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269 municípios vão receber apoios da UE

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Duzentos e sessenta e nove municípios candidataram-se ao Fundo de Solidariedade da União Europeia – Emergência de Saúde Pública, para serem compensados pelas despesas realizadas no âmbito do combate à pandemia de covid-19.

A Área Metropolitana de Lisboa foi a região que apresentou os maiores custos: os 18 municípios da AML somam um total de 19,1 milhões de euros.

Segue-se a região Norte, com 16,9 milhões de euros, o Centro (16,6 milhões de euros), o Alentejo (6 milhões de euros), o Algarve (5,8 milhões de euros), a Região Autónoma dos Açores (623 mil euros) e a Região Autónoma da Madeira (397 mil euros).

Inicia-se agora o processo de análise das candidaturas. Os primeiros pagamentos deverão ser feitos em outubro.

São consideradas despesas elegíveis pelos municípios a compra de equipamentos e dispositivos médicos, incluindo ventiladores, equipamentos de proteção individual, designadamente máscaras, luvas e batas, a instalação de hospitais de campanha e de outras infraestruturas de proteção civil e o recurso a análises laboratoriais e de outros meios de diagnóstico.

Este apoio reembolsará 100% da despesa elegível até ao limite máximo de 150 mil euros por candidatura. Muitos municípios gastaram muito mais do que isso, como é o caso da Área Metropolitana de Lisboa.

Jorge Sampaio está a morrer

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O antigo Presidente da República foi internado no dia 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide. Estava de férias no Algarve quando foi assaltado por dificuldades respiratórias. Sampaio é cardíaco, já foi operado várias vezes, sempre no hospital onde agora está internado.

O estado de saúde do antigo Presidente tem vindo a deteriorar-se, apesar de não haver confirmação oficial desta situação. No entanto, Expresso e Público confirmam o agravamento, citam fontes anónimas, “a situação clínica do ex-Presidente da República Jorge Sampaio agravou-se nas últimas horas”, diz o Expresso, por exemplo.

Da última vez que esteve internado, em setembro de 2017, Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Presidente Jorge Sampaio. Desta vez ainda não o fez.

Jorge Sampaio tem 81 anos.

Rogério Samora, a cena mais dramática

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O ator Rogério Samora não voltará aos palcos ou aos estúdios de televisão. Ainda que consiga sobreviver, as consequências do acidente cardiovascular que o vitimou em 20 de julho serão sempre inibidoras de uma vida normal, em termos profissionais.

É a opinião divulgada por uma revista do jet-7. Uma alegada fonte hospitalar, não identificada pela revista, diz que o Hospital Fernando da Fonseca considera três cenários possíveis: “morte cerebral — que ainda não foi declarada porque Rogério não está dentro dos parâmetros que a consideram —, coma vegetativo ou alguma recuperação, que dificilmente será total”.

Rogério Samora está nos cuidados intensivos e tem tido uma única visita familiar, um primo que publica no Facebook relatos quase diários sobre o que se passa com o ator. Pelos relatos e pelas fotografias que vão sendo publicadas, fica a ideia de que a família ainda alimenta a esperança de que Rogério Samora consiga recuperar, embora o pai do ator nem saiba o que se passa com o filho, uma vez que está a viver num lar e tem sido poupado a este desgosto.

Rogério Samora sofreu uma paragem cardiorrespiratória no decorrer das gravações da novela “Amor Amor”.

Lisboa é do PS

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A acreditar nas sondagens sobre as autárquicas em Lisboa, Fernando Medina está prestes a voltar a governar a cidade com maioria absoluta, apesar de haver dados divergentes entre diferentes sondagens.

Ontem, a Aximage dava 51% a Medina, hoje a Eurosondagem diz que Medina tem apenas 35,3%. Sondagens anteriores deram outros números: em julho o ICS/ICSTE deu 42% aos socialistas, em abril a Intercampus deu 46,6%. Ou seja, Medina ganha mas não se sabe por quantos.

Na liga dos últimos, o Chega parece estar em queda desamparada. Em abril tinha a expetativa de vir a ter 6%, mas a Aximage, ontem, deu-lhe apenas 2%. Lamentamos, Nuno Graciano, mas com menos de 5% não vais ser eleito vereador.

