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André Silva abandona o lugar de deputado

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André Silva abandona a Assembleia da República e não se irá recandidatar a nenhum cargo nas estruturas do PAN. A surpresa é total. Depois de ter sido o primeiro deputado eleito pelo PAN nas eleições de 2014 e de ter conseguido dar notoriedade ao partido e às ideias novas que o PAN trouxe para o debate político e quando nada o fazia prever, André Silva sai.

Num email enviado a todos os militantes do partido, justifica a decisão com a necessidade de abraçar a paternidade, agora que nasceu o seu primeiro filho: “considero que devo apanhar o comboio da paternidade para materializar valores que considero essenciais nas esferas privada e pública.”

Num segundo argumento, lembra que tem “a forte convicção de que numa democracia saudável as pessoas não devem eternizar-se nos cargos, devendo dar oportunidade a outras. Ou seja, como muitos sabem, defendo a limitação de todos os mandatos políticos, sejam eles partidários ou em órgãos de poder institucional.”

O PAN perde, assim, o mais carismático dos seus militantes e, apesar de garantir que se mantém fiel ao partido e que deseja que o PAN continue “a fazer a diferença na sociedade e na política”, esta decisão de André Silva não deixará de ter consequências num partido que já teve antes mais do que uma dissidência, como foram os casos de Cristina Rodrigues, hoje deputada independente e Francisco Guerreiro, eleito para o Parlamento Europeu, que decidiram ambos abandonar o PAN.

Aldrabices

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Acontece muito nas redes sociais, neste caso foi no Linkedin. Anúncios de empregos que não existem, que servem apenas de chamariz para captar referências pessoais e depois vendê-las a empresas de marketing.

Este é o anúncio de uma empresa de que não se sabe o nome e que pretende contratar um jornalista, licenciado, para desempenhar funções de… marketing, relações públicas, etc e tal.

Cheira a esturro por todos os lados. Se seguirem os passos que os sucessivos links indicam, não vamos ter a lado algum, a não ser eventualmente depois de preencher um questionário e de nos inscrevermos na base de dados do mediador de empregos, uma “coisa” chamada buscojobs.pt que não deve passar de uma organização que vende dados pessoais.

Não autorizando a utilização dos dados pessoais, ficamos a “andar” em círculo, nunca chegamos à empresa que eventualmente pretende contratar um híbrido de jornalista/comerciante.

Ou seja, isto cheira a burla e, portanto, será algo ilegal. Por outro lado, a função que se pretende executar está ferida de incompatibilidades legais. É proibido um jornalista ser simultaneamente RP ou publicitário. Devia ser possível incriminar esta malta.

E o pior é que sendo este caso particular uma aldrabice, é bem possível que tudo seja uma aldrabice pegada e que nenhum dos anúncios que esta organização publica sejam verdadeiros e que, no final, tudo isto seja mesmo apenas para ter imensas listas de dados pessoais e com elas ganhar dinheiro.

Já podemos sentar de novo nos bancos de jardins

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A partir de amanhã, segunda-feira 15 de março, já pode voltar a sentar-se num banco de jardim. É o que está escrito no decreto-lei que regulamenta o novo estado de emergência.

Para os que não têm paciência de ir à procura do decreto-lei, transcreve-se o essencial: “permissão de permanência em parques, jardins, espaços verdes, espaços de lazer, bancos de jardim e similares”, apesar da gestão dos jardins ser uma responsabilidade atribuída às autarquias, o Governo decide assim reabrir esses espaços ao público. Até agora era apenas permitida a circulação pelos jardins, não sendo possível permanecer nesses locais.

Enfim, um pouco confuso, mas a finalidade era impedir a concentração de pessoas, o que se compreende. Mas nunca foi uma medida consensual. Por exemplo, a Câmara Municipal de Oeiras decidiu antecipar a permissão e anunciou, na sexta-feira passada, que o passeio marítimo e os espaços públicos ao ar livre, como o Parque Urbano do Complexo Desportivo do Jamor e jardins do concelho reabriam às 07:00 de hoje. Quem manda em Oeiras são os que lá estão, parece ser o lema da autarquia.

site da Câmara Municipal de Oeiras

O presidente da Câmara, Isaltino Morais, pediu “sentido de responsabilidade cívica aos munícipes” para evitarem “aglomerados excessivos” nestes locais que coloquem em causa a contenção da pandemia de covid-19.

