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PALADINO DA “LIBERDADE”, Elon Musk não admite críticas

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Elon Musk, o empresário que quer comprar o Twitter para fazer da rede social um espaço sem limites à liberdade de expressão, não tolera críticas internas nas empresas que dirige.

É assim que a Space X, a empresa de Musk dedicada às viagens espaciais, acaba de despedir os subscritores de uma carta que circulou internamente onde se criticava a cultura da empresa.

Segundo a agência Reuters, a carta apelava a maior harmonia nas relações laborais e criticava o estilo de gestão do patrão, apelidando Musk de “embaraço” para a imagem da Space X.

Ontem, a propósito do Twitter, Musk disse que com ele a plataforma irá permitir “coisas bastante escandalosas” desde que o conteúdo não seja ilegal. Mas o escândalo só é interessante quando serve para criar receita para o próprio Musk e desde que não o perturbe.

Ora, depois de ler a carta aberta que circulava na Space X, Musk sentiu-se perturbado e mandou investigar a autoria da missiva. Os cinco despedidos serão os responsáveis pela perturbação de Musk e foram despedidos. Na América é fácil, rápido e barato despedir um funcionário.

O jornal New York Times cita um diretor da Space X que justificou os despedimentos porque a carta provocou nos outros funcionários “desconforto, sentiram-se intimidados, zangados” porque a carta “não refletia as suas opiniões”. Não sabemos quantos funcionários ficaram perturbados desta maneira. Pelo menos, o patrão ficou.

Fundada por Elon Musk em 2002, a SpaceX tem desempenhado um papel central no programa espacial norte-americano, é também uma das duas empresas em que o Pentágono depende para lançar no espaço a maior parte dos satélites militares e espiões dos EUA.

Musk, dono da fabricante de automóveis Tesla Inc., tem estado nas “bocas do mundo” devido a uma acusação de assédio sexual, que Musk nega ter acontecido, mas que pagou para que não se falasse mais nisso…

INÁCIO LUDGERO, a História em clicks

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A miséria do nosso passado recente, vai ser revisitada em 86 fotografias do fotojornalista Inácio Ludgero na Casa de Imprensa, em Lisboa. Tempos da televisão a preto e branco, das auto-estradas a terminar na Cruz Quebrada e em Vila Franca de Xira e das mercearias manhosas dos senhores Zé.

Inácio Ludgero faz parte de uma geração notável de foto-jornalistas como Rui Ochoa, Lobo Pimentel Júnior, Luiz Carvalho, Alfredo Cunha, Álvaro Tavares, entre outros. E que deu à luz outros tantos talentos, como José Sena Goulão que imortalizou agora o “Homem da Bandeira” – onde se espelha uma propensa trágico-comédia de Portugal, apelidado de “piolheira” pelo rei D. Carlos. Diz-se.

a extraordinária fotografia de José Sena Goulão, Lusa

É a exposição dos 50 anos de foto jornalismo de Inácio Ludgero, nascido em 1950, na Amadora, com entrada no jornalismo a  1 junho 1972, em “A  Capital”. Inácio é agora freelancer. Deixou a revista “Visão” a 10 março 2008.

A inauguração será a 23 junho às 17 horas, no salão nobre da Casa de Imprensa. E é necessário não faltar para ver talento. E também para constatar que é uma enorme charlatanice o “óh tempo volta para trás” dos liberais e “cheguistas”. 

Cascais, MAIS CIMENTO

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Contestação crescente às obras que estão em curso na antiga pedreira do Mato da Amoreira. Em causa está um espaço de 20 hectares que os munícipes gostariam de ver aproveitado para uso público, mas que corre o risco de vir a ser ocupado por um colégio privado.

Um grupo de moradores de Birre enviou à Câmara Municipal de Cascais um pedido urgente de fiscalização das obras. As pessoas estão alarmadas com asobras, com o número de árvores que estão a ser abatidas e com a extração blocos de pedra “Azulino”, uma pedra ornamental de grande valor comercial, rara.

Segundo os residentes, as obras decorrem sem as autorizações necessárias. Não se vislumbra qualquer aviso de obra e duvida-se que exista alvará para a extração da pedra.

