Portugal ultrapassou hoje os 500 internamentos em unidades de cuidados intensivos de pessoas diagnosticadas com covid-19, tendo igualmente subido para 3.275 os internamentos em enfermaria mais 34 que ontem,segundo a Direção-Geral da Saúde.
Os doentes internados em cuidados intensivos têm vindo a aumentar desde o dia 07 de setembro, quando estavam nestas unidades 49 pessoas. Hoje estão 506 pessoas nestas unidades, mais oito do que na segunda-feira.
Os dados hoje divulgados pela DGS referem mais 85 mortos relacionados com a covid-19 e 3.919 novos casos de infeção covid-19.
Desde o início da pandemia, Portugal já registou 4.056 mortes.
A Gendarmerie, a polícia francesa, acaba de receber 1200 viaturas novas, o que deve fazer corar de vergonha a PSP portuguesa. Mesmo levando em linha de conta a escala das corporações e dos próprios países, é evidente que a polícia francesa é tratada com mais algum cuidado do que acontece com a congénere lusitana.
A viatura escolhida foi um SUV topo de gama, o Peugeot 5008 (depois de concurso público), um “carrito” que vai até aos 185 kms por hora, o que chega e sobra para a grande maioria das perseguições urbanas ou rurais que a polícia tem de fazer ocasionalmente. Além disso é uma viatura suficientemente espaçosa para transportar toda a “palamenta” das viaturas policiais, desde os computadores de bordo, rádios de comunicação, GPS, algemas e caçadeiras de canos cortados. Cabe lá tudo e ainda tem 5 lugares para agentes da polícia e presumíveis bandidos detidos.
Este Peugeot 5008 vale cerca de 65 mil euros a unidade, mas é provável que compras em grandes quantidades sejam objeto de descontos generosos.
A intenção desta notícia não é provocar urticária à PSP ou à GNR, mas é para dizer que existe uma ligação com Portugal, embora ténue e involuntária. É que o dirigente máximo da Peugeot francesa é um português.
Na industria automóvel, Carlos Tavares é um dos mais conceituados gestores a nível mundial. Tem um curriculum que dispensa muitos comentários. Ingressou na Renault em 1981, mas ganhou destaque quando se juntou à parceira japonesa da Renault, a Nissan Motor Co Ltd. Tavares dirigiu as operações da Nissan na América do Norte, depois tornou-se diretor de operações da Renault, em 2011. Em 2013, Tavares foi contratado pela Peugeot para CEO do grupo, então em crise, para liderar uma reviravolta. Salvou as empresas da falência e iniciou uma série de aquisições e fusões, a mais recente foi a aliança entre a Peugeot (PSA) e a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) que cria o quarto maior fabricante mundial de automóveis, uma grande vantagem para amortizar investimentos em veículos elétricos e obter os melhores preços dos fornecedores de peças.
Ou seja, vender 1200 carros a uma agência estatal é peanuts para Tavares. Para se segurar, ele precisa de vender milhões de carros por ano. Não se tem saído mal, embora os sindicatos de trabalhadores não o apreciem muito.
Na foto final, Tavares aparece com o famosíssimo treinador alemão Jurgen Klopp e um tipo (administrador da OPEL) que se chama Michael Lohscheller mas que ninguém conhece. Carlos Tavares é o mais baixo, em estatura, mas seguramente o mais alto em impacto social.
Ainda o livro de Cristina Ferreira, que ela própria intitulou “Pra Cima de Puta”. Já foi dito, aqui e noutros lugares, que se trata de uma denúncia da autora sobre a agressividade, ofensas e insultos que tem sofrigo nas redes sociais.
Não é uma autobiografia, porque a vida da Cristina Ferreira não se resume a isto, mas podemos dizer que é uma quase-autobiografia, uma vez que a vida dela, no que ao público diz respeito, é quase só esta relação de amor-ódio com quem vê televisão.
A Cristina Ferreira é um produto da televisão tabloide, do talk-show para famílias, desempregados e reformados, a maioria dos que podem estar em casa a manhã toda e que aceitam entreter o tempo com conversas de café.
É o drama, o horror das historietas tipo desgraças pessoais, das doenças incuráveis, da lágrima ao canto do olho e do Calcitrin ou outra panaceia qualquer para as maleitas do costume, às vezes a chalaça, muitas vezes a agenda das agências de comunicação. É o business da televisão para esse público alvo.
Ora, o impulso que levou Cristina Ferreira a dar publicidade aos insultos e ordinarice que a rodeiam pode ser genuíno, mas é também a chave para um sucesso de vendas. É a própria Contraponto, editora do universo Bertrand, que o confessava ainda antes do lançamento da obra, ao publicitar com vaidade que “em função do elevadíssimo número de encomendas em pré-venda, a editora Contraponto avançou já com a reimpressão desta obra, pelo que ainda antes de chegar ao mercado o livro ‘Pra Cima de Puta’ já está em 2.ª edição.”
