A primeira edição do Campeonato Nacional de Novas Energias (apenas para veículos elétricos) foi ganha pela dupla Nuno Serrano/Alexandre Berardo, em Renault Zoe. Nos lugares imediatos ficaram equipas que tripulavam um outro Renault Zoe (2º lugar) e um BMW i3 (3º lugar).
A última etapa disputou-se este sábado no Estoril, com a realização da prova “Circuito UVE – 6 Hours Race Estoril”. Esta competição automóvel teve o apoio da Federação Portuguesa de Automobilismo e destina-se a “consciencializar para a temática da defesa do ambiente, mas também para apresentar ao grande público as soluções de mobilidade ecológicas que já se encontram disponíveis no mercado”.
Com quatro etapas inicialmente previstas (uma delas foi cancelada devido à pandemia de covid-19), este campeonato é o primeiro realizado em Portugal orientado pelas denominadas “energias limpas”, com preocupações ambientais e ecológicas, “sendo inteiramente dedicado a veículos de estrada normais e admitidos na competição apenas veículos BEV (battery electric vehicle)”.
Os vencedores do Campeonato de Portugal de Novas Energias apuraram-se através da disputa de três etapas, onde os participantes, nacionais e estrangeiros, realizaram provas na modalidade de regularidade com veículos totalmente descarbonizados.
Ninguém teria o topete de sequer pensar há uns dez anos, que os conservadores e riquíssimos árabes dos desertos do Médio Oriente iriam alinhar no grande negócio de milhões de dólares que a Fórmula 1 representa. Das corridas de camelos, rapidamente alinharam nas corridas dos carros mais sofisticados do mundo, os bólides de fórmula 1.
Durante milénios deslocaram-se pelas areias desérticas desconfortavelmente sentados entre as boças de malcheirosos dromedários, os verdadeiros todo-o-terreno de outros tempos.
Agora, sem lugar para guardarem os seus Ferrari, Lamborghini, Aston Martin, Rolls Royce dourados, que as mulheres não podiam conduzir até há pouco tempo, os sauditas (da Arábia Saudita), sem saberem o que fazer ao dinheiro que recebem do petróleo – de que são os terceiros maiores produtores do mundo e os segundos maiores em reservas de petróleo do mundo -, concordaram em fazer um complexo desportivo para albergar o sofisticado circo da Fórmula 1 e os seus dois mil mecânicos, motoristas, dirigentes, técnicos, pilotos em mais um espectáculo de velocidade e glamour onde os artistas de cena se chamam Hamilton, em busca do oitavo título mundial e o agressivo e muito valoroso holandês Max Verstappen, filho de um falhado piloto da fórmula 1 de outros tempos Jos Verstappen, de seu nome.
E tudo isto a troco de meros 40 milhões de dólares por cada corrida de dez que foram contratadas. Excelente negócio para a empresa que gere a F1 actual, a Liberty Media Corporation que, aliás, fez o mesmo tipo de negócio com outros “países” árabes, Qatar, Abu Dhabi, desejosos de fazerem passar para o chamado mundo ocidental uma imagem de modernidade e de “civilização ocidental”.
É claro que tudo tem a ver com o vil metal. Para estes sultões de Rolex no pulso e iate em Marbella, para que o negócio do petróleo e do turismo não caiam, tudo é bom para uma lavagem desportiva que faça esquecer os atropelos aos direitos humanos.
Na Arábia Saudita as mulheres, até há pouco tempo, não podiam conduzir automóveis. Não podiam viajar para fora do país sem a presença de um homem. Tinham de andar sempre vestidas com longas túnicas negras e um lenço na cabeça.
Esta monarquia absolutista foi estranhamente admitida na Comissão dos Direitos das Mulheres na ONU. Mas nunca desactivou a Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, a polícia que vigia o cumprimento das regras impostas. Tanta hipocrisia.
Sentados nos 400 milhões de dólares, os senhores da Liberty vão realizado dividendos pelas areias do deserto, onde antes os camelos eram reis e senhores, com direito a concursos de beleza e ao maior veterinário de camelos do mundo.
Ah! As corridas dos Fórmula 1, os carros mais sofisticados do mundo, neste domingo 5 de Dezembro de 2021.
A coisa vai-se decidir entre o negro activista Lewis Hamilton e o branco holandês Max Verstappen. Ou deveria antes qualificá-los como o afro-britânico Hamilton e o caucasiano Verstappen? Ridículo! (Puristas, podem começar a disparar as flechas).
