O inquietante mundo da publicidade

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Os mais velhos lembrar-se-ão de alguns anúncios antigos à Coca-Cola, às águas engarrafadas, à Pasta Medicinal Couto, não esquecendo a Galp ou os chocolates das Fantasias de Natal. E os carros que quanto mais pequenos eram mais pessoas levavam? E o restaurador Olex? E, nesta altura do ano, os gelados da Olá e Rajá?

Era uma publicidade diferente, dirigida para as necessidades da época, onde não faltava a cerveja e os cigarros.

Na Rádio, na Televisão, nos jornais e revistas, esta era a publicidade que nos ‘invadia’ com conta peso e medida. Hoje, um filme de uma hora demora quase duas e os intervalos chegam a ter 20 minutos de anúncios, muitas vezes repetidos.

As televisões aproximam-se perigosamente de um limite que foi necessário estabelecer e que se chama publicidade enganosa. Oferecem dinheiro desde que se telefone para um número X, de valor acrescentado; pedem para ligar para outros números, escusando-se a dizer o montante a pagar (pelo contrário, dizem que é X mais IVA) para votar neste ou naquele que cantou ou dançou; chegam a clamar que ‘X valor em dinheiro já é seu, só tem de ligar!’ e até acrescentam que ‘se ligar mais vezes tem mais hipóteses de ganhar’.

Recentemente, um amigo com uma mãe muito idosa e que vive sozinha na aldeia, recebeu uma conta telefónica de 360 euros. A justificação da senhora foi exactamente que se ligasse muitas vezes podia ganhar…

Num País de gente mais velha, com esperança de ganhar mais algum dinheiro para acrescentar às magras pensões de sobrevivência, os fins-de-semana são um verdadeiro massacre, e um lucro para as operadoras e, sobretudo, para as televisões.

Como dizia a mãe do meu amigo, a senhora que anunciava é uma actriz famosa e que merece respeito. Merecerá? Porque há também formas de dizer que não quando se reconhece que alguma coisa está mal neste triste reino da publicidade que, em meu entender, além de enganosa está muito próxima da burla.

1 comment

  1. Um artigo oportuno. Um “colocar do dedo na ferida” que atinge muitos que, pelos parcos rendimentos, ainda ficam mais debilitados face às publicidades enganosas que, quem deveria regular, finge nada ver!

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