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Distribuição de televisão por cabo, abuso fidelizado

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Este bónus é o reconhecimento de uma prática abusiva por parte das empresas. Os nomes dos consultores convidados das telefónicas deveriam ser tornados públicos, para se desfazerem certas dúvidas que há muito persistem.

A continuação das fidelizações nas comunicações é a negação da livre concorrência, da economia de mercado e da livre escolha do consumidor.

Mais, a concertação de preços chega a ser tão escandalosa que as campanhas das operadoras são muitas vezes igualadas ao cêntimo.

E a fidelização é um escândalo. É como aceitar que o padeiro faça um contrato por um ano. Ou uma farmácia ou um posto de gasolina nos obrigue a uma fidelização. Podemos meter gasolina, consumir medicamentos ou comprar alimentos onde queremos. Mas não podemos fazer o mesmo com as empresas de telecomunicações.

É legítimo pensar estarem escondidas mãos por detrás desta prática. Porque razão o Regulador vem dar a graça de 10 a 20 por cento e não termina com a graçola das fidelizações? Um vizinho meu disse-me “a fidelização é um roubo”. Será?

Grupo de risco quer vender 10 hotéis

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Os hotéis Nau são um exemplo de como a Banca com o nosso dinheiro andou a financiar projectos megalómanos. Quando os hotéis ainda pertenciam a Carlos Saraiva, construiu-se  no Algarve um mega projecto, a Herdade dos Salgados, em que as palmeiras plantadas pareciam um canavial de bambu. Coisa estranha.

Estávamos na fase descarada do quanto-mais-melhor. Os notários aceitavam alegadamente que um hotel hipotecado servisse de garantia para a construção de um novo hotel. Um verdadeiro dominó. Um homem aparentemente simples conseguia assim créditos inesgotáveis. Para isso contribuíam também borlas de alojamento numa unidade de luxo à notária de serviço. Em três anos construiu 11 hotéis. 

Era tudo em grande. No casamento da jurista de Carlos Saraiva, perguntei quantos hotéis tinha. A resposta foi “700 milhões de euros”. Em 2010. Parecia nem saber o nome das unidades. O empresário, homem de grande afabilidade, contou-me que a joia da coroa era um hotel localizado nos Açores.

Ele metia-se aos comandos do seu jato particular, voava para lá, ia a Paris às compras, regressava por Roma, onde jantava, e voltava a Lisboa. Tudo no mesmo dia.

“É muito cansativo”, disse eu, sem saber o que mais dizer. E a resposta? “Cansativo é ficar duas horas no pára-arranca do IC19″. O jato acabou por dar problemas, com Luís Felipe Menezes, que queria vender a sede do PSD na Lapa para ganhar as eleições legislativas. Veio a crise do Lemons e julgou-se que os hotéis do meu “amigo” iam cair como cartas. 

Mas não. Mudaram de mãos, para a ECS, um grupo de capital de risco que afirma na sua página web o seguinte:  “Os investidores nos fundos geridos e aconselhados pela ECS incluem instituições financeiras ibéricas e internacionais de referência, o Estado Português e vários investidores privados”. 

Eclipsou-se Carlos Saraiva no seu jato e apareceu o ECS que, entretanto, vende agora os hotéis  de novo numa crise, desta vez provocada pelo Covid-19. 

Mas afinal andam todos a perder dinheiro de quem? Há um mundo que não entendemos. Deve ser por causa do fumo do IC19.

Menos por menos dá mais

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Nunca a expressão resiliência teve tanta oportunidade de se manifestar. Não a resiliência em discursos bondosos, não a resiliência passiva cuja acção não passa da própria palavra. Esta resiliência – capacidade de superar, de recuperar de adversidades -, palavra pouco usada até há pouco tempo, chamava-se resistência noutras épocas.