Os outros partidos têm tido indicadores mais ou menos estáveis nas diferentes sondagens. A coligação liderada pelo PSD registou previsões entre os 25% e os 31%, a CDU deverá ser a terceira força política mais votada (entre 7% a 9%), o Bloco virá em 4º lugar (entre 4% a 8%), o PAN terá 4% ou menos e, assim, não elegerá vereadores.

Este artigo baseou-se nos dados publicados no site da Marktest.

Balsemão, entrevista curta

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Filho único, neto único, sobrinho único, herdeiro único, “menino preservado e dourado”, não foi à escola como outras crianças menos afortunadas, “estudei em casa, tive professor de francês”. Este é o Balsemão com quem a Fátima Campos Ferreira conversou ontem, naquilo a que se chamou uma entrevista jornalística.

Se o intuito era falar do estilo de vida do homem, a coisa ficou aquém do exigível. Falou-se de um “casamento feliz de mais de 50 anos”, para não se falar de um divórcio anterior que deixou profundas marcas nos dois filhos desse casamento, e nele próprio, e não se falou do filho fora do casamento reconhecido e perfilhado muito tardiamente.

Ficámos a saber que sempre gostou de mulheres despidas. “O meu tio Xico, quando chegava de Paris, trazia o catálogo das Folie Bergere, as senhoras todas nuas e eu precipitava-me para aquilo!” LOL. E também se lembra de que gostava de ver a “Maja Desnuda”, uma pintura de Goya. Mas quem não gosta, não é?

La Maja Desnuda (The Nude Maja) Oil on canvas, 97 × 190 cm (38 × 75 in). Museu del Prado, Madrid

Se era para falar da obra empresarial, a entrevista também ficou curta. Falou-se bastante do jornal Expresso e das tropelias de Marcelo Rebelo de Sousa, mas quase nada da SIC, talvez para não se ter de falar de Emídio Rangel.

Mas foi pena, até porque a entrevistadora fez questão de dizer que Balsemão foi “jornalista”, mas não se quis lembrar de lhe perguntar pelos despedimentos coletivos que afetaram a vida de muitos jornalistas, e das perseguições caninas que moveu a alguns, umas vezes ele próprio, outras vezes por interposto capataz, tanto no Expresso como na SIC. Balsemão não se importa que morram de fome aqueles de quem ele não gosta.

– Guarda rancor?

– Não… rancor é uma palavra muito feia, não é?

– De que serve não esquecer?

– Serve para um dia, talvez, ainda poder ajustar umas continhas, em qualquer lugar, em qualquer momento…

Não se falou da dívida bancária que, segundo diz imprensa menos amiga, ronda os 400 milhões de euros. Uma dívida impagável que, como muitas outras, ainda nos vai cair no regaço.

O que ficou mais desta entrevista é o retrato de um político falhado, nunca venceu umas eleições e, no PSD, não o deixaram, sequer, ser candidato à Presidência da República, lugar onde hoje mora um dos seus inimigos mais queridos.

Sim, o que faz uma grande entrevista não é a duração.

Fim das touradas, projeto de lei entrou na Assembleia da República

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Depois da manifestação do dia 26 de agosto, em que milhares de pessoas se concentraram na porta do Campo Pequeno em protesto contra a tourada de homenagem a João Moura, a deputada Cristina Rodrigues (que também participou nessa manifestação) surge agora com um raro sentido de oportunidade e deposita na Assembleia da República este projeto de lei.

Cristina Rodrigues considera que é “urgente que Portugal dê mais este passo e deixe de integrar o reduzido grupo de países que ainda admitem esta atividade bárbara” e, por isso, propõe a proibição de touradas e quer apoios à reconversão das praças de touros existentes em equipamentos culturais, “através da aprovação em Orçamento do Estado de uma verba específica para esse efeito”.

Cristina Rodrigues refere igualmente que a Lei de Proteção aos Animais “consagra no n.º 1 do artigo 1.º, expressamente, a proibição de todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os atos consistentes em, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal”. A deputada considera ainda que a exceção às touradas prevista na mesma lei “só vem confirmar” que o legislador “estava bem ciente de que se trata de um mau trato injustificado”.