Melhor que isto só mesmo outra estrela da pantalha, o José Rodrigues dos Santos, a quem a editora Gradiva paga os livros mesmo antes de estarem escritos.
Os argumentos da Cristina Ferreira não são de menosprezar e na página Facebook da editora Contraponto lá está o momento audiovisual fulcral, a dramatização… (veja o vídeo)
“No livro nenhum comentário identifica a pessoa que o escreveu. Este livro não é uma vingança nem uma vitimização. Este livro é para que algo seja feito para a regulação da ofensa e da injúria nas redes sociais. Este livro é para que eu, tu, todos, sejam respeitados. Este livro é para dar início a uma discussão de mudança”, lê-se no marketing livreiro da Contraponto, citando a autora.
Trata-se de um objectivo ambicioso, levar o legislador a agir para que “algo seja feito para a regulação da ofensa e da injúria nas redes sociais”. Mas é, sem dúvida, um objetivo justo. Tiro-lhe o chapéu.
No entanto, adivinha-se uma batalha perdida. Muitos estão convictos de que tudo isto não passa de marketing e que a única coisa que interessa à apresentadora da TVI e à editora do “Pra Cima de Puta” é vender papel.
Segundo reza a Bíblia, viveu o patriarca Matusalém 969 anos nesta terra. Exemplo maior e único de longevidade e se, hoje, ninguém aspira a ser tão idoso, certo é que não serão assim tão raros os que pensam poder chegar aos 100, «desde que com a cabecinha no sítio», amiúde se acrescenta e compreende-se bem porquê.
Até não há muito, raros eram – e dignos de grande festa – os centésimos aniversários, com direito a fotografia no jornal local e a refeição comemorativa com a grande família derredor ou mesmo na aldeia. Recorda-se que foi admiração Manoel de Oliveira ter ultrapassado essa marca e se haverem escrito crónicas a confirmar ser a actividade física e mental a grande fomentadora da possibilidade de uma idade avançada.
Contraria-se, assim, aquela perspectiva «reforma = igual a tempo para nada fazer». Lembro que um amigo meu me explicara que outro amigo comum e colega nestas lides da docência universitária «estava na cama».
– Na cama? Doente, não? – perguntei.
– Ouviste bem: ele está «na cama» e não «de cama»!
– Como assim?
– Acha que já fez muito na vida e, agora, outros que façam! Ele fica na cama!…
Desatámos a rir com a facécia, e ainda que soubéssemos não ser facécia mesmo. E o meu colega foi permanecendo na cama até que outro repouso, o eterno, lhe foi proporcionado.
Dois motivos me levaram a redigir esta crónica. O primeiro aí está: o de já estar a ser mais corrente a ultrapassagem do centenário; do segundo, ligado a Cascais, já se dirá em seguida. Em S. Brás de Alportel, como pode ler-se na agenda cultural cuja capa se reproduz, celebrou-se no domingo 25 de Outubro a Festa dos Centenários, através das redes sociais do Município. Nas páginas 16 e 17 da agenda (uma das poucas que teima em manter-se no papel!) está o «Dossiê Sénior», a fornecer de cada um dos sete «com 100 ou mais anos completados até março de 2020» (a festa fora planeada para esse mês…) os dados biográficos mais salientes: actividades desenvolvidas e descendência que tem. São eles: Maria Natália, nascida a 25 de Dezembro de 1919; Porfírio Lopes Dias, nascido a 1 de Junho de 1919; Maria Adélia, nascida a 3 de Junho de 1919; Selerinda Maria, nascida a 5 de Março de 1919; Maria de Sousa, nascida a 17 de Setembro de 1917; Joaquim Varela, nascido a 13 de Maio de 1915 e Maria da Conceição, que é a que está na capa e que, entretanto já faleceu, nascera a 22 de Dezembro de 1912!
O segundo motivo evoca o que já aqui se disse acerca do elogio feito a Cascais por Frei Nicolau de Oliveira no seu, Livro das Grandezas de Lisboa publicado em 1620: «E assim é a mais sadia terra que se sabe em Portugal e em que os homens mais vivem e mais sãos e donde de todo está desterrado um mal que a tantos consume a vida, que é a malenconia» (fol. 78 verso).
Vem, de seguida, o elogio às virtudes terapêuticas das suas águas, o que também se prende com a longevidade. Não se insiste hoje tanto que os idosos (e não só!…) bebam água? Não se proclama que emanam das águas poderes sobrenaturais? Quem se não lembrará daquela telenovela brasileira que fez as nossas delícias, em que o médico praticamente para todas as maleitas mandava beber água de determinada fonte? E ainda hoje, quando abrem ao público as vulgarmente chamadas «Termas Romanas da Rua da Prata», não há quem se muna de garrafões para de lá trazer água milagrosa?!…
Ora o Padre Marçal da Silveira, prior da Assunção, ao responder, em 1758, ao 22º quesito ordenado pelo Marquês de Pombal «se tem alguns privilégios, antiguidades ou outras coisas dignas de memória», depois de esclarecer que, no século XVII, no grande incêndio que lavrara nas casas do Senado, todo o arquivo ardera assim como «todos os seus papéis de maior porte», declara, não sem alguma solenidade: «As coisas mais dignas de memória é [sic] viver aqui a gente de idades mui avantajadas e com boa saúde».