“A empresa FreiPlana está a efetuar escavações extensas na zona sul da pedreira, numa área de cerca de 20 hectares (incluindo em zonas de vertente consideradas pelo PDM como de suscetibilidade moderada a elevada). Na zona de vertente ao centro e norte da pedreira, foram cortadas numerosas arvores, e aberto um caminho em torno da vertente, onde se podem ver várias arvores já sinalizadas para corte eventual. Como as obras estão a proceder a um ritmo muito rápido, parece-nos urgente para a CMC efetuar uma fiscalização”, dizem os residentes no requerimento que enviaram à autarquia.

Segundo a informação existente no GeoCascais, não foi atribuído qualquer alvará para a zona da pedreira, embora exista um pedido de loteamento (No. 2264, ano 2021) em nome de “O Parque, Ensino de Crianças, Ldt.”, que se encontra ainda em fase de apreciação. O loteamento ainda não foi licenciado pela autarquia.

Os moradores da zona temem que estejam a assistir ao fim do sossego e da qualidade de vida da zona onde moram. Segundo dizem, o colégio que ali querem construir será um edifício e estruturas anexas para 1200 alunos. Ou seja, se o colégio for ali implantado, os congestionamentos de trânsito passarão a fazer parte do dia-a-dia dos residentes.

Dizem, ainda, que o projeto que julgam conhecer vai ocupar a quase totalidade da área da antiga pedreira, que tem 49.340 m2. Ou seja, vai ser uma obra imensa. O impacto paisagístico será igualmente grande.

REAÇÃO CORPORATIVISTA DO SINDICATO DOS GUARDAS PRISIONAIS

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Notícia sobre agressão de guardas prisionais a um recluso motiva um processo judicial do Sindicato dos Guardas Prisionais contra a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR).

Segundo um comunicado da APAR, que cita o Diário de Notícias, “em causa está um post publicado, na quinta-feira, pela APAR na sua página de Facebook, a denunciar uma alegada agressão violenta” a um recluso por parte de guardas prisionais.

Chegados a este ponto, o sindicato parece que não pretende desmentir a denúncia feita contra os guardas agressores, mas “atacar o mensageiro”, diz a APAR.

No caso em apreço, tratou-se de uma denúncia feita pelo recluso que se diz vítima das agressões. A APAR sublinha, ainda, que “tem um compromisso com a Procuradoria-Geral da República no sentido de denunciar todas as queixas de agressão de que tenha conhecimento no sentido destas denúncias serem averiguadas para caso se confirmem, se proceder aos respetivos processos disciplinar e criminal”. E, como se sabe, têm sido vários, ao longo dos anos. De resto, alguns guardas têm sido condenados e expulsos da corporação, precisamente por razões dessa ordem.

E assim vai Portugal…

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Comecemos pela “porta de entrada”, o aeroporto de Lisboa, onde há mais de dois anos se regista uma bagunça indecorosa e que abala a imagem de um país que vê no turismo a sua boia de salvação. 

Os prejuízos causados pela péssima gestão do SEF, em coma desde o assassinato de um cidadão ucraniano, além de incalculáveis, são bem demonstrativos da inépcia de quem tem, por dever de ofício, de adiantar soluções e não agravar os problemas.

“Espertamente”, diz quem pode, quer e manda que a capacidade das instalações do aeroporto está esgotada. Esgotada está a minha paciência, quando vejo silenciados peritos que defendem que, com gastos irrisórios, a simples demolição de barracos inúteis e a criação de uma escapatória para o outro lado, quase se poderia duplicar a eficácia. Mas, ao que tudo indica, o “interesse nacional” passa por manter a “indústria” de projetar novos aeroportos, uma “mina” para “os do costume”.

Os do costume que, num ano quase sem incêndios, insistem na farsa do julgamento de um zeloso bombeiro, muito embora comissões independentes tenham indiciado a EDP como causadora da tragédia de 2017 e, seguramente, de muitas outras.

Os mesmos que, em tempos de restrições e fome, e em que se exige rigor e seriedade, agravaram exponencialmente os custos de uma Administração Pública em decadência.