1961, annus horribilis de Salazar

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Se a Democracia portuguesa tivesse orgulho na sua História, o ano de 1961 seria celebrado condignamente em cada decénio, no mínimo. Ou seja, neste ano de 2021 teríamos alguma cerimónia que fizesse lembrar às pessoas os factos relevantes do combate ao salazarismo que ocorreram há 60 anos.

Em 22 de janeiro foi o assalto ao paquete Santa Maria da Marinha Mercante. O navio fazia a ligação regular de Portugal com o Brasil. Nessa viagem embarcaram 23 operacionais portugueses e espanhóis (entre os quais o famoso Camilo Mortágua) da denominada Direção Revolucionária Ibérica de Libertação (DRIL), um grupo antifascista que lutava contra os regimes de Salazar e Franco. No dia 22, no mar das Caraíbas, assaltaram a ponte de comando do navio, eliminaram a resistência que alguns membros da tripulação opuseram (houve 1 morto e vários feridos resultantes do tiroteio) e, assim, realizaram uma das mais audaciosas ações de revolta, que teve enorme impacto mediático no estrangeiro, onde a censura da PIDE era ineficaz.  

paquete Santa Maria

Uma ação comandada pelo capitão do Exército português Henrique Galvão, igualmente responsável moral pelo desvio do avião “Mouzinho de Albuquerque” da TAP, em novembro de 61, quando fazia a ligação Lisboa – Casablanca. O desvio do avião foi realizado por 6 operacionais (Camilo Mortágua participou igualmente neste ataque) da denominada Frente Antitotalitária dos Portugueses Livres no Estrangeiro, comandados por Palma Inácio. O avião foi levado a sobrevoar a baixa altitude Lisboa, Barreiro, Beja e Faro, com milhares de panfletos de propaganda política da oposição assinados por Henrique Galvão a serem lançados para as ruas dessas localidades. Foi outra ação de grande impacto e o avião foi aterrar em Tânger, Marrocos.

avião da TAP desviado por Palma Inácio

Em 4 de Fevereiro, foram desencadeados os primeiros ataques da UPA no norte de Angola e do MPLA em Luanda, era o início da guerra naquela colónia africana. Os efeitos desses ataques foram de tal modo impactantes que não foi possível esconder o sucedido, nem em Portugal nem no estrangeiro. A revista Paris-Match deu grande destaque a esse acontecimento, o regime salazarista começou lentamente a cair nesse momento.

guerra em Angola (fotografia de 1962)

Em agosto de 1961 o Governo do Daomé (atual Benim), antiga colónia francesa na África Ocidental, ataca e ocupa a Fortaleza de São João Baptista de Ajudá. Com 4,5 hectares, era uma das colónias mais pequenas do mundo. A fortaleza foi fundada em 1680 pelos portugueses e serviu, sobretudo, como entreposto comercial, nomeadamente de escravos. Portugal só reconheceu a soberania do Benim sobre a fortaleza em 1975. Foi o primeiro território ultramarino em África que Portugal perdeu no século XX. Nas restantes colónias africanas, a luta armada iria demorar ainda mais 2 ou 3 anos a ter início.

Em 18 de dezembro de 61, tropas indianas entram em Goa, Damão e Diu, quase sem resistência. A integração da Índia Portuguesa na União Indiana era exigida pelo primeiro-ministro indiano, Jawaharlal Nehru, desde a independência do império britânico, em 1947. Salazar teimou em não negociar, perdeu tudo.

O ano de 1961 foi verdadeiramente desastroso para o regime de Salazar. Devíamos todos estar a dançar à volta da fogueira da fraternidade entre povos e da igualdade entre pessoas. Mas estamos esquecidos e ainda passou tão pouco tempo.  

