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Ângela vai fazer um filho

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A direita votou contra, a esquerda votou a favor. A Assembleia da República autorizou a inseminação “post mortem”, um direito reclamado pela cidadã Ângela Ferreira que quer ter um filho do marido, apesar de já estar viúva.

A história de Ângela foi retratada pela TVI em 2020 numa série de reportagens, Ângela teve o apoio de dezenas de milhar de pessoas que assinaram a petição para que o parlamento aceitasse discutir e votar esta questão.

Pelo caminho, Ângela recebeu apoios de partidos políticos e ficou com a certeza de que não iriam impedir que realizasse a promessa que fez ao marido falecido, Hugo Ferreira.

É uma história de uma incrível obstinação, do homem que sabendo que tinha uma doença fatal fez uma recolha de sémen e deixou escrita a sua vontade de vir a ter um filho e da mulher que não desiste em lho dar.

É uma história de amor que teve força suficiente para alterar a lei em vigor no Estado português. Antes proibia, agora passou a aceitar.

Metamorfoses de Lisboa

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Se não lhe tivessem fechado as portas, estaria prestes a fazer 100 anos. Até ao final de agosto de 2018, foi uma das pastelarias mais concorridas de Lisboa, mas quiseram fazer ali um hotel e não foi possível evitar o fecho da Pastelaria Suíça.

O projeto do hotel de luxo foi aprovado em 2009, era então Presidente da Câmara António Costa. A ideia foi muito debatida e combatida na opinião pública e publicada, a coisa não avançou.

As questões urbanísticas e que envolvem grandes investimentos imobiliários têm revelado as fragilidades de quem governa a cidade. Incapazes de se oporem à força do dinheiro, deixam que o património urbanístico seja desvirtuado ou destruído. Até mesmo o tão apregoado programa camarário das “Lojas com História” tem sido ineficaz para evitar que os edifícios sejam vendidos a capitalistas estrangeiros apenas interessados em  especular ou rebentar com tudo para erguer prédios em betão e vidro de rentabilização garantida. Nunca se percebeu, por exemplo, porque razão a Pastelaria Suíça não foi integrada nesse programa de “Lojas com História”.

Com o fecho da Suíça, a Baixa de Lisboa morreu mais um pouco. Daquele lado do Rossio está tudo ou quase tudo fechado à espera da renovação prometida e que nunca mais chega. A cidade ainda não ganhou nada e duvida-se que venha a ganhar. E não estamos a falar de impostos sobre o imobiliário, estamos a falar de alma e característica, a argamassa que diferencia um sítio do outro. É isso que Lisboa está a perder. Os centros históricos são para se recuperar e manter, são para serem vividos pelos habitantes e pelos turistas. No dia em que Lisboa for parecida com outras cidades, ninguém terá vontade de a conhecer. É um mau negócio.

Há uns meses, a autarquia de Lisboa aprovou um novo projeto para aquele grupo de edifícios onde se integrava a Pastelaria Suíça. Agora vai ser um grande espaço comercial. Vão manter as fachadas, mas por dentro será um centro comercial não muito diferente de outros que enxameiam o país, embora os arquitetos deste novo projeto garantam ir preservar elementos arquitetónicos do século XVIII, preservar as pinturas dos tetos, utilizar madeira como se fez originalmente no tempo do Marquês de Pombal.

É verdade que não é possível manter tudo sempre como estava, porque os tempos mudam e a vontade dos homens muda com eles. Mas seria interessante manter a memória, pelo menos. Naquele conjunto de edifícios há História. Nos pisos superiores funcionou um hotel, como demonstram fotografias do início do século XX. O hotel Francfort e na esquina existiu o restaurante Irmãos Unidos (fechou em 1970), frequentado por Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, entre outros.