Quer uma quer outra devem ter residência fixa nas nossas mentes, nos dias que correm. É preciso combater o miserabilismo, a autocomiseração resistindo ao negro desfile diário de miséria proporcionado pelas televisões em busca de audiência para venderem mais publicidade. O que nos é mostrado é um quadro deprimente de pessoas a serem exploradas pelos seus sentimentos abalados por uma qualquer adversidade decorrente da actual situação de saúde pública. Respeitamos a dor e o desespero do nosso semelhante mas não aceitamos o seu constante aproveitamento em que a informação é absorvida pelo “reality show” televisivo.

Fechados em nossas casas, tendo por companhia a “caixinha mágica que mudou o mundo”, somos diariamente inoculados de doses maciças de casos em que os sentimentos das pessoas são explorados ao máximo, conduzindo-nos a um sentimento depressivo por indução. Não há uma notícia positiva, uma vitória sobre a doença, um caso resolvido a contento, uma solução criativa. Só números e exploração da dor humana. E vamos para a cama carregados de pesadelos para acordarmos no dia seguinte com as mãos na cabeça, incapazes de aguentar outro dia de telejornais negros. Depois, vem a injecção do futebol, um dos três Efes do tempo da outra senhora – Futebol, Fátima e Fado – sem bem que o F de fado tenha sido substituído pelo F de Facebook. Mais o Sérgio Conceição pela enésima vez mais as vacinas que não chegam e as dezenas de comentadores diários especialistas de assuntos gerais. Como se diz em Angola: é muita carga.

Há sem dúvida casos extremos, desesperados que precisam de ajuda. Há sem dúvida pessoas que precisam de auxílio material imediato. Felizmente, o espírito solidário veio a terreiro minorar alguns problemas, ajudas oficiais foram montadas para o mesmo efeito. Autarquias, instituições de solidariedade social estão a fazer o seu dever. Mas a táctica do “choradinho” em público na televisão é a que mais rápido colhe frutos. Infelizmente, em alguns casos vem a saber-se que tudo não passou de um oportuno aproveitamento.

Vale a pena inserir aqui com a devida vénia, um excerto do tema apresentado hoje por Vasco Lourenço em O Público, através da Estátua de Sal:

A comunicação social, com realce escandaloso para as várias estações de televisão, certamente capturada por interesses inconfessáveis, por isso não assumidos, tem-se distinguido por andar à procura do homem que mordeu o cão, porque essa é que é a notícia! Só sabe procurar o erro, a falha, o escândalo – que infelizmente acontecem mais do que o desejável e mesmo o admissível –, para com isso fazer um alarido de todo o tamanho, escondendo o que é bem feito, desprezando os efeitos positivos que a sua divulgação poderia ter nos cidadãos. (Vasco Lourenço, in Público, 17/02/2021)

Cidadãos a quem se procura instalar o medo, o pavor de estarmos perdidos se não mudarmos de dirigentes políticos porque, insistem alguns, só há incompetência na função pública. Estamos deprimidos mais pelo que vemos e ouvimos do que pelo nosso próprio caso. Temos de ser resilientes e resistir a sermos “velhos do Restelo” militantes, nem que para tal recorramos aos nossos amigos brasileiros quando têm um problema: deixa comigo, vai dar tudo certo.

Agrada-me a sua resistência…

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Não é porque dietistas proclamem os seus elevados benefícios para a regulação intestinal, prevenção de ataques cardíacos e diminuição da vontade de comer. É porque também me agrada a luta que tenho de travar para a partir. Precisa-se de escolher bem o jeito, aperta agora, tenta outra posição… E vem depois aquele estalar dolente, rachado, como num estertor raivoso: «Eu não queria que me abrisses!»…  

Habituei-me a comer duas ou três nozes enquanto a gente se arruma à mesa. E, para além dessa resistência que me agrada, confesso que não resisto a admirar a forma inteligente como o fruto por completo se torceu para aproveitar todos os recantos disponíveis. Inconcebível engenharia divina!