E põe de enfiada, «para além do ermitão de Santa Marta que, já se disse, morrera de 120 anos», os seguintes:
Roque Fernandes, o «Borgeis», que faleceu a 28 de Maio de 1597, com 117 anos de idade, segundo consta a folhas 164, do Livro 2º dos Defuntos;
Catarina Luís, a «Negrela», com 108; Garcia Afonso, falecido a 5 de Setembro de 1580, o qual viu, em seus dias, vivos, filhos, netos, bisnetos e terceiros netos, a 4ª geração (Tomo I dos Óbitos, fol. 231);
Brícia Álvares, com 120, falecida em 17 de Maio de 1608; Brites Álvares, a «Estorninha», de 113 para 114 anos;
Brízida Ribeira, com 118, falecida em 18 de Maio de 1626 e seu pai, de 115 (tomo 3º do livro da freguesia, folhas 131);
No ano de 1651, Maria Lopes, a «Mata Sete», com 105 anos;
No século XVI, cinco homens com mais de 100 anos e sete mulheres de outros tantos mais. (Não sei o que significaria a alcunha Borgeis; negrela e estorninha são pássaros e as alcunhas aludiriam, pois, ao seu aspecto físico ou modo de andar).
Naturalmente, Ferreira de Andrade faz-se eco, em 1964, no seu Cascais – Vila da Corte (p. 139) desse auspicioso elenco; assegura ter ouvido dizer em pequeno que a pneumónica não matara ninguém no Linhó; e não hesita em atribuir toda essa longevidade à excelência do clima, «varrido pelos ventos da Serra e purificado pela proximidade do Oceano», detendo-se, nas p. 140-146, a falar das propriedades das suas águas, não sem, antes, ter ir buscar ao livro de Borges Barruncho (Apontamentos para a História da Villa e Concelho de Cascais, 1873, p. 64), a informação de que, entre 1868 e 1872, haviam sido nada menos do que 52 as pessoas aqui falecidas entre os 70 e os 80 anos, 19 entre os 80 e os 90, 8 dos 90 aos 100; e uma senhora que já era centenária «há muito tempo», pois na tabela figura na coluna dos 100 aos 110!… E também Borges Barruncho não hesita (p. 65): «As águas potáveis são excelentes». E pronto. Por aqui nos ficamos – não sem mui secreta esperança de que, «com a cabecinha no sítio»! – também nós, um dia, possamos engrossar esse tão auspicioso rol!
O casamento civil não permite fidelizações. Mas em Portugal um simples contrato de comunicações permite. O divórcio pode ser pedido em qualquer circunstância. Mas no negócio das comunicações por telemóvel há fidelizações por 2 anos.
Em dezembro de 2019, a Autoridade da Concorrência analisou a fidelização e os custos de mudança no sector das telecomunicações e concluiu que a actual política de fidelização reduz os incentivos à concorrência e deixa os consumidores mais vulneráveis. A Defesa do Consumidor tem batalhado contra a fidelização, que distorce a liberdade individual e a livre concorrência. Sem sucesso.
Mas não é só a fidelização que atrapalha a liberdade e os bolsos dos portugueses. É também a não fidelização. Por exemplo, sabe quanto custa uma chamada para as informações da sua rede de telemóvel? Cada minuto pode custar um euro. Ou seja, liga para mudar o seu tarifário ou alterar o pacote contratado e a empresa “come-lhe” o saldo! Estão sempre a comer-lhe vorazmente o saldo.
Ao comprar, por exemplo, um cartão pré-pago com 7 mil minutos de chamadas ou sms, mais 2 gigabytes de internet por 10 euros, tem de carregar de imediato 5 euros. Parece um bom negócio. Mas se ligar para a sua operadora está frito. 5 minutos e o telefonema ficou a meio. Ou seja a operadora consumiu-lhe o carregamento de 5 euros e toca a carregar outros 5. Mesmo com os tais 7 mil minutos por utilizar.
Estas espertezas são as mesmas das televisões que usam chamadas telefónicas de valor acrescentado a começar por 76. Parece um número fixo mas não é, como já veio alertar a Provedora da Justiça.
Até o distante Estado do Mato Grosso no Brasil já se apercebeu destes abusos e proibiu as fidelizações telefónicas. Por cá os deputados da Assembleia da República continuam a passar ao lado das indicações da ANACOM e das sucessivas recomendações da DECO. Devem andar muito folgados dos bolsos. E a Alta Autoridade para a Concorrência muito distraída. Porque nem sequer repararam que as ofertas dos operadores chegam a ter semelhanças ao cêntimo.
