SALGUEIRO MAIA, o implicado

VI E GOSTEI, NO GERAL.

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É sobretudo uma incursão pela vida e dimensão pessoal de Salgueiro Maia, desde os tempos em que entra para a escola militar até à sua morte.

O ator principal é fisicamente parecido e convenceu-me da pureza intrínseca de Salgueiro Maia, diria até que o olhar de ambos tem aquela limpidez e espécie de inocência que o capitão de abril nunca perdeu.

De resto, é um filme que não é complexo, de recorte mais intimista do que propriamente de caráter histórico, embora haja cenas e figuras que nos fazem entrever a sociedade e política portuguesas dos anos 60 e 70, passando ainda pela Guerra Colonial.

Os interiores são filmados com pouca luz, os ambientes não revelam grandes espaços e há muitos close-ups das personagens principais. Não deixei de pensar que sendo certamente opção, os recursos para quem faz cinema em Portugal são escassos, o que se reflete na dificuldade em fazer grandes produções.

Sem ser um grande filme, trata-se de uma bela homenagem a quem foi corajoso e fiel a si próprio, tendo a perfeita consciência que a sua postura apolítica não lhe granjeou favores ou proteção. O filme não tem como objetivo heroicizar o capitão Salgueiro Maia. Mas, de uma forma simples e natural, acaba por celebrar uma alma pura no meio da complexidade do Portugal da altura e que soube liderar serenamente os acontecimentos que mudaram o país.

No final, é o heroi de quem se gosta, não seduzido, não corrompido, apenas bravo, honesto, homem de família, também, e livre até ao fim. E isso já é praticamente tudo.

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