“… sempre tive para mim que uma Câmara não deve ter dinheiro. Também não deve ter dívidas. Mas quando tem muito dinheiro no banco é mau. Significa que não é capaz de antecipar qualidade de vida. Não concebo que um município tenha milhões no banco…”
Isaltino Morais, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, em entrevista ao jornal I, em 9 de abril de 2021.
“Na Câmara Municipal de Sintra temos três princípios estruturais: controlar a despesa, pagar as dívidas e aumentar o investimento”, escreveu Basílio Horta no site da Câmara Municipal de Sintra, ideia que repete publicamente sempre que a oportunidade surge.
Muitos lisboetas nunca lá foram. A maioria dos portugueses nunca ouviu sequer falar deste sítio. São 10 hectares de jardim, com uma vista fantástica sobre o tejo e a margem sul, no centro de Lisboa. Os terrenos pertencem à Câmara Municipal e, negligenciados, esperam que o governo da cidade se decida a olhar por eles.
Há um projeto, mas depende de investimentos privados. Nos tempos que correm, os privados estão a investir pouco. O negócio da restauração e hotelaria anda incerto, oferta de imobiliário para escritórios e serviços existe em demasia. O projeto que a CML aprovou para a Tapada das Necessidades está sustentado nesse tipo de investimento. Dificilmente irá em frente, nos próximos tempos.
O projeto foi aprovado pela autarquia, mas sob protestos da maioria dos partidos políticos com representantes eleitos. Bloco de Esquerda e PCP votaram contra e abstenção do CDS-PP. Os argumentos contra prendem-se com a demolição de parte dos edifícios históricos. O PAN apresentou uma moção onde exigia preservação, restauro e conservação do património histórico e um “levantamento exaustivo de todas as suas espécies vegetais”, incluindo as mais raras.
Pelo pouco que se sabe, o projeto salvaguarda apenas alguns dos edifícios oitocentistas que ainda existem, nomeadamente a estufa circular mandada erguer por D. Pedro V, no século 19, e os muros que cercam todo o jardim.
Apesar de murado, as franjas da Tapada têm sido “comidas” pela construção de edifícios. Por exemplo, construíram dentro de muros uma escola primária, a Escola básica Fernanda de Castro, e o Ministério da Defesa Nacional construiu o edifício sede do Instituto de Defesa Nacional, destruindo para o efeito o picadeiro Real. Além disso, os utentes destas duas estruturas usam os arruamentos da tapada como estacionamento automóvel. Compreende-se a necessidade de estacionar os carros, mas não se aceita que essa necessidade seja satisfeita desta forma, apesar do nome da Tapada.
Estamos a falar de um local com História. Um espaço que foi em tempos o jardim do Palácio Real de Lisboa e que foi posto ao serviço de botânicos e arquitetos paisagistas, onde existiu uma escola de jardineiros, onde ainda existe um viveiro de cactos único em Portugal e onde o Rei D. Carlos teve o seu atelier de pintura que está, hoje, em acelerada decadência, à beira da ruína.
É isto que a CML não tem vontade política para manter e pretende submeter aos ditames dos privados. O negócio da Câmara envolve o grupo Banana Café Emporium, a quem a CML já concessionou diversos espaços para quiosques e esplanadas. Mas trata-se de uma empresa que depende dos turistas para gerar receita. Neste momento não devem estar muito virados para gastar 5 milhões de euros num investimento que não lhes dá imediatamente garantias de receitas. Além dos 5 milhões que o projeto prevê que sejam garantidos pelos parceiros privados, a própria CML tem também uma quota parte no investimento, pormenor que ainda não foi divulgado. Por fim, será necessário lançar o concurso para a empreitada e esperar que os bancos aceitem financiar os parceiros privados. Como sabemos, eles nunca gastam dinheiro do próprio bolso.
Muitos lisboetas preferiam que o projeto da CML não se concretizasse. O projeto implica a destruição de boa parte do património edificado e a transformação de algumas áreas do jardim em estacionamento automóvel. Sim, porque não faz sentido chamar um parceiro que se dedica a explorar restaurantes e esplanadas e não permitir que esses locais não disponibilizem estacionamento para os clientes.