Os números de hoje sobre a evolução da pandemia dizem que houve 74 mortes e 4.044 novos casos de infeção covid-19. Dizem igualmente que já morreram com este coronavírus 3.971 pessoas.
Quanto ao número de doentes internados, segundo o boletim da Direção Geral de Saúde, estão 3.241 doentes em enfermaria e ainda 498 em cuidados intensivos, quantitativos mais altos que ontem.
Os doentes internados em cuidados intensivos têm vindo a aumentar desde o dia 07 de setembro, quando estavam nestas unidades 49 pessoas, ou seja, 10 vezes menos do que o verificado hoje. Relativamente aos internados em enfermaria no mesmo período (em 07 de setembro estavam em enfermaria 332 pessoas), tem-se verificado um crescimento estando hoje nos 3.241.
A DGS indica ainda que das 74 mortes registadas nas últimas 24 horas, 35 ocorreram na região Norte, 20 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 10 na região Centro, duas no Alentejo e uma no Algarve.
A mais recente confidência da minha amiga rica: “Dei com a Brigitte Bardot a observar as mamas de Cristina Ferreira no Youtube. A miúda é engraçada, comentou. Tem umas mamas perfeitas, do tamanho de taça de champanhe. É assim mesmo que deve ser, comentou ela submersa em dezenas de gatos, esparramada no sofá”.
Acho que a minha amiga rica não aprecia muito gabar outras mulheres. A concorrência é feroz. Era, melhor dizendo. Hoje isso são coisas de menor importância… A conversa delas derivou para o preço da fama e de como isso é bom e facilita tudo na vida. Mas a Brigitte que abandonou tudo de livre vontade, para se dedicar aos animais, cortou logo as vasas, com a autoridade de quem conhece bem as chatices da fama: “Ora! Não diga isso querida!”
A Cristina Ferreira não sabe, mas tem em Florença uma fã. O relato da minha amiga rica prosseguiu assim: “Adoro essa miúda tem garra e diverte-me os gatos”, confessou Brigitte. “Queres ver?” E pôs aquilo para trás e para a frente. A cada risada da Cristina, os gatos agitavam-se. E nos guinchos sexys, eles trepavam pelas paredes. E a Brigitte ria, ria muito.
Raramente ficam sós muito tempo, as reuniões da Brigitte com a minha amiga têm sempre outras convidadas. “Uma das convidadas de Brigitte trouxe uns sapatos Christian Louboutin comprados em saldo por 1500 euros”, coscuvilhou a minha amiga. “Isso é uma pechincha”, exclamou Brigitte. “Eu julgava-te adepta de andar descalça e sem lingerie”. “Ó querida! Isso foi para as revista” – respondeu ela. E lá ficaram a apreciar as mamas Cristina Ferreira na TV. É um hábito das mulheres.
Os homens não comentam rabos, mamas ou pernas de homens. Quer dizer, a maior parte, alguns comentam. Os homens falam mais de futebol. Do Cristiano Ronaldo, do Messi e do José Felix, que custou 125 milhões de euros ao Atlético de Madrid, foram os argumentos da minha amiga, um bocadinho despeitada por tanta atenção dada à Cristininha.
“Mas isso é possível?” espantou-se Brigitte, quando a minha amiga rica falou em tanto pilim. “É! E o Ronaldo já foi vendido por 94 milhões de euros do Manchester United ao Real Madrid e 117 milhões do Real para a Juventus. É o mundo do futebol”, concluiu a minha amiga rica, que adora dinheiro como bananas. “Meninas!” gritou Brigitte, “deixem as mamas da Cristina em paz e falemos dos pés do Ronaldo!”
Adorava ter lá estado. Os meus pés não são nada de deitar fora, também…
A alcunha da tropa foi “Sintra”. Ter uma alcunha é da praxe e muitos eram conhecidos pelo nome da terra onde tinham nascido.
Joaquim “Sintra” Sequeira aprendeu o ofício de canalizador na tropa. Foi em Tancos, na Escola Prática de Engenharia. Mas ele nem sonhava que na guerra os canalizadores fazem muita falta. Em 1965 chegou ao pior sítio para se estar na guerra colonial: a Guiné.
Sequeira ainda ficou uns tempos em Bissau, a remodelar as casas de banho do Hospital Militar. Mas havia muitos quartéis na Guiné que nem casa de banho tinham. E lá foi ele resolver o assunto nos quartéis de Mansoa, Binta, Mansabá, Farim, K3, entre muitos outros que a memória não guardou.
mapa da Guiné Portuguesa 1966
“Fiz 22 anos em março de 66 no mato”, conta-nos Joaquim. Era costume, em ocasiões de celebração, deixar os soldados ir receber a correspondência da família em Bissau. O seu pai costumava enviar “umas garrafitas de vinho, umas postas de bacalhau e um ou outro chouriço”. Chega ao aquartelamento e encontra-se com o Sargento de uma companhia recém-chegada que precisava urgentemente de água nos lavabos. Ir tomar banho era cada vez mais perigoso devido à distância ainda considerável que separava os soldados do rio mais próximo. O tempo que se perdia para garantir segurança nas picadas e o risco que se corria em ser morto no caminho ou durante o banho no rio, tornavam a higiene muito complicada. O quartel precisava urgentemente de água corrente e, depois de um serviço bem feito, deram-lhe o prémio de voltar de avioneta para Farim, no norte, perto da fronteira com o Senegal.