Quem, detentor de cargos políticos, e enquanto se encerram serviços hospitalares e escasseiam os médicos de família, debita discursos de ódio contra os profissionais que ainda resistem na frente de batalha, ainda hoje alvo de graves agressões físicas por parte de uma população desinformada.

Na década passada, com base em falsas notícias, uma orquestração mediática montada em torno da morte de um bebé nas cercanias da Mealhada, o ex-Ministro da Saúde Correia de Campos foi alvo do único processo de demissão exigido pelo ex-Presidente Cavaco. Coincidência pura, em quase quatro mil dias de mandato, na semana anterior o ministro havia inviabilizado a transferência do IPO para uns terrenos fraudulentamente adquiridos por Duarte Lima: o tal comendador benemérito que, para evitar a extradição para o Brasil, encontrou refúgio numa prisão portuguesa, enquanto retém reformas milionárias…

Mas quem sou eu, que ainda terei de “nascer mais duas vezes”, para questionar a sensatez e as certezas de quem “raramente tem dúvidas e nunca se engana” e que, nos últimos dias, não cessa de me bombardear com lições de competência e de patriotismo?

Regressemos à atualidade. Face ao descalabro que atingiu o SNS, e exibindo um “otimismo irritante”, copiado não se sabe donde, o atual Presidente, em digressão pelos antípodas da Ucrânia e não pelos hospitais e centros de saúde, nem pestaneja, enquanto garante a resolução dos nossos problemas antes do Verão e recomenda serenidade.

Ontem mesmo, uma jornalista pediu-me que comentasse a solução levantada pelas autoridades do Ministério da Saúde, que passaria pelo serviço obrigatório dos médicos, no SNS, após a sua formação profissional e durante tempos indefinidos.

Defensor dos direitos humanos, e suportado num curso académico de seis anos em que sofri até às lágrimas, e em mais dez anos de trabalhos forçados para obter a especialidade, quase fiquei sem palavras. Só me faltava ouvir mais esta atoarda, a defesa da “requisição civil” de quem, mão-de-obra barata e a quem até férias são negadas, ainda hoje é obrigado a trabalhar dias e noites, sem descanso, para garantir o funcionamento de um SNS em lenta agonia.     

Num momento em que, pela primeira vez, decresce a esperança de vida dos portugueses, encerrei logo a “entrevista” com uma curta declaração, que espero ver publicada: em minha opinião, não é a falta de excelentes profissionais, mas a incompetência, a impunidade e o excesso de autoridade dos diversos poderes dominantes, as únicas causas da “morte temida” do nosso SNS.

CUCA ROSETA, ah! fadista!!

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Fadistas nunca tiveram boa fama, fossem homens ou mulheres. No passado, o fado sempre esteve ligado à marginalidade. Severa, a primeira diva do fado de Lisboa, era prostituta e só cantava nas horas vagas.

Na tasca da putaria                                 
Houve ontem grande bulha,                                                                                                                                              Veio de lá a patrulha,                                                                                                                                                         Pra o Carmo levar me queria                                                                                                                                            (fado popular do século XIX)

Hoje, tudo mudou. Mesmo aqueles fadistas que se aburguesaram, alguns continuam irreverentes e livres de costumes. Podemos supor que será esse sentido de liberdade e bastante irreverência que justificam o modo como Cuca Roseta exibe o corpo. Seja no palco, a cantar fado, ou nas redes sociais a promover imagens de marca, Cuca tapa-se pouco.

A exibição tem provocado avalanches de críticas. E de aplausos também, evidentemente. Nós por cá, gostamos de ver, embora por vezes a coisa não seja bem concebida. A fotografia pode ser cruel. A falta de Photoshop e as calças elásticas revelam rabos um bocadinho exagerados. Por exemplo, as fotografias onde ela aparentemente pretende mostrar um restaurante onde jantou podem abrir o apetite, mas ficamos sem saber se era isso que se pretendia.

Mas, bela Cuca, nada de esmorecer. É preciso aproveitar, enquanto se pode. Depois dos 40, o relógio anda mais depressa. Quem te diz isto, não mente.  

