Era suposto a correspondência ter chegado uns dias antes mas, como já é costume, os CTT atrasaram-se na distribuição e só chegou hoje.
Trata-se de um envelope que simula os envelopes do Fisco. No remetente diz “AE-Autoridade Extorsionária” e tem um logotipo constituído pelo escudo da bandeira nacional e uma foice.
Lá dentro vem propaganda política eleitoral da Iniciativa Liberal. Entre algumas verdades, meias verdades e mentiras de todo o tamanho, o apelo ao voto toca onde eles julgam que mais nos doi: o pagamento de impostos.

É verdade que pagamos muitos impostos e é verdade que o Fisco tem uma atitude arrogante com o contribuinte. São tiques salazarentos de que o Estado democrático ainda não se livrou, infelizmente. É verdade que o “Estado que premeia os seus funcionários pelas multas que cobram” ajuda a transmitir a sensação de que todos os contribuintes são olhados como potenciais infratores. E é verdade que quando o Fisco lança os podengos à canela dos que não pagaram uma portagem está a participar num conflito que não lhe devia dizer respeito. Só falta a Brisa ou a Ascendi contratarem a GNR para ir buscar os prevaricadores a casa…
Entre estas verdades e o disparate de dizer que a culpa dos incumprimentos fiscais não é do contribuinte, mas do Estado, ou esquecer que os impostos são, na verdade, o único meio exequível de distribuição de riqueza (promovendo o SNS ou escolas gratuitas), a propaganda da Iniciativa Liberal inserida nesta missiva tem bons ingredientes para convencer alguns ingénuos. Mas, aqui nesta zona do país, nos arredores de Lisboa, chegou tarde.
Já há muito tempo que os CTT privados se esqueceram de que a distribuição atempada de correio é um serviço ao público e à economia do país.
E assim a Iniciativa Liberal perdeu a oportunidade de ter mais votos que o partido dos fascistas. Não deixa de ser uma ironia que a culpa seja de uma empresa que o PAF de Passos Coelho nacionalizou.