À chegada a Farim encontrou no bolso uma nota de 100 escudos. Mais tarde descobriu que tinha sido o Sargento Joaquim Lageira, homem “honroso e amigo dos seus homens”, como agradecimento pela casa de banho construída no aquartelamento.
A guerra na Guiné foi muito difícil para a tropa portuguesa. “As estradas eram armadilhadas com bombas e eles estavam armados com Kalashnikov, uma arma de cadência superior à nossa G-3.” Dos que morreram, lembra com tristeza o “Chico Buca”, como era conhecido. Buca tinha acabado de chegar e morreu na primeira “batida” que o pelotão fez nas redondezas do quartel. Pisou uma mina e ficou lá enterrado em Farim. Na mesma ocasião, um outro morreu com um ataque de coração.
Convencido que os territórios dominados pelos Portugueses eram na verdade “províncias Ultramarinas” afirma ter ido defender uma região que era tanto nossa como a Madeira.
“Trabalhámos, sofremos e morremos”, é a síntese que o “Sintra” faz da guerra na Guiné. A sua mãe fê-lo prometer que enviava fotos com regularidade. As pernas e os braços tinham de estar visíveis, para ela ter a certeza de que o filho continuava inteiro. Aquela guerra não ficou só no mato, chegou às casas dos soldados nem que fosse na mais recôndita aldeia de Portugal.
O massacre continua. Hoje há registo de mais 73 mortes e 4.788 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde. Mas a tendência parece ser para diminuir, excepto no que diz respeito aos internamentos.
fonte DGS
O que o gráfico mostra é que desde o dia 19 que não há aumento de novos casos de infeção e que parece existir uma tendência para diminuir esse número. As previsões dos técnicos de Saúde apontam no sentido inverso. Veremos o que acontece nos próximos dias.
Portugal está perto de atingir a fasquia das 4 mil mortes, o que deverá acontecer dentro de uma semana aproximadamente, se a propagação da pandemia mantiver os níveis altos dos últimos dias.
Este gráfico indica que não tem havido grande oscilação no número de mortes que se tem situado entre as sete dezenas e as nove dezenas diárias, mas que os internamentos em unidades de cuidados intensivos estão sempre a aumentar. É este dado que demonstra a pressão que existe nos hospitais, onde não há muitas camas dedicadas a este tipo de urgência. Não basta haver uma cama para um doente que deixa de ter função respiratória. São precisos muitos equipamentos e técnicos capazes de os operar.
A DGS indica que, das 73 mortes registadas nas últimas 24 horas, 39 ocorreram na região Norte, 20 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 12 na região Centro e duas no Alentejo.
Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim indica um aumento nos internamentos em enfermaria, totalizando 3.151, mais 126 do que no sábado, e também nos cuidados intensivos, onde estão 491 pessoas, mais seis que ontem.
A região Norte é a que regista o maior número de novos casos, com 3.091 reportados nas últimas 24 horas. Na região de Lisboa e Vale do Tejo foram notificados mais 844 novos casos de infeção.
Tomámos conhecimento há uns dias que a UNESCO não irá reconhecer as touradas como “Património Cultural Imaterial da Humanidade” em necessidade de salvaguarda urgente, tal como pedido pela associação espanhola International Tauromaquia Association. Aplaudi entusiasticamente esta decisão, mas admito que continuo a ter dificuldade em entender a continuidade deste espectáculo tétrico, particularmente quando se celebra o vigésimo aniversário da Estação Espacial Internacional e se dão passos concretos para pôr seres humanos em Marte. Nesta fase do desenvolvimento da nossa espécie, já não deveria ser necessário ter de explicar porque é que as touradas já deviam ter desaparecido.
Como ando a rebentar de trabalho, quase que deixei esse facto escapar sem comentário, mas entretanto li o artigo de Florbela Fernandes, intitulado “O touro bravo não é um boi” e, depois do facepalm que se impõe quando se lê um disparate desta magnitude – que deixou o Darwin, Linnaeus e mais uma dúzia de naturalistas às voltas nas tumbas -, lá me sentei a escrever estas linhas. Estimada Anabela, um biólogo marinho (como eu) não é um veterinário, mas até eu sei que um touro bravo é uma das milhares de raças (ou sub-espécies) da espécie Bos taurus, que inclui outras raças como a famosa (e deliciosa) Angus, Charolesa, Longhorn do Texas e uma multitude de outras sub-espécies que o Dr. Google lhe mostrará se teclar “cattle breeds”, porque a língua inglesa disponibiliza sempre resultados mais profícuos. Irá notar que o touro bravo aparecerá em todas as listas que o Google disponibilizar, à semelhança das listas disponibilizadas em compêndios técnicos veterinários. E sim, dei-me ao trabalho de confirmar este facto junto da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, com quem tenho o privilégio de trabalhar em projectos variados há muitos anos.
