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O AZAR DA BALEIA

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A baleia que morreu em lenta agonia na praia da Fonte da Telha acabou num aterro sanitário misturada com lixo urbano.

Durante um dia inteiro, desde manhã cedo até ao final da tarde de ontem, nenhuma tentativa foi feita para ajudar a baleia a desencalhar do areal.

Foi evidente a falta de capacidade operacional, tanto da Polícia Marítima como do ICNF. Não mexeram um dedo e ainda tentaram evitar que os populares o fizessem.

Ainda assim, as pessoas que estavam no areal acabaram por entrar na água para ajudar a baleia. Tentaram. Fizeram um esforço.

Perante tanta imobilidade de quem deveria ter capacidade operacional, espirito de iniciativa e competência, um grupo de biólogos e naturalistas decidiram publicar uma carta aberta ao Ministro do Ambiente e da Ação Climática e ao Presidente do ICNF, na qual se pede que em circunstancias semelhantes a atuação não se repita.

Em concreto, os subscritores da carta começam por dizer que “situações similares são frequentes”, pelo que deveria existir um protocolo definido para ações de salvamento de cetáceos de grandes dimensões.

Depois de reconhecer que dificilmente o cachalote sairia vivo daquela situação, estes especialistas nas coisas do mar e da vida animal afirmam na carta que, em todo o caso, o animal deveria ter sido rebocado para o mar. Primeiro, porque morrendo acabaria por se afundar e serviria de alimento a outros animais marinhos. Dentro do princípio que nada se perde e tudo se transforma, teria sido preferível fazer com que o cachalote, depois de morto, enriquecesse a “cadeia alimentar oceânica e restante ecossistema, ao invés de se converter em lixo biológico num aterro, com os devidos riscos sanitários para a saúde pública e desperdício ecológico”.

Há quem diga que o azar da baleia foi ter encalhado numa praia portuguesa.

IGREJA CLEMENTE COM PADRES PEDÓFILOS

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O cardeal-patriarca de Lisboa admite que a Igreja perdoe agressões pedófilas cometidas por padres.

O cardeal-patriarca falava aos jornalistas no final da homilia que dirigiu na Sé de Lisboa, na sexta-feira de Páscoa.

Manuel Clemente disse que a apreciação será feita caso a caso e que “é preciso encontrar reconciliação, caso a caso, pessoa a pessoa, situação a situação”.

“Ninguém nasce na igreja e as pessoas transportam também para os espaços eclesiais aquilo que muitas vezes começou lá fora”, disse o chefe da Igreja Católica portuguesa.

A comissão independente que está a investigar abusos sexuais cometidos na Igreja Católica anunciou esta semana, em conferência de imprensa, que já foi possível identificar situações de ocultação ou encobrimento de padres pedófilos, incluindo por parte de bispos que continuam no ativo.

Questionado sobre o possível afastamento preventivo destes membros da Igreja, o cardeal-patriarca respondeu que o afastamento preventivo desses clérigos tem que ser analisado “caso a caso”.

Saber perdoar é um exercício filosófico dos católicos que, segundo Manuel Clemente, só precisam que o pecador se arrependa. “Se é preciso arrepender, então arrependamo-nos e vamos para a frente”, disse o cardeal-patriarca de Lisboa.

De qualquer forma, o compromisso assumido publicamente pela comissão que investiga a pedofilia na Igreja Católica é de remeter para a justiça todos os casos não prescritos. Ver para crer, como S. Tomé.

MORRER NA PRAIA

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Uma baleia que deu à costa na praia da Fonte da Telha, em Sesimbra, deve ter sofrido uma colisão com algum navio. O animal apresentava sinais de fraturas, segundo informações prestadas por técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) enviados para o local.

Trata-se de um cachalote com 14,8 metros e um peso estimado de 15 toneladas. Um animal imponente que merecia outra sorte.

Não é invulgar acontecerem colisões de baleias com embarcações. Se for um navio grande, o choque é fatal para o animal.