Dois grandes desportistas na perseguição do sonho de crianças, serem Campeões do Mundo. Hamilton já o é por sete vezes, como o saudoso Shumacher, Max pode vir a ser este ano, depois desta corrida e da próxima em Abu Dhabi, se Hamilton deixar.
Num país conhecido pelas suas rígidas regras de comportamento derivadas de uma moral de origem religiosa e moderadas por uma “polícia” vigilante, o piloto britânico não teve pejo em afirmar: “ Sinto-me confortável aqui? Eu não diria que sim. Mas não é escolha minha. O desporto escolheu estar aqui.” E eu acrescentaria: a troco de 40 milhões por ano, vezes dez.
Num circuito feito em oito meses, à custa do trabalho de mais de seis mil emigrantes, neste domingo, 5 de Dezembro de 2021, o deus da velocidade volta a reclamar os seus direitos, onde se esperam elevadíssimas médias por volta com os carros a fazerem curvas a mais de 300 km/hora, num país onde se joga a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, aumentando ou diminuindo o preço do BPD (barril por dia).
Entre um ministro que era “apenas” um passageiro e o motorista, há uma história cujos pormenores se desconhecem.
Ao contrário do que seria natural, o motorista do ministro da Administração Interna não era agente do Corpo de Segurança Pessoal da PSP. Cabrita, ministro das polícias, nunca quis polícias a conduzir as viaturas ao seu serviço e tinha três motoristas externos contratados.
Durante a fase de inquérito, o condutor declarou ao Ministério Público que cumpria indicações do Corpo de Segurança Pessoal da PSP, que se deslocava numa segunda viatura, e que por isso conduzia “na faixa mais à esquerda”.
O carro ia cheio, além do motorista e do ministro, seguiam viagem um oficial da GNR, um segurança pessoal e um assessor do ministro. Todos eles terão prestado declarações neste inquérito.
Porque razão o ministro da Administração Interna prescindiu dos serviços do Corpo de Segurança Pessoal da PSP, não se sabe. Estamos a falar de uma unidade especial da polícia que goza de grande prestígio. A condução de viaturas é uma das disciplinas a que mais atenção se dá na formação destes agentes especiais da PSP, tal e qual se pode ver nesta reportagem da RTP (clique aqui).
Olhando para os jornais dos últimos dias, lendo apenas “as gordas”, ficamos a saber que o presidente do FC Porto é um malandro e que está a caminho de passar o resto dos seus dias na suite 44 do EP de Évora.
Mas será assim? Duvidamos. Não só porque sabemos ser verdade quando se ouve dizer que há uma justiça para ricos e outra para pobres e Pinto da Costa é rico. Nunca lhe vi a conta bancária, mas só pode ser. Um tipo que está há décadas (desde 1982) à frente de um dos maiores clubes de futebol do país, só pode ser rico. Se não era antes, teve todas as oportunidades para amealhar fortuna durante estes anos todos. E não estou a falar das tais comissões sobre transferências nem de desvios ilegais de dinheiro. Bastar-lhe-ia não gastar tudo em vinho e mulheres, embora isso seja pouco natural a acreditar no que diz o senhor Dijsselbloem…
A verdade é que estamos a assistir a uma espécie de tradição da justiça portuguesa. As fugas de informação relativas a processos em investigação “queimam” o putativo arguido que, mesmo quando o caso nunca chega a ser julgado, não se livre dos rótulos que entretanto lhe puseram.
No caso de Pinto da Costa, acusam-no de desviar dinheiro do clube, de cobrar comissões ilegais em transferências de jogadores, fraude, fuga ao fisco, suborno, viciação de resultados desportivos, o diabo a sete. Segundo os procuradores que investigam Pinto da Costa, os esquemas terão rendido cerca de 20 milhões de euros, funcionavam desde 2012, e estão a ser “escavadas” 16 transferências de jogadores. A saber: Casemiro, Brahimi, Ricardo Quaresma, Aboubakar, Ricardo Pereira, Uribe, Éder Militão, Felipe, Zé Luís, Idrisa Sambú, Oliver Torres, Fábio Silva e Danilo Pereira. Também os nomes de Renzo Saravia, Marchesín e Marcano surgem citados nos relatos da imprensa que bebe informação diretamente de fontes caudalosas.
Só há um senão… não há arguidos constituídos. Os investigadores ainda não se sentem confortáveis para acusar alguém.
Felizmente Cabrita demitiu-se. Foi de certeza a primeira vez que um ministro não assumiu as suas mínimas responsabilidades de cidadão, culpando um motorista de um acidente rodoviário escandaloso!