Covid-19: Marcelo assina desconfinamento “prudente”

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O boletim epidemiológico de hoje diz que nas últimas 24horas houve 19 mortes relacionadas com a covid-19 e 564 novos casos de infeção. Diz ainda que o número de internados baixou dos mil, para 980 doentes (menos 66 do que na quinta-feira), o valor mais baixo dos últimos 5 meses. Nos cuidados intensivos há agora 253 doentes (menos 13 em relação a quinta-feira).

Marcelo trabalha ao sábado

Marcelo Rebelo de Sousa assinou este sábado o decreto do Governo que aprova as medidas de execução do estado de emergência e o plano de desconfinamento do país. O plano de desconfinamento foi apresentado na quinta-feira, mas como o Presidente da República viajou até Roma e Madrid, só hoje foi possível assinar o decreto. Marcelo esteve reunido com o Papa, no Vaticano e com o Rei de Espanha, na capital espanhola.

O plano de desconfinamento prevê a abertura na próxima segunda-feira de creches, ensino pré-escolar e escolas do primeiro ciclo do básico, sendo reaberto ainda o comércio ao postigo e estabelecimentos de estética como cabeleireiros.

Continua interdita a deslocação entre concelhos

O plano prevê novas fases de reabertura em 05, 19 de abril e 03 de maio, mas as medidas podem ser revistas se os números de contágio voltarem a subir ou se o índice de transmissibilidade (Rt) for maior que 1.

Mas atenção: a deslocação entre concelhos para a generalidade da população continua interdita nos dois próximos fins de semana e na semana da Páscoa (26 de março a 05 de abril), e o dever de recolhimento domiciliário vigora até à Páscoa.

O Presidente da República considerou que o plano de desconfinamento gradual divulgado pelo Governo representa um “equilíbrio muito razoável e muito prudente”, defendendo que se verificou uma convergência entre a Assembleia da República, o executivo, os partidos e os especialistas.

“Parece-me que se chegou a um equilíbrio muito razoável e muito prudente entre o que era a posição dos especialistas, dos partidos e do que o Governo estava a estudar e do que o Presidente da República pensava”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

Bugio, a madeira apodrecida e os navios encalhados

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As autarquias de Oeiras e Almada têm uma querela antiga e civilizada sobre o Bugio. Em tempos idos, o Bugio já esteve ligado por um istmo à Trafaria e, portanto, pertenceria ao concelho de Almada, mas o Marquês de Pombal quis ficar com o calhau só para ele e agregou-o a Oeiras. Na verdade, o Bugio pertence à APL – Administração do Porto de Lisboa, a gestora das duas margens do Tejo desde o Bugio até Vila Franca de Xira.

Almada chegou a ter um projeto, nos anos 60 do século passado, para a construção de um porto marítimo e o fecho da golada, unindo definitivamente o calhau do Bugio a terra. Mas Salazar deixou andar e nunca nada se fez.

Hoje, o Bugio é uma espécie de berloque, não serve para nada, mas é das tais joias de família que ninguém quer por no prego.

Quem vai ao Bugio (no verão há passeios organizados a partir da marina de Oeiras) fica admirado com a paisagem e com a resistência daquelas pedras ao longo dos séculos. Mas o interior da estrutura militar está um pouco degradado, as madeiras apodrecidas. Por dentro é um sítio abandonado. Por fora tem outro brilho.

A capela, os tanques de azeite (o farol funcionou a azeite, óleo, queima de gás, até ser eletrificado com energia produzida por geradores em 1959), as camaratas dos soldados e, mais tarde, dos faroleiros, os paióis, enfim tudo aquilo que se construiu para que o Bugio funcionasse como fortificação militar de defesa da barra do Tejo e farol de ajuda à navegação desde o final do século 16 (quando era rei D. Sebastião). As obras demoraram o seu tempo e só no reinado de D. João IV o forte foi “inaugurado”, digamos assim.

Em 1755 foi destruído pelo terramoto, em 1758 o Marquês de Pombal mandou reconstruir a estrutura, Salazar ordenou a desativação como estrutura militar em 1945, hoje é farol automatizado, com energia solar e já sem faroleiros.  