A Assembleia da República está de férias, isto é, os deputados estão de férias. A atividade parlamentar recomeça a 7 de setembro. Esta ação da deputada independente Cristina Rodrigues demonstra que a causa animal não mete férias.

Cortaram-lhe o pio

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A rede social Twitter voltou a suspender a página do líder do Chega, desta vez por tempo indeterminado. Podem ser 2 dias ou 2 anos ou duas vidas. Tudo depende do critério, que se desconhece, mas uma suspensão eterna resolveria o problema. Fica aqui a ideia. Alguém que a faça chegar ao Twitter.

Ventura tem medo, muito medo, que entre os refugiados afegãos venham terroristas. Eu desconfiaria das crianças. São inimputáveis e cruéis, como sabemos.

Ventura acha, provavelmente, que qualquer afegão é pior que um cigano. Aliás, talvez ele tenha medo que os dois grupos se aliem. Afinal de contas, na ótica de qualquer racista que se preze, um cigano não é muito diferente de um afegão.

A suspensão corta-lhe o pio (twitter significa piar, em inglês) mas dá-lhe oportunidade de reclamar contra a censura, por mais justa que seja. Sim, porque há censuras justas. A democracia tem o dever de se defender.

Quando se abandonam soldados…

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Em 1980, em França, integrei a equipa do Dr. Abdul, um médico afegão que logo me marcou pela afabilidade e competência.

A frequentar um “estágio contrarrelógio”, para regressar ao meu país e integrar a equipa do Prof. Linhares Furtado que, meses depois, em Coimbra, iria realizar a primeira colheita e a primeira transplantação de órgãos bem-sucedida, só uma ligeira bruma enevoou o nosso fácil relacionamento. Oriundo dum país carenciado, e detendo competências raras, por que não regressava ele à sua pátria?

Uma dúvida que prontamente esclareceu, no nosso primeiro almoço na cantina do hospital: a regressar, seria “simplesmente” morto à sua chegada a Cabul.

– Mas, porquê? – Estranhei.

– Porque sou diferente deles. Já mataram quase toda a minha família e eu próprio fui torturado. Safei-me, por um triz, por ser médico e ter tratado gente importante.  

A serenidade e a mágoa que perpassaram pelo seu rosto, não me deixaram dúvidas de que, no seu país, não eram reconhecidos direitos humanos elementares. Comparada com aquela gente, a PIDE, de que Portugal se havia libertado poucos anos antes, não passaria de uma instituição de bem-fazer.  

Anos mais tarde, assisti, com natural curiosidade, à desastrosa invasão soviética e, depois, à entrada triunfal dos EUA, no Afeganistão: duas intromissões mal desenhadas e que só fariam sentido para instalar um poder local sólido, capaz de impor valores que são de toda a Humanidade, incluindo a comunidade islâmica.  

No início do século XXI, muitos afegãos acreditaram que, sob o escudo da NATO, a “civilização moderna” iria finalmente impor regras no seu país. Erro fatal porque, vinte anos depois, enquanto uma minoria residente em Cabul está a ser resgatada dum vespeiro, milhões de afegãos estão em fuga ou organizam bolsas de resistência, para não serem escravizados ou mortos.

Como foi possível tal desastre?

Após a saída de Obama, a NATO “desapareceu” do mapa-mundo, tendo-se sucedido uma longa série de graves erros, na gestão daquele “protetorado”. Sem rumo, os EUA deram mesmo em negociar uma retirada sem garantias, que acabaria por se traduzir na derrota mais vergonhosa alguma vez infligida a qualquer superpotência, ainda que recuemos a Alexandre Magno: uma rendição incondicional e ignóbil, saldada no sacrifício dos aliados locais e que passou pela entrega das próprias armas, à barbárie.

Nenhum comandante, digno desse nome, abandona sem ponderosas razões os seus soldados. Sem perdão, coautores de um crime contra a Humanidade, Trump e Biden só poderão vir a integrar a grande galeria dos vilões da História.

