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PROTESTO POR TEMPO INDETERMINADO, EM SÃO BENTO

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Luís Dias, agricultor de Idanha-a-Nova, vai retomar a manifestação de protesto contra o Estado, em frente à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento.

Será a segunda vez que Luís Dias acampa naquele local, num protesto que teve início em 2014 e que ainda não foi solucionado a contento, mesmo se existem já relatórios da Inspeção-Geral da Agricultura e despachos do Ministério Público que lhe dão razão. Esses relatórios mencionam “desconformidades legais” na atuação do Estado no caso em que Luís Dias se considera lesado.

Nas manifestações anteriores, o protesto tomou a forma de greve de fome. Assim será, de novo. A greve de fome é um recurso que reforça a força do protesto e que coloca urgência para a resolução do conflito, uma vez que pode ter consequências graves, fatais mesmo, para a saúde de quem protesta.

Da última vez, este agricultor montou a tenda em Belém, em frente ao palácio que serve de residência oficial ao Presidente da República. Esteve quase um mês sem comer, mas foi recebido por Marcelo Rebelo de Sousa. O teor da conversa levou-o a desmobilizar, na esperança de ver as injustiças reparadas. O que não aconteceu.

Esta história tem já 8 anos. Luís tinha apresentado uma candidatura para receber ajudas financeiras para avançar com um projeto agrícola de produção de amoras, numa quinta em Castelo Branco. A candidatura viria a ser recusada, alegadamente por não existirem garantias bancárias.

O agricultor viria a recorrer ao tribunal de Contas Europeu, que lhe deu razão, ao considerar que as garantias bancárias não lhe podiam ser exigidas. Uma decisão sem consequências. Em 2017, após o mau tempo ter destruído a sua exploração, voltou a pedir ajuda para compensar os prejuízos pela intempérie, mas o apoio voltou a ser recusado.

Luís Dias recorreu à Provedoria de Justiça e, nessa altura, o Ministério da Agricultura considerou, num despacho, que este agricultor poderia ter acesso a verbas do Estado, mas nunca houve qualquer pagamento.

O caso de Luís Dias revela a burocracia do Estado que, mesmo sabendo que o cidadão tem razão, continua sem dar solução ao problema. Por outro lado, o caso deste homem que protesta, é o paradigma do que deve ser o respeito pelo direito de manifestação e de protesto, em antítese com o que se passa em Sintra com a situação de Manuel Ildefonso.

O protesto está marcado para ter início a partir de 8 de setembro.

MOBILIDADE ELÉTRICA DEIXA DE SER EMERGÊNCIA

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A Comissão Europeia já admite vir a protelar a decisão de “matar” os motores de combustão até 2035. Tudo indica que a pressão dos lóbis da indústria automóvel e dos combustíveis fósseis está a conseguir parar o processo de transição.

A Comissão anunciou que vai rever o processo e admite a introdução de uma fase transitória muito mais alargada e com a introdução de combustíveis sintéticos, uma novidade algo inesperada.

Os combustíveis sintéticos são produzidos a partir de biomassa, matéria de origem vegetal. O problema deste tipo de combustível é que obriga a afetar campos agrícolas para essa produção de biomassa. Passaremos a ter agricultores de biomassa em vez de alimentos para humanos ou animais.

Em termos ecológicos, a produção em larga escala de biomassa implica a introdução de métodos de agricultura intensiva, em grandes áreas de cultivo, o que torna o processo bastante oneroso em termos de consumo de água.

Estamos perante uma ideia que, se for implementada, vai ser um novo maná para as multinacionais do setor agrícola, adubos e pesticidas.

A introdução dos combustíveis sintéticos vai permitir que continuem em circulação cerca de 300 milhões de automóveis com motores de combustão, só na Europa. E permite a utilização da mesma rede de distribuição e venda ao público que já existe para os combustíveis fósseis.