O ministro Cabrita lavou as mãos do acidente que vitimou um infeliz homem, chefe de família, pai de duas crianças, que agora recebem 43 de euros indemnização mensal, cada uma. Vergonha!
O veículo do ministro circulava a 166 km/h. E não se sabe se estava devidamente assinalado como veículo prioritário. Mas qual era a final a pressa do ministro? E o ministro Cabrita ainda se atreve a dizer que era apenas um passageiro?!
COMITIVA A 200 KM /HORA
Já andei uma vez no encalço de uma comitiva automóvel a 200 km/h em estradas secundárias alemãs, no caso tentando acompanhar pela RTPi José Lello, que já faleceu. E claro, perdi-o. Os carros de José Lello voavam para ele cometer à ‘proeza’ de estar presente em quatro jantares na mesma noite. Depois repetia sempre de ‘improviso’ o mesmo discurso e meia hora depois recomeçava a loucura. A prioridade servia para isto!
CABRITA É UMA PÁGINA NEGRA DA DEMOCRACIA
O comportamento do ministro Cabrita é uma das páginas mais vergonhosas da democracia portuguesa. É o pior exemplo cívico de sempre: não teve cuidado na condução do veículo, dando ordens legais ao motorista. Consta não ter saído do carro quando do acidente. Não foi ao funeral do pobre homem. Não abraçou a infeliz mulher e as tristes crianças. E deixou que fossem atribuídas pensões obscenas. 143 euros à mulher do pobre trabalhador.
Nunca se percebeu, porque razão Cabrita não foi para o olho da rua, logo na primeira das várias ‘escorregadela’ no Governo. Não se entende como é que António Costa não o pôs na rua, logo seguir ao acidente. E ainda veio falar de ‘ataques políticos’.
PORTA ESCANCARADA PARA RUI RIO
Medina não aguentou com o peso da Margarida Martins. António Costa vai arcar com o peso de Cabrita. E abre a porta à Rui Rio.
Percebo agora a clarividência de Manuela Ferreira Leite quando na Assembleia da República acusou Cabrita de ‘incompetente’. Agora bem pode acrescentar (o que, por aí, todos dizem): cobarde! Que felizmente se demitiu… de um cargo que nunca devia ter ocupado!
Sabemos como funcionam os funcionários dos ministérios. Se um superior mandar o motorista buscar os meninos à escola, ele vai. A obediência é uma característica premiada. Quem está a infringir a lei? O mandante ou o mandado? Podemos dizer que ambos, mas o mandante joga com a autoridade hierárquica e o poder que tem para lixar a vida ao próximo e o pau mandado já está tão habituado a dizer que sim que nem sente quando é abusado.
No caso do atropelamento com o carro que estava ao serviço do ministro Cabrita, podemos imaginar que, depois de se ter esparramado no banco de trás, o ministro terá dito ao motorista que tinha de estar às tantas horas em Lisboa. O motorista olhou para o relógio e acelerou. Pouco depois matava um tipo que estava a trabalhar na manutenção da autoestrada e que, supostamente, estava a atravessar a via quando o carro surgiu a alta velocidade. Nenhum deles teve tempo para se desviar. Mas não sabemos, ao certo, como foi que as coisas se passaram. Esta narrativa é apenas um cenário possível.
O que engrossa esta questão é a falta de jeito do ministro para se mostrar solidário, sensibilizado, preocupado, humano. Cabrita é um peso morto em termos políticos e pode contribuir para infetar a relação do PS com o eleitorado.
Muito cedo fui atraído pelo olhar sereno e transparente de Almerindo Marques, tendo tido a oportunidade de com ele longamente me soltar por muitos dos tortuosos caminhos da atualidade portuguesa.
Sem reservas nem alçapões, ambos estabelecemos uma relação muito próxima que, embora esporádica, se pode resumir ao verso de Melo e Neto que alude à confiança que existe “entre um menino e outro menino”.
Acompanhei de perto o seu percurso, e ele o meu, e juntos “festejámos” as doces agruras por que passam aqueles que teimam em alimentar essa “fantasia infantil”, que é querer melhorar o mundo.
Injustamente vilipendiado pelo pior que Portugal encerra, à esquerda e à direita, e já pressentindo um fim inexorável, Almerindo Marques fez questão de deixar gravado, para memória futura, um longo depoimento que confiou ao Juiz Carlos Alexandre, no TIC. Certamente em boas mãos, dificilmente as cópias serão destruídas.