Os velejadores que navegam pela costa portuguesa têm a oportunidade de avistar estes animais que se aproximam das embarcações sem receio. Por vezes aproximam-se demasiado. Há casos de veleiros terem sido atacados por orcas, por exemplo. Mas são acontecimentos raros. Normalmente, não há agressividade.

Neste caso, o cachalote encalhou na praia de manhã cedo, seriam umas 7 da manhã de sexta-feira. Nem a Capitania nem o ICNF conseguiram fazer alguma coisa para tentar safar o animal daquela situação.

Perante a inoperacionalidade dos marinheiros e especialistas, as pessoas que estavam na praia tentaram fazer alguma coisa. Um grupo reuniu esforços para empurrar a baleia para água mais profunda… mas, mesmo dentro de água, 15 mil quilos não se empurram assim e a baleia já estava moribunda, de qualquer modo. Acabou por morrer na praia.

VOZES AO ALTO, QUE O DIA MUNDIAL ESTÁ PERTO

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Depois da inevitável paragem devido à malfadada pandemia do coronavírus, lembrei-me que, este ano, seria interessante tentar fazer um rastreio para cuidar das minhas cordas vocais. Afinal, parecendo que não, oito horas diárias quase ininterruptas a falar com pessoas é um esforço bastante puxado para estas “meninas”.

As cordas vocais são duas pregas musculosas no interior da laringe, e que o som que é a voz resulta da expulsão do ar e da vibração das cordas, entre outros fenómenos que envolvem o cérebro, os pulmões, o diafragma e o tórax.

A Unidade da Voz do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, promoveu entre os dias 11 e 14 de Abril esta iniciativa. Marcação online, formulário preenchido, apresentei-me à hora marcada. Descobri que era uma de 12 pessoas que resolveu marcar presença.

O LARINGOSCÓPIO…

Enquanto esperavam pela sua vez, os participantes nesta iniciativa “Ergue a Tua Voz” (belo lema, devo dizer) podiam ver os vários cartazes informativos sobre os péssimos efeitos do tabaco nas cordas vocais, ou sobre doenças que podem afetar as cordas vocais.

Todos os profissionais de saúde envolvidos usavam touca, bata e “sapatas” de proteção, a inevitável máscara e luvas. Mau grado o profissionalismo de quem fez o exame com a maestria de quem já anda nisto há bastante tempo, o incómodo (mais do que dores, devo dizer) foi de tal ordem que ela tinha de me lembrar para respirar, o que foi fácil… depois de ter “vomitado” o laringoscópio e ela ter soltado a minha língua, a qual tinha de estar apertada para que o laringoscópio fizesse o seu trabalho. Como disse, e há testemunhas, foi muito complicado, e com a agravante de ter de fazer sons agudos para testar o estado das ditas cordas vocais. A coragem fugiu mais depressa do que a duração do exame. Boas notícias: as cordas vocais estão em bom estado, tirando algumas secreções que podem ser reação alérgica a algo (será deste clima em constante mudança?). 

Uma terapeuta da fala pediu-me logo a seguir para fazer exercícios inusitados, como inspirar e dizer as letras “S”, “Z” e “I” enquanto tivesse fôlego, tudo controlado pelo útil cronómetro do telemóvel. A pedido, outra terapeuta aconselhou-me o que fazer para manter as cordas vocais em boas condições. Para além da regra sacramental (nisso, estou safa, detesto o fumo do tabaco) e de beber muita água, exercícios de aquecimento antes de começar a atender telefonemas, e de “desaquecimento” depois de terminar o dia de trabalho. 

Sobre os exercícios de aquecimento, assegurou-me a amável terapeuta que bastam três minutos diários. Para quem gosta de gatos, o simples ronronar em voz baixa pode ajudar. Isso mesmo: imitar o som característico dos felinos é uma estratégia, com o aval de uma das terapeutas da fala que acompanhava os participantes.