Outra questão que não é de desprezar, é a manutenção de cerca de 15 milhões de empregos que o setor automóvel sustenta, desde a produção, à comercialização, seja de veículos ou de combustíveis.

a indústria automóvel vale 15 milhões de empregos

A transição para motores elétricos é um problema difícil de resolver em alguns setores, nomeadamente nos transportes aéreos e marítimos. E a descarbonização industrial é ainda mais difícil de alcançar. O desenvolvimento dos combustíveis sintéticos é, agora, uma esperança para evitar uma revolução nesses setores.

O preço dos combustíveis sintéticos depende da escala de utilização, mas se os 300 milhões de automóveis com motores de combustão continuarem a circular, essa escala está garantida.

A questão da dependência dos Estados perante os produtores de combustíveis já é outra conversa. Só economias muito industrializadas e tecnologicamente avançadas poderão sonhar em produzir grandes quantidades desse tipo de combustíveis, enquanto que a eletricidade é mais acessível a todos, principalmente se tiver origem em fontes de energia renovável, como a solar ou a eólica.

A discussão continua, mas se a mobilidade elétrica deixa de ser uma emergência, já a crise climática continua a ser.

carros elétricos? só se for o 28, da Graça à Estrela, em Lisboa

Malato não-binário

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José Carlos Malato é um tipo curioso. Podemos usar o termo “interessante”, mesmo correndo o risco de sermos mal interpretados. Ele é interessante, não por ser bonito ou ter um corpo CR7, mas por ser pessoa de convicções. Quem tem ideias e as defende com coragem, é uma pessoa interessante.

No caso de Malato, quando podia ficar calado e todos julgávamos que era só mais um gay a fazer pela vida com sucesso, eis que ele vem esclarecer urbi et orbi como vive essa condição, ao assumir-se como pessoa não-binária. Ou seja, sem género definido. Um não-binário é tudo e nada. E reclama para esta causa a própria Igreja Católica, ao atribuir ao papa João Paulo I a frase “Deus é pai e mãe”.

Ser não-binário é uma questão de princípio ativista, pelo menos para mim. Acredito que a dualidade masculino/feminino ou outro está presente nos seres humanos apesar da cultura fascista e da sociedade patriarcal a tentarem esmagar”.

Controverso? Sim. E por isso, o nosso aplauso.

Na íntegra, a mensagem de Malato publicada no Instagram:

“Ser não-binário é uma questão de príncipio activista, pelo menos para mim. Acredito que a dualidade masculino/feminino ou outro está presente nos seres humanos apesar da cultura fascista e da sociedade patriarcal a tentarem esmagar. Isso significa que a minha identidade de género e expressão de género não são limitadas ao masculino e feminino. Estão para além desse espartilho maniqueísta. Por exemplo, ao nível da linguagem, dizer que se está ‘cansada’ é mais forte, semanticamente, do que ‘cansado’. ‘Sou portuguesa! Portuguesa concerteza’ – verso de Rosa Lobato de Faria – expressa melhor o que eu sou do que “sou português” ou “Sou um homem. Assim o provam as calças!”, como tão bem disse Ary dos Santos. Esse não-binarismo está até presente nas insondáveis palavras do Papa João Paulo I quando afirma que “Deus é pai e mãe”. O meu ‘não-binarismo-pessoal’ é uma forma de dar representação e visibilidade a todos/todas/todes que sentem/ são assim! É o meu dever enquanto megafone que detém algum poder de fala na sociedade portuguesa.
É também uma demonstração de empatia com todes os que sentem como eu e um manifesto contra todas as formas de discriminação e violência que muit@s sofrem/sofremos todos os dias! Numa era marcada pelo terrorismo das redes sociais! Ninguém pode ser quem não é. E ser quem se é não prejudica ninguém. E a mais ninguém diz respeito! Disse!” #josecarlosmalato

A MINISTRA FEZ MAL EM SAIR

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A maioria das pessoas gosta do SNS e quer que esse serviço permaneça público, gratuito, universal. E que seja sempre cada vez melhor, evidentemente.

O drama do SNS é a luta encarniçada que o setor privado lhe move. Os grandes grupos capitalistas que ganham milhões a vender tratamentos médicos e afins, em boa parte através de contratos com o Estado.

