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“Les portugais”, histórias da nossa emigração para França

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A banda desenhada é um formato fantástico para contar histórias, é uma escrita com a oralidade que o desenho lhe confere. A história dos emigrantes portugueses em França tem agora mais um relato da autoria de Olivier Afonso.

Olivier Afonso nasceu na década de 70 em França, filho de emigrantes portugueses vindos de Monção e Felgueiras, cresceu nos arredores de Paris, é artista plástico e trabalha também na indústria cinematográfica na realização de efeitos especiais.

O livro chama-se “Les portugais” e é baseado nos relatos do pai de Olivier que chegou a salto a França. Dessas histórias, Olivier Afonso começou por escrever um guião para cinema mas, depois, numa parceria com o ilustrador Aurélien Ottenwaelter, nasceu o projeto de banda desenhada.

Os protagonistas destas aventuras desenhadas chamam-se Mário e Nel. O pai de Olivier é, de facto, Mário. E algumas das histórias que Mário contou ao filho são duras de ouvir. “A uma altura o meu pai contou-me que antes de começar a trabalhar nas obras, quando chegou a França, um homem verificou os músculos dele, os dentes. Como se fosse um animal ou um escravo. Perguntaram-me se queria mesmo incluir isso no livro e eu disse que sim, claro! É a verdade”, declarou. E é a verdade que se conta em “Les portugais”.

Foram-se os anéis

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A Polícia Judiciária passou o dia a vasculhar propriedades de João Rendeiro e a elaborar autos de apreensão. Dizem que está tudo a ser apreendido: cadeirões vetustos e camas de dossel, faqueiros de prata e tapetes de Arroiolos, uma rapina completa que servirá para, mais tarde, os bens serem vendidos e a receita contribuir para indemnizar os lesados da falência do Banco Privado Português, BPP.

Na mansão da Quinta Patiño mora Maria de Jesus, casada com Rendeiro. É nessa casa que ela cumpre prisão domiciliária, indíciada do crime de descaminho de obras de arte que o marido vendeu à socapa, das quais ela era fiel depositária. A confirmar-se a apreensão dos bens, a senhora vai agora comprar novos talheres para não ter de comer à mão.

As apreensões foram feitas por ordem do juiz que condenou João Rendeiro a 5 anos e 8 meses de prisão, num dos três processos movidos contra o antigo banqueiro.

Para já, Rendeiro não sentirá a falta dos objetos que amealhou com tanto esmero, agora apreendidos e selados pela Justiça. Na cadeia onde está, nos arredores de Durban, na África do Sul, a aguardar a decisão sobre a sua extradição para Portugal, Rendeiro não precisa de talheres de prata.

colagem fotográfica

Os votos que se perderam

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Era suposto a correspondência ter chegado uns dias antes mas, como já é costume, os CTT atrasaram-se na distribuição e só chegou hoje.

Trata-se de um envelope que simula os envelopes do Fisco. No remetente diz “AE-Autoridade Extorsionária” e tem um logotipo constituído pelo escudo da bandeira nacional e uma foice.

Lá dentro vem propaganda política eleitoral da Iniciativa Liberal. Entre algumas verdades, meias verdades e mentiras de todo o tamanho, o apelo ao voto toca onde eles julgam que mais nos doi: o pagamento de impostos.

É verdade que pagamos muitos impostos e é verdade que o Fisco tem uma atitude arrogante com o contribuinte. São tiques salazarentos de que o Estado democrático ainda não se livrou, infelizmente. É verdade que o “Estado que premeia os seus funcionários pelas multas que cobram” ajuda a transmitir a sensação de que todos os contribuintes são olhados como potenciais infratores. E é verdade que quando o Fisco lança os podengos à canela dos que não pagaram uma portagem está a participar num conflito que não lhe devia dizer respeito. Só falta a Brisa ou a Ascendi contratarem a GNR para ir buscar os prevaricadores a casa…

Entre estas verdades e o disparate de dizer que a culpa dos incumprimentos fiscais não é do contribuinte, mas do Estado, ou esquecer que os impostos são, na verdade, o único meio exequível de distribuição de riqueza (promovendo o SNS ou escolas gratuitas), a propaganda da Iniciativa Liberal inserida nesta missiva tem bons ingredientes para convencer alguns ingénuos. Mas, aqui nesta zona do país, nos arredores de Lisboa, chegou tarde.