Tapada das Necessidadesmapa com a localização da Tapada das Necessidades na zona nobre e histórica de Lisboa
Em 2020, o PSD e o PS aprovaram uma Lei que pretende restringir, ao máximo, o aparecimento de mais grupos de independentes a confrontar os partidos políticos em eleições. Fizeram-no conscientes da adesão, cada vez maior, que estes movimentos conseguem junto de cidadãos que não se revêm nas actuais forças políticas e, mais, as contestam com cada vez mais veemência.
Os autores da Lei não tiveram qualquer pejo em criar todo o tipo de obstáculos, na esperança de fazer desistir alguns dos potenciais interessados em exercer cargos públicos sem integrar partidos políticos. Nem sequer se preocuparam com o facto de algumas das medidas serem absolutamente antidemocráticas. Muitas delas a roçar a ilegalidade.
Foram criados todos os tipos de dificuldades, desde o número de assinaturas necessárias para a “legalização” dos Grupos até ao impedimento de poderem concorrer, depois de legalizados, nas mesmas condições dos partidos.
Analisaram, cuidadosamente, todas as medidas que poderiam tomar para tornar praticamente impossível a tarefa de quem pretendia seguir a nova via tão desejada por tantos. Não contaram, todavia, com a determinação de cidadãos dispostos a lutar pela concretização de uma mudança, cada vez mais necessária, na política nacional.
Os Movimentos Independentes vão surgir mais fortes e vitoriosos, estou certo, mas há que reconhecer que só graças a muito esforço e enorme empenho. E contra adversários que não olham a meios para não perderem os seus feudos.
Até no recrutamento de elementos para as suas equipas.
Um dos casos conhecidos é o de um ex-apoiante de Rui Moreira, no Porto. Refiro-me ao actual secretário-geral adjunto do PSD, Hugo Carneiro de seu nome. Em 2013, este deputado do PSD apoiou a candidatura independente do actual presidente da Câmara Municipal do Porto contra o candidato do seu próprio partido, Luís Filipe Menezes. Fez mesmo questão de estar presente na entrega das assinaturas que validaram a candidatura do independente (como as fotografias provam).
Sete anos depois, todavia, convidado para o alto cargo que hoje ocupa, foi um dos principais relatores da Lei que cria todos os obstáculos acima referidos e, mais, critica o seu antigo líder a quem acusa de “estar a promover o abandalhamento das regras e, com isso, obter um favorecimento e virar as pessoas contra os partidos políticos.”
Malandro do Rui Moreira que está a fazer, sabe-se lá com quem, o mesmo que, há oito anos fazia com o seu crítico de hoje.
Depois dizem que não percebem porque cada vez se acredita menos nos partidos políticos…
O juiz Ivo Rosa puxou da espada da Justiça e espetou uma extração de certidão para processo contra o Ministério Público e o super juiz Carlos Alexandre. Em causa está a distribuição manual do processo “Marquês”, ao juiz Carlos Alexandre. Tudo o que não poderia ter acontecido, ficou detalhado.
É a Justiça a digladiar-se. Mas o brilhante advogado Rogério Alves frisou ser muito positivo mostrar a aplicação da Justiça ao povo. Que acha o sistema judicial muito opaco, dizemos nós. As sentenças devem ter cara, dizemos nós. O juiz será sempre livre, irresponsável e inamovível, como frisou Rogério Alves.
Numa reportagem-entrevista de 29 minutos e 35 segundos feita por mim no “Linha da Frente” da RTP 1, o super juiz Carlos Alexandre alegadamente discordou da distribuição final do Processo Marquês para decisão final de instrução criminal. Uma trapalhada. De tal forma que nem compareceu ao sorteio.
Vale a pena rever aos 13 minutos e 43 segundos:
Foi a segunda grande entrevista que o super-juiz Carlos Alexandre a uma TV, desde sempre. Por causa das suas declarações teve um processo disciplinar. Que foi arquivado e muito bem. Todos temos direito à opinião.
Mas agora é a vez de Ivo Rosa com a distribuição manual directa do Processo Marquês. Um novo “berbicacho”, como diria o prudente António Costa que nada comentou -e muito bem- sobre o caso, para mais à saída de um velório.