Praça D. Pedro IV (Rossio) O Francfort Hotel e o Restaurante Irmãos Unidos Fotógrafo: Mário Novais in AML

Mas nada disto está feito. Falta passar do projeto para a prática. Há muita obra por fazer. Lisboa precisa de renascer. O problema é que para renascer, precisaria de população residente. Uma cidade não se faz só com lojas e escritórios. Precisa de casas onde as pessoas vivam. E as casas que Lisboa está a construir ou a remodelar são só para gente rica. Tema para outro artigo.

As cidades são como borboletas. Nem sempre larva no casulo, nem sempre lagarta, nem sempre inseto alado a voar de flor em flor. Mas precisa de saber para onde vai, precisa de saber a razão da sua existência. E uma cidade existe em função de quem lá vive. É apenas isso.

Covid-19: prudência e sensatez, não somos uma ilha

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Prudência e sensatez foram as palavras usadas pelo Presidente da República no apelo aos portugueses para evitar uma nova escalada da pandemia. Marcelo lembrou que é preciso não se inverter a tendência de contenção da covid-19 e, para isso, manter as regras de segurança neste período da Páscoa é fundamental.

“Portugueses, estamos mais perto do que nunca, mas ainda não chegámos à meta que desejamos: um verão e um outono que representem mesmo o termo de mais de um ano de vidas adiadas, de vidas atropeladas, de vidas desfeitas”, afirmou o chefe de Estado.

O domingo de Páscoa será em 04 de abril. Marcelo Rebelo de Sousa realçou que este é “um tempo de encontro familiar intenso, em particular, em certas áreas do continente e das regiões autónomas”. E é aí que está o perigo, como já sucedeu no Natal, com as consequências que conhecemos.

Segundo o Presidente da República, é preciso assegurar que o desconfinamento decorre sem que “os números de infetados, de internados em cuidados intensivos e de mortos, assim como o indicador de transmissão ou contágio” aumentem invertendo a tendência dos últimos dois meses, para se conseguir “o esbatimento” da covid-19 no país “antes do verão”.

“São apenas umas semanas, mas umas semanas que bem podem valer por muitos meses e anos ganhos na vida de todos nós. E comecemos já pela Páscoa, antes ainda das aberturas de abril e maio. Com prudência, com sentido de solidariedade, com esperança acrescida de futuro. Portugal merece-o. Todos nós, portugueses, o merecemos”, reforçou.

Pandemia cresce na Europa, Portugal não é uma ilha

Neste momento, nos hospitais portugueses há 695 doentes internados, menos 17 que ontem, 154 em unidades de cuidados intensivos, menos um do que na quarta-feira. O registo de óbitos é de 9, mais 423 infetados.

A região de Lisboa e Vale do Tejo, com 182 novos infetados, é a área do país com mais novas notificações, com 43% do total de diagnósticos. 

No entanto, o sinal de perigo está no indicador Rt (índice de transmissibilidade do vírus) que tem estado a subir lentamente nos últimos dias, sendo agora de 0,91. Se ultrapassar a marca 1, significa que a pandemia volta a ganhar velocidade.

A verdade é que Portugal não é uma ilha e no resto da Europa o panorama não é simpático em muitos países. A Espanha registou 6.393 novos casos de contágio e 356 mortes atribuídas à covid-19. França registou 45.641 novos casos e 225 mortes. A Itália registou 23.696 contágios e 460 mortos.  Exemplos do que não queremos que venha a acontecer em Portugal.

Pepineiras Monumentais

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“A sua filha foi baleada muitas vezes?” Nem queria acreditar quando, na passada quinta-feira, na SIC, ouvi Júlia Pinheiro formular a pergunta a uma francesa, Patrícia Correia, cuja filha foi morta no ataque terrorista à sala parisiense de espectáculos Bataclan, em Novembro de 2015. Précilia Correia, filha de Patrícia e de um português, foi uma das inúmeras vítimas do ataque jihadista à referida sala de espectáculos.