Já há muito tempo que os CTT privados se esqueceram de que a distribuição atempada de correio é um serviço ao público e à economia do país.

E assim a Iniciativa Liberal perdeu a oportunidade de ter mais votos que o partido dos fascistas. Não deixa de ser uma ironia que a culpa seja de uma empresa que o PAF de Passos Coelho nacionalizou.

   

Quantos “Ildefonsos” existem em Sintra?

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A ideia original deste texto seria somente chamar a atenção para a questão que o Sr. Manuel Ildefonso mantém com a Camara Municipal de Sintra (CMS) e que o faz estancar à porta do município há diversos anos. As reivindicações são do foro habitacional e exige uma resposta clara, adequada e atempada ao seu pedido de habitação.

Entretanto a Assembleia Municipal de Sintra aprovou, por unanimidade, no passado dia 20, a Estratégia Local de Habitação de Sintra (ELHS), e creio ser importante fazer uma relação entre casos individuais e os números que agora conhecemos.

Existem vários casos documentados de falhas de resposta na habitação por Sintra, alguns foram conhecidos pelas piores razões. Revisitemos alguns casos:

  • Família referenciada desde 2018 por diversos problemas graves de saúde, incluindo de mobilidade – a CMS propôs mudança para uma habitação cujo acesso era feito por escadas.
  • Ator José Lopes encontrado morto na tenda de rua onde vivia, em frente à estação de comboios de Sintra em 2019.
  • Uma idosa, com 78 anos, e seu filho de 43 com doença incapacitante que em 2021 recorre ao gabinete da ONU para impedir despejo.

Analisemos esta ELHS, nomeadamente no que diz respeito ao retrato do parque habitacional de Sintra:

“Em Portugal a habitação social equivale a apenas cerca de 2% do parque habitacional comparativamente a outros países da Europa como a França, onde o investimento em habitação social equivale a 10%. No entanto, “a habitação social do concelho corresponde a apenas 0,9%.”

O que este dado nos releva, é que além de um investimento nacional nitidamente abaixo da média europeia, Sintra consegue ficar consideravelmente abaixo dessa média.

Vejamos a oferta apoiada da CMS:

Arrendamento Jovem – 11 fogos, em processo de concurso de atribuição de mais 35
 (Em 2017 a presidência da CMS referia que em 2020 seriam 100)

Unidade Residencial no Pendão – 12 frações destinadas a pessoas com mobilidade condicionada e/ou portadoras de deficiência

Unidade Residencial em Mira Sintra – 10 frações destinada a idosos com mais de 65 anos

Casas de emergência – 2 fogos

Centro de Alojamento de Emergência Social (CAES) – 13 camas

Casa de Sant’Ana – 4 camas

Centro de Apoio à Pessoa sem Abrigo (CAPSA) – 32 camas (aberto em 2020)

Bairros Sociais (99% em Gestão Municipal) – Cerca de 1600 fogos, atribuídos maioritariamente em regime de arrendamento apoiado. As habitações distribuem-se por 12 bairros e 28 núcleos de realojamento.

O mesmo documento é bastante claro – “Este número de fogos é claramente insuficiente para responder às necessidades habitacionais das famílias…”

Traçado o resumido panorama da realidade da habitação social em Sintra, veremos como este intrinca com a sociedade:

“A 31 de dezembro de 2020 a CMS registava um total de 2.619 pedidos de habitação ativos.”
“Em 2012 a CMS lançou um procedimento concursal de habitação tendo concorrido cerca de 3.000 famílias. Foram validadas 2.530 candidaturas, às quais apenas foi possível atribuir 242 fogos entre junho de 2012 e dezembro de 2020”

Em 8 anos (!) ficaram por responder mais de 2 mil candidaturas.