Outro dia, escrevia-me Júlia Nery: «Estou a ler os textos, saboreando conteúdo e escrita, “como quem trinca  bagos de romã sumarenta”». Também a romã me encanta. Aliás, sempre encantou o Homem, os Romanos quase lhe prestavam culto como manjar dos deuses… Encanta-me o trincar, mas encanta-me sobretudo ver como a Ana precisa de ter um cuidado enorme, ao descascá-la, para que nenhum bago se esmague, tão imbricados eles estão, tão bem aconchegadinhos!…

Tive a dita de ler em moço o livro «Belezas Ignoradas», do Dr. Thiámer Topth, professor da Universidade de Budapeste. Comprei a 2ª edição (Coimbra Editora, 1958), que ainda conservo, qual relíquia, a precisar de encadernação cuidada. Foi com ele que aprendi a adestrar o meu espírito de observação e a admirar tantas belezas que me passavam despercebidas. Comecei, inclusive, um dossiê de folhas soltas sobre animais, em que fui escrevendo tudo o que de curioso ia lendo.  Sobre a aranha, por exemplo, um bicho que sempre me cativou, tenho manuscritas nove páginas!

Copiei do livro «Our animal neighbours», de Alan Devoe (McGraw-Hill, Nova Iorque, 1953, p. 228) a resposta a esta pergunta: como se explica que a aranha não fique pegada à teia como os insectos que ela quer apanhar? É que deixa sempre uma «zona livre», um terreno seguro onde ela se pode emboscar, sem qualquer risco de ficar agarrada! E eu ficara a saber, na página anterior, que a aranha fabrica um fio muito fino de que se serve para tecer os sacos onde guarda os ovos; outro, mais espesso, para apanhar as presas e, à medida que vai e vem na teia, continuamente produz um fio, que é o seu fio condutor! Pensava Ariadne que descobrira uma novidade quando dera ao seu apaixonado Teseu um fio para, desenrolando-o, ele se orientar na saída do labirinto de Creta!…

(o autor também publicou esta crónica no blog Notas&Comentários)

Ildefonso é um homem elegante. Saiba porquê.

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À hora da refeição, intervalo no protesto. No tempo de vacas mais gordas, o restaurante O Apeadeiro oferecia-lhe uma refeição por dia. Agora, a solidariedade mantém-se, mas Manuel Ildefonso paga a sopa, 1,50 € e oferecem-lhe mais alguma coisa para comer.

Manuel Ildefonso diz que poderia receber uma refeição diária na Misericórdia de Sintra, mas Mem Martins fica longe para quem não tem meio de transporte. Durante algum tempo foi lá, almoçava e tomava um banho. Depois, o banho foi cortado e deixou de ir.

“Primeiro foi a caldeira que avariou, segundo disseram”, explica Manuel Ildefonso. “Eu disse-lhes que tomava banho de água fria, mas 15 dias depois argumentaram que as regras tinham mudado e que não podia tomar mais banho ali”. E nunca mais lá foi.

A dieta diária de Ildefonso passou a ser um pão e uma peça de fruta, mais a sopa e o conduto que lhe oferecem no restaurante O Apeadeiro que sobrevive com o take-away. É o que se consegue com os 188 € mensais do RSI, o único apoio que este cidadão tem do Estado português. Assim, Ildefonso não engorda, mas a magreza não o dobra. Cultiva uma teimosia elegante no modo como explica o que se passa a quem se interessa pelo seu caso.

fotografia de Rafael Baptista

Manuel Ildefonso continua a viver numa casa em ruínas no centro de Sintra. E continua em protesto à porta da Câmara Municipal, entidade que tem a obrigação de resolver este problema de quem ficou doente, desempregado e sem abrigo.

Amadora, arborização lenta

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Na Amadora, a autarquia vai plantar mil árvores em diversos arruamentos, parques e jardins. O plano de arborização da câmara municipal pretende contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas, diz o município, promovendo a purificação da atmosfera e a valorização ambiental das áreas urbanas, refere o comunicado divulgado pela Câmara Municipal da Amadora.