Tem sido uma dor de cabeça para engenheiros e afins, a conservação do forte, num local constantemente agredido pela força do mar e erodido pela corrente do rio. Já não existe o areal que o rodeava e, na maré baixa, permitia quase que lá se chegasse a pé a partir da Caparica. Hoje é um baixio que volta e meia prega partidas a marinheiros mais azelhas ou azarados. Aliás, não é por acaso que a zona entre o Bugio e a Trafaria se chama Cova do Vapor, designação nascida do naufrágio de uma embarcação a vapor, o “Patrão Lopes”, em 1936.

O último acidente foi em 2018 quando o “Betanzos”, um cargueiro espanhol que saía do Tejo encalhou no baixio do Bugio e emocionou os auditórios das televisões com as histórias do resgate da tripulação e da embarcação. Mas houve muitos outros, ao longo dos anos. E enquanto o baixio ali estiver, há de voltar a acontecer.

encalhe do “Betanzos”, 2018

Escoteiros da Ajuda em risco de despejo

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A Câmara Municipal de Lisboa pretende demolir o edifício onde funciona o grupo de escoteiros da Ajuda. Os escoteiros estão ali desde 1956 e não têm alternativa para a sede, local onde desenvolvem atividades que ocupam os tempos livres de muitos jovens.

“A nossa ação não se limita ao âmbito escotista, sendo a nossa sede utilizada diariamente pela comunidade da Escola Voz do Operário com a qual desenvolvemos um protocolo de utilização do espaço para recreio e eventos e que será também afetada pela demolição do espaço prevista”, diz o texto que serve de apresentação a uma petição online com a qual se pretende sensibilizar a CML a voltar atrás na decisão de demolir o edifício ou, em alternativa, encontrar uma outra sede para este agrupamento de escoteiros.

O prejuízo aumenta quando o edifício dos escoteiros da Ajuda “tem sido alvo de recorrentes e dispendiosos melhoramentos e manutenções assumidos na sua esmagadora maioria pelo grupo através das suas quotizações e angariações de fundos para o efeito, que garantem que o espaço se encontra em condições para a sua regular utilização”, diz o texto da petição.
Os escoteiros da Ajuda dizem entender a necessidade de reestruturar e modernizar a freguesia, mas dizem que “a requalificação urbana não pode ser feita obliterando a comunidade que está enraizada no local.”

Demolir a sede dos escoteiros sem lhes apresentar uma solução de alojamento não parece bem a ninguém. Trata-se de um ato que, em concreto, resulta num despejo de uma instituição que acolhe atualmente mais de 80 jovens que semanalmente ali realizam as suas atividades.

Covid-19: vacina sob suspeita em 4 países europeus

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Índices da pandemia continuam em queda. Hoje estão registados no boletim epidemiológico, 15 mortes, 577 novos casos de infeção, 1046 doentes internados, 266 nos cuidados intensivos.

Por outro lado, aumenta o número de pessoas vacinadas: 793.162 com a primeira dose  e 320.723 com a segunda dose.

Vacina da AstraZeneca sob suspeita

Quatro países europeus suspenderam a utilização da vacina contra o covid-19 da AstraZeneca. Dinamarca, Islândia, Noruega e Bulgária anunciaram a suspensão da utilização da vacina da AstraZeneca, invocando “precaução”.

A agência nacional de saúde dinamarquesa, a primeira a anunciar a decisão, invocou a precaução devido a “casos graves de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas”. Contudo, não está provado que haja uma ligação entre a vacina e os coágulos.

Já no início desta semana, a Áustria parou de administrar um lote de vacinas da AstraZeneca após a morte de uma enfermeira, de 49 anos, devido a “graves problemas de coagulação” alguns dias após ter sido vacinada.