Já vamos aos argumentos pró-toiros debitados pela Florbela, na sequência de uma visita à maravilhosa ganadaria Murteira Grave mas, antes disso, vamos só deixar algo bem claro: a tourada é um espectáculo durante o qual toureiros – e toureiras – espetam ferros no dorso de um mamífero senciente. “Senciente”, já agora, significa que tem sentidos apurados, que é um conceito com o qual alguém com formação de Assistente Social realmente deveria estar familiarizada. Outros organismos sencientes são, por exemplo, nós, os cães, os gatos, os hipopótamos, as girafas, os ursos, e a lista podia encher largos milhares de páginas. Mas não nos deixemos distrair e foquemo-nos neste ponto essencial: a tourada é um espectáculo durante o qual toureiros – e toureiras – espetam ferros no dorso de um mamífero senciente.
Este artigo devia acabar na frase anterior. Ponto. Porque não há justificação possível para o que está descrito na frase. Ponto. Mas, já que as associações pró-tourada – e a Anabela Fernandes – acham por bem defender algo que é indefensável, atiremo-nos ao exercício de desconstruir metodicamente os seus argumentos, um por um.
O primeiro argumento que normalmente invocam nesta discussão é que as touradas dão emprego a um vasto sector. Essa informação pode ser refutada citando a deputada independente Joacine Katar Moreira, com um sonoro e rotundo “MENTIRA!!!”
Vejamos: a AutoEuropa dá emprego a muita gente; o sector têxtil dá emprego a muita gente; o sector da cortiça dá emprego a muita gente; as telecomunicações dão emprego a muita gente e, mais uma vez, podíamos encher páginas de exemplos de sectores profissionais que empregam largos milhares de indivíduos. No caso das touradas, proponho-vos o seguinte exercício: já que foram ao Google pesquisar “cattle breeds” e viram muitos posters com touros bravos – entre outras raças – agora escrevam “cartaz tourada” e cliquem na opção ‘imagens’. De seguida poderão pegar numa folha de papel e começar a anotar os nomes que observam nas centenas de cartazes que o Google disponibiliza.
Deixem-me adivinhar: na vossa folha têm os apelidos Zoio, Palha, Moura, Bastinhas, Telles, Rouxinol, Salvador e mais uma dúzia de outros nomes que se repetem ad aeternum, certo? Bem espremido, entre toureiros – e toureiras –, grupos de forcados (que são amadores e, como tal, levam porrada à borla), ganadeiros e afins duvido que consigam encher, sequer, a folha com que iniciaram esta tarefa. É isso o vasto sector que tem de ser protegido a toda a força? Uma mão cheia de técnicos agrários que, na sua esmagadora maioria, tem outras fontes de rendimento?
Por falar em outras fontes de rendimento, tomemos o exemplo do João Moura, que nos deslumbrou a todos com o seu extraordinário talento para a manutenção de galgos de corrida, em fevereiro deste ano. Aliás, até podíamos divagar acerca do simbolismo dessa notícia, que ocorreu logo no início do ano e marcou o tom deste 2020 de que ninguém se vai esquecer. Mas regressemos ao João Moura e aos restantes comparsas, que se dedicam a outras actividades que, seguramente, não os deixarão passar fome se deixarem de espetar ferros em touros. Aliás, a julgar pelas fotografias que todos vimos do ex-toureiro-agora-criador-de-galgos, dir-se-ia que o cavalheiro não tem mesmo passado fomeca nenhuma desde que cessou a actividade de tourear. Já as fotografias dos galgos, sugerem alguma dificuldade com o conceito de “partilha”, mas pronto, ninguém é perfeito.
Aproveitemos este mote para sugerir uma actividade comercial que poderá proporcionar um rendimento razoável a este imenso grupo de profissionais, que serão responsáveis por uma fatia que não chega a qualificar-se como “ínfima” do produto interno bruto nacional. Aliás, tendo em conta que a maioria das touradas são subsidiadas pelos municípios, esta actividade retira valor ao PIB, em vez de o acrescentar. Mas voltemos à sugestão de outra actividade que ia avançar: carne de touro bravo.