E o cenário piora, pois a tendência desde 2017 é o de aumento de pedidos, a saber:

2017 = 195
2018 = 402
2019 = 597
2020 = 1057

Conseguimos imaginar o drama destas famílias? Ainda mais quando 52% que requerem habitação à CMS são famílias monoparentais, na maioria dos casos femininas.

E não é somente a questão da evidente falta de quantidade de habitação, é também a sua falta de qualidade, com várias habitações degradadas e sem condições de conforto.

Existem vários bairros degradados (privados e públicos), e muitos em péssimo estado de conservação, o que também está refletido no envelhecimento do parque habitacional no concelho acima da média nacional, há mesmo “…560 alojamentos familiares de residência habitual sem condições de habitabilidade”, e existem cerca “…de 90 habitações municipais devolutas por ano a precisar de obras de reabilitação”

Não estamos a falar somente de habitação, são verdadeiros dramas sociais a que a CMS não tem sabido atender, por manifesta falta de investimento.

Se a CMS fosse mais ambiciosa, talvez o José Lopes não tivesse morrido numa tenda, talvez Ildefonso já estivesse numa casa que permitisse consolidar a sua relação familiar, melhorar a sua saúde e finalmente aceitar as propostas de emprego que já tem tido.

Não é possível manter um emprego ou uma relação familiar estável sem existência de uma habitação condigna. O acesso a habitação é um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa.

“Em Sintra foram identificadas 53 situações de pessoas em situação

de sem-abrigo/sem-teto no ano 2020. Acreditando que este número

possa estar subvalorizado...”

Será que por Sintra, conhecem o programa Housing First?

O projeto Housing First, surgiu nos Estados Unidos da América há mais de 20 anos. Em Lisboa iniciou em 2009, tendo a autarquia atualmente 340 casas contratualizadas com quatro IPSS, que operacionalizam a resposta a dar.

Este projeto está implementado a nível mundial, com estudos científicos que demonstram o seu sucesso, e em Lisboa não foi diferente. Há uma taxa de manutenção das pessoas nas habitações de 90%, que está em linha com o que se passa noutras cidades europeias.

O projeto Housing First começa quase pelo fim. É cedida uma casa mobilada, assegurada alimentação, roupas, o que for preciso. Há que perceber se a pessoa pode trabalhar e integrá-la da melhor maneira possível na comunidade.

Uma coisa é certa, dos 179 milhões de investimentos previstos para os próximos 5 anos, seguramente já haverá muito construtor e empreiteiro a desejar ir ao pote, será importante manter elevados níveis de qualidade de construção e de conforto de todas as habitações, novas ou a requalificar, e igualmente dotar as mesmas das mais recentes tecnologias de produção de energia verde, nomeadamente foto voltaica contribuindo para descarbonizar o concelho e libertar as famílias do elevado preço da energia, uma tendência crescente e que esperamos estar a ser equacionada.

Mais, importa haver uma transparência e uma participação activa da sociedade neste processo, pelo que, devem ser conhecidos atempadamente que fogos vão ser adquiridos, ou onde vão ser construídos, que níveis de conforto vão ter, a quantidade de energia verde gerada e que impacto a mesma terá a nível financeiro e de redução carbónica, assim como outros dados relevantes.

Estão previstas centenas de aquisições e de novas construções, mas vindo de um município que atrasou a construção do hospital de proximidade  em 4 anos, e com um acréscimo de cerca 20 Milhões ao inicialmente proposto, não deposito grandes esperanças na implementação atempada destas habitações, muito menos pelo valor indicado, e isto sabendo que a CMS tem no momento aproximadamente 200 Milhões em depósitos bancários, o que releva que não é por falta de dinheiro que o município não endereçou atempadamente a questão da habitação.

Esperemos que com a aprovação deste documento na Assembleia Municipal se comece finalmente a investir na habitação, se passe das palavras aos actos.

O que me parece, e dado o exponencial aumento de pedidos de habitação, este plano parece curto. O tempo o dirá.
Entretanto vivemos com a consciência de que existem milhares de pessoas em Sintra incapazes de ter uma habitação condigna, e a Constituição para essas, está em suspenso.

