É Burqa e não Butcha. Burqa fica na Cisjordânia, Palestina. Butcha fica na Ucrânia. Locais distantes entre si, mas com alguma semelhança toponímica e alguma semelhança de processos políticos, nomeadamente no que diz respeito a repressão e aniquilamento dos povos que por lá moram.
De Butcha já todos nos sensibilizámos com o massacre recente, de Burqa ninguém se parece comover. E, no entanto, morreram em Burqa, no espaço de um mês, cerca de 40 pessoas. Civis mortos a tiro pelo exército israelita. Civis que protestavam contra a ocupação do seu território.
Citando a Euronews: “Centenas de palestinianos e tropas israelitas entraram em confronto na vila de Burqa, na Cisjordânia ocupada. As Nações Unidas apelaram, esta terça-feira à redução da violência e das tensões em Israel e na Cisjordânia, pedindo para que seja encontrada uma solução política para o conflito. Há cerca de um mês, a violência escalou, com ataques em território israelita que foram seguidos de incursões do exército de Israel na Cisjordânia. Pelo menos 40 pessoas morreram.”
O conflito israelo-palestiniano é uma guerra antiga, deflagrou em 1948 no dia em que Israel declarou a independência. Todas as reportagens que se fizeram desde então, na Palestina e em Israel, são idênticas. Apenas muda o nome dos mortos… Esta é uma reportagem de 2014, podia ter sido feita ontem.
É sobretudo uma incursão pela vida e dimensão pessoal de Salgueiro Maia, desde os tempos em que entra para a escola militar até à sua morte.
O ator principal é fisicamente parecido e convenceu-me da pureza intrínseca de Salgueiro Maia, diria até que o olhar de ambos tem aquela limpidez e espécie de inocência que o capitão de abril nunca perdeu.
De resto, é um filme que não é complexo, de recorte mais intimista do que propriamente de caráter histórico, embora haja cenas e figuras que nos fazem entrever a sociedade e política portuguesas dos anos 60 e 70, passando ainda pela Guerra Colonial.
Os interiores são filmados com pouca luz, os ambientes não revelam grandes espaços e há muitos close-ups das personagens principais. Não deixei de pensar que sendo certamente opção, os recursos para quem faz cinema em Portugal são escassos, o que se reflete na dificuldade em fazer grandes produções.
Sem ser um grande filme, trata-se de uma bela homenagem a quem foi corajoso e fiel a si próprio, tendo a perfeita consciência que a sua postura apolítica não lhe granjeou favores ou proteção. O filme não tem como objetivo heroicizar o capitão Salgueiro Maia. Mas, de uma forma simples e natural, acaba por celebrar uma alma pura no meio da complexidade do Portugal da altura e que soube liderar serenamente os acontecimentos que mudaram o país.
No final, é o heroi de quem se gosta, não seduzido, não corrompido, apenas bravo, honesto, homem de família, também, e livre até ao fim. E isso já é praticamente tudo.
Ao lermos o currículo da artista, uma nota sobressai de imediato: a enorme capacidade de trabalho e o entusiasmo fora de série de que ele dá provas sobejas.
Daniela Anghel nasceu em 1979, na cidade romena de Alexandria. Com seu pai, diplomata de carreira, acabou por estar em várias partes do mundo, mas foi Portugal que mais a seduziu, tendo-se licenciado em Artes Plásticas – Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Obteve a nacionalidade portuguesa.
Expôs pela primeira vez, individualmente, no Casino Estoril em 2004 («A Tentação da Imagem»), mas terá sido, a meu ver, a exposição do ano seguinte, «Mulheres de Portugal», que a tornou mais conhecida, pelo universo de sensações que de cada um desses retratos em grande formato se desprendia.
É que, de facto, se, a uma primeira vista, se proclama, ainda que com admiração, «Que desenho bem conseguido, perfeito!», o certo é que, observando melhor, se torna necessário atentar nos pormenores – e muitos são! – para se descortinar quanto de íntimo e importante a Artista quis transmitir.
Não causará, pois, estranheza que, por exemplo, em colaboração com a União das Misericórdias Portuguesas, haja sido contratada para fazer, de 2008 a 2011, a decoração da Capela Padre Vítor Melícias, na Sede da União, aí mostrando as 14 Obras de Misericórdia: as 7 corporais e as 7 espirituais.