O que esses grupos fazem é aliciar médicos e enfermeiros, com mais três moedas por mês, retirando recursos humanos ao SNS para que o sistema falhe. No dia em que os privados, finalmente, conseguirem abocanhar todo o setor da saúde, os médicos e enfermeiros escusam de pensar em melhorias das suas condições de trabalho e de vida. É o capitalismo, a exploração laboral corre-lhe pelas veias.

A saída de Marta Temido é de lamentar. Era uma ministra carismática, humanista. Faltou-lhe um pouco da resiliência que, um dia, chegou a reclamar dos médicos. As falhas do sistema são de lamentar, mas pontuais. Só a exposição mediática lhes deu maior dimensão.

A rede pública hospitalar tem âmbito nacional, são centenas de hospitais. Com dezenas de milhar de médicos e centenas de milhar de enfermeiros. Nas televisões, os estafados dramas ocorrem sempre no Amadora-Sintra ou no Beatriz Ângelo, nas periferias de Lisboa. Hospitais que atendem milhares de utentes diariamente. A percentagem de falhanços deve ser irrisória. Mas por cada um, o drama particular evolui nas pantalhas e torna-se paradigma do sistema. Uma mentira.

A vida não tem preço, é evidente, mas o juramento de Hipócrates é feito por médicos que, agora, pedem escusa de responsabilidades. Quando alguém morre porque em determinado hospital lhe foi recusado atendimento, a Polícia Judiciária devia tomar conta do assunto.

E há a questão da formação dos médicos. Um médico leva anos a ser formado. Pelo menos, sete anos. E os médicos especialistas demoram mais dois ou três até lá chegar. Isto obriga a um investimento contínuo na formação. Quando se desinveste, os efeitos só surgem mais de uma década depois. Até aqui, as escolas de medicina têm reservado lugares para as elites. No privado, para as elites endinheiradas. No público, para as elites académicas que, no fundo, vêm das elites endinheiradas.

A ministra desistiu. Fez mal. O problema não vai desaparecer com ela. Deveria ser ela a acabar com o problema.

TAP ATACADA POR PIRATAS INFORMÁTICOS

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Apareceram em 2020 e chamam-se Ragnar Locker. É um gang do cibercrime. Atacam empresas, roubam dados confidenciais, pedem resgate. Vivem disso.

O FBI (polícia federal dos Estados Unidos) anda atrás deles, mas ainda não os apanhou. Há já dezenas de vítimas deste grupo, quase sempre empresas dos setores da finança, energia, até ministérios de diferentes governos da Europa e América. O mais recente ataque dos Ragnar Locker foi a TAP.

A transportadora aérea portuguesa assumiu o ataque, mas minimizou-o em público. Diz que os estragos foram controlados.

comunicado da TAP no Twitter

Os piratas desmentem a TAP. Dizem que têm centenas de Gigabytes de dados retirados dos computadores da TAP. E mostraram uma imagem que indicia o que afirmam: uma folha excell com o que parece ser informação de clientes roubada dos servidores da TAP, incluindo nomes, datas de nascimento, e-mails e endereços.

Não é a primeira vez que este grupo de piratas informáticos ataca empresas portuguesas. A EDP foi alvo de um ataque informático à sua rede corporativa em 13 de abril de 2020. Na altura, a empresa teve dificuldades nos serviços e operações. Os piratas informáticos exigiram um resgate de 10 milhões de euros, ameaçando entregar a informação roubada aos concorrentes. A EDP nunca confirmou ter pago esse resgate.

Ataque contra central nuclear de Zaporizhzhia

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A guerra é uma loucura, o que está a acontecer na Ucrânia não foge a esse padrão de demência coletiva.

Forças especiais russas dizem ter desmantelado grupo de sabotadores ucranianos que se preparava para lançar um ataque à central nuclear durante a visita dos inspetores da AIEA.

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Regresso às aulas no meio da guerra

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Na Ucrânia, nos territórios ocupados por separatistas e seus aliados russos, as escolas deverão reabrir dia 1 de setembro. Uma estranha tentativa de normalizar a vida das populações.