Fontes: A Nação; Jornal de Notícias; Healthnews; Multinews; Lisboa

Qualquer um pode ser deputado

Derrotada mas sem papas na língua, Catarina Martins disse que na Assembleia da República há, a partir de agora, demasiados deputados racistas. E é bem capaz de ser verdade. Se tivesse dito que também há, agora, mais uns quantos aldrabões, não teria mentido. É que, segundo o Polígrafo, um dos deputados eleitos pelo Chega tem o nome na Lista Pública de Execuções, com três processos e um total de 80 mil euros em dívida. O Polígrafo foi ver e confirmou. Sim, não paga o que deve e tem cadastro pela condenação lavrada pelo Tribunal Judicial da Comarca de Braga.

O povo votou, está votado. Mas quem votou nesta malta, agora não se pode queixar.

cartoon de Hélder Dias

Colunas de fumo no horizonte

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Todo o país está em estado de alerta para a ocorrência de incêndios rurais. Não chove há demasiado tempo, e a seca propicia a ocorrência de incêndios em zonas de mato e floresta.
É por isso que estão proibidas as queimadas, como se estivéssemos em pleno verão… mas há quem não respeite a proibição.
Ontem, quem saiu de Lisboa para a zona oeste, se não fosse muito concentrado no trânsito, certamente que viu várias colunas de fumo em zonas de mato, sinais evidentes de que já há trabalho para os bombeiros…
A Proteção Civil decretou a proibição de se fazer queimadas até terça-feira, dia 1 de fevereiro… mas a meteorologia não vê sinais de chuva para os próximos dias e é bem possível, então, que a proibição se mantenha, assim como o alerta que mantém o dispositivo de combate a incêndios em estado de prontidão, em todo o país.
Felizmente que a previsão de aumento da intensidade do vento não se confirmou… caso contrário, estes incêndios, que nunca andam muito longe de zonas habitacionais, poderão tornar-se num problema grave para as populações.

Faleceu Júlio Conrado

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Bancário de profissão, Júlio Conrado cedo começou a dedicar-se à escrita, mormente à crítica literária. Integrou o corpo redactorial do jornal A Nossa Terra e, depois, o do Jornal da Costa do Sol, de que chegou a ser director, por curso espaço de tempo, tendo, antes, dinamizado aí a página de crítica literária Texto e Diálogo, de grande sucesso.

Natural de Olhão (26-11-1935), veio para Carcavelos com seus pais, ainda criança (aos três anos), e dessa vivência em Carcavelos foi dando notícias em alguns dos livros que escreveu. Dotado de uma prosa bem vernácula, de um neo-realismo sempre presente, a sua obra é ficcional, sem dúvida, mas profundamente alicerçada na sua experiência na Costa do Sol, cuja sociedade não hesitou em escalpelizar.

Integrou várias entidades de índole literária como a Associação Portuguesa de Escritores, o Pen Club Português, o Centro Português da Associação Internacional dos Críticos Literários e a Associação Portuguesa dos Críticos Literários.

Após a aposentação, foi convidado para colaborar, como director executivo, na Fundação D. Luís I. Aliás, vale a pena aceder a https://www.fundacaodomluis.pt/news/o-nosso-conrado, onde o presidente da Fundação, Doutor Salvato Teles de Menezes, sobre Júlio Conrado escreve, a dado passo:

«E entre estas virtudes está a total e completa paixão por Cascais e pelas suas gentes: com o Júlio, vi (eu que sou um «noroestino») como era amar esta terra e dedicar-lhe o melhor que está ao nosso alcance. Ao contrário de tantos que mostram a necessidade constante de encher a boca com loas (sobretudo presunçosas) a Cascais para propalar aos ventos uma paixão baseada em valores serôdios (e frequentemente míticos), o Júlio Conrado, que hoje, 29 de Janeiro, nos deixou às 03:00 horas, amava realmente a terra «cascaense» (como teimava em dizer) e provou-o com o seu trabalho diário de colaborador da Fundação D. Luís I e escritor (não sei ao certo quantos poemas dedicou a Cascais mas foram muitos)».