Não se trata propriamente de uma novidade, uma vez que o plano de arborização já foi apresentado em março de 2013, definia os eixos de intervenção que permitam atingir a meta de 50.000 árvores plantadas em diferentes áreas da cidade.

Devagarinho, o plano tem estado a ser implementado. A autarquia não diz qual a percentagem já concluída do plano, mas se o ritmo for a mil árvores por ano, vai demorar 50 anos.

Do tempo em que as leitarias tinham vacas

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Antes dos frigoríficos e da pasteurização, havia as vacas. Em Lisboa, por exemplo, quem quisesse beber um copo de leite ia à leitaria. O funcionário ordenhava o animal, o leite era fresquinho, acabado de sair da teta da vaquinha. Isto foi assim até finais do século XIX (19 em numeração romana).

O século XX foi uma vertigem em invenções, avanços tecnológicos. O homem foi à Lua e as vacas desapareceram das leitarias. As leitarias deixaram de ter estábulo nas traseiras, os intermediários começaram a ficar ricos com a distribuição alimentar, passou a ser fino ir lanchar um copo de leite, um galão, uma torrada com pouca manteiga.

Em pouco tempo, as leitarias passaram a cafés. Na passagem para o século XXI alguns desses cafés mais antigos passaram a restaurantes. O turismo justificava a aposta e a margem de lucro num bitoque ou num hambúrguer não tem comparação com a que se obtém com uma meia de leite. Aconteceu assim com A Brasileira do Chiado ou o Majestic no Porto, por exemplo. E aconteceu assim com a mais antiga leitaria da capital, A Camponeza, estabelecimento que ainda vem do tempo do estábulo e da vaquinha pronta a dar leite.

É uma das poucas lojas centenárias que ainda sobrevivem em Lisboa. A fama foi adquirida nos anos 70, 80, do século passado, quando a baixa lisboeta era o “centro do Mundo”, onde se reuniam tertúlias de intelectuais pelos cafés do Rossio e do Chiado. Alguns iam à leitaria A Camponeza, casos dos músicos Vitorino e Janita Salomé ou do cineasta João César Monteiro. Clientela que reforça a suspeita de que já então A Camponeza disponibilizava mais alguma coisa para além de copos de leite. Naqueles tempos, as ruas da baixa estavam cheias de comércio, era ali que as pessoas iam comprar roupa, sapatos, artigos para o lar, quinquilharia, botões e fitas de nastro, flores, mobília, tudo se vendia na baixa.  As melhores empresas tinham de ter escritório na baixa, assim como os bancos. Era ali a alma de Lisboa.

A Camponeza assistiu ao passar do tempo e resistiu a esse desgaste. Ainda lá está. Passei pela rua dos Sapateiros há dias. A leitaria estava fechada. Quando a pandemia passar, voltará a abrir as portas. Hoje já não vende copos de leite. É um restaurante.

Apesar de A Camponeza já não ser o que foi, a alma de uma cidade faz-se também destes locais que nos contam histórias e História (que são coisas diferentes). Seria interessante que locais como este pudessem ser preservados, não só em termos estruturais, mas, também, em termos funcionais. Para que Lisboa não se torne numa cidade banal.

Covid-19: mais mortes, menos internados

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Hoje, o boletim epidemiológico regista mais 21 mortes que ontem, ontem foram 90, hoje são 111. Subiu igualmente o número de novos infetados, ontem foram 1.303 casos e hoje a cifra é de 1.502, ou seja, mais 199 casos.

Mas o boletim epidemiológico revela também que estão internados 4.482 doentes, menos 350 que na segunda-feira, uma significativa descida, dos quais 752 em cuidados intensivos, menos 32. Resumindo, a tendência continua a ser de descida. De resto, há 16 dias consecutivos que o número de recuperados supera o de novas infeções.

Desde março de 2020, Portugal já registou 15.522 mortes associadas à covid-19.

