em que o importante é o trabalho e vivermos dentro de uma bolha que não tenha voz e capacidade de se insurgir. Será assim por quanto tempo mais?

Se andarmos para trás no tempo, devemos lembrar-nos que a frase mais ouvida desde o início desta pandemia foi “isto veio para ficar, temos que nos adaptar”. O que me leva à interrogação de até quando vamos permitir e aguentar sem resistir. Até quando em nome da pandemia vamos aceitar tudo o que nos é imposto mesmo que isso não tenha uma razão lógica. Por exemplo, alguém consegue perceber a razão porque posso ir a um café e pedir comida, mas não posso pedir bebida? É que até agora ainda não entendi a razão lógica e ou científica, mas também não vejo ninguém ou quase ninguém questionar.

Alguém sabe explicar a razão para que as salas culturais espalhadas pelo país depois do grande esforço de adaptação e de todas as medidas que tomaram estejam fechadas? Há evidência científica de que as salas de cultura foram meios transmissíveis do vírus?

Tudo isto são interrogações e dúvidas de alguém que não sendo negacionista na evidência de que existe um vírus também não pode e não irá aceitar tudo o que é imposto sem interrogar. Acho que vai sendo hora de pensarmos no futuro e o que poderá estar para vir depois desta pandemia e que Portugal teremos depois desta guerra. Uma guerra que não é física, mas sim de saúde. É que a avaliar pelos indicadores económicos o que nos espera não é nada bom e não sei quanto tempo levará à sua recuperação. Por tudo isto questiono se o momento é de aceitar tudo o que nos é imposto ou se vai sendo hora de resistir!

Anda meio mundo…

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Cedo me apercebi que algo não corria bem no combate à pandemia: entre outros exemplos que até “furavam olhos”, recordo a corrida ao papel higiénico e a inexistência de gel e de máscaras, ainda antes do “primeiro tiro”, a 2 de março.

Justamente alarmado com o caos que reinava, tive então o cuidado de prevenir amigos de longa data que até haviam tido importante papel na condução dos destinos sanitários deste país. E, visando uma reunião alargada com os responsáveis da DGS – por especial favor e sem direito a revelar a fuga de informação – lá consegui o TMV de um enfermeiro, na aparência o único perito que, naquela casa, talvez me pudesse ouvir.

Nessa altura, perante tantas falhas, erros e omissões e, ainda sem os milhões que veio a arrecadar, a CS ainda se atrevia a interpelar o PM sobre a necessidade de renovar o seu “plantel”:

– Não se trocam de generais a meio da batalha! – Respondeu ele, com a autoridade que lhe é reconhecida.

Estratégia quebrada logo no dia seguinte, com o país a assistir à demissão do encarregado da Linha SOS. Ao que soou, por alertar internamente para a falta de recursos humanos nesse serviço vital: mais um Siresp que só funcionava quando nada acontecia

Pretendendo colaborar, não tardei em responder ao apelo da OM e, entre mais de mil médicos jubilados, até sugeri reforçar a Linha SOS no “maior combate da vida do nosso SNS”. Oferta que foi declinada nos dias seguintes pela DGS, com o anúncio público da contratação de 250 novos enfermeiros, por certo bem mais apetrechados.   

Dias depois, em pleno março, a TV ainda mostraria o responsável político por tão brilhantes decisões a pavonear-se no aeroporto de Lisboa, onde, com pompa e circunstância, recebeu sem proteção o primeiro infetado português vindo do Oriente. Mais palavras, para quê?

Enquanto isso, o PR desertava do Palácio de Belém e o PM, também à deriva, visitava um serviço de “Infeciosas” rodeado de dezenas de emplastros, igualmente sem máscara. Ao que o “responsável clínico” garantia, não havia risco de contágio.

E foi assim, com as barbas dos vizinhos a arder, que entrámos tardiamente no primeiro confinamento sem ideia de como enfrentar uma “guerra biológica”. Combate que, defendi então, deveria ser coordenado por uma estrutura tipo militar e não por uma Comissão Nacional de Saúde Pública que, constituída por dezenas de pessoas que sabem tanto destas matérias como eu de pilotagem de aviões, reunia a conta-gotas.