Júlia avisara logo no início: “A história seguinte não tem solução e é de cortar o coração“. O programa incluiu uma entrevista à mãe em causa no cemitério do Prazeres, onde a jovem foi sepultada, e levou Júlia a exclamar, quase no final: “Oh, Patrícia, que azar tão grande! É terrível, terrível, terrível”…

O programa “Júlia”, do passado dia 18, incluiu, ainda, uma entrevista a Sara Norte e a uma mulher, Maria do Céu, que, aos 42 anos, está a ficar cega e tem uma vida pessoal complicada, com várias tragédias associadas e filhos de várias relações. “Ai, Maria do Céu -diz Júlia Pinheiro- estou aqui impressionadíssima consigo (…) parece que há aqui um destino fatal, vocês têm um destino muito marcado pela doença – um irmão invisual, outra irmã que morreu, não é?”

Aproveita para lhe estender um lenço descartável, extraído de um recipiente colocado estrategicamente entre ela e os convidados, para lhes amparar as lágrimas. E lança para a irmã da entrevistada, presente no estúdio: “Confirma que ela é uma menina triste?”

O recipiente para os lenços já tinha sido necessário na entrevista anterior, a Sara Norte, a cuja família também tinha detectado “algo muito pesado no vosso destino“.

O que me levou ao “Júlia” foi o “Goucha”, na TVI ,que “picara” acidentalmente, mas ao qual fiquei grudado quando dei por ele a perguntar a um médico de 43 anos que sofre de fibrose quística “o que é que sente?“, imediatamente após salientar que esperança de média de vida daquele tipo de pacientes é de 40 anos…

Logo a seguir entrevista uma jovem, Beatriz, de 24 anos, igualmente com fibrose quística. Uma verdadeira força da natureza, mas Goucha também quer ver lágrimas. Não resiste a atirar-lhe a esperança de vida limitada, ao que ela responde: “São apenas médias!” Goucha não desarma: “Mas a sua voz tremeu agora. Posso perguntar porquê?” Ela remata para canto, mas ele insiste “A voz tremeu. Há aí alguma tristeza dentro?“

Programas como “Júlia” e “Goucha” ajudam a explicar o altíssimo consumo de anti-depressivos por parte dos portugueses. São dirigidos aos mais idosos, aos mais frágeis. Até a publicidade mete dó. E há um anúncio do Goucha num intervalo do programa da Júlia. Vale tudo. Faz-me impressão ver a Júlia Pinheiro naqueles preparos. Gaita, ó Júlia, mas que enorme pepineira! Quanto ao “Goucha”, a Beatriz, muito comunicativa e expressiva, daria uma excelente apresentadora do programa.

Carla Castelo, ex-jornalista da SIC, decidiu candidatar-se à Presidência da Câmara de Oeiras. Daria uma extraordinária presidente de câmara.


(Esta crónica também é publicada no Jornal de Barcelos).

Maçons pedem investigação às “bocas” de António Lobo Xavier na TSF

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Os maçons do Grande Oriente Lusitano reagiram à “boca” de António Lobo Xavier, de que alguns dos seus clientes da advocacia lhe disseram terem sido vitimas de uma rede de maçons que se dedica à extorsão.

Lobo Xavier aproveitou a oportunidade proporcionada pela discussão à volta de um projeto lei sobre a obrigatoriedade dos detentores de cargos públicos declararem a que organizações “discretas” pertencem, para exercitar a má-língua.

Segundo Lobo Xavier, esses seus clientes teriam falado numa rede maçónica composta por políticos e magistrados. Podem escutar esse trecho do discurso de Lobo Xavier, no programa da TSF “Circulatura do Quadrado”:

TSF, Circulatura do Quadrado

Como nem os clientes nem o advogado se dispuseram a levar as denúncias por diante e se calaram, a “boca” agora revelada é apenas mais um contributo para o caos e a desinformação. Quem silencia um crime torna-se conivente com ele e uma hipotética situação de chantagem não serve para justificar o silêncio. Vir agora com conversa de café não serve para nada.