Três quadros
Veja-se com atenção o quadro «Sede». Crianças negras aguardam que alguém lhes venha encher de água os jerricãs postados na sua frente. Aguardam. O céu, por trás, é dum azul doloroso. A emoldurar esse motivo, qual grinalda, há flores, sim, mas quantas outras imagens mais! Todo o mundo, afinal, para ali foi convocado! Todos precisam de olhar para aqueles rostos, para aquela cena, para aquela… sede!
E que dizer do quadro «Devir de S. João Baptista», um dos quadros da sua série africana? Acrílico e óleo sobre tela de 2,215 x 3,12 metros! A multidão de negros frente à fortaleza apalaçada; à direita, frágeis embarcações em mar revolto; por entre a turba, uma figura de santa, um prato de ostras pronto a saborear, uma bandeira, uma onça olha ameaçadora para quem, perto dela, se cobre com a pele de eventual parente seu…
E mesmo da tela «As Três Graças», acrílico e óleo sobre tela, de 247 x 205cm, transparece, sorrateira, uma crítica velada, ao personificar nessas três figuras mitológicas uma dama da corte, uma senhora aparentemente normal e, a meio, em destaque, uma negra, envergando os trajes tradicionais…
Daniela Anghel chamou à sua exposição «Desfiguração da utopia» e quis ser ela própria a redigir a abertura do catálogo, onde, a dado passo, escreve:
«As pinturas contemplam o desequilíbrio do próprio sistema social, o crescimento incerto das limitações e das exclusões sociais; como também as ilusões perdidas de todos nós, numa determinada altura perante a realidade. As quimeras espalhadas não são representadas em pintura como retrato das cicatrizes das lutas perdidas, mas, sim, como metamorfoses capazes de instaurar uma nova ordem».
Com o apoio da União de Freguesias de Cascais e Estoril, a Associação Viajar pela Dança exibiu, no passado sábado de aleluia, 16 de Abril, o seu repertório de danças palacianas colhidas em documentos antigos e coreografadas pela maestria e saber de José Fernando Lousada.
Evoluíram os pares com solenidade e cortesias, em reverências e sorrisos. As damas de amplos traços bem coloridos; os cavalheiros, cerimoniosos, de calções rodados, meias compridas, sapatos afivelados e de bico, vistosos chapéus.
E muitos foram os disparos fotográficos, numa surpresa, os vídeos gravados, os aplausos das muitas pessoas que, levadas pela curiosidade e pela música estranha, acorreram à Praça Cidade de Vitória, em pleno coração da vila cascalense.
Quarenta e cinco minutos de um regresso à tranquila ancestralidade dos palácios d’outrora, nesse tranquilo final de tarde de um Verão precoce, inesperado e bem acolhedor.
A existência de vida extraterrestre é uma certeza. Quanto mais não seja, no campo das probabilidades. Ou seja, não há nenhuma lógica que no meio de um Universo imenso com dezenas de milhões de planetas, só um reúna condições para a existência de vida.
Factualmente, porém, falta oficializar a coisa. Numa pesquisa descuidada num motor de busca, apareceu uma notícia publicada pelo Diário de Notícias em abril de 2011 onde se relata como um tal Gastón Garnier, na Argentina, fotografou um objeto voador não identificado, um OVNI.
A fotografia chegou à NASA, a agência espacial norte-americana, que a analisou e que terá considerado o objeto fotografado “semelhante” a um outro que tinha sido avistado e fotografado em Abrantes, Portugal, em 13 de dezembro de 2010.
fotografia de Gastón Garnier, tirada em Santa Fé, Argentina, onde se observa no canto direito um OVNI, 13/12/2010
OVNI AVISTADO EM CASTELO BRANCO
Foi quanto bastou para irmos bater à porta de Joaquim Fernandes, historiador e investigador da Universidade Fernando Pessoa, autor da série temática “Encontros Imediatos”, dedicada ao fenómeno OVNI em Portugal, que a RTP 2 exibiu. Desse ímpeto, resultou esta entrevista:
Pergunta: Quando foi assinalado o mais recente avistamento de ovnis em Portugal?