Lisboa, caiu o vereador vacinado

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O vereador Carlos Castro demitiu-se do pelouro que dirigia, o da Proteção Civil. Depois de se saber que o vereador tinha sido um dos que passaram à frente na fila para as vacinações anti-covid, e perante a indignação que se levantou, escreveu uma carta a pedir a demissão que foi imediatamente aceite por Fernando Medina.

O facto de o autarca ter sido vacinado com uma das 126 vacinas que sobraram do processo de vacinação dos lares da cidade, assim como os comandantes do Regimento de Sapadores Bombeiros e da Polícia Municipal e a Diretora Municipal da Higiene Urbana, provocou “mal-estar em vários serviços do município”, escreveu o vereador na carta endereçada a Medina, divulgada na sua página da rede social Facebook.

O vereador demissionário salienta que “nunca quis beneficiar de nada, nem prejudicar ninguém”, reforçando que a sobra que lhe foi administrada foi “validada por um delegado de saúde”.

Carlos Castro recorda que o plano de vacinação contra a covid-19 na cidade foi coordenado e implementado no terreno por si, e que acompanhou “os primeiros dias de trabalho” na presença dos dirigentes da Higiene Urbana, Polícia Municipal e Bombeiros.

Tal como noticiámos ontem, no dia 9 de fevereiro a Câmara de Lisboa fez saber que, na sequência da vacinação em lares e residências para idosos, sobraram 126 vacinas, uma média de 18 por dia. Uma delas coube em sorte ao vereador Carlos Castro.

O pelouro da Proteção Civil passará a ser assumido pelo vereador Miguel Gaspar, detentor das pastas das Mobilidade, Segurança, Economia e Inovação.

Turismo, a galinha não põe ovos

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O Rei D. Carlos fez dele Marquês. Naqueles tempos, os Reis davam títulos aos homens ricos. Um pouco à semelhança do que fazem hoje os Presidentes da República com os Comendadores. José Luís Constantino Dias foi, assim, o primeiro e único Marquês de Vale Flor. O dinheiro veio da colónia de São Tomé e Príncipe, com o negócio da produção de cacau. Ainda hoje, o cacau é o que São Tomé e Príncipe produz com excelência.

O que fez ele com o dinheiro? Construiu um palácio. Marquês sem palácio era coisa impensável. O Palácio Vale Flor é hoje o magnífico Hotel Pestana Palace. O requinte inerente às 5 estrelas que estão gravadas na placa de metal amarelo cravada no muro ao lado do portão que nunca se fecha.

O portão está sempre aberto, mas poucos têm entrado no hotel nos últimos meses. A pandemia deu cabo do turismo e sem turismo os hotéis estão letárgicos, moribundos. Vamos a uma casa de banho, abrimos a torneira e a água sai amarela, sinal de falta de uso daquela torneira.

Nas paredes dos corredores no rés-do-chão estão as fotografias de um passado recente que prometia futuros gloriosos. Clientes famosos que passaram por lá e que ajudaram a dar fama ao local.

E há também aqueles que emprestaram o “nome de guerra” aos empreendimentos hoteleiros a ver se rentabilizavam a fortuna que ganham a jogar à bola. Falamos no plural porque Cristiano Ronaldo vale por sete.

Quanto custa manter um hotel destes, sem clientes? Quanto custa manter uma cadeia de hotéis destes, sem clientes? Claro que CR7 diversificou os seus investimentos. Ninguém ajuizado e bem aconselhado deposita todos os ovos no mesmo cesto. Nem mete golos sempre na mesma baliza. Mas que o investimento está tremido, lá isso deve estar. A história deste lugar já teve muitos episódios, o edifício até já foi sede do Governo, no tempo do primeiro-ministro Mário Soares.

Quem hoje entra neste sumptuoso palácio hoteleiro não vê ninguém nos corredores. Não se sente ninguém nos quartos. O bar está frio e vazio. Alugam-se salas à hora. Na recepção, o telefone deixou de tocar. Não há táxis parados à porta. O jardim sem gente, a piscina vazia.