Depois destas declarações de António Lobo Xavier, os maçons decidiram pedir que se investigue. Numa carta endereçada à Procuradoria Geral da República, pedem que “se investigue até à exaustão o que houver para se investigar, promovendo a punição, se for caso disso, de eventuais prevaricadores “. Tudo em pratos limpos.

Não é nada estranho que só agora Lobo Xavier tenha sentido o impulso de falar destas coisas. Ele que foi deputado desde 1983 até 1995, presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP entre 1992 e 1994. Está na política como peixe na água. O que ele fez insere-se nesse âmbito da politiquice.

Covid-19: novo estado de emergência

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A Assembleia da República vai votar esta quinta-feira novo período de estado de emergência. Em princípio, a votação será favorável a essa renovação se os partidos repetirem as votações anteriores.

Apesar de haver já um alívio nas medidas de confinamento, muitos setores económicos continuam paralisados, nomeadamente o comércio. O PCP avisou hoje o Presidente da República para o risco de “falências em massa” de micro, pequenas e medias empresas e o aumento do desemprego que pode atingir 15%, segundo afirmou o secretário-geral do PCP.

Jerónimo de Sousa avisou que os deputados comunistas votarão contra e que o PCP preferia menos confinamento e mais medidas de combate na área da Saúde: mais rastreio, mais testagem e mais vacinação.

O Bloco de Esquerda não se opõe à renovação do estado de emergência por mais 15 dias, mas espera que este seja o último desta fase, caso se mantenham as condições para o desconfinamento. Isto é, o BE repete a votação da votação anterior.

Catarina Martins disse esperar que “seja possível manter o desconfinamento, que os números continuem numa rota de controlo”.

Para já, os números da pandemia parecem estar favoráveis, apesar de haver uma subida nos novos casos. Esperemos que não signifique que o contágio está a subir de novo. O boletim epidemiológico de hoje assinala 11 mortes relacionadas com a covid-19 (mais 1) e 575 novos casos de infeção (mais 141), 712 doentes estão internados (menos 31 do que na terça-feira) e 155 doentes (menos quatro em relação a terça-feira) em cuidados intensivos.

Conselho da Europa observa racismo em Portugal

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O Conselho da Europa diz que Portugal tem de se confrontar com o seu passado colonial e o papel que representou no tráfico de seres humanos escravizados, para poder combater o racismo e a discriminação que ocorrem hoje. Este é o primeiro parágrafo de uma notícia da agência Reuters e está a correr Mundo através dos canais de informação.

A mesma notícia lembra que Lisboa prepara-se para inaugurar um memorial às vítimas da escravatura, uma obra artística do angolano Kiluanji Kia Henda. O memorial foi financiado pela Câmara Municipal e ficará na zona histórica, junto ao Tejo.

A secretária de Estado da Igualdade, Rosa Monteiro, é citada dizendo que as queixas sobre discriminação racial aumentaram 50% de 2019 para 2020, mas que este número deve estar muito abaixo da realidade.

Lembrando os casos que levaram ao assassinato em plena via pública do ator negro Bruno Candé, as ameaças a advogados negros e as manifestações racistas que tiveram lugar em Lisboa, algumas ao estilo Ku Klux Klan, o Conselho da Europa diz estar preocupado com o discurso político de teor racista propalado pelo Partido Chega.

O Conselho da Europa é a principal organização de defesa dos Direitos Humanos na Europa, integra 47 países, entre os quais todos os 27 membros da União Europeia.

Publicidade ou burla

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A imagem e o nome de João Soares estão a ser usados para uma campanha publicitária de muito baixo nível.

O estratagema está montado no Facebook, não sei se noutras redes sociais também. Mas no Facebook aparece como artigo patrocinado. Ou seja, o Facebook ganha dinheiro com isto sem acautelar o conteúdo da história. Se fosse uma fotografia do quadro “La Belle Romaine” de Modigliani ou até mesmo da escultura Vênus de Willendorf (de autor desconhecido), lá vinha o algoritmo censório e o bloqueio por 30 dias ou mais. Mas se for apenas o bom nome de um cidadão, isso já não importa, desde que o abusador pague pela publicidade maldosa e enganadora.