Perante a emergência humanitária criada, alguns militares portugueses integraram recentemente uma operação dirigida por Espanha, que liberou dezenas de afegãos que, ao lado de Portugal, confiaram na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Um esforço que devemos sublinhar e que até poderia constituir um exemplo para todo o mundo, se marcado pelo Comandante Supremo das Forças Armadas: em tempos recentes, Eanes e Delgado, e talvez Soares, não hesitariam em vestir um camuflado e honrar tal missão com a sua presença.

Centrados nos direitos humanos e em cooperação, que nunca em colonialismo, a atual realidade afegã merece ainda outras reflexões.

Em 1975, também Portugal abandonou muitos cidadãos africanos à sua sorte, depois sacrificados pelo seu abraço a uma causa que, claramente, ia contra os ponteiros da História. A crise política, porque passámos, ressalva os erros duma descolonização que, não sendo “exemplar” e tendo travado muita violência, não impediu tragédias humanas, sobretudo na confinada Guiné.

No entanto, a manchar a nossa consciência, Portugal ainda deixou outras vítimas para trás. Vítimas da hipocrisia dum regime, que taxava fortemente a transladação dos corpos dos seus militares mortos, nunca regressaram a solo pátrio muitos daqueles que perderam a sua vida na guerra colonial,

Desde sempre desprezados pelas autoridades portuguesas, que nunca se dignaram a um qualquer preito, um desses cemitérios foi recentemente alvo duma homenagem organizada pela população de Bissau, que, em festa, exibia bandeiras portuguesas. Apesar dos excessos de uma guerra inútil e inglória, ainda hoje mantêm saudáveis laços de amizade com quem melhor se cruzaram. Tal como em São Tomé e Príncipe, quantos deles não prefeririam o estatuto de região autónoma e livre, integrante de Portugal e da Comunidade Europeia?   

Nenhum comandante digno, nenhum país honrado, deixa para trás soldados. Num momento em que milhões de jovens, no Afeganistão e não só, são vítimas dos ideais em que acreditaram, a iniciativa de construir um memorial para receber as cinzas dos combatentes portugueses sepultados em solo estrangeiro, mais do que a reconciliação de uma parte significativa da população portuguesa com a História que leram, é um imperativo ético de um pequeno povo que só tem de se orgulhar da grandiosa “obra”, que espalhou pelo mundo.     

O que vai ficar debaixo de água

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Os cientistas concordam numa base científica que vai para além do senso comum. Os cientistas usam a matemática para elaborar as suas previsões. Não são adivinhos.

A estatística é uma das componentes dessas projeções matemáticas e o que esses dados mostram é que nas últimas décadas a temperatura média tem vindo a subir, com uma subida cada vez mais acelerada nos últimos anos.

A visualização da subida da temperatura entre 1850-2017 pode ser verificada na escala de cores desenvolvida pelo Prof. Ed Hawkins, da Universidade de Reading, disponibilizada no seu blog Climate Lab Book. No que diz respeito a Portugal, é visível (pela cor encarnada) o aquecimento nos últimos anos.

Nos jornais, rádios e televisões, as notícias sobre aquecimento global são recorrentes. Mas o incómodo que é mudar de estilo de vida tem justificado a letargia dos políticos e a resistência das empresas. A população está, porém, cada vez mais sensibilizada para o problema, embora ainda não o suficiente para se organizar de forma a pressionar os decisores políticos mais sensíveis ao poder do dinheiro.

E, no entanto, o tempo escasseia para tentarmos evitar o desastre. O degelo nas calotas polares já começou. O nível do mar já está a subir, embora ainda não seja visível a olho nu. O clima já está a mudar.

A Europa meridional e central regista mais frequentemente vagas de calor, incêndios florestais e secas. A região mediterrânica está a tornar-se mais árida e, por conseguinte, mais vulnerável a secas e incêndios florestais. No norte da Europa, chove bastante mais e as cheias poderão tornar-se comuns no inverno. As zonas urbanas, onde, atualmente, vivem quatro em cada cinco europeus, estão expostas a vagas de calor, a inundações e à subida dos níveis do mar, mas encontram-se frequentemente mal preparadas para se adaptarem às alterações climáticas.

