SINTRA, SEM OPOSIÇÃO RESTA ILDEFONSO

Sipaio: no tempo colonial, soldado ou polícia indígena recrutado para policiamento local ou rural.

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Manuel Ildefonso é, hoje, o único símbolo da oposição a Basílio Horta na presidência da Câmara Municipal de Sintra.

Depois de ter perdido a maioria nas últimas eleições autárquicas, Basílio recorreu ao velho expediente de “comprar a paz”. Deu pelouros (e os salários correspondentes) a vereadores de outros partidos e montou, assim, a sua geringonça com que governa Sintra.

Sem oposição, resta Ildefonso. Este sintrense que vive na rua depois de ter ficado doente, depois de ter sido despedido e depois de ter ficado sem casa por não poder pagar a renda, é o único engulho que amargura os dias ao autarca eleito pelo PS, mas que se mantém fiel ao estilo salazarento que lhe ensinaram no partido único de antes do 25 de abril de 1974.

Basílio há 4 anos que manda os seus sipaios enxotar Manuel Ildefonso da frente da porta dos Paços do Concelho. Basílio não gosta de chatos e Ildefonso é um grande chato. Há 4 anos em manifestação de protesto por não lhe ter sido atribuída uma habitação social. O que se passou há dias é uma amostra do que têm sido estes 4 anos de luta pelo direito ao protesto.

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Ação provoca reação. Hoje houve uma reunião online de pessoas que pretendem dar apoio moral a Manuel Ildefonso. Juntaram-se milhares de pessoas, ao longo de cerca de hora e meia de discussão e de troca de ideias sobre como ajudar o resistente.

O primeiro passo foi a criação de uma página no Facebook “Somos Todos Ildefonso”, uma espécie de ponto de encontro dos que apoiam Ildefonso.

Os passos seguintes serão manifestações presenciais, ao lado do sr. Manuel, em frente à Câmara Municipal. A ideia apresentada é reunir um bom número de pessoas e irem todos de bengala, sentarem-se no muro onde a Polícia Municipal não deixa que Ildefonso se sente. Ou irem todos de chapéu de sol. Ou irem todos almoçar com o sr. Manuel, no chão do largo, como ele costuma fazer quando não se pode sentar no muro. Ou irem todos fazer a barba para o chafariz. Ou levarem todos um rádio a pilhas para ouvir Ary dos Santos declamar:

"Tu que dormes à noite
na calçada do relento,
numa cama de chuva
com lençóis feitos de vento,
tu que tens o Natal da solidão
do sofrimento,
és meu irmão, amigo,
és meu irmão..."

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