BEATRIZ COSTA, 26 anos depois

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Há 26 anos morria Beatriz Costa, grande vedeta da época dourada do cinema português. Beatriz teve uma vida surpreendente. Filha de um moleiro, o sr. António Isidro, e de uma lavadeira, a dona Claudina da Conceição, Beatriz nasceu em 1907 na aldeia da Charneca, perto da Venda do Pinheiro, Mafra. Morreu a 15 de abril de 1996, em Lisboa.

O sucesso fez dela um ídolo para os que se identificam como saloios. Uma imagem de marca que ela cultivou.

No concelho de Mafra preserva-se a memória que Beatriz Costa deixou, nomeadamente no Auditório Municipal de Mafra, com o seu nome, e o Museu Popular Beatriz Costa, na Malveira.

Beatriz começou no teatro como corista em 1923, tinha apenas 15 anos. Mas depressa agarrou os principais papéis em muitas peças de revista (teatro musicado) em diferentes salas de teatro do Parque Mayer, em Lisboa.

Em 1927, estreou-se no cinema. Se já era famosa em Portugal, ficou igualmente famosa no Brasil. Participou em muitos espetáculos no Rio de Janeiro e São Paulo.

Talvez o seu papel mais conhecido tenha sido no filme “A Canção de Lisboa”, de Cotinelli Telmo, ao lado de António Silva e Vasco Santana, em 1933.

Hoje, no dia em que morreu Eunice Munõz, não podíamos deixar de assinalar a trágica coincidência.

MORREU EUNICE

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Deixou bem vivas memórias de grandes atuações no palco do teatro. “Mãe Coragem”de Brecht ou “Zerlina” de Broch – um monólogo fabuloso – são algumas dessas memórias. Será que a RTP gravou estes espetáculos?

Quisemos entrevista-la para o Duas Linhas, não foi possível. O tempo já era pouco, certamente, entre tantas solicitações que ainda tinha e a necessidade de poupar forças para cumprir até ao fim a derradeira digressão que levou a vários palcos a peça, “A Margem do Tempo”, onde contracenou com a neta Lídia.

Eunice Muñoz. Cumpriu e partiu.

REPORTAGEM NO FIO DA NAVALHA

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Há um jornalista português que se distingue de todos os outros, na cobertura que está a fazer da guerra na Ucrânia. Chama-se Bruno Amaral de Carvalho e está no lado de lá desta guerra. Entrou na Ucrânia pela fronteira com a Rússia e tem estado no ground zero deste conflito: a região do Donbass.

Os trabalhos deste jornalista têm sido publicados no jornal Público e na TVI. Ele escreve e grava vídeos. O mérito destes trabalhos é imenso, mesmo se os vídeos não são tecnicamente impecáveis. São documentos únicos, ditos e escritos em português.

Este repórter arrisca de facto a vida para produzir informação, neste contexto de guerra. É um risco calculado, mas com demasiadas incógnitas. É a reportagem no fio da navalha.

Este repórter trabalha como freelancer. Ou seja, é um jornalista independente que vende os seus trabalhos a quem estiver interessado neles. Esperemos que lhe paguem bem.

DIOGO FOI PRESO EM LONDRES

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Rui Pinto não está sozinho no mundo dos hackers portugueses de categoria internacional. Foi há dias noticiada a detenção em Londres de um tal Diogo Santos Coelho, por alegadas patifarias cibernéticas.

O jovem vivia na zona de Viseu e os alegados crimes terão sido praticados quando ainda estava em Portugal. A PJ efetuou buscas na casa, terá apreendido equipamentos supostamente relacionados com os crimes que estão em investigação.

É grande o berbicacho em que o jovem de 21 anos se envolveu. Indiciado por seis crimes que, ao que se sabe, estão relacionados com o roubo de dados informáticos de eleitores dos EUA que terão sido vendidos a terceiros com a finalidade de aldrabar as eleições americanas.

Além de Diogo, foram detidos outros dois suspeitos. Os três são considerados pelo FBI como administradores de uma plataforma de hackers de várias origens onde se traficavam os dados subtraídos em ataques informáticos. A plataforma foi bloqueada, a Interpol festejou a vitória nesta batalha nas redes sociais, como já é da praxe.