Resposta: Se quisermos aceitar apenas fontes como o Facebook e as redes sociais em geral, a referência mais recente a um suposto avistamento de um “objeto aéreo oval invulgar” reporta-se a 12 de abril, na zona de Castelo Branco em pleno dia. Os detalhes, por ora escassos, sugerem ainda uma trajectória do fenómeno no sentido da serra da Gardunha, acrescidos de uma fotografia, ainda que pouco esclarecedora e sujeita a eventual avaliação. De momento, não tendo sido viável a elaboração de um inquérito pessoal junto das testemunhas, fica em aberto esta possibilidade, apenas como dado cronológico de um continuado fluxo de observações esparsa no tempo e no espaço nacional. Aliás, é recorrente esta fluxo de divulgação por parte de entusiastas em círculo fechado, o que dificulta uma análise, rigorosa e detalhada, do evento original, já que as especulações em torno do depoimento original podem proporcionar uma alteração e degradação progressiva do testemunho original. Ora, tal deformação inquina a estrutura-base da experiência, ainda mais se não for acompanhada de outros elementos, como fotos ou vídeos.
Objecto Voador Não Identificado observado em Alfena, Valongo, em 1990
P- Há a sensação de que o assunto desapareceu dos radares mediáticos. É desinteresse dos media ou o fenómeno arrefeceu? Ou é perceção errada da minha parte?
R. – Se não desapareceu assistiu-se, no mínimo, a uma óbvia transferência e mutação entre media: da imprensa escrita e audiovisual das décadas de 1970/80, – que albergaram e replicaram o então inovador rumor coletivo concebido pelo imaginário ET, via cinema, por exemplo, por obra do icónico filme “Encontros Imediatos do 3º Grau”, de Steven Spielberg – assistimos hoje ao realojamento da temática OVNI/ET na turbulenta realidade das plataformas virtuais. Com outros públicos e gerações distintas, muitas vezes convocadas para um credo mais ou menos acrítico, de franca aceitação de tudo, e com variantes entre a pura irracionalidade e a ingenuidade. O que remete o assunto para uma espécie de “gueto” onde a Ciência parece não caber. Diga-se que este reducionismo é, em parte, culpa da comunidade científica, da Academia, em geral, bem como da organização das políticas estatais, das implicações ao nível da Defesa.
Daqui resulta que hoje as abordagens por parte dos media tradicionais, do mainstream, se reduzam de quando em quando, a pontuais referências e citações a documentos oficiais de origem militar. Escasseiam, para não dizer, não existem, tratamentos do tema com sentido didático/científico, mormente na abordagem das implicações eventuais da temática dos “Não Identificados” com as dimensões existenciais da espécie humana, do nosso planeta nativo e as futuras descobertas de sinais exobiológicos, inteligentes ou não, e que poderão ter notórias implicações políticas, religiosas e culturais.
Relatório da Força Aérea brasileira sobre observação de objeto voador não identificado, em 22 de setembro de 1977.
P- Os avanços na Astronomia (sondas, telescópios cada vez mais avançados) deveriam confirmar a existência de vida extraterrestre, mas isso não está a acontecer. Consegue explicar?
R- Enquanto ser humano sou tentado a inquirir se a minha espécie é uma exceção ou antes uma regra. Os continuados esforços das ciências exobiológicas, astronomia e astrofísica incluídas tem sido paulatino e gradual, mas importa recordar que estamos a lidar com dimensões de espaço e de tempo na ordem dos milhões de galáxias e de infindáveis anos-luz! A Vida, presente ou passada, pode estar ali ao virar da esquina, como Marte, mas igualmente noutras paragens hoje inacessíveis do universo local e mais além. Potencialmente a Vida será um princípio básico da Realidade (Cosmos). Por isso, será histórico encontrar indícios de vida microscópica, unicelular, antes mesmo de nos defrontarmos com uma civilização tecnológica hiperdesenvolvida, com a qual, aliás, não podemos antecipar o tipo de relações que viríamos a estabelecer: veja-se o que os ocorreu com as culturas ameríndias do século XV/XVI quando se confrontaram com os descobridores europeus…
Certo é que uma vida circunscrita ao nosso planeta seria um absurdo desperdício de espaço. Mas será que podemos considerar essas potenciais incursões ao nosso planeta como viagens de homónimos “astronautas” alheios ao nosso mundo? Ou essas alegadas “manifestações” ocorrem, num outro quadro espácio-temporal fora dos padrões cognitivo-sensoriais comuns? Por outro lado, importaria conhecer que capacidades tecnológicas fariam mover eventuais civilizações avançadas até nós. Mas, mais do que tudo, que motivações e interesses poderiam trazer até nós essas formas inteligentes, pelo menos mais apetrechadas do ponto de vista técnico e científico do que o sapiens sapiens. Forçosamente é essa a obrigação da Ciência: a de verificar todas as hipóteses.