O povo viu a Justiça a funcionar em directo. Veremos agora a interpretação decisiva do Tribunal da Relação, uma vez que o Ministério Público anunciou recurso. Uma coisa é certa, a Justiça tornou-se transparente como sublinhou Rogério Alves. Quer se aceitem ou não as decisões de Ivo Rosa, dizemos nós.
Dois juízes diferentes enfrentam-se agora num processo que interessa a todos os portugueses. Ainda bem. Aproveite-se este momento ideal para pôr o Tribunal da Relação em directo. Para que a “glasnost” na Justiça seja uma realidade. Finalmente.
Lisboa tornou-se nos últimos anos presença habitual nos melhores lugares de vários rankings internacionais. Os mais recentes World Travel Awards colocaram de novo Lisboa como ‘o melhor destino de cruzeiros da Europa’, vários dos hotéis alfacinhas ganham nas suas categorias, seja em luxo, design ou lifestyle, e até o Turismo de Lisboa é premiado como melhor Leading City Tourist Board.
Mas e quem passa mais de uma semana na cidade, o que opina? O mais recente estudo da DECO sobre a qualidade de vida nas cidades portuguesas, publicado na edição de Abril da PROTESTE (resultados consultáveis no site da associação), dá-nos algumas respostas. Com o objectivo de ‘avaliar o grau de satisfação dos portugueses com vários aspetos da cidade onde vivem’, a associação inquiriu cerca de 3500 pessoas, entre eles eu próprio, durante os meses de outubro e novembro de 2020. Os Lisboetas colocaram a capital num desonroso penúltimo lugar. Das 12 capitais de distrito analisadas (as mais populosas) apenas Évora fica pior na fotografia.
Apesar de liderar a pontuação na ‘Cultura, Desporto e Lazer’ e estar também acima da média na avaliação do ‘Emprego e Mercado de Trabalho’, as pontuações negativíssimas nas áreas da ‘Segurança’, ‘Limpeza e Gestão de Resíduos’, ‘Mercado de Habitação’, ‘Meio Ambiente’ e ‘Custo de Vida’ penalizam de tal forma a cidade que ditam esta péssima classificação. Lisboa consegue uma pontuação geral de 6.2 em 10 pontos possíveis. Pouco acima de Évora (6 pontos), já algo mais longe, pela negativa, do Porto (6.5 pontos) e bem longe de Viseu (7.4), Leiria (7.1) ou Braga (7.1), as cidades melhor pontuadas.
As piores pontuações encontram-se no Custo de Vida (4.6) e Mercado de Habitação (4.5), questões que relacionadas entre si no caso lisboeta, já que é este último que mais tem condicionado a percepção de que não compensa vir para a grande urbe, já que o tal rendimento extra que advém do dinamismo da capital não cobre os custos extra, nomeadamente com a habitação.
Lisboa pontua ainda mal na Segurança e na Limpeza, o que reflecte o grau de sobrecarga das infraestruturas da cidade e a incapacidade de resposta para acomodar uma população cada vez maior, sobretudo no centro. Aqui bem podem os residentes diminuir nos cadernos, mas cada vez mais aumenta o número de quem de fato vive e utiliza a cidade (trabalhadores, estudantes e turistas, estes últimos agora reduzidos pela pandemia) e para quem os responsáveis políticos não têm sabido dimensionar ou gerir a resposta das estruturas.
Em suma, Lisboa melhorou e muito, de forma notável, para quem cá vem passar uns dias, mas falhou aos seus. Segundo este estudo e segundo muito do que se ouve nos cafés, nos transportes, nos taxis e TVDEs, Lisboa não está a conseguir satisfazer quem por cá está todos os dias. Se os últimos anos foram dedicados a tornar a cidade atrativa para os de fora, há que garantir que na década que agora se inicia o foco seja em melhorar a vida dos de dentro, daqueles que todos os dias residem, se deslocam, trabalham, estudam e vivem em Lisboa.
O Opus Dei salvou o Vaticano da bancarrota, no escândalo do Banco Ambrosiano. Em 1982. Há 40 anos. Reuniu nessa altura 100 milhões de dólares para indemnizar os depositantes.