No âmbito da Fundação, coordenou a revista de cultura e pensamento, Boca do Inferno.

Das mais de duas dezenas de livros publicados – sempre de temática actual, criticamente escalpelizando os tempos e as personagens – citem-se: As Pessoas de Minha Casa (que teve 3ª edição, revista, em 2017), Era a Revolução (de 1997, um retrato vivo, candente, dos primeiros tempos após a Revolução de Abril), Barbershop (2010, uma crítica social escaldante), O Corno de Oiro (comédia, Setembro de 2009), O Deserto Habitado (2ª edição, Outubro de 2004), Turbulência na Academia do Amor (2015, uma incursão nos meandros do mundo das academias…).

Reuniu as suas críticas em Olhar a Escrita (1987) e em De Tempos a Tempos (2008), com que se comemoraram 45 anos da sua vida literária. Na abertura desse livro escreveu:

«A minha militância cultural tem-se traduzido, para mim, em estar na Literatura com um pé no ensaio, na crónica e na crítica e com o outro na ficção», onde declara que lhe parece ser a sua «propensão natural: escrever ficção».

Permita-se-me duas notas pessoais, em relação a um amigo do peito, cuja morte me constrange: Júlio Conrado teve a gentileza de aceder a escrever, em Junho de 2009, o prefácio do meu livro Dos Segredos de Cascais; foi meu colega de mesa, como já vinha sendo hábito, no jantar subsequente à reunião do Conselho de Fundadores da Fundação D. Luís I, a 2 de Dezembro, onde o seu vivo espírito bem-humorado mais uma vez se fez sentir.

            Que descanse em paz!

Quase não há verde no horizonte

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Um dos dados mais relevantes destas eleições legislativas foi o descalabro eleitoral dos ecologistas. O PEV desapareceu, arrastado pelo insucesso da coligação CDU, o PAN quase desapareceu, arrastado pela ausência de carisma e competência política da líder Inês Sousa Real.

É claro que há ecologistas em quase todos os partidos políticos e alguns dos deputados eleitos serão simpatizantes das causas da defesa ambiental e do bem-estar animal, mas grupos parlamentares com programa político focado nessas causas não haverá no próximo parlamento português, o que é uma pena e um contra-senso. Felizmente, o Livre conseguiu eleger Rui Tavares. Nunca é tarde para recomeçar e a luta pela defesa do ambiente pode ter no Livre uma nova âncora parlamentar.

Em dias de urgência ambiental, a extinção em curso de partidos ecologistas na Assembleia da República passa a ser uma particularidade da política portuguesa. Quando em todo o Mundo reforçam capacidade de intervenção, em Portugal os ambientalistas estão em vias de desaparecer no hemiciclo onde se produzem as leis que terão consequências na vida de todos num futuro próximo e a médio prazo.

Joana em cena

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A Joana Amaral Dias perdeu-se. Mais do que já estava. O vídeo que fez para o Instagram a comprar comida com amigos no MacDonalds sem mostrar o certificado é cobarde e falha o alvo. Fanfarronice. Achei triste. Comprar artigos do MacDonalds ao balcão depois de os escolher, encomendar e pagar nos postos automáticos não é grande feito.

Coragem seria sentar-se num restaurante normal, encomendar ao empregado e conseguir comer e sair sem mostrar os documentos sanitários. Ou então filmar-se a sair com ruidoso arrastar de cadeiras, depois de verbalizar que não o tem ou não o mostra. Isso é que seria de mulher.

Comer no MacDonalds não é bem jantar. Pelo menos para eles. Percebeu-se que não costumavam ir ali. Não sabiam usar as máquinas. Não conheciam o lugar nem o menu. A senhora da salada pediu uma salada. Não comia daquela comida. O homem que não usava máscara queria que lhe encomendassem um hambúrguer de frango para não ter que comer os de pseudovaca. O frango do MacDonalds é mais autêntico do que a vaca. Estavam todos nervosos. O homem era o que pior controlava, embora saltitasse cheio de adrenalina. Devem ter bebido umas bicas duplas para arranjar coragem. Foi ele que perguntou à funcionária do balcão se podiam comer lá dentro, o que gerou a pergunta não respondida “têm certificados de vacina?” Caso contrário, a Joana teria sido servida do seu hambúrguer, como a outra senhora o foi da salada, sem mais.