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O sonho comanda a vida

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E essa 3ª dimensão, a do sonho, assume importância vital. Somos corpo – e há que alimentá-lo; somos espírito – e há que perenemente o envolver num manto de pensamentos positivos; somos sonho – e há que jamais perder essa capacidade de sonhar.

Porventura, não consciencializamos bem as frases dos poetas: «Deus quer, o homem sonha, a obra nasce», sentenciou Camões; «Eles não sabem nem sonham que o sonho, o sonho comanda a vida», proclama António Gedeão na sua imorredoira ‘Pedra Filosofal’, imortalizada por Manuel Freire.

¿Não é um sonho também O Principezinho, de Saint-Exupéry – como o foi, entre tantos outros, O Feiticeiro de Oz, com a inesquecível Judy Garland?!…

Escreveu a pintora e professora Eugenia Serafini um livro de estranho título: Il Preside che camminava sui rami di pino e i Racconti della Luna (Edições Artecom-onlus, Roma, 2019). «O Presidente que caminhava pelas ramagens de um pinheiro» e que, já no gabinete, querendo negar, com algum nervosismo, que não, não andara pelo bosque, passou as mãos pelo cabelo e deixou cair no chão uma agulha de pinheiro!…

Com prefácio de Marcello Carlino e posfácio de Nicolò Giuseppe Brancato, o livro, profusamente ilustrado (tenho, aqui para nós, o privilégio de possuir um exemplar pintado à mão pela autora com pastel giotto natural!…), contém 14 contos nas suas 112 páginas: «Os anjos», «Anita e o cocheiro», «O sonho do almirante», «Aquela que contempla a Lua»….

Contos breves, onde, do ponto de vista gráfico, a autora deu largas à sua criatividade: os negros e os itálicos surgem inopinadamente; as maiúsculas podem aparecer no meio da palavra; a paginação obedece, aqui, a um eixo de simetria e está alinhada apenas à esquerda, mais adiante, inclusive na mesma pagina. Dir-se-ia que a intenção é chocar, despertar a atenção… sonhar!

Prendeu-me, de modo especial, a atenção, um dos contos maiores (p. 79-105), «História para um coração de criança», que a Autora quis fazer preceder de uma epígrafe: «Perdoai-me, amigos meus, se não confiei no vosso ser adultos e escrevi e sonhei com o nosso coração criança».

            Começa assim:

«Encontrara-a na areia da praia, qual pétala murcha: tomou-a nos braços, temendo que estivesse morta, quão pálida estava e fria; mas não: respirava ainda! Ainda que estivéssemos no solstício de Verão, chovera muito e ainda estava frio, como em Março: o velho Renato descera para ver o mar cinzento, sob o cinzento do céu, quase empurrado por um pressentimento, e dera com ela, por acaso, estendida entre areia e mar».

Levou-a para casa e, tendo-a aconchegado nos cobertores, viu que recuperara a cor: «Era uma menina loira e frágil, muito bonita». Giuggiola de seu nome, soube-o depois.

Daí por diante, sucederam-se os encontros, envoltos sempre numa aura de poesia, em diálogos límpidos e profundos, a lembrar os do Principezinho de Saint-Exupéry.

«O velho ocupava-se nas lides habituais: as tarefas domésticas, a limpeza, os trabalhos na horta e no jardim; podava as rosas, cortava agora um lírio para pôr na jarra; mas bastava-lhe pensar na menina e logo ela lhe aparecia pela frente, como que por encanto».

Giuggiola era amiga doutro menino, o Lino; brincava com ele, sonhava os mesmos sonhos que ele; só que, um dia, entrou num sonho que não lhe agradou e, ao fugir, caiu – e foi assim que Renato a encontrou. E Lino nunca mais apareceu.

Passaram os dias neste enleio. «E o velho via Giuggiola sentada, muitas vezes, na orla do tempo, a esperar o sol-pôr: com a cabecinha entre as mãos, esperava que o seu sonho aparecesse».

Esta, pois, a atmosfera, sedutora para crianças e para os adultos também, estou certo, porque entre linhas há frases que nos obrigam a parar.