Por outro lado, importa assinalar que a carga mítica do chamado fenómeno ovni é por demais evidente. “Mito moderno” assim lhe chamou Carl Jung, discípulo de Freud, e teórico da psicologia das profundidades, do simbólico e dos arquétipos.
À luz da cultura contemporânea o acrónimo O.V.N.I. transformou-se em substantivo e desde logo acarretou uma intensa carga simbólica incorporando muitas das aspirações e sonhos do nosso tempo: o (re)encontro com o Outro, que sempre esteve nas nossas cogitações quando, há quatro séculos começamos por encurtar distâncias oceânicas e buscar o desconhecido similar a nós. O mito do ovni transformado em nave espacial de capacidades inimagináveis que traz até o “Outro” das estrelas, o Superior Desconhecido, o deus-astronauta para muitos dos desiludidos com as religiões monoteístas institucionais. Também mito na perspetiva do Homem sozinho na imensidão do Universo, da solidão cósmica que tanto atormentou Blaise Pascal, filósofo cristão.
Por estas razões, a rápida tradução e identificação do fenómeno ovni com a hipótese de existência de vida extraterrestre é uma relação forçada que não confirma nem anula nenhuma das suas partes. Ou seja, a possibilidade de vida, bem provável na imensidão do cosmos, não depende em nada do facto de podermos vir a considerar todos os fenómenos tipo ovni como explicáveis no quadro das respostas terrestres e humanas. O ET – seja qual for a sua expressão biológica e morfológica – mantém todas as possibilidades de existir independentemente de solucionarmos ou não o problema dos fenómenos aeroespaciais não identificados. Só o faremos quando estes passarem a ser indiscutivelmente “não identificáveis”.
vídeo da Marinha dos EUA onde se observam objetos voadores não identificados
P- O Governo dos EUA desclassificou há tempos documentos sobre ovnilogia, havia algum segredo interessante nesses papéis?
R. – Nos anos mais recentes tem sido possível obter a desclassificação de documentos oficiais dependentes do Departamento da Defesa dos EUA, ao abrigo do chamado FOIA (Freedom of Information Act) que já em décadas passadas havia já libertado milhares de páginas relativas a “incidentes UAP”, sendo esta a nova sigla de Unidentified Aerial Phenomena em uso. Mais recentemente, novas diligências permitiram conhecer dimensões desconhecidas do envolvimento de departamentos do aparelho militar dos EUA e alguns registos vídeo de alta estranheza captados pela Marinha dos EUA com imagens de objetos aéreos atípicos interceptados nos radares e com movimentos e acelerações pouco ou nada convencionais. Nesse processo regular de requisição de documentos oficiais surgiram mais recentemente 38 documentos de projetos ditos “exóticos” relacionados com suposta ultra-tecnologia aérea tida como secreta.
relatório da Força Aérea dos EUA sobre um avistamento de OVNI nos Açores, em 21 de setembro de 1954
Posso adiantar que neste momento, Portugal está representado num projeto de cooperação internacional e multidisciplinar científica denominado ICER (International Coalition for Extraterrestrial Research) que reúne 27 países nos cinco continentes, iniciativa que entre nós é participada pelo “Projecto STELLAR”, numa parceria entre o CTEC, da Universidade Fernando Pessoa e a Exopolítica Portugal.
O preço dos combustíveis continua no sobe-sobe desce e volta a subir. Isto é, independentemente da flutuação do preço na produção, o consumidor está sempre a pagar mais caro. Mesmo quando desce nunca é para valores equivalentes à descida registada na produção. Ou seja, a margem de lucro das petrolíferas e outras empresas do setor energético não deixa de aumentar. Por exemplo, em 2021 a GALP teve um lucro acima dos 457 milhões de euros. A EDP lucrou 657 milhões.