Os funcionários destes take away, porque é o que são estes locais, não têm vida para controlar passes sanitários. Têm de atender os carros do drive. Não havia ninguém na sala. Aquilo era um sítio frio, um sítio de passagem.A rapariga que lhes entregou os sacos fez a pergunta, mas não tinha interesse na resposta. Aliás, não lhes deu tabuleiro, mas saco, logo, tratou-se de um take away. Se lá aparecesse a polícia estaria defendida. Se comem o take away na sala de refeições de um sítio que parece um cenário de Wim Wenders numa estrada no Texas não é da sua conta. Mas agora também não há polícia tal como não há Governo. Só lá para o mês que vem ou isso.

Ontem também consegui comer uma sopa no Fórum Almada sem mostrar certificado, mas tive sorte. O homem da sopa de pedra que estava à minha frente já tinha a fotocópia das vacinas preparada mas dobrada. Voltou a enfiá-la na carteira. A rapariga não pediu. Segui os gestos todos. Dele e dela. Se o homem tinha passado, passaria eu igualmente. Foi. Mas não tento o restaurante. Ia perder tempo e fazer fita. Não tenho a mínima vontade de me filmar a fazer fita, embora por vezes as faça. Ter-me colocado na posição de enfrentar a empregada, fazer o pedido e arriscar ouvir a pergunta foi um bocado mais nobre. Tal como a Joana, fintei o sistema, mas não foi uma refeição a sério, no sítio convencional e não serve para nada. Contornar o sistema não o muda, apenas nos permite obter bens. É possível contornar o sistema de diversas maneiras. Todos os portugueses são especialistas.

P. acha graça ao facto de eu ter certificado de vacinas e viver como se não o tivesse. Vivo como sempre vivi com outras vacinas. Não carrego o certificado atrás. Faço por esquecer. Tornei-me uma rata velha. A parte boa de ter tido Covid é que até final de Julho ninguém me vai pressionar para ser vacinada de novo. Fiquei com medo. Não sou de medos. É provável que o meu corpo aguentasse mais vacina sem chiar. Mas não é certo. Endocardites e coisas assim convém ficarem para quem é fã de enfermaria Quando chegar a altura de me voltarem a chatear já devem ir no final da quarta dose, início da quinta. Com um bocado de sorte, pode ser que me escape.

Acordaram-me com barulho de obras no prédio às 8h30. Levantei-me, comi uma bolacha de manteiga, bebi um golo de água, enfiei os tampões de cera nos ouvidos e voltei a meter-me na cama com as cadelas. Tenho de ser capaz de deixar de comer bolachas de manteiga. São fatais.

Votem no primeiro

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Um dos jornalistas mais elogiados pela direita portuguesa é o falecido Vítor Direito, fundador e diretor do Correio da Manhã. Direito era de direita mas foi um líder carismático de um grupo de trabalho que “inventou” o jornalismo tabloide português e que com isso fez escola. Hoje é o que mais temos por aí e tanto o jornal como os sucedâneos são muito mais tabloides do que foi alguma vez o Correio da Manhã de Vítor Direito.

Um dos títulos mais famosos de Vítor Direito foi o que orientava o voto nas eleições presidenciais de 1980. Havia um Governo de coligação, a chamada Aliança Democrática juntava PSD, CDS e os monárquicos do PPM que pretendiam ver eleito o general Soares Carneiro. Uma maioria no parlamento, um Governo e um Presidente era o sonho de Sá Carneiro…

O jornal Correio da Manhã militou nessa campanha, de tal modo que no dia 7 de dezembro de 1980, de manhã bem cedo, os escaparates estavam bem decorados com o título garrafal “Vamos Votar no Primeiro”. O primeiro, no boletim de voto, era o general Soares Carneiro.

Se fosse hoje, duvidamos que o Correio da Manhã titulasse do mesmo modo. O 1º no boletim de voto é o Livre.