As medidas drásticas então tomadas, o sol do verão e a pouca agressividade das estirpes que invadiram Portugal, permitiram-nos um verão relativamente calmo, ainda que com a PSP munida de viseiras protetoras e a ordenar a retirada dos manjericos das janelas. Até recomeçar a segunda vaga, a oportunidade de um PR, que passara a usar máscara a “conselho dos netos”, poder “brilhar” à saída das reuniões do Infarmed. Trata-se, de facto, de um excelente comunicador… sobretudo quando aborda matérias que desconhece. E foi aí que, alto e pára o baile, para a geringonça não empenar e os técnicos resistirem, se “acabou a mama”. Reuniões… o melhor é estar quieto.

Entretanto, várias certezas havíamos extraído: com três mil novos casos diários, alerta amarelo, o SNS deixaria de responder a muitas patologias; e com cinco mil entrávamos no laranja, restando tomar medidas drásticas, fosse o vírus chinês ou inglês. E foi nesse limite que, contra toda a ciência válida, os responsáveis resolveram, por consenso político, abrir as comportas pelo Natal.  

De imediato caídos no vermelho, assim se entrou tardiamente e aos bochechos em novo confinamento, para o qual nem as escolas estavam preparadas.

A primeira linha deste combate, sempre o defendi, não reside nos hospitais de retaguarda, mas sim na prevenção: na formação e equipamento da Proteção Civil e dos agentes transportadores; em planos de contingência adequados, porque urdidos por gente competente; e, nesta fase, quando ainda nem se sabe da eficácia da vacina, na testagem em massa e no correto isolamento.

A tão badalada e dispendiosa aplicação Stayway, por exemplo, é apenas um dos fiascos facilmente demonstráveis, dirigido por quem nem serve para gerir capoeiras. Mais, até, do que o recente pedido de demissão do anterior responsável pela vacinação, visivelmente combalido na tomada de posse.

E assim chegámos ao dia de ontem, com a responsável máxima da DGS a sugerir não o uso de uma máscara… mas sim de duas. A mesma voz que, em março, nos desaconselhava o uso de tal proteção por dar “falsa sensação de segurança”…

Um conselho vos deixo, face a uma telenovela interminável e em que abundam “artistas e distribuidores”, sem que se vislumbre uma “produção” responsável:

– Cuidem dos vossos pulmões, mas, por favor, olhem também pela vossa carteira!

Covid-19: 138 mortes, registo mais baixo no último mês

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A pandemia covid-19 continua com tendência para diminuir de intensidade. Hoje, o boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde dá nota de 138 mortes e 1.677 novos casos de infeção. Números francamente baixos se comparados com os registos do mês passado.

O boletim revela também que estão internados 4.826 doentes (menos 24 do que no sábado), dos quais 795 em unidades de cuidados intensivos (menos oito), mantendo-se igualmente a tendência de descida verificada na última semana.

Os dados de hoje mostram que foi registado o menor número de mortos por covid-19 e de novos casos de infeção desde há mais de um mês.

Espírito Santo e Salazar

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Quim Barreiros sabe que a sua canção será tão popular em certas zonas da sociedade portuguesa, como tem sido o “cheira a bacalhau” e outras coisas assim.

Ele  é  próximo de um certo povo, também atingido pelos desmandos dos banqueiros que gozavam de grande reputação. Guardavam o nosso dinheiro. Eram o “ai-Jesus”.

Todos se embasbacaram com o virtuosismo do primeiro Espírito Santo, José Maria do Espirito Santo Silva. Nascido no número 72 da Travessa dos Fiéis de Deus, no coração do Bairro Alto, foi deixado na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e registado como filho de pais incógnitos. 

Claro que a história foi adoçada durante anos e nunca se revelaram as ligações futuras da família Santo ao espírito de António Salazar. O ditador era tido como um homem muito sério, enterrado até em campa rasa. Tudo o que dizia era considerado palavra de pai.

Mas em rigor o que António Salazar ofereceu aos portugueses foi um naipe de capitalistas sem escrúpulos que defraudaram o povo português e o capitalismo. 

Por isso, os banqueiros viraram agora letra de sucesso de Quim Barreiros. E não parece que o cantor tenha andado a ler cartilhas políticas. Porque esses têm deixado o assunto passar quase em claro. E porquê? É um mistério! Valha-nos Quim Barreiros. 