Está prestes a vir, agora, neste tempo em que escrevo, o equinócio do Outono, a deixar para trás praias, sol, divagações… Espera-nos tenebrosa engrenagem a correr de manhã à noite e, amiúde, noite adentro. Precisamos de a suster; precisamos de, sentados na orla do tempo, abrir os nossos braços ao Sonho! Como Giuggiola.

O SUICÍDIO DA GNR

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Pegou na arma, destravou-a, encostou-a à cabeça e disparou. Morreu horas depois. Era militar da GNR. Tudo aconteceu dentro do quartel da Pontinha, na semana passada.

Carlos Barros deixou duas cartas. Uma dirigida à família e outra à instituição. As duas foram apreendidas e o que lá está escrito permanece no segredo dos generais que mandam na GNR.

Depreende-se que nessas cartas, Carlos Barros justifica o suicídio. Depreende-se que nessas cartas estejam as razões do desespero profundo, doloroso, que o levou a acabar com a vida. Depreende-se que essas razões estejam relacionadas com a GNR, daí haver uma carta para a instituição.

A apreensão das cartas não tem qualquer justificação, em termos de investigação criminal. Não há nenhum indício de que a morte de Carlos Barros não tenha sido um ato suicidário. Impor o segredo destes documentos apenas resguarda a GNR e quem a comanda. Porque é evidente que alguma coisa de muito errado se passa na GNR. Nos últimos dois meses, três suicídios. Nos últimos 22 anos, 200 suicídios. Na frieza destes números, a frieza do Estado.

SINTRA, SEM OPOSIÇÃO RESTA ILDEFONSO

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Manuel Ildefonso é, hoje, o único símbolo da oposição a Basílio Horta na presidência da Câmara Municipal de Sintra.

Depois de ter perdido a maioria nas últimas eleições autárquicas, Basílio recorreu ao velho expediente de “comprar a paz”. Deu pelouros (e os salários correspondentes) a vereadores de outros partidos e montou, assim, a sua geringonça com que governa Sintra.

Sem oposição, resta Ildefonso. Este sintrense que vive na rua depois de ter ficado doente, depois de ter sido despedido e depois de ter ficado sem casa por não poder pagar a renda, é o único engulho que amargura os dias ao autarca eleito pelo PS, mas que se mantém fiel ao estilo salazarento que lhe ensinaram no partido único de antes do 25 de abril de 1974.

Basílio há 4 anos que manda os seus sipaios enxotar Manuel Ildefonso da frente da porta dos Paços do Concelho. Basílio não gosta de chatos e Ildefonso é um grande chato. Há 4 anos em manifestação de protesto por não lhe ter sido atribuída uma habitação social. O que se passou há dias é uma amostra do que têm sido estes 4 anos de luta pelo direito ao protesto.

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Ação provoca reação. Hoje houve uma reunião online de pessoas que pretendem dar apoio moral a Manuel Ildefonso. Juntaram-se milhares de pessoas, ao longo de cerca de hora e meia de discussão e de troca de ideias sobre como ajudar o resistente.

O primeiro passo foi a criação de uma página no Facebook “Somos Todos Ildefonso”, uma espécie de ponto de encontro dos que apoiam Ildefonso.

Os passos seguintes serão manifestações presenciais, ao lado do sr. Manuel, em frente à Câmara Municipal. A ideia apresentada é reunir um bom número de pessoas e irem todos de bengala, sentarem-se no muro onde a Polícia Municipal não deixa que Ildefonso se sente. Ou irem todos de chapéu de sol. Ou irem todos almoçar com o sr. Manuel, no chão do largo, como ele costuma fazer quando não se pode sentar no muro. Ou irem todos fazer a barba para o chafariz. Ou levarem todos um rádio a pilhas para ouvir Ary dos Santos declamar:

"Tu que dormes à noite
na calçada do relento,
numa cama de chuva
com lençóis feitos de vento,
tu que tens o Natal da solidão
do sofrimento,
és meu irmão, amigo,
és meu irmão..."