Se estavam à espera que o biólogo marinho que escreve estas linhas fosse vegetariano e fervoroso defensor dessa filosofia, enganaram-se redondamente, porque o dito biólogo é, sim, um fervoroso defensor dos direitos dos animais – mas gosta de os comer. Lamento, mas estou/amos no topo da cadeia alimentar e tenho/emos polegares oponíveis, o que significa que, na vasta teia alimentar de que fazemos parte, este vosso criado é um grande apreciador de secretos. E não esqueçamos a deliciosa dobrada. Ok, ok, admito que as alterações climáticas me estão a empurrar numa direcção vegana, mas não misturemos alhos com bogalhos. Como já disse aos meus amigos vegetarianos e anti-tourada várias vezes: “Se cairmos numa ilha deserta e houver lá um touro, vocês ficam com os cocos e as mangas, que o entrecosto é meu.”
Assim sendo, deitámos por terra o outro argumento clássico, que dita o fim da raça ‘touro bravo’ caso proíbam as touradas. Efectivamente, os touros bravos podem ser comidos, à semelhança das restantes raças bovinas. Eu diria mesmo que o ambiente free range e biológico em que habitam permitirá aos seus criadores cobrarem valores premium, já que se trata de um produto gourmet. Quem sabe se essa fonte de rendimento lhes permitirá comprar uns saquitos de ração para galgo, antes que a Leishmaniose dê conta deles?… Afinal de contas, a comunidade tauromáquica assume-se como intensamente apaixonada pelos animais à sua guarda, não é?… Adiante.
Ainda nesta linha, não esqueçamos os parques zoológicos, ou mesmo reservas, em que turistas pagam somas consideráveis para ver animais no seu ambiente natural. A mim não me choca que se coloquem uns belos touros bravos numa lezíria e que a turistada tire umas fotografias com eles, confortavelmente instalados num jipe. Quem sabe se a visita possa começar com um briefing durante o qual lhes seja explicado o fim a que essa raça se destinava antes de se tornar objecto da nossa gula, não só gastronómica mas também fotográfica? Estão a ver, senhor@s toureir@s e ganadeir@s, como este biólogo marinho se preocupa com a vossa sobrevivência e se dá ao trabalho de vos apontar caminhos que garantam um rendimento saudável? Quem é amigo, quem é?
Impõe-se, neste momento, uma nova chamada de atenção para o argumento da Florbela Fernandes, que acrescenta que o propósito de vida do touro bravo é o “combate leal na arena”. “Leal”? A sério? Eu aplicaria “leal” a um combate em que os resultados são repartidos mais ou menos numa proporção de 50/50 ou, vá lá, 60/40… Ou seja, tínhamos metade dos touros a sair das arenas efectivamente maltratados mas, na outra metade, tínhamos toureiros a saírem de charola, rodeados de amigos chorosos envergando vestes negras uns dias depois… Mas, corrijam-me se estou enganado, esta proporção anda mais na casa dos 999/1, provavelmente até uma (ou mais) ordem(ns) de magnitude acima. Um resultado de uma contenda milenar que ronda os “999/1” (?) a favor dos seres humanos não se configura propriamente como “leal”, pois não?
Façamos um breve ponto da situação, voltando a lembrar que a tourada é um espectáculo durante o qual toureir@s espetam ferros no dorso de um mamífero senciente: É uma fonte de rendimento impactante para a economia nacional? Não é e os mesmos nomes repetidos nos cartazes provam-no; É a única fonte de rendimento para o sector que se dedica a esta prática? Não é e recordemos que a sazonalidade da mesma sempre obrigou a fontes de rendimento alternativas; O fim deste espectáculo significa o fim dos touros bravos? Não, porque estes podem ser criados para serem comidos – ou apreciados no seu ambiente natural -, que são destinos idênticos aos de outros mamíferos e são destinos naturais. Não há nada de natural em vender bilhetes para ver senhores – e senhoras – de collants rosa e sabrinas a espetarem ferros no lombo de mamíferos sencientes.
As mentes mais argutas viram na frase anterior uma excelente oportunidade para apontar o dedo ao biólogo marinho que escreveu estas linhas: “Olha o sexista do gajo, a insinuar que os homens não podem andar de collants rosa??” Meus caros – e caras – agradeço terem mordido o anzol que pendurei em frente às vossas faces, mas podem usar o que vos der na real gana, incluindo kilts, burkas, fishnets e afins, tapando as vossas partes pudibundas por baixo, ou deixando-as al fresco. É-me absolutamente indiferente. Citei os collants rosa em tom propositadamente provocatório, porque o meio tauromáquico é profundamente machista e creio que os seus constituintes nunca se deram ao trabalho de reparar num espelho quão sedutores parecem de leggings, jaqueta de lantejoulas, collants rosa e sabrinas. É só para saberem que não nos passou despercebido que é esse o uniforme que escolhem envergar quando espetam ferros no lombo de mamíferos sencientes. Eu cá teria optado por um daqueles fatos de macaco laranjas do filme Hostel, mas gostos não se discutem.