Rui Rio não se salvará da maldição de ter apontado suspeitas ao pilar mais forte da Igreja Católica Apostólica Romana. Uma prelatura pessoal.
Um dos três fundadores da Obra em Portugal é o advogado notável Afonso Gil, um homem de bem, de mais de 80 anos. Também ajudou a fundar o CDS, mais tarde afastou-se. Quando os centristas perderam o pendor social para se tornarem liberais. Em 1980.
Em miúdo, Afonso Gil bom conseguia ver a Serra da Estrela, através das fatias de pão. Tão finas elas eram. Deu explicações para conseguir tirar o curso de Direito e para calar a fome.
Certo dia desesperado foi no caminho do Partido Comunista pela mão do conservador escritor António Alçada Batista. “Ó pá! Sempre tens pão e algum dinheiro para sobreviveres”. Contou-me Afonso Gil no seu escritório no Edifico Castil, onde todos os dias entrava para trabalhar às 8 da manhã, já com 80 anos feitos.
Mas encontraram um amigo que falou na santificação pelo trabalho. Era o convite para fundar o Opus Dei em Portugal.
Não hesitou. Queria trabalho. E ansiava estar perto do divino.
Sonhava em ser rico espiritualmente. Propôs, entretanto, ao futuro sogro casar com separação de bens. Mas o homem era rijo: “Ó entras para cumprires todos os deveres e teres todos os direitos ou não te quero para genro”.
Nobre de sentimentos e objetivos, agora com mais de 80 anos, Afonso Gil é o oposto de quem que se aproveita da Obra para meter medo, pavonear ou contradizer a natureza religiosa do Opus Dei. É o caso do senhor X, chamemos-lhe assim, para evitar processos. Porque em Portugal prefere-se matar o mensageiro, do que ler a mensagem. É o que certos juízes têm feito em relação a jornalistas.
Temos aqui dois homens na mesma organização. Um andou a santificar-se. Dispôs-se a oferecer a sua própria camisa. O outro, o senhor X -bem instalado na vida, homem de colégios lisboetas e com escritório pomposo na capital- é um diabo vermelho. O primeiro foi formado na bondade divina. O segundo lamaçou em guerras.
Rui Rio não entende esta diferença na natureza humana. Talvez não conheça estes dois homens opostos e presentes no Opus. E por isso toca de implicar com o Opus Dei.
Um 7 de abril de 2021 que esperava feliz, mas que, entre outros incidentes, ficou também ensombrado pelo falecimento de Jorge Coelho, alguém com quem mantive uma relação muito próxima e franca no século passado, embora não isenta de divergências.
Sendo eu também um combatente, mas sonhando com um Portugal diferente, a certa altura o nosso percurso divergiu: sem traumas nem ressabiamentos, antes com a rara lealdade de quem é capaz de defender sem receio diferentes opiniões. E assim, ainda que singelamente, lhe presto a devida homenagem.
O dia 7, porém, tal como quase todos os trepidantes dias que vivo, ficou marcado por muitos mais “episódios”. Com uma manhã para esquecer, pela tardinha bateu à minha porta um “amigo” que transportava um medalhão romano, de lápis-lazúli, com cerca de 15 centímetros. Na posse de um privado há dezenas de anos, entrava nesse mesmo dia no mercado. Por favor, analisem esta maravilha que qualquer museu do mundo gostaria de expor…
Já agora, e como ainda não tive tempo de fazer qualquer pesquisa, alguém sugere qual o Imperador que representa? “Premiarei” quem ajudar…
Pensando nunca poder ver uma peça tão rara, verifiquei, contudo, que o seu preço até era muito inferior ao que “corre” em feiras internacionais. A razão residia em urgentes razões, que não ajudaram a melhorar o meu estado de espírito:
No dia 5, o proprietário, ainda pessoa “jovem”, achara-se subitamente doente e percebeu que tinha contraído uma forma violenta de Covid-19. De mal a pior, resolveu desfazer-se de tal peça logo na manhã seguinte, assim garantindo a sobrevivência de sua família, durante semanas. O tempo necessário para que, a tudo correr bem, sair do hospital. Desconheço quem seja, mas, ao que me foi dito, ainda na noite de 6 foi internado de urgência em “Cuidados Intensivos”, onde corre o risco de não sobreviver.