No momento em que desaparece este Grande Senhor da Administração Pública, quero aqui deixar a minha certeza incontornável de que Almerindo Marques irá ficar para a História desta III República, como exemplo de honra, coragem e dignidade.
Xiaomi significa telemóveis baratos. Daqui a uns tempos talvez queira dizer também automóveis baratos. Quer isto dizer que a Xiaomi vai fabricar automóveis. Veículos elétricos. A fábrica é na China, como não podia deixar de ser, e está dimensionada para fabricar 300 mil carros por ano. Algo semelhante à fábrica alemã da Auto Europa, em Palmela.
Na fábrica chinesa da Xiaomi os primeiros veículos de 4 rodas sairão em 2024. Para já, a empresa fabrica alguns veículos elétricos de pequeno porte, e também fez parceria com a chinesa Super Soco para produzir conjuntamente motocicletas elétricas.
A Super Soco já tem representação em Portugal e as motorizadas elétricas podem ser compradas em 11 pontos de venda espalhados pelo país.
Bem referenciado nos meios afetos e desafetos à lusa Arqueologia, onde gozo de prós e contras, não raro me são presentes artefactos antigos, para análise. Há cerca de um ano, já em plena pandemia, fui visitado por um antiquário que, entre várias outras, exibia três pequenas peças que interpretei como um ceptro policromado de uma incerta estatueta e duas cabeças de bovídeo, estas sobras de uma indefinida composição.
Os óculos servem para referência quanto à dimensão das peças
– É tudo em marfim! – Garantiu, como se tal informação promovesse o produto.
Assim confirmei e, para valorizar a “amostra”, ele até se dera ao cuidado de eliminar alguma “sujidade” das cabeças, para assim evidenciar a matéria-prima. Uma perda de tempo porque, com tudo retirado do contexto e sem datação possível, nada daquilo acrescentaria qualquer coleção que obedecesse a critérios estreitos.
No final de mais uma profícua visita, recordo-me de ainda me querer oferecer aquele “desperdício”, brinde que delicadamente recusei:
– Muito obrigado, mas, assim isolados, estes fragmentos só me causam pena. Procure a proveniência. E nunca devia ter limpo as cabeças…
– Pertenciam a uma coleção muito antiga e era tudo quanto existia naquela casa. – Assim encerrou o assunto, algo desconsolado.
O tempo voa e, há dias, o mesmo antiquário pediu-me que o recebesse, desta a pretexto de uma “peça nunca vista”.
Mas que raio é isto? – Assim me expressei, ao deparar com uma insólita estátua feminina de osso ou marfim, policromada, com sessenta centímetros e quase sete quilos.
– Também nunca vi nada igual. Esta estátua foi achada em Almeirim, no século XIX, e adquirida há dias, por um colega. Pertencia a uma família de colecionadores que, há pouco tempo, fez partilhas. Já está meio-apalavrada, para seguir para Espanha. Mas, antes do meu amigo a despachar, pedi-lhe que a mostrasse em Portugal.
Pensando já ter percorrido as “sete partidas” da arqueologia, confesso que aquela soberba peça me deixou estupefacto. Inequivocamente autêntica, e extremamente bem conservada, parecia-me de origem oriental. Porém, a pouco e pouco, revelava contornos misteriosos: a coroa reproduzia, em três dimensões, não uma muralha chinesa mas um castrejo idêntico ao de moedas lusitanas, da época em que Sócrates circulava por Atenas; a enfeitar o pescoço, percebia-se mais um “leão ibérico” do que um “cão de fó”; e o medalhão da cintura exibia uma espécie de “medusa”, adorno comum na arte fenícia, grega e cartaginesa e não na do Extremo-Oriente.
– Mas que pena! Em tão bom estado e logo lhe falta o ceptro, na mão esquerda! – Não deixei de lamentar, enquanto conferia a falta de alguns enfeites e os estranhos desenhos que decoravam um traje alienígena. Para, de repente, se me soltar uma faísca: – E onde pára aquele ceptro, que me mostrou o ano passado?
A resposta saiu tão pronta, como honesta:
– Ainda o tenho comigo. E, agora reparo, também as cabeças de touro, que então limpei, se parecem com estas aqui representadas.