A suscetibilidade dos mercados internacionais somada à ganância dos acionistas das multinacionais energéticas tira-nos o pão da boca. os Governos, de um modo geral, não são capazes de contrariar esses esquemas. Primeiro, porque tudo o que havia para ser nacionalizado já foi. Segundo, porque os governantes são uma espécie de funcionários a prazo e andam sempre a preparar o futuro deles sem chatices.
Verdade seja dita que, neste caso dos preços dos combustíveis, este Governo parece sinceramente empenhado em amaciar o embate financeiro nas famílias portuguesas. O esquema de pequenas compensações que delineou, com descidas dos impostos sobre os combustíveis, vale pouco mas é melhor que nada.
Na vida pública, tal como no exercício da Medicina, nunca emiti “diagnósticos” sem estar bem seguro. Foi assim que, a 28 de fevereiro, no quarto dia da invasão da Ucrânia, e contra todas as expetativas, expressei publicamente a minha convicção numa “humilhante derrota” militar da Rússia.
Essa conclusão surgia-me óbvia, assente na incompetência do exército invasor, no desespero de um psicopata que já ameaçava recorrer a armas nucleares, na firme resposta ocidental e na “demora” de uma intervenção conjunta chinesa, há muito esperada sobre Taiwan.
Num planeta em disrupção, com o “eixo sino-soviético” na busca de inverter a hegemonia do “Ocidente”, de repente antevi um desfecho algo inesperado: o reforço da “frágil” Europa e o recuo do “poderoso” Império Soviético, perante alguns avanços dos Impérios Otomano e Chinês, estes sempre à espreita.
Estava, então, ainda longe de imaginar as cenas de horror e de total desprezo pelos direitos humanos, que, a seguir, se iriam desenrolar perante os nossos olhos.
Na Ucrânia, há claramente uma vítima e um agressor, um país soberano invadido e um país que não respeita o Direito Internacional e os Direitos Humanos mais elementares. A bem do futuro da Humanidade, o crime não pode compensar. A Rússia terá de sofrer tremendas consequências pelo seu treslouque. Em teatros extremados de guerra, ninguém resiste a exageros. “Virgens”, que se saiba, só existem em Fátima. Mas nenhum ser humano, digno da nossa espécie, poderá tolerar o comportamento das hordas russas. Ponto final.
Quanto à China, a evolução é bem mais subtil, mas ainda assim digna da nossa melhor atenção. Nesse Império, para apagar o fracasso do seu aliado em teatro de guerra, as autoridades pretextaram um surto de Covid-19, em Xangai, para arrasar as veleidades de populações que, mais ocidentalizadas e economicamente mais pujantes, tal como em Hong Kong, também começam a querer escapar aos padrões totalitários do regime.
A 5 de abril, antecipando notícias que as imprensas nacional e internacional depois confirmaram, divulguei fotos e um vídeo oriundos do interior da China, que comprovavam flagrantes violações dos direitos humanos em Xangai: confinamento obrigatório desde há semanas; hospitais a abarrotar de “suspeitos” de covid em condições sub-humanas; milhares de prédios selados à força; uma campanha obrigatória de testagem e isolamento das populações, que não qualquer esforço na vacinação e no tratamento.
Denunciei então, pela primeira vez em Portugal, a ocorrência de inúmeras tragédias entre idosos e incapacitados, abandonados completamente ao seu destino no interior de suas casas, sem o apoio de familiares, vizinhos ou amigos que já começavam a exibir alguma revolta.
A situação, entretanto, complicou-se… e muito: a subnutrição hoje já atinge largas camadas de uma população “rica”, que foi despojada dos seus vencimentos e que é obrigada a suportar elevadas rendas fixas; a pretexto de extinguir a pandemia, milhares de crianças de tenra idade foram separadas dos progenitores; os animais de estimação sofreram uma razia geral, alegadamente por serem agentes transmissores da covid-19; nos prédios mais altos de Xangai, onde é difícil identificar os protestos, milhares de cidadãos escondem-se atrás das janelas para lançarem apelos à resistência, enquanto drones munidos de altifalantes os ameaçam de retaliação; existem numerosos sem-abrigos a sobreviverem debaixo das pontes, porque, ao chegarem a casa, depois do trabalho, tinham o acesso selado, sem qualquer aviso prévio.