Deste mundo das “artes e antiguidades”, recordo ainda um velho amigo a quem, tendo um dia recusado a compra de um precioso lote, dado o baixo preço que pedia e que não era justo, enigmaticamente me anunciou:
– Ai o doutor, que é o meu melhor amigo, não me ajuda? Então, já sei o que vou fazer…
E na manhã seguinte, na reta do Cabo, em Lisboa, AG acabaria os seus dias enfaixado, a “muitíssimos à hora”, na traseira de um camião TIR.
A partir dessa “lição”, e embora sempre com a condição de devolver, sem juros, as peças adquiridas, em caso de “arrependimento”, passei a ter outras “cautelas”. É que a cada passo, a vida nos reserva surpresas: nem sempre as melhores e, quantas vezes, de todo inesperadas…
Numa fase, em que o número de casos de Covid-19, em Portugal, parece estar a aproximar-se do “limite” sustentável, que ronda os mil novos casos/dia – e esqueçam preciosismos estatísticos como o R e quadros às cores, que só complicam –, seja-me permitido afirmar que os próximos dias serão cruciais para se saber, se quem agora dá alento à “geringonça”, está habilitado a conduzir “veículos” destas dimensões.
Eu nunca abriria as populares esplanadas, em desfavor da restauração, atividade que sanitária e economicamente seria muito mais justificada, como há semanas defendi. E também, porque no campo da medicina não se pode “receitar” o mesmo a todos, tenham ou não tenham tosse, também nunca se recomendaria o desconfinamento de concelhos com taxas de contaminação acima do tolerável. Por exemplo, o que se passa desde há dias na cidade da Figueira da Foz, com as esplanadas a abarrotar, é intolerável num país bem dirigido e civilizado.
Veremos o que os próximos dias nos dirão: se há mesmo “gato” e onde o “gato mia”. Só após criteriosa análise das novas incidências, poderemos perceber quais os setores de atividade que, eventualmente, estarão a afetar a saúde pública. E só depois, RAPIDAMENTE, se pode definir se Portugal pode avançar no desconfinamento ou se, pelo contrário, terá de recuar nas áreas em que, inequivocamente, se prove aumento de contágios.
Notícias preocupantes, as que aqui vos deixo. Com a certeza, podem crer, de que desejo ao “proprietário” da peça romana que entendi preservar, a possibilidade dele a poder retomar, em breve.
Basílio Horta tem feito algo semelhante. Já prometeu um hospital para Sintra uma série de vezes. Sempre em vésperas de eleições autárquicas. Agora voltou a repetir a graça e veio dizer que desta vez é que é, que a autarquia vai lançar novo concurso público e que, desta vez, o hospital, pelo menos a primeira pedra, lá mais para o verão as obras irão começar. A tempo das eleições.
Depois de várias falsas partidas e de um concurso público falhado, a autarquia sobe a parada para 50 milhões de euros, a ver se alguma construtora vem a jogo.
Em junho de 2018, a autarquia anunciava no seu próprio site que “a Câmara Municipal de Sintra vai pagar na totalidade a construção do Hospital de Proximidade de Sintra, na zona da Cavaleira, no Algueirão, num investimento da autarquia na ordem dos 30 milhões de euros, assim como a cedência de terrenos à Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, com uma área de 60 mil metros quadrados, por um período de 50 anos, renováveis. O acordo de colaboração foi assinado com o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças no dia 26 de junho de 2017, prevendo-se que as obras do hospital possam começar no decorrer do próximo ano, com conclusão prevista para 2021.” Mas já antes outras datas tinham sido anunciadas.
Segundo informação publicada no site do vereador da oposição Marco Almeida, a autarquia salta dos 30 milhões iniciais previstos em orçamento para os 50 milhões, depois de um parecer pedido ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que cobrou 19.500 euros pelo papel. Não se vislumbra, neste processo, a tão propalada eficiência financeira da autarquia.
