Combater ou perpetuar a pobreza

Artigo de opinião.

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Do congresso do PS saiu a promessa de combater a pobreza. António Costa usou a expressão combater as chagas sociais. Para quem ouviu estas palavras, fora do local onde decorreu o congresso, soou a alguma coisa já antes escutada muitas vezes. Soou a promessa repetida. Mas os presentes no salão de festas aplaudiram imenso. Devem ter entendido coisa diferente.

“Iremos alargar as medidas de combate à pobreza ao longo dos próximos dois anos a todas as crianças, independentemente da sua idade. Por isso, as crianças que têm entre três e seis anos – e que atualmente, se estiverem na condição de pobreza extrema recebem 50 euros, ou 41 euros em situação de pobreza -, nos próximos dois anos, os apoios chegarão a 100 euros”, explicou com pormenor António Costa. Em relação às crianças com mais de seis anos, o Governo vai aumentar o abono dos 27 e 31 euros “para que nenhuma tenha menos de 50 euros por mês”, acrescentou.

O primeiro-ministro referia-se ao abono de família, escalão A. As famílias muito pobres receberão 1,60 € por dia por cada filho com menos de seis anos de idade. Na expetativa de virem a receber daqui a dois anos, 3,33 € por dia. Os filhos com mais de seis anos terão direito a 1,66 €. Vai ser uma farra. Os tipos do Chega já devem estar a cerrar dentes e a ensaiar discursos contra os que vivem à sombra dos subsídios.

A política de combate à pobreza é continuar a distribuir esmolas miseráveis. Três euros por dia é uma esmola miserável. É o mínimo para se estar no limiar da pobreza, conforme está definido pelas Nações Unidas. É tão pouco que pode ser considerado uma vergonha para quem propõe. É tão pouco que, numa sociedade europeia, democrática, pode vir a ser sentido como uma indignidade. É tão pouco que pode vir a sair caro ao Governo que trata assim os mais desprotegidos.

E depois, o dirigente do PS ainda falou de incentivos à natalidade a introduzir no IRS. Mas isso é “outro campeonato”. Aqui, estamos a falar daqueles que nem têm rendimentos suficientes para declarar IRS. Ou seja, todos os que receberam menos de 8500 € no ano fiscal. Menos de 700 € por mês. São pobres mas, se quiserem, vão votar. Mas não sabemos em quem…

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