Ninguém duvida que a boa forma física ajuda a vender seja o que for. Discos de fado, também. Enquanto tiveres uma boa figura na montra, vais continuar a viajar e a vestir do bom e do melhor. E nós a ver-te.

todas as fotografias foram partilhadas do Facebook de Cuca Roseta

De quem a arraia-miúda gosta

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De quem o povo gosta mais? A Marktest divulgou os resultados de um inquérito que realizou e o favorito da arraia-miúda é Ricardo Araújo Pereira, aka RAP. É curioso que seja um humorista com uma forte característica política a ser eleito. Um homem de esquerda a derrotar a simpatia de Vasco Palmeirim (2º classificado) e a popularidade do “melhor do mundo” a jogar à bola. Cristiano Ronaldo ficou em 3º lugar neste ranking.

A análise resulta de um estudo de opinião, realizado junto de indivíduos com 15/64 anos residentes em Portugal Continental, diz a Marktest. Entre as 60 personalidades sugeridas aos inquiridos, Ricardo Araújo Pereira foi quem obteve um maior índice de empatia/identificação: numa escala de 1 (não se identifica) a 10 (identifica-se muito), obteve um valor médio de 6.60.

Figuras políticas não devem ter entrado neste jogo. Mas teria sido interessante ver, por exemplo, o lugar de Marcelo Rebelo de Sousa, neste teste de popularidade e empatia. É claro que a Marktest tem este tipo de iniciativas para ajudar empresas e agências de publicidade a escolher as “caras” para as suas campanhas e os políticos ainda não entram nisto.

RAP tem sido a cara da Worten, por exemplo. Palmeirim tem estado ligado ao banco Eurobic e Cristiano Ronaldo tem MEO lá em casa. Todos eles pagos a peso de ouro, é bom de ver.

A história de um AVC

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Vão-se os livros ajuntando naquele cantinho de estante destinado à espera do dia sereno para os saborear. Chegou a vez deste Chorei de Véspera, de Isabel Nery, que traz como subtítulo «Ensaio sobre a morte, por amor à vida». Data de 2016, a autora deu-o por concluído a 10 de Abril de 2015 e começa-o com esta epígrafe:

«Esta é a minha história. Nasci no dia 20 de abril de 1971, às dezassete horas e dez minutos, e devia ter morrido no dia 10 de abril de 2009, às doze horas e trinta. Mas não morri. Aqui vos conto porquê.»

E termina:

«Não é toda a verdade. Mas é a verdade».

Quando, parada num semáforo, viu no tablié do carro a data de 10 de Abril, correram-lhe as lágrimas pela face. O aniversário!… Verificou depois que o calendário estava adiantado; daí o título: chorara… de véspera!

Volume de capa rija, maneirinho. 176 páginas. D’A Esfera dos Livros. Apresentação leve: 21 capítulos pequenos, de título branco sobre fundo negro, transcrição dum poema ou citação na página par correspondente. Assim. Para obrigar à necessária pausa.

Narra o livro, com enorme clarividência, o que foi o seu peregrinar – Hospital de Cascais, casa, Hospital de S. Francisco Xavier, Egas Moniz… Sentimentos, situações, reações próprias e alheias. Acutilante. «Misto de ensaio e reportagem, escrito em ritmo de romance», escreveu-se na apresentação.

Isabel Nery, jornalista da Visão e detentora já de prémios por reportagens feitas, especializou-se em temas de saúde e hospitais. Saliente-se, por exemplo, Vida Interrompida, que deu origem a sugestiva e eloquente exposição que esteve patente na Casa de Santa Maria, em Cascais, e no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, entre outros locais do País.

O AVC que teve – o rebentamento, como é característico do acidente vascular cerebral, dum vaso sanguíneo e a sangue a invadir espaços do cérebro por onde não deveria andar… – proporcionou-lhe a experiência ímpar que sedutoramente descreve. Seguimo-la na ânsia, na expectativa. Sabemos que sobreviveu, porque conseguiu contar os transes por que passara, e isso nos agrada, nos ajuda a aliviar a nossa própria ansiedade.

Tudo – ou quase tudo (depende da vivência de leitor, claro!) – impressiona e cativa. Recordo, a título de testemunho, duas passagens.