A televisão portuguesa mostrou-nos, ontem mesmo, uma Xangai deserta, apenas “animada” por filas quilométricas de humanos à espera por testagens. Trata-se, uma vez mais, de total falta de coragem em denunciar a verdade: é que em locais de abastecimento alimentar, há muito que se espraiam filas de cidadãos desesperados por alimentos.
E sem que o nosso MNE esboce qualquer reação oficial, e até negue a existência de problemas, sei de fonte segura de uma portuguesa que, devido à fome, já perdeu vários quilos, enquanto outro, há dois dias, depois de um “safari” por alimentos que iniciou logo pelas seis da manhã, depois do recolher obrigatório, só conseguiu dois iogurtes e um pequeno queijo. Como podem os portugueses, políticos e comunicação social, ignorar estas verdades? Que interesses servem?
E enquanto isto acontece, vários outros cidadãos nacionais têm total liberdade para sair do país, mas estão impossibilitados de o fazer por razões materiais, por não poderem comprar as passagens, despojados que estão dos vencimentos que lhe são devidos.
Em Mariupol ou Xangai, as questões que, corajosa e serenamente, hoje se colocam a qualquer ser humano bem formado, e informado, são, pois, muito simples:
Que mundo desejamos para os nossos filhos e netos? De que lado estamos? Pela civilização ou pela barbárie?
Mais de 170 mil euros por apenas 36 m² para habitar. É o que pede um promotor imobiliário no Beco do Vigário em Alfama.
A especulação imobiliária em Lisboa não tem vergonha. É o primeiro andar do prédio branco, não têm vistas, nem placa.
Há cada vez mais prédios a ser construídos, mas essa oferta não chega para a procura. Mesmo com o Instituto Nacional de Estatística a alertar: Portugal vai passar dos 10 milhões 300 mil habitantes para 8 milhões 200 mil.
fonte Instituto Nacional de Estatística
A mancha urbana da Grande Lisboa é gigante: há prédios a mais, mas habitação a menos. Estamos metidos num beco… político!
Esta é uma história que cruza gerações, várias gerações de residentes em Cascais. É a história pela defesa de uma infraestrutura pública de lazer. Um local destinado a dar felicidade a quem usufrui dele. Esta é a história contada de viva voz e eternizada pelas imagens captadas por Manuel Botelho.
Manuel Botelho, imagem do Instagram
O homem que nos explica que “o Parque das Gerações (PDG) é um parque de skate.Uma festa contínua que sempre me encantou… muito perto de minha casa. Em janeiro soube-se que o Parque estava ameaçado:
“Subitamente, as rampas e paredes foram pintadas de negro com enormes dísticos brancos e o gradeamento exterior apareceu forrado de mensagens de solidariedade. Tornei-me um visitante assíduo.
“Pouco depois, numa rara manhã tempestuosa deste Inverno primaveril, muitas das mensagens precariamente fixadas ao gradeamento começaram a soltar-se e tiveram que ser retiradas à pressa para não conspurcarem a zona envolvente. Foi lançado publicamente um desafio para que tudo fosse reconstruído.
Quis participar. Imprimi algumas das minhas fotografias numa loja de fotocópias… mas eram demasiado frágeis para permanecerem ao relento e acabaram por ser agrafadas de modo expedito na zona coberta junto à entrada do parque.”
Agora, dizemos nós, a Galeria Miguel Nabinho, em Lisboa, expõe estas fotografias de Manuel Botelho, entre 21 de abril e 28 de maio. Visitar a exposição é participar nesta causa.
(Galeria Miguel Nabinho fica na Rua Tenente Ferreira Durão 18 B, 1350-315 Lisboa).
Sei quanta polémica envolve os rituais, pelo perigo que acarretam de paulatinamente virem a ser despojados do significado inicial que lhes foi dado. Quando, em 1970, houve por bem acabar com as procissões em Cascais, sob pretexto de se haverem tornado meras manifestações ‘folclóricas’, ‘sociais’, desprovidas do seu conteúdo religioso, o Povo teve pena e reclamou.
Figurava entre elas a do Senhor dos Passos, que é de tradição também em muitas zonas do País, mormente em Braga. Intervinha a paróquia e a Misericórdia e é justamente nesse altar da igreja que está o ‘caixão’ do Senhor Morto, que, na altura, seguia em andor, acompanhado, miniaturalmente pelas imagens de Nossa Senhora das Dores e de Maria Madalena.