E em Portugal…

Em Portugal, os custos para a sociedade e a economia serão devastadores. Com a subida do nível do mar, as praias irão desaparecer. Sem praias, não haverá turismo. Tivemos agora uma pálida amostra do que isso será, com os confinamentos por causa da pandemia.

O desenho está feito. Nos mapas seguintes (elaborados pela Climate Central), a vermelho poderão ver as zonas que ficarão submersas se o nível do mar subir apenas 1 metro. No Algarve, Lagos, Faro e Ria Formosa ficarão apenas na memória.

Todas as ilhas da Ria Formosa desaparecerão dentro de 30 anos

Mais a norte, parte da Reserva Natural do Estuário do Sado irá desaparecer e as cidades de Setúbal e Alcácer do Sal ficarão fortemente condicionadas pela subida das águas.

Lisboa e a Reserva Natural do Tejo. Todas as zonas ribeirinhas ficarão debaixo de água, incluindo o futuro aeroporto que querem construir no Montijo ou em Alcochete.

Continuando para norte, as praias da Figueira da Foz, da Costa de Prata, a Ria de Aveiro, a cidade de Aveiro, Viana do Castelo, Caminha estão no rol de sítios em perigo de desaparecer dentro de 30 anos.

O problema vai afetar muito mais do que praias e zonas costeiras, evidentemente. Com o clima a mudar, ficam em risco os setores fortemente dependentes de determinadas temperaturas e níveis de precipitação, como a agricultura, a silvicultura, a energia e o turismo, como já dissemos.

Podemos ter a pretensão de que iremos conseguir adaptar-nos a tudo o que aí vem. A Humanidade especializou-se nisso, na capacidade de adaptação. Mas trata-se de uma incerteza e não devíamos fazer futurologia com ela. Será sempre uma catástrofe humanitária e ecológica global de um nível de destruição inimaginável.

Combater ou perpetuar a pobreza

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Do congresso do PS saiu a promessa de combater a pobreza. António Costa usou a expressão combater as chagas sociais. Para quem ouviu estas palavras, fora do local onde decorreu o congresso, soou a alguma coisa já antes escutada muitas vezes. Soou a promessa repetida. Mas os presentes no salão de festas aplaudiram imenso. Devem ter entendido coisa diferente.

“Iremos alargar as medidas de combate à pobreza ao longo dos próximos dois anos a todas as crianças, independentemente da sua idade. Por isso, as crianças que têm entre três e seis anos – e que atualmente, se estiverem na condição de pobreza extrema recebem 50 euros, ou 41 euros em situação de pobreza -, nos próximos dois anos, os apoios chegarão a 100 euros”, explicou com pormenor António Costa. Em relação às crianças com mais de seis anos, o Governo vai aumentar o abono dos 27 e 31 euros “para que nenhuma tenha menos de 50 euros por mês”, acrescentou.

O primeiro-ministro referia-se ao abono de família, escalão A. As famílias muito pobres receberão 1,60 € por dia por cada filho com menos de seis anos de idade. Na expetativa de virem a receber daqui a dois anos, 3,33 € por dia. Os filhos com mais de seis anos terão direito a 1,66 €. Vai ser uma farra. Os tipos do Chega já devem estar a cerrar dentes e a ensaiar discursos contra os que vivem à sombra dos subsídios.

A política de combate à pobreza é continuar a distribuir esmolas miseráveis. Três euros por dia é uma esmola miserável. É o mínimo para se estar no limiar da pobreza, conforme está definido pelas Nações Unidas. É tão pouco que pode ser considerado uma vergonha para quem propõe. É tão pouco que, numa sociedade europeia, democrática, pode vir a ser sentido como uma indignidade. É tão pouco que pode vir a sair caro ao Governo que trata assim os mais desprotegidos.

E depois, o dirigente do PS ainda falou de incentivos à natalidade a introduzir no IRS. Mas isso é “outro campeonato”. Aqui, estamos a falar daqueles que nem têm rendimentos suficientes para declarar IRS. Ou seja, todos os que receberam menos de 8500 € no ano fiscal. Menos de 700 € por mês. São pobres mas, se quiserem, vão votar. Mas não sabemos em quem…