“O povo deposita no banco
E o dinheiro foge aos milhões
Depois pra pagar as dívidas
Sobem impostos, baixam pensõesDepositei dinheiro no banco
Pensei que estava seguro
Quando acabou o prazo
Nem dinheiro e nem juroQuando eu for grande não quero ser ladrão
Quero ser banqueiro, que senão vou pra prisão
Quando eu for grande não quero ser ladrão
Quero ser banqueiro, que senão vou pra prisãoE eu fui levantar dinheiro
Virou justificação
Olharam bem para mim
Como se fosse um ladrãoTive que me identificar
Para uns euros depositar
Mas para offshores
Milhões podem voarQuando eu for grande não quero ser ladrão
Quero ser banqueiro, que senão vou pra prisão
Quando eu for grande não quero ser ladrão
Quero ser banqueiro, que senão vou pra prisãoA desculpa é fuga aos impostos
Pra ampliamento de capitais
É conversa da treta
Cada vez nos lixam maisTribunais e julgamentos
Temos circo o ano inteiro
Ninguém vai pra cadeira
Nem o povo vê o seu dinheiroQuando eu for grande não quero ser ladrão
Quero ser banqueiro, que senão vou pra prisão
Quando eu for grande não quero ser ladrão
Quero ser banqueiro, que senão vou pra prisão” – Quim Barreiros

Lisboa, cortaram o braço direito de Medina

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Salgado está indiciado pelos crimes de violação de norma urbanística e prevaricação. O crime de violação de norma urbanística tem a ver com a volumetria permitida ao edifício do Hospital CUF Tejo. O crime de prevaricação tem a ver com incumprimento das obrigações inerentes a quem é funcionário público.

O próprio Manuel Salgado já afirmou numa entrevista, que a volumetria do Hospital CUF Tejo, em Alcântara, é excessiva e que se fosse hoje não o teria aprovado. O pior é que aprovou. E é isso que o está a tramar.

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Salgado foi vereador com o pelouro do urbanismo durante 12 anos na Câmara Municipal de Lisboa. O projeto do Hospital da CUF Tejo não foi o único que levantou polémica. Também as torres de Alcântara, a requalificação da Portugália, a transformação do antigo edifício da Emissora Nacional num prédio de apartamentos de luxo, a requalificação do Largo do Martim Moniz, entre outros casos. Durante os 12 anos em que dirigiu o urbanismo lisboeta, houve muitos pedidos de fiscalização a decisões do vereador. Para o Presidente da Câmara foi uma dor de cabeça permanente, mas de que Medina nunca se quis livrar.

Manuel Salgado

Agora, o afastamento de Salgado é uma realidade. A proximidade dele com a CML corria o risco de se tornar demasiado perniciosa para o executivo camarário. Resta saber se esse afastamento ainda vai a tempo de evitar contágios.

O arquiteto afasta-se para proteger o amigo, mas conta com ele para eventuais depoimentos abonatórios, se o caso chegar a tribunal. E conta com o escudo que o sistema lhe proporciona. Isto é, todas as decisões de Salgado não foram dele, uma vez que foram votadas e aprovadas por maioria do executivo e da Assembleia Municipal. Acontece que todos sabemos como funciona a consciência de voto dos vereadores ou deputados municipais: obediência canina ao chefe. Se o chefe manda aprovar, aprova-se. O que não sabemos é como o juiz que eventualmente chegar a julgar este conflito vai valorar esse formalismo legal. Para já, essa cobertura é o trunfo que Salgado já tem na mão. “Acho estranho que, de facto o único arguido seja eu, quando isto é uma decisão coletiva”, disse ele na RTP.

Covid-19: 149 mortes, permanece tendência de descida

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Portugal registou hoje 149 mortes por covid-19 (o mesmo número de ontem) e 2.856 novos casos de infeção. Estão internados 4.850 doentes (menos 380 do que na sexta-feira), dos quais 803 em unidades de cuidados intensivos (menos 43), mantendo-se a tendência de descida verificada nos últimos dias.

Relativamente às 149 mortes registadas, 80 ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, 25 na região Centro, 21 na região Norte, 12 no Alentejo e 11 na região do Algarve.

Aos que contruíram palácios

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D. João V mandou fazer, contratou arquitetos, mandou arregimentar os escravos do costume, aumentou os impostos e assim se fez mais uma obra de regime, o monumental Palácio Nacional de Mafra que, no princípio, era apenas para ser convento e moradia real.