O arranjo ora dado a esse altar realça o seu esplendor e sentido significado.
Relacionadas com essa procissão estão as varas que os mesários da Misericórdia levavam como símbolo das suas funções e, de modo especial, como já aqui se referiu, o pano com o rosto ensanguentado de Cristo, que, segundo a tradição, assim ficara gravado quando uma das mulheres do Povo, que acompanhavam Cristo a caminho do Calvário, d’Ele se aproximou e lhe limpou o rosto, recebendo, em recompensa, a Sua imagem nele gravada.
Escolhia-se para representar Verónica uma das jovens da vila, de voz bem timbrada, que, nos momentos em que a procissão parava, entoava plangitivo cântico emocionante. O pano e um instantâneo fotográfico dessa cena em1952 constam também do recheio do museu.
procissão em 1951
A frieza duma ficha técnica
Tem o museu a sua ficha técnica, como é de lei:
Propriedade: Santa Casa da Misericórdia de Cascais; Coordenaçãogeral: Câmara Municipal de Cascais e Santa Casa da Misericórdia de Cascais; Projeto de arquitetura: Saraiva + Associados, Arquitetura e Urbanismo; Empreiteiro: Cofral; Fiscalização de obra e segurança: Cascais Próxima, SA; Acompanhamento arqueológico: Neoépica – Arqueologia e Património; Conservação e restauro: WOA – Way of Arts; Projeto museológicoe design: Câmara Municipal de Cascais Saraiva + Associados, Concept Design; Produção emontagem:Multilem; Iluminação: Carlos Silva Lighting & 3D Designer; Tradução: Mark Harding; Fotografia:Carlos Sá.
Só um nome de pessoa, no final. Quanto ao resto, a frieza das designações oficiais. Se, no entanto, formos ao fundo da questão, verificar-se-á que o resultado só foi possível graças à extrema dedicação de uma equipa que soube trabalhar em conjunto. E se aqui se faz, agora, questão de o referir não é porque alguém o tenha sugerido, é porque uma obra assim (e, permita-se-me que o diga, com pleno conhecimento de causa), executada nos tempos previstos, merece todo o encómio, a endereçar todinho ao entusiasmo dos intervenientes.
Aliás, ainda que mui discretamente, vejam-se depoimentos publicados:
«Hoje foi um dia especial. Daqueles que não se reduzem a uma imagem. Dia de emoções, dia de realizações. Um projecto com alguns anos (talvez mesmo alguns séculos) de devolver a Cascais um espaço e um património que é da nossa comunidade. Pela minha parte o pequeno orgulho de pertencer a uma grande equipa e a um projeto fantástico» – escreveu Pedro Mota Soares, o mesário sobre cujos ombros incumbiu directamente a supervisão dos trabalhos.
«O Museu da Misericórdia de Cascais foi hoje inaugurado! É tempo de agradecer a todos os colegas que deram o seu melhor para que este pudesse ser um dia tão feliz. Segue, assim, o nosso muito obrigado à Santa Casa da Misericórdia pela confiança que depositou em nós e um abraço especialíssimo para a Célia Mateus, para a Sónia Sousa e para o José António Proença, com quem tive o privilégio de partilhar diariamente este desafio, sempre com o apoio de S. Gonçalo Leandro! Que equipa de luxo!» – escreveu o Doutor João Miguel Henriques, director do Departamento de Arquivos, Bibliotecas e Património Histórico da Câmara Municipal de Cascais.
Esclareça-se:
Célia Mateus, assessora da presidência da Câmara, foi o constante elo de ligação entre as entidades intervenientes; Sónia Sousa e José António Proença (que é agora o director do Museu da Presidência da República, na Cidadela) actuaram, como membros da Divisão de Arquivos e Património Histórico; o Gonçalo, que já tivemos o privilégio de aqui entrevistar a propósito do restauro das imagens e das pinturas, é aqui «santificado» pelo dinamismo sempre presente, como responsável pela Way of Arts.
Registe-se, por fim, que o espólio exposto e a documentação alusiva podem ser consultados aqui: . Por seu turno, o Arquivo Histórico Digital de Cascais contém, disponíveis para consulta, 7537 registos do arquivo da Santa Casa.