A Polícia Judiciária passou o dia a vasculhar propriedades de João Rendeiro e a elaborar autos de apreensão. Dizem que está tudo a ser apreendido: cadeirões vetustos e camas de dossel, faqueiros de prata e tapetes de Arroiolos, uma rapina completa que servirá para, mais tarde, os bens serem vendidos e a receita contribuir para indemnizar os lesados da falência do Banco Privado Português, BPP.
Na mansão da Quinta Patiño mora Maria de Jesus, casada com Rendeiro. É nessa casa que ela cumpre prisão domiciliária, indíciada do crime de descaminho de obras de arte que o marido vendeu à socapa, das quais ela era fiel depositária. A confirmar-se a apreensão dos bens, a senhora vai agora comprar novos talheres para não ter de comer à mão.
As apreensões foram feitas por ordem do juiz que condenou João Rendeiro a 5 anos e 8 meses de prisão, num dos três processos movidos contra o antigo banqueiro.
Para já, Rendeiro não sentirá a falta dos objetos que amealhou com tanto esmero, agora apreendidos e selados pela Justiça. Na cadeia onde está, nos arredores de Durban, na África do Sul, a aguardar a decisão sobre a sua extradição para Portugal, Rendeiro não precisa de talheres de prata.