A primeira, a chegada ao hospital de Cascais (o antigo) em Sexta-feira Santa de 2009. A doente, Isabel, ao ser atendida na urgência, explica miudamente o que sentiu e conclui, peremptória: «Estou a ter um AVC». As múltiplas situações semelhantes que já lhe haviam descrito para as reportagens, a que juntou de imediato o muito que lera sobre o assunto permitiram-lhe avançar o diagnóstico. A senhora dra. não gostou. Que a médica era ela e não a doente! Creio – aqui para nós – ser essa uma das situações para que os estudantes de Medicina são preparados, para saberem como agir… Nessa Sexta-feira Santa (que diabo!), porém, a sra. dra. esqueceu o aprendido e não gostou mesmo nada do que ouviu e, sobretudo, do tom assertivo da afirmação «Estou a ter um AVC!». Resultado? O habitual: a doente teve alta, aqui era uma vulgar dor de cabeça, a doente era jornalista e queria mostrar-se…

A via sacra começou aí e só não terminou em crucifixão mortal, porque, pelo meio, houve «verónicas» que se não limitaram a limpar o rosto da paciente, mas a aplicar-lhe, em devido momento, o curativo essencial.

A segunda passagem: a imprescindível TAC e o suplício da imobilidade, encafuada num túnel, ainda que de bombardeamento atenuado por uma qualquer música de fundo. Isabel pediu uma caneta de plástico e que lhe deixassem levar o Moleskine. Acederam a custo, estupefactos. Passou o tempo da TAC a escrever (“catorze páginas de caligrafia disforme”). Fenómeno nunca visto! Os técnicos, admirados, fotografaram. E perguntaram ao Nuno: «Porque é que a sua mulher está sempre a escrever?». Ao que ele respondeu, singelamente: «É jornalista…».

Donetsk, cidade bombardeada

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O Telejornal hoje falou e mostrou cidades ucranianas atingidas pela guerra e alguns dados sobre bombardeamentos russos. Não se falou nos bombardeamentos ucranianos contra cidades nas regiões separatistas e as populações que lá vivem.

E o que aconteceu, em parte, foi o que este vídeo mostra.

O inquietante mundo da publicidade

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Os mais velhos lembrar-se-ão de alguns anúncios antigos à Coca-Cola, às águas engarrafadas, à Pasta Medicinal Couto, não esquecendo a Galp ou os chocolates das Fantasias de Natal. E os carros que quanto mais pequenos eram mais pessoas levavam? E o restaurador Olex? E, nesta altura do ano, os gelados da Olá e Rajá?

Era uma publicidade diferente, dirigida para as necessidades da época, onde não faltava a cerveja e os cigarros.

Na Rádio, na Televisão, nos jornais e revistas, esta era a publicidade que nos ‘invadia’ com conta peso e medida. Hoje, um filme de uma hora demora quase duas e os intervalos chegam a ter 20 minutos de anúncios, muitas vezes repetidos.

As televisões aproximam-se perigosamente de um limite que foi necessário estabelecer e que se chama publicidade enganosa. Oferecem dinheiro desde que se telefone para um número X, de valor acrescentado; pedem para ligar para outros números, escusando-se a dizer o montante a pagar (pelo contrário, dizem que é X mais IVA) para votar neste ou naquele que cantou ou dançou; chegam a clamar que ‘X valor em dinheiro já é seu, só tem de ligar!’ e até acrescentam que ‘se ligar mais vezes tem mais hipóteses de ganhar’.

Recentemente, um amigo com uma mãe muito idosa e que vive sozinha na aldeia, recebeu uma conta telefónica de 360 euros. A justificação da senhora foi exactamente que se ligasse muitas vezes podia ganhar…

Num País de gente mais velha, com esperança de ganhar mais algum dinheiro para acrescentar às magras pensões de sobrevivência, os fins-de-semana são um verdadeiro massacre, e um lucro para as operadoras e, sobretudo, para as televisões.

Como dizia a mãe do meu amigo, a senhora que anunciava é uma actriz famosa e que merece respeito. Merecerá? Porque há também formas de dizer que não quando se reconhece que alguma coisa está mal neste triste reino da publicidade que, em meu entender, além de enganosa está muito próxima da burla.