MUITO CUIDADO com o HOMO LARAPIENS

HAJA ESPERANÇA.

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Há muito que o debate político que alimentamos se afastou do mundo real, uma evidência com custos e riscos incalculáveis. Assim pensando, dez dias antes das últimas eleições, entendi resumir em quinze parágrafos os grandes desafios que, ignorados pela generalidade dos partidos concorrentes, deveriam concitar a nossa atenção.

Pouco mais de um mês depois, pela sua oportunidade, cito os quatro primeiros problemas que, a 19 de janeiro de 2022, enunciei:

Um mês depois, pela sua oportunidade, cito os quatro primeiros problemas que, a 19 de janeiro de 2022, enunciei:

1 – O desafio da China e da Índia que, numa globalização sem freios, já hoje controlam a indústria europeia e americana.  

2 – A disrupção militar à escala mundial, que faz temer a entrada de Portugal numa qualquer próxima confrontação.  

3 – A anunciada subida dos juros sobre os empréstimos, que irá apertar as contas públicas e das famílias endividadas e comprometer qualquer planificação certa e segura.

4 – O espetro da bancarrota do sistema financeiro mundial, desastre que só ainda não aconteceu porque alguns bancos centrais insistiram em injetar somas astronómicas, adiando assim o bloqueio das nossas próprias contas privadas.

Em síntese, e tal como então concluí, enquanto, em Portugal, “gatos e cães discutiam eutanásias e penas-de-morte”, estávamos perante a eminência de um ataque do homo larapiens à escala global, ainda mais preocupante do que os coronavírus.

Passou um mês e o impensável aconteceu: internamente, o principal partido da oposição decidiu protelar o apuramento de resultados eleitorais, por motivos fúteis, optando por “suspender” o funcionamento da nossa democracia caseira; externamente, o mundo entrou numa disrupção política, económica, financeira e militar sem precedentes, com consequências ainda imprevisíveis, mas que irão afetar seriamente o nosso futuro.

E no dia em que o mundo entrou em convulsão, e a precisarmos de uma liderança forte e determinada, a que se assistiu, cá pelo “retângulo”? Precisamente, à inauguração de um “banco de jardim da amizade com a Eslovénia”, um país com quem teremos “profundas ligações históricas”, no dizer de quem manda.

Operação seguida das costumeiras trapalhadas, num aeroporto onde ninguém se entende e onde já nem funcionará a via verde, destinada a “embaixadores e afins”. Episódio patético, que provocou celeuma, enraizado num despesismo escandaloso, mas a que a comunicação social prontamente correspondeu, oferecendo-nos comoventes imagens de alguém ocupado num retemperador banho no Rio Tejo e numa visita, também não programada, a uma ignota exploração agrícola. E mais o resto que se viu…

Mas nem tudo é absolutamente “mau” ou “bom” e, hoje, já alguns ténues raios de luz parecem querer iluminar a escuridão. Ao fim destes quatro dias que estão a mudar o mundo, reflita-se sobre os quatro pontos que anteriormente apontei:

1 – A Rússia, perante o desenho de uma humilhante derrota militar na Ucrânia, e enquanto a China vacila em avançar no Oriente, já ameaça com armas nucleares. Uma decisão psicopática que, a ser tomada, acabará por fazer implodir uma parte substancial do Império Romano do Oriente, em favor dos Impérios Chinês e Otomano, sempre à espreita. Em Portugal, espera-se uma reorientação política assente na morte súbita do PCP e na decadência do Chega, consequências previsíveis de alinhamento e apoios irracionais.

2 – A NATO, que desde a queda do muro de Berlim nem teria razão de ser, manifestou-se subitamente como um instrumento vital para a segurança de uma Europa que, levianamente, descurou a criação do seu próprio escudo económico e militar.

3 – O projeto europeu renasce e Portugal ganha importância, oferecendo uma retaguarda segura. Assim se saiba aproveitar a maré…  

4 – E, finalmente, também as medidas de retaliação financeira, com consequências desastrosas imediatas em muitas famílias, poderão abrir caminho a uma nova “ordem financeira e económica internacional”, que inverta a tendência atual de decadência da classe média e dos valores em que assentou o desenvolvimento do século XX.

Expurgada de muitos dos interesses político-económicos dominantes, e que se preparavam para “arrasar” um sistema económico insustentável, em proveito próprio, não podemos excluir a afirmação de uma “nova era”, esta assente num novo equilíbrio sustentado nos valores que animam a generalidade dos seres humanos.

Seria sempre, tal como espero e desejo, uma inesperada, mas brilhante e súbita vitória do homo sapiens, sobre o tão temido homo larapiens, que teima em dominar o mundo.

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