Nos dias seguintes, foi irresistível, marquei várias entrevistas com o “Doutor Google” e espalhei a minha perplexidade por entre amigos, na tentativa de resolver aquele quebra-cabeças. E, de surpresa em surpresa, em breve “achava” estátuas semelhantes, conhecidas nos meios arqueológicos ibéricos como “damas”. Embora parentes muito pobres da peça que me fora presente, todas constituem grandes atrações nos museus de Ibiza, Elche, Granada e Basa. E mais ainda. Certo e certeiro em abono da autenticidade da “minha dama”, também alguém acusou a existência de artefactos de prata, com representações idênticas às que decoravam as vestes daquela “Dama de Almeirim”, designação que prontamente atribuí àquela obra de arte.
Para a história “sair na perfeição”, já só faltava reunir as três pequenas peças em falta, o que aconteceu nos dias seguintes e com a devida explicação: ciosamente guardada, a coleção primitiva fora dividida por dois ignotos herdeiros, que haviam dividido o espólio entre si, sem noção de que se tratava de um conjunto. O “puzzle” acabara de se compor.
Um ano depois, adquirida por outro antiquário, e sem necessidade de certificado anticovid-19, a incompleta “Dama de Almeirim” estava em vias de emigrar para Espanha, onde certamente seria alvo de peritagem oficial antes de ser transacionada, a preço justo. Sei lá se não acabaria em exibição num qualquer museu, enquanto “Dama de Almeria” ou coisa parecida, que a imaginação dos arqueólogos é fértil e os interesses em presença muitas vezes obrigam a mistificações.
Esta “Dama de Almeirim”, uma peça arqueológica de dimensão europeia e até planetária, e que enobrece a arte e a arqueologia do nosso país, é um dos achados mais impressionantes alguma vez encontrado em Portugal, onde, ao contrário de muitos outros, que desapareceram ou moram em Espanha, conseguiu garantir “asilo” certo e seguro.
Resta-me uma pequena confissão. Ao comparar a extraordinária elegância e a pose superior desta “dama”, com as das suas congéneres, recordei, sem querer, certos concursos de beleza em que fui membro do júri. Por vezes, um desconsolo, tivemos de reconhecer, que só ligando o melhor de várias candidatas se conseguiria uma “miss” de jeito. Uma realidade que não se verifica neste certame de antiguidades ibéricas, em que a nossa “miss Almeirim” supera todas as expetativas e arrasa a concorrência.
O ressurgimento de vários surtos de covid-19 em estabelecimentos prisionais (Alcoentre e Coimbra) terá sido a razão para a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais retomar algumas medidas restritivas que, entretanto, tinham sido abandonadas.
Segundo a APAR – Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso, a DGRSP mandou recolocar os acrílicos que separam os presos dos visitantes e suspendeu “até 10 de janeiro” as visitas íntimas.
Em comunicado, a APAR lembra que “há um surto em duas prisões”, nenhum dos casos apresenta sintomas graves e que “noventa por cento dos reclusos estão vacinados.” A decisão da DGRSP afeta todas as 49 cadeias do país.
A APAR considera a decisão “incompreensível” e “discriminatória”, quanto mais não seja porque só os reclusos e familiares são alvo das restrições, sendo que “todos os outros elementos da comunidade prisional (guardas, funcionários, professores, médicos, etc.) entram e saem diariamente das cadeias, depois de poderem ter passado horas em discotecas, estádios de futebol e até igrejas onde estas medidas se não aplicam.”
Em alternativa, a APAR gostaria que nos estabelecimentos prisionais houvesse “desinfetantes para as celas, sanitas e espaços comuns” e que fossem distribuídas máscaras e álcool gel pelos reclusos.
Desde que a pandemia surgiu, as condições de vida nos estabelecimentos prisionais foram agravadas, principalmente com a redução drástica do horário de visitas e do número de visitantes permitido. Os reclusos estão cada vez mais fechados, deprimidos e longe das famílias.
No comunicado, a APAR avisa que vai denunciar, em todas as instâncias nacionais e internacionais, a situação que se vive nos estabelecimentos prisionais portugueses.
Três reclusos contaminados em Sintra
Há dias, o Sindicato nacional do Corpo da Guarda Prisional denunciou a existência de três casos de covid-19 entre os reclusos do Estabelecimento Prisional de Sintra.
Segundo o sindicato, os reclusos contaminados não foram isolados dos restantes e, assim, não será possível controlar o surto.
O Sindicato Nacional Corpo Guarda Prisional garante que o primeiro caso terá sido detetado num recluso que regressou de saída precária, que, entretanto, contaminou mais dois detidos.
O sindicato queixa-se ainda de falta de medidas por parte das autoridades de saúde, apontando também a falta de regras que preconizem a separação entre reclusos com covid-19 e sem covid-19 pela direção do estabelecimento prisional.