Dístico EMEL: Transparência e Informação

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Não deveria ser segredo, dado que é a própria EMEL, no seu website, que refere que gere mais de 75.000 lugares de estacionamento mas emite mais de 90.000 dísticos de residente. Ou seja, se a EMEL fosse um cinema, vendia mais lugares do que as cadeiras disponíveis na sala. Os números são de Novembro de 2018, sendo também o último relatório e contas publicado o de 2018 e o último plano de atividades o de 2019. O que por si só já é mau, muito mau, para uma das principais empresas municipais da Capital e cujas intervenções mais impacto têm tido na vida dos Lisboetas recentemente.

É também de fácil intuição que estes números, que decerto mudaram nos últimos dois anos, não melhoraram para os moradores das freguesias mais centrais da cidade, de onde todos os dias chegam relatos e fotos de lugares de estacionamento retirados para colocar ciclovias, estacionamento de bicicletas, alargamento de passeios ou simplesmente colocação de pilaretes ou ordem para a EMEL multar e rebocar quem estaciona durante a noite ou durante o dia, em confinamento, em locais não regulados, por não existirem lugares marcados suficientes.

Não é minha intenção neste artigo julgar esses casos, mas sim questionar: porque não há transparência para o cidadão sobre a real disponibilidade de lugares de estacionamento?

 Quem compra ou aluga casa em zonas de estacionamento regulado tem de saber se vai poder estacionar o seu carro perto de casa. É imprescindível uma maior transparência na relação ‘dísticos por lugares de estacionamento’. No limite, deve-se deixar de emitir dísticos nas zonas mais pressionadas, publicando esse facto e assim sinalizando essa escassez a quem aluga ou compra casa em Lisboa.

A disponibilidade de lugares, plasmada na disponibilidade de dísticos de residente, publicada e facilmente acessível por todos, é um fator essencial na valorização de uma habitação, permitindo que pessoas para quem ter automóvel é fundamental possam, em Liberdade, decidir não ir morar para a zona e, no limite, permitir que a cidadania possa exigir, com base em números, mais e melhores condições de estacionamento nos seus bairros. Informação e Liberdade. Urge reforçar a transparência da regulação do estacionamento em Lisboa e transmitir informação clara e verdadeira a quem vive ou quer viver em Lisboa.

O polvo dá socos

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Quando um polvo quer afastar algum outro animal das proximidades dá-lhe um soco. É a murro que os polvos resolvem os seus problemas com a vizinhança. Não será um comportamento recomendável, mas é isso que biólogos do Laboratório Marítimo da Guia, em Cascais, acabam de reportar sobre este comportamento curioso dos polvos.

Pelo que observaram, os cientistas acreditam que quando um polvo tem esta atitude agressiva é porque quer beneficiar um outro peixe de um cardume quando procuram de comida. Afastando um, beneficia outro, é a conclusão dos biólogos. Mas não se trata de altruísmo, porque o polvo beneficia o peixe que divide com ele o alimento que encontra.

“Ao peixe atingido é-lhe retirada uma oportunidade de presa, e pode ser enviado para zonas mais periféricas do grupo, ou mesmo ser expulso do grupo de caça. Este comportamento é totalmente novo, e ecologicamente, de acordo com a teoria de jogos, é um mecanismo de controlo do parceiro, em que numa das possibilidades o polvo poderá incorrer em custos próprios com o fim de impor custos maiores a um parceiro não cooperante”, lê-se numa nota divulgada pela Faculdade de Ciências de Lisboa.

Esta investigação sobre o comportamento dos polvos e uma aparente cooperação com outras espécies, surgiu durante um trabalho de campo sobre as interações entre polvos e peixes em caça cooperativa realizado no âmbito de um projeto financiado pela National Geographic, e envolve não só biólogos do Laboratório Marítimo da Guia como, também, investigadores do polo da Ciências Universidade de Lisboa e do Max Planck Institute of Animal Behavior da Alemanha.

O polvo sempre foi considerado um animal com uma rara habilidade comportamental e inteligência. Esta capacidade de estabelecer alianças estratégicas com outras espécies nunca antes tinha sido relatada.

Se quiser ver um vídeo com polvos a dar murros em peixes, clique aqui.

Esta investigação foi convertida em artigo científico e publicada na revista Ecology.