O esquema que está a usar a imagem e o nome de João Soares pretende convencer os incautos a comprar bitcoins, uma moeda fictícia que não vale um chavo, mas com a qual se prometem lucros fabulosos.

Para tornar a coisa ainda mais convincente, associam a João Soares a imagem de outro ainda mais famoso, o humorista e apresentador de televisão Ricardo Araújo Pereira. É claro que não existe nenhum vídeo de João Soares a explicar como é bom comprar bitcoins, em vez disso há um relato escrito de uma pretensa conversa entre RAP e João Soares.

Acho estranho que alguém se deixe enganar com uma treta tão manhosa como esta, mas a verdade é que isto existe há muitos meses e quem a promove está a pagar. O que significa que está a ganhar com o esquema ou já teria desistido.

Também acho estranho que ninguém consiga fazer parar esta treta. Não me refiro apenas às pessoas cuja imagem está a ser associada abusivamente (acredito eu) a esta história, mas também às empresas que vivem de produzir publicidade. Isto é uma vergonha para os publicitários.

Covid-19: quase 1 milhão de vacinados com 1ª dose

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Números da pandemia continuam com tendência de diminuir em Portugal. O registo de hoje é de 10 mortes (menos seis que ontem) relacionadas com a covid-19 e 434 novos casos (mais 186) de infeção, estão internados 743 doentes (menos 28 do que na segunda-feira) e nos cuidados intensivos, há hoje 159 doentes (menos seis em relação a segunda-feira).

A campanha de vacinação prossegue ao ritmo possível, só nos próximos dias o número de portugueses com a primeira dose da vacina contra a covid-19 atingirá um milhão e com as duas doses ainda não há meio milhão de pessoas.

António Costa transmitiu este dado na sua conta pessoal na rede social Twitter.

O primeiro-ministro diz que o plano de vacinação “tem como meta chegar ao final da semana com 80% dos maiores de 80 anos inoculados”.

Baptista Leite escolhido por Rui Rio para concorrer em Sintra

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O deputado Ricardo Baptista Leite foi escolhido por Rui Rio para ser candidato em Sintra nas autárquicas. O PSD opta assim por uma candidatura de alguém de fora do concelho. Aliás, Baptista Leite já foi autarca em Cascais, eleito para a Assembleia Municipal em 2005 e vereador em 2009 na lista de António Capucho, repetiu a dose com Carlos Carreiras de quem foi vice-presidente em 2015. Foi escolhido para ser deputado em 2011 e é pela Assembleia da República que tem passado os dias sem grande sobressalto.

A primeira vez que se ouviu falar dele foi quando se soube que tinha aceite o cargo de vice-presidente da Associação Raríssimas que só não ocupou porque, entretanto, rebentou o escândalo que levou à destituição da cúpula dirigente.

Voltou a dar nas vistas quando se voluntariou para reforçar as equipas médicas do Hospital de Cascais e fez declarações bombásticas nas redes sociais a propósito dos dias de aflição que se viveram em janeiro deste ano.

“Nunca vi tantas pessoas morrerem num só turno de 12 horas. Nunca vi tantas mortes, na minha vida profissional, num tão curto espaço de tempo”, disse, num apelo a medidas de confinamento mais duras que ganhou eco na comunicação social. Mas quantas pessoas morreram com covid-19, afinal, nessas horas nesse hospital? Segundo fonte oficial da instituição apenas uma.

Enfim, Ricardo Baptista Leite estudou para médico mas é um político profissional. A sua candidatura para Sintra insere-se nesse exercício político. Obedece ao partido, mesmo sabendo que não vai ganhar nada de relevante em Sintra, embora talvez reforce o curriculum de militante do PSD.