No SintraNotícias vem o eco das palavras de Basílio Horta. Lá vem o argumento do aumento de preço das matérias-primas, mais a pandemia que tem as costas largas, mas o melhor e, quiçá, mais verdadeiro argumento é o da ganância das empresas construtoras que, sabendo da tal bazuca europeia, decidiram abrir mais a boca. Nas palavras do próprio Basílio, citando o pasquim antes mencionado: “a possibilidade de recebermos a falada ‘bazuca europeia’ pode ter levado as empresas nacionais de construção a rever e subir os preços”.
Sendo assim, as casas da especialidade estão a receber apostas sobre se a primeira pedra será colocada em junho (é a nova promessa) ou se será mais chegado a outubro (mês em que decorrerão as eleições autárquicas).
De ontem para hoje, os números da pandemia subiram. O registo de hoje fala em 9 mortes (+6), 602 novos casos de infeção (-61), 495 doentes internados (+7), 122 doentes em cuidados intensivos (+6).
Quanto à vacinação, a Direção geral de Saúde decidiu que a vacina da AstraZeneca passará a ser inoculada apenas em cidadãos maiores de 60 anos. O critério não foi explicado, o que permite todas as interpretações.
Depois de muitos países terem colocado restrições a esta vacina, Portugal acerta o passo com eles. O Reino Unido impôs a barreira dos 30 anos, 55 anos em França, Bélgica e Canadá, 60 anos na Alemanha, Itália e nos Países Baixos ou 65 anos na Suécia e na Finlândia. Neste momento há muitos portugueses que gostariam de ser suecos…
Entretanto, o fabricante mudou o nome da vacina. Em vez de exibir a designação AstraZeneca agora chama-se Vaxzevria. Eles lá sabem porquê.
Quem passa na estrada velha que liga Loures à Venda do Pinheiro, passa pelo Cabeço de Montachique e pelas estranhas ruínas de um edifício de pedra inacabado. Parece um castelo medieval, mas não é.
O edifício tem uma história triste e misteriosa. Trata-se de uma construção com 100 anos, a obra começou em 1919 por vontade de um homem rico, Francisco de Almeida Grandella, proprietário dos famosos Armazéns Grandella em Lisboa. Um notável comerciante, maçon, que teve a ideia de construir ali um sanatório para tuberculosos. O traçado arquitetónico é de evidente inspiração maçónica, com a estrela de sete pontas e os pilares que sustentam as lojas dos maçons, são os símbolos mais evidentes quando se olha para a estrutura edificada numa imagem aérea.
Naqueles tempos, a tuberculose era uma doença terrível, contagiosa, que ceifava vidas e de tratamento difícil. Naquele tempo, o Cabeço de Montachique ficava longe de tudo e ali seria o local ideal para a implantação de um sanatório. Sanatório Albergaria, foi o nome escolhido por Grandella.
Mas a vida dá muitas voltas, o entusiasmo de Grandella arrefeceu e o projeto foi esquecido. Terá sido por falta de dinheiro, a crise económica que se seguiu à I Guerra Mundial arruinou muita gente e Grandella não escapou a esses problemas. Mas o projeto tinha outros mecenas e a maçonaria terá providenciado uma coleta entre irmãos que reuniu uma soma considerável, suficiente para concluir o projeto.
Mas em 1921 foi desenvolvida a vacina BCG que combate a bactéria que causa a doença e a tuberculose deixou de ser uma questão mortal. A vacina também matou as ideias de Grandella. Dizem que, desanimado, Grandella enterrou algures por ali um cofre com o dinheiro doado para a construção.
O actual proprietário conhece a história do tesouro enterrado mas nunca se pôs a cavar à procura dele. Quando comprou as ruínas mais os 17 hectares de chão à volta, tinha a ideia de fazer um lar para idosos. Mas entrou em conflito com a Câmara Municipal de Loures e não foi possível concretizar o novo projeto. É um sítio amaldiçoado, nada se constrói ali, pelos vistos.
Mais tarde, Inácio Roseiro mandou projetar um hotel, aproveitando o traçado original e os materiais usados pelo arquiteto Rosendo Carvalheira em 1918. Mas a ideia também não foi avante.
Os anos passaram e o senhor Inácio envelheceu. Farto de entraves, pôs a propriedade à venda. Ninguém a comprou, até hoje. Se calhar, não era má ideia mandar cavar o sítio, talvez se encontre o cofre.