Diogo foi detido pela polícia inglesa, há um pedido de extradição da justiça norte-americana. Aparentemente, as autoridades portuguesas parecem colaborantes e pouco interessadas em proteger o cidadão português. Acontece que, a confirmarem-se, os atos criminosos terão sido praticados em Portugal e talvez a detenção em Inglaterra seja ilegal. Mas o cibercrime não tem fronteiras, a jurisdição policial também começa a não ter.

MATAM A LIBERDADE

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Depois do bloqueio imposto aos canais de informação russos, o cerco às liberdades de imprensa, de Informação e de opinião fecha-se com a decisão da Google em deixar de rentabilizar os conteúdos que critiquem ou não apoiem a Ucrânia.

Depois de dois meses de guerra, em que a Google não se preocupou com questões de ética noticiosa, esta medida vem beliscar a única fonte de rendimentos de sites informativos independentes.

É evidente que a medida apenas afeta os pequenos produtores de informação, muitas vezes jornalistas freelancers e que não competem pela publicidade com canais de televisão, rádio ou jornais.

Com isto, pretende-se inibir o jornalismo independente de abordar a temática em causa, deixando o campo livre para a Informação oficiosa e, neste caso, favorável a um dos lados. Acontece que, na maioria dos casos, esta censura económica não vai impedir nada porque os pagamentos da Google Ads não são relevantes em termos económicos. Mas fica a intenção.

E um dia a censura há de chegar a vias de facto, impedindo a publicação dos textos, fotos ou vídeos que não obedeçam às regras.

Portanto, sobre a Ucrânia, só meninas rechonchudas com gatinhos ao colo.

CHÃO SALGADO no Cabeço de Montachique

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Deitaram sal neste chão onde nada cresce.
Nos últimos 100 anos, aqui, todas as ideias fracassaram.
Um edifício estranho, com uma história estranha.

Foi aqui que em 1919, Francisco de Almeida Grandella, rico comerciante e homem de negócios, pensou em erguer um sanatório. A tuberculose grassava e era a doença que mais matava, naquela época.

Mas, ainda as paredes cresciam e já a ciência descobria a cura para a tuberculose. A vacina BCG vencia a bactéria assassina e a doença deixou de ser mortal. Por isso ou por outra razão, a obra nunca foi concluída.

Os anos passaram, Grandella morreu, a obra inacabada entrou em ruína, assim ficou até hoje. O atual proprietário do terreno e destas pedras tentou fazer aprovar um projeto para construir um hotel, aproveitando o traçado original do projeto. Foi chumbado pela câmara municipal de Loures. Nada cresce aqui.

Toda a estrutura tem um desenho estranho, cheio de simbolismo maçónico. O edifício central tem a forma de estrela de sete pontas. E há duas alas desenhadas como torres, simbolizando os pilares das lojas maçónicas. Do chão não é possível ter essa perceção, mas visto do ar é assim… aqui a estrela e os dois pilares, um de cada lado. O próprio material usado tem simbolismo maçónica, a pedra bruta que o maçon trabalha, aperfeiçoando-a e aperfeiçoando-se.

À exceção da entrada, todas as outras portas são estranhamente estreitas… todas as janelas são altas e estreitas, corredores apertados… salas de pequenas dimensões. Uma arquitetura realmente estranha…

E descobrimos um pormenor interessante e do qual ainda não tínhamos lido nada… Todo o edifício está assente em túneis e salas subterrâneas… os túneis parecem ter sido soterrados, de modo a não permitir que se circulasse neles…

Estes túneis fizeram lembrar a lenda que rodeia este local… diz-se que Grandella terá enterrado por aqui um cofre com o dinheiro recolhido para a construção do sanatório. Porque, apesar de rico, Grandella não quis fazer isto sozinho e pediu contributos à maçonaria… quando o projeto fracassou, o dinheiro que não foi gasto terá ficado enterrado aqui… talvez por isso os túneis foram soterrados.

Coisas do passado. Hoje, tudo isto está à venda. Já há uns anos que o atual proprietário tenta encontrar quem queira comprar isto… e não consegue.