Partilho agora convosco um conceito que me parece aliciante para os indecisos, porque não tenho a presunção ingénua de tentar virar umª aficionadoª, da mesma forma que não há retórica socrática nem platónica neste Universo – ou nos outros – que me faça equiparar este banho de sangue a um bailado, parafraseando uma ex-líder política que saiu de cena tão rapidamente quanto as touradas já deviam ter saído. Recomendo então aos indecisos que fechem os olhos e imaginem uma tourada com outro animal qualquer. Um urso, um leão, um dragão de Komodo, um orangotango, um tubarão branco, o monstro do Loch Ness, a lista não tem fim. Agora descrevam os adjectivos – se conseguirem – que o vosso cérebro associou à imagem do animal da vossa escolha, cravado de ferros e a pingar litros de sangue para uma arena, enquanto uma turbe ululante aplaude o urseiro – de collants rosa, sabrinas e lantejoulas.
Já lá chegaram ou precisam de mais um bocadinho? É assim que o resto do mundo olha para as touradas. Vêem-nas como o espectáculo incompreensível que realmente são. Porque não há argumento que justifique o espetanço de ferros no lombo de um mamífero senciente. Não o faríamos a um urso, nem a um leão, nem a uma girafa, nem sequer a um jacaré, ao Yeti ou mesmo ao Sasquatch, então porque diabo o fazemos a um touro bravo e encolhemos os ombros, como se o animal tivesse sido posto na Terra para levar com ferros e mais nada? Aqui na Península Ibérica – e em mais algumas partes (poucas, felizmente) do mundo, crescemos a aceitar essa prática como normal. Mas não há rigorosamente nada de normal num espectáculo durante o qual toureiros – e toureiras – espetam ferros no dorso de um mamífero senciente.
E querem que vos seja profundamente sincero? Como biólogo posso avançar que, se o bicho não servir para ser comido, nem para ser visto, pois então que acabe. É preferível a extinção de uma raça – que não é uma espécie – do que mantê-la meramente para que se vendam bilhetes para vermos pessoas a cravar-lhes ferros no lombo. Recomendo que se guardem gâmetas em azoto líquido e que se fabriquem embriões – no ventre de fêmeas de outras raças bovinas – quando a sociedade tiver maturidade para tal. Se o método de fertilização in vitro funcionou com o meu Nikola, que completou 15 meses há dias, também funcionará com touros bravos, que merecem melhor do que andarem a marrar em capas vermelhas, para gáudio dos néscios que apreciam esse abuso.
Termino com a resposta a uma provocação que me atiram com frequência durante estes debates acalorados, nos quais me envolvo com frequência em almoços e jantares de família e amigos – agora tão distantes: “Eu queria era ver-te a ti lá em frente ao bicho, a pegá-lo!”. A resposta tem duas partes. Primeira: “Não, obrigado. Prefiro deixar o bicho sossegado.” Segunda: “Eu queria era ver-te a ti pegares o bicho mas selvagem, na lezíria, sem os cornos embolados e sem um aquecimento de quarenta minutos a levar com ferros no lombo.” Isso é que era um “combate leal”.
Agora sim vou terminar, com um recado para os membros da classe política, que dir-se-ia temerem a reacção adversa da população caso tenham a audácia de, um dia, proibirem um espectáculo em que se espetam ferros no dorso de um mamífero senciente. Aconselho os senhores – e senhoras – dirigentes políticos a passarem algum tempo nas redes sociais e verão que a população portuguesa já se afastou bastante das fotografias a preto e branco que as revistas National Geographic disponibilizavam quando se falava de Portugal há 40 ou 50 anos. Nessas fotos apareciam homens de camisa aos quadrados, com 4 dentes, barretes de lã preta, um cigarro no canto da boca e barba por fazer. As senhoras tinham fisionomia idêntica – incluindo a pelosidade facial – mas distinguiam-se dos cavalheiros pelas sete saias aos folhos. Éramos assim mais ou menos a meio do século passado e dir-se-ia que a classe política continua a ver-nos da mesma forma: pobres (de carteira e espírito), simples, derrotados, básicos na mais pura essência da palavra.
A classe política precisa de abrir os olhos e apreciar que todos andamos, agora, com smartphones que custam mais do que um ordenado mínimo nacional. Andamos bem vestidos, com logotipos variados – nem todos de contrafacção – e cheiramos a abundância. Aliás, vestimo-nos de licra (ocasionalmente rosa) e corremos pela cidade num esforço permanente de queimar o excesso de abundância das coxas, glúteos, barriga e cintura. Esta população, senhores dirigentes, não quer votar em quem apoia o espetanço de ferros no lombo de mamíferos sencientes. Esta população moderna e elucidada prefere votar em quem valoriza a Natureza e o bem-estar animal.
Está na hora, senhores – e senhoras – dirigentes, de entenderem que ganham mais votos junto dos milhões de nomes que não estão nos cartazes tauromáquicos, porque não são esses – poucos – apelidos que vos irão reconduzir nos cargos. Está na hora de darem finalmente um murro na mesa e pararem com um espectáculo que só nos embaraça internacionalmente. Para isso já chega o Chega